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Historia da Capoeira

Historia da Capoeira

Assessment

Presentation

Physical Ed

7th Grade

Practice Problem

Hard

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Petruz Bettuz

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22 Slides • 0 Questions

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História
Origens da Capoeira

  • A capoeira surgiu no Brasil durante a colonização portuguesa. No início, os colonizadores procuraram escravizar os indígenas que viviam no território, mas a resistência e as condições físicas dos nativos resultaram em alta mortalidade no cativeiro.

  • Com isso, os colonizadores recorreram à escravidão de africanos, trazendo milhões de negros do continente africano para o Brasil. Essa prática marcou profundamente a sociedade brasileira, inaugurando um período de grande opressão e exploração.

  • Durante a escravidão, os negros enfrentaram torturas, castigos e a morte como forma de controle. A capoeira, nesse contexto, surgiu como uma expressão cultural e resistência dos escravizados, deixando um legado importante na história do Brasil.

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  • Assim, já no início do século XVI, milhares de africanos foram trazidos ao Brasil. Com sua chegada, a história do país passou por grandes transformações. Inicialmente, foram usados como mão-de-obra nos canaviais, depois na mineração e em outras atividades econômicas.

  • Embora trazidos contra sua vontade, os africanos trouxeram consigo sua cultura e tradições. Mesmo em um ambiente marcado pela opressão e os horrores da escravidão, sua cultura se manteve viva.

  • Com isso, plantaram a semente da liberdade, que nunca foi completamente sufocada, resistindo mesmo em meio à brutalidade e violência do sistema escravista.

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  • Essa cultura não estava nas escolas, livros ou museus, mas foi preservada no corpo, na mente e na experiência histórica do povo. Por séculos, foi transmitida de geração em geração.

  • Ela se manifestava por meio da música, dança, comida, filosofia e religião. Ao observarmos a história do Brasil a partir do século XVI, vemos a forte presença da cultura negra e suas diversas expressões.

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​a) A Resistência

  • Nenhum povo suporta a escravidão sem se revoltar, e com os negros no Brasil não foi diferente. As primeiras reações foram fugas e revoltas individuais e desorganizadas. Com o tempo, perceberam a necessidade de organizar melhor a resistência contra o opressor.

  • Começaram a planejar fugas e pensar em estratégias de luta pela liberdade. Além disso, entenderam a importância de criar refúgios seguros, distantes das fazendas, da polícia e dos capangas dos escravocratas.

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b) O Corpo Como Arma

  • Para escapar, o negro percebeu que precisava lutar, mas não tinha acesso a armas ou recursos de guerra. Restava-lhe apenas o corpo e o desejo inabalável de liberdade. Trouxe da África lembranças de jogos e da "dança das zebras", uma disputa festiva. O trabalho pesado também fortalecia seus músculos.

  • Era necessário canalizar essa força e agilidade para a luta. A observação de animais brasileiros, como o lagarto, a cobra e a onça, que atacam e se defendem com destreza, inspirou movimentos de combate. Assim, começaram a treinar rasteiras, pulos e cabeçadas, que mais tarde se desenvolveriam ainda mais.

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c) O Nome

  • Para praticar e organizar os movimentos de luta, os negros precisavam se afastar dos olhares dos feitores e guardas. Encontraram refúgio na natureza, nos matos próximos às senzalas, onde se escondiam e se preparavam. Escolhiam áreas com poucas árvores e vegetação baixa, chamadas de "ca poeira" em língua indígena.

  • Esse termo passou a ser associado à forma de luta e ao treinamento físico usado pelos negros para enfrentar seus opressores, dando origem ao nome Capoeira.

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d) Arte - Dança - Música - Instrumento

...Louvo aqui meu berimbau mestre eterno de todo capoeira na senzala ele avisava da chegada do feitor Berimbau avisou ê ô a chegada do feitor...


  • Nem sempre era possível se afastar para ensaiar a luta no mato. Durante a escravidão, os negros frequentemente se reuniam em grupos para cantar, dançar e cultuar os orixás, celebrando com ritmos e cantos. Como a Capoeira combina movimentos de dança, esses encontros festivos e místicos se tornaram oportunidades para praticar a arte.

  • Essas reuniões não eram reprimidas pelos senhores, permitindo que a Capoeira evoluísse com o acompanhamento de instrumentos como o berimbau, o atabaque e o agogô. O berimbau se destacou e se tornou o símbolo da Capoeira, devido às suas capacidades rítmicas e sonoras. Considerado o "mestre dos mestres", ele comandava o jogo com seus diferentes toques.

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  • Assim, ao som dos instrumentos, palmas e cantorias, os negros recriavam seu universo cultural, cultivavam seu misticismo e se preparavam para a luta. A leveza dos felinos e a estética de um bailarino se uniam a poderosos golpes, rápidos e desequilibrantes, como o ataque da temível cascavel.

​Primeiro registro sobre a capoeira. "dança de Angola", que recebia esse nome em função da nação africana que (Rugendas, 1824).

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Capitão do Mato a procura de escravos foragidos. (Rugendas, 1824)

​e) As Fugas e os Quilombos

  • Apesar da continuidade da escravidão, com o sangue dos negros manchando as terras do Brasil e sua força de trabalho impulsionando a economia colonial, eles não aceitavam essa condição desumana. Lutavam, fugiam e buscavam apoio em outros setores da comunidade, sensibilizando os abolicionistas.

  • Durante as fugas, usavam a Capoeira para enfrentar seus opressores. Procuravam refúgios em áreas de mata, onde houvesse água boa e terra fértil, e que fossem de difícil acesso aos "capitães-do-mato", encarregados de recapturar os fugitivos. Esses locais, onde se reuniam grandes grupos de negros, tornaram-se conhecidos como "quilombos", e seus moradores eram chamados de "quilombolas".

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  • O mais famoso e importante quilombo da história brasileira foi o Quilombo de Palmares, que surgiu no início do século XVII na região do atual Estado de Alagoas. Esse quilombo destacou-se pela sua organização interna, capacidade de resistência na luta contra os escravocratas e eficiência na produção de alimentos, roupas e, posteriormente, armas. Palmares resistiu a quase um século de ataques dos brancos.

  • Cada quilombo tinha um líder, conhecido como Ganga Zumba, que obedecia a um líder maior, Zumbi, cuja influência se estendia a vários outros quilombos. Zumbi era visto como um homem-guerreiro e um deus da guerra, tornando-se uma figura lendária e o símbolo da luta e resistência contra a injustiça e a opressão.

  • Zumbi dos Palmares comandou os guerreiros de Palmares nos últimos anos de existência do quilombo, e sua liderança foi crucial na defesa da liberdade e dos direitos dos negros, consolidando seu legado como um ícone na luta contra a escravidão.

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  • Zumbi dos Palmares, estrategista habilidoso e guerreiro imbatível, instituiu a Capoeira como parte do treinamento de seus homens. O Quilombo de Palmares foi destruído em 1694 pelo bandeirante paulista Domingos Jorge Velho. Embora Zumbi tenha conseguido escapar inicialmente, acabou sendo traído e preso.

  • Após ser capturado, Zumbi foi decapitado, e sua cabeça foi exposta como um meio de intimidar os negros. No entanto, essa estratégia falhou. Os negros viam Zumbi como um símbolo imortal da resistência, e a luta pela liberdade continuou a ardente chama de sua memória.

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A Abolição e as Dificuldades

  • Em 1888, ocorreu a "Abolição da Escravatura". A capoeira desempenhou um papel importante na luta pela liberdade, sendo uma forma de resistência que apavorava os opressores. Os negros se organizavam em grupos chamados "maltas", formados por capoeiristas temíveis que atacavam fazendas e engenhos para libertar outros escravizados. A capoeira, por meio do medo que impunha, convenceu muitos a apoiar a abolição em vez de manter a escravidão.

  • No entanto, os problemas dos negros não terminaram com a assinatura da Lei Áurea. A falta de trabalho, o difícil acesso à educação e a exploração dos que conseguiam emprego continuaram a marcar a história do Brasil até os dias atuais. Após a abolição, os capoeiristas encontraram na capoeira uma forma de sustento e uma maneira de educar seus filhos e apadrinhados.

  • Eles realizavam exibições públicas, participavam de apostas e desafios, que ofereciam a oportunidade de ganhar algum dinheiro. A capoeira continuou a ser uma arma de defesa para uma camada social explorada e discriminada, mantendo viva a luta por direitos e dignidade.

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  • Por outro lado, foi impossível evitar o surgimento de grupos que colocaram a capoeira a serviço de interesses de ricos e políticos inescrupulosos, que manipulavam o povo contra si mesmo. As "maltas" menos esclarecidas eram usadas para desmantelar comícios, perseguir adversários políticos e interromper reuniões públicas.

  • Há relatos de que, aproveitando a ilusão de que a princesa Isabel era protetora dos negros, monarquistas formaram grupos de capoeiristas que atacavam os republicanos, utilizando a capoeira como uma ferramenta para seus objetivos políticos.

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A Proibição

  • Perseguida a ferro e fogo durante a escravidão, a capoeira continuou a ser alvo dos poderosos mesmo após a abolição. Agora, a luta contra a capoeira se dava por meio de leis que visavam sua extinção. O Código Penal de 1890, criado durante o governo de Deodoro da Fonseca, proibiu a prática da capoeira em todo o Brasil.

  • Essa proibição foi reforçada com decretos que impunham penas severas aos capoeiristas. A perseguição oficial se somou ao ódio de alguns chefes de polícia e autoridades locais, que tentavam exterminar completamente a capoeira. O motivo para tal repressão estava na essência da capoeira, que simbolizava resistência, liberdade e a luta contra a opressão.

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A Liberdade

  • Em nome da liberdade, não apenas para os negros, mas para a capoeira como um todo, a luta continuou. Mesmo sob a repressão, grandes capoeiristas como Nascimento Grande, Manduca da Praia, Natividade, Pedro Cobra e Besouro Mangangá se destacaram na história.

  • Besouro, que nasceu na Bahia, ganhou seu nome devido à lenda que diz que ele tinha a capacidade de se transformar em inseto e voar para escapar de homens armados. Sem usar armas, ele dedicou sua vida a combater a injustiça, defendendo trabalhadores contra patrões desonestos e enfrentando a polícia em defesa de inocentes.

  • Perseguido, Besouro nunca foi capturado; nem mesmo as balas conseguiram derrubá-lo. No entanto, ele foi vítima de uma arma ainda mais poderosa: a traição. Seu nome é uma glória na capoeira, simbolizando todos aqueles que lutam contra a injustiça e a desigualdade.

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  • Mesmo diante de toda a perseguição, a Capoeira não foi extinta. Ela continuou a ser transmitida de pai para filho, de amigo para amigo, mantendo-se viva em terreiros, quintais e matas. Sua prática não apenas sobreviveu, mas também se aperfeiçoou, aprimorando as habilidades corporais para diversos tipos de enfrentamentos.

  • A Capoeira resistiu aos diferentes períodos ditatoriais da República no Brasil. Em 1932, durante o governo de Getúlio Vargas, o país enfrentou mais uma crise. Vargas, um político astuto, decidiu agradar o povo temendo uma possível revolta. Reconhecendo que a Capoeira estava enraizada na cultura popular, ele autorizou sua prática, mas impôs a condição de que fosse limitada ao "folclore", despojando-a de sua essência como uma forma de resistência e cultura popular.

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Da Angola Surge a Regional

  • Após a abolição, a história da capoeira passou por uma profunda divisão. Continuou a ser praticada em suas origens, sob o nome de Capoeira de Angola, mas começou a perder espaço para outras formas e costumes que atendiam a interesses econômicos, como o turismo, e políticos, visando agradar as autoridades.

  • Um dos grandes defensores da capoeira como cultura popular e herança histórica foi Mestre Pastinha, Vicente Ferreira Pastinha, conhecido como "Mestre dos Mestres". Para Pastinha, a capoeira era muito mais do que uma luta ou um esporte; era uma filosofia de vida. Ele dedicou sua vida à preservação e à valorização da capoeira, destacando sua importância cultural e histórica.

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Mestre Pastinha

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A Grande Marca da Capoeira de Angola

  • A grande característica da Capoeira de Angola é seu apego à intuição e à capacidade do corpo de responder às necessidades do momento. Essa forma de capoeira valoriza mais o reflexo e a malícia do que a força física, sendo marcada pela defesa ao invés do ataque e pela perspicácia em perceber o momento certo para aplicar os golpes decisivos. Esses elementos conferem à capoeira uma beleza plástica, e nas rodas, os movimentos parecem ocorrer em câmera lenta, o que levou Mestre Pastinha a ser chamado de "O Poeta da Capoeira".

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Mestre Bimba

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  • Outro nome de destaque na capoeira foi Mestre Bimba, Manoel dos Reis Machado, baiano e criador da Capoeira Regional. Ele começou sua jornada na capoeira através da Capoeira de Angola, aprendendo com um mestre africano. Como excelente aluno, rapidamente se tornou um exímio capoeirista e focou no aperfeiçoamento técnico da capoeira, sendo o primeiro a sistematizar uma abordagem para o aprendizado da luta.

  • Bimba estudou os movimentos do corpo, buscando equilíbrio e velocidade. Ele também explorou outras lutas e danças brasileiras, incorporando essas influências em seu método de ensino, que incluía uma série de exercícios físicos antes do aprendizado da capoeira em si. Embora Bimba tenha sido absorvido pela ideia de transformar a capoeira em um esporte nacional, desvinculando-a de sua essência histórica, ele prestou um grande serviço à capoeira ao tornar seu aprendizado acessível a todos, independentemente de cor ou força física.

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Nos Dias Atuais

  • Hoje, após muita luta e esforço, a capoeira conquistou mais espaço e respeito. Sua força e importância são tão grandes que, mesmo diante de inúmeras perseguições, ela continua a existir e se multiplicar. O Brasil conta com inúmeras academias dedicadas à capoeira, e muitas delas se preocupam em preservar sua integridade histórica, oferecendo ensinamentos tanto da capoeira regional quanto da capoeira de Angola.

  • Em toda academia respeitável, os alunos aprendem os cânticos, as músicas e as letras, além de dominar pelo menos um dos instrumentos da capoeira. Um forte movimento social, junto a pedagogos, psicólogos e professores, vem trabalhando para demonstrar às autoridades que o ensino da capoeira é uma prática altamente benéfica para os estudantes brasileiros. Esse movimento busca a inclusão da capoeira nas aulas de educação física nas escolas.

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  • Muitas instituições já adotaram a capoeira, especialmente no Rio de Janeiro, na Bahia e em São Paulo. O argumento convincente para essa adoção é que a capoeira proporciona equilíbrio, concentração, aumento dos reflexos e coordenação motora. Além disso, o contato com a capoeira oferece um mergulho na história do país, incentivando uma visão de mundo mais solidária e humana, em meio ao conturbado contexto da sociedade atual.

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História
Origens da Capoeira

  • A capoeira surgiu no Brasil durante a colonização portuguesa. No início, os colonizadores procuraram escravizar os indígenas que viviam no território, mas a resistência e as condições físicas dos nativos resultaram em alta mortalidade no cativeiro.

  • Com isso, os colonizadores recorreram à escravidão de africanos, trazendo milhões de negros do continente africano para o Brasil. Essa prática marcou profundamente a sociedade brasileira, inaugurando um período de grande opressão e exploração.

  • Durante a escravidão, os negros enfrentaram torturas, castigos e a morte como forma de controle. A capoeira, nesse contexto, surgiu como uma expressão cultural e resistência dos escravizados, deixando um legado importante na história do Brasil.

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