
Revisão - Língua Portuguesa
Authored by JOSÉ SANTOS
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1.
MULTIPLE CHOICE QUESTION
30 sec • 1 pt
Manual de auto-criação
Manoel Ribeiro, foi professor universitário, político e provavelmente um pai muito bom. Seu filho, João Ubaldo Ribeiro, importante escritor contemporâneo e atual membro da Academia Brasileira de Letras, relembrou essa última característica de sua criação no livro “Dez Bons Conselhos de Meu Pai”, uma coletânea de virtudes e modos de usá-las, ou um “lifehack” com sabedorias para crianças. Porém, para as crianças eternas que nos habitam.
São conselhos básicos, como “Não seja colonizado”, “Não seja intolerante”, “Não seja indiferente”, entre outros, fundamentais por promoverem o tipo de atitude tão relacionada com a nossa criação e arraigada ao subconsciente (freudianismos), que uma sistematização dos tais acaba por delatar-nos para nós mesmos, a partir de uma linguagem acessível ao público infantil, e que em poucas linhas (afinal, trata-se de uma lista) mostra como grande parte do “Mal Estar da Civilização” poderia ser evitada caso deixasse de ser costume, passado de pai para filho
A lista de conselhos e os comentários que a permeiam dialogam com ilustrações de Bruna Assis Brasil; os desenhos são interessantes colagens de traços e texturas que remetem em geral ao tema familiar, e apresentam elementos do universo retrô, além de um tom amarelado que lembra fotografias antigas.
Dez Bons Conselhos de Meu Pai, como ressalta o próprio João Ubaldo no início, é uma proposta de “consciência política”, e sendo assim, de metodologia para a formação de seres humanos.
Clarissa Xavier.
(Fonte: http://maisresenha.blogspot.com/2012/, acesso em 15 de novembro de 2018)
Com relação ao texto lido, podemos dizer que o seu gênero textual é uma resenha por apresentar
Um resumo da obra, sem preocupação em construir uma apreciação crítica.
Uma análise da obra, levando em consideração os temas e a forma como ela foi construída, de modo que a autora da resenha apresenta passagens argumentativas como em “os desenhos são interessantes colagens de traços e texturas que remetem em geral ao tema familiar, e apresentam elementos do universo retrô, além de um tom amarelado que lembra fotografias antigas”.
Uma síntese narrativa da obra, preterindo os valores argumentativos em função do encadeamento cronológico do texto.
Uma descrição da obra, com passagens que aludem mais ao enredo que à preocupação crítica do texto analisado.
2.
MULTIPLE CHOICE QUESTION
30 sec • 1 pt
LXXVIII (Camões, 1525?-1580)
Leda serenidade deleitosa,
Que representa em terra um paraíso;
Entre rubis e perlas doce riso
Debaixo de ouro e neve cor-de-rosa;
Presença moderada e graciosa,
Onde ensinando estão despejo e siso
Que se pode por arte e por aviso,
Como por natureza, ser fermosa;
Fala de quem a morte e a vida pende,
Rara, suave; enfim, Senhora, vossa;
Repouso nela alegre e comedido:
Estas as armas são com que me rende
E me cativa Amor; mas não que possa
Despojar-me da glória de rendido.
CAMOES, L. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2008.
A pintura e o poema, embora sendo produtos de duas linguagens artísticas diferentes, participaram do mesmo contexto social e cultural de produção pelo fato de ambos
apresentarem um retrato realista, evidenciado pelo unicórnio presente na pintura e pelos adjetivos usados no poema.
valorizarem o excesso de enfeites na apresentação pessoal e na variação de atitudes da mulher, evidenciadas pelos adjetivos do poema.
apresentarem um retrato ideal de mulher marcado pela sobriedade e o equilíbrio, evidenciados pela postura, expressão e vestimenta da moça e os adjetivos usados no poema.
desprezarem o conceito medieval da idealização da mulher como base da produção artística, evidenciado pelos adjetivos usados no poema.
3.
MULTIPLE CHOICE QUESTION
30 sec • 1 pt
Leia o soneto de Luís de Camões e Soneto do amor total, de Vinícius de Moraes, abaixo.
Texto I
Luís de Camões
Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;
É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;
É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?
Texto II
Vinícius de Moraes
Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.
Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.
Amo-te como um bicho, simplesmente,
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.
E de te amar assim muito e amiúde,
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.
Considere as seguintes afirmações sobre os dois poemas.
I. Os dois poemas apresentam a temática amorosa: no soneto de Camões, o sujeito lírico define o amor; no soneto de Moraes, o sujeito lírico diz como ama.
II. O soneto de Camões apresenta uma estrutura antitética nas três primeiras estrofes, como a exprimir o caráter contraditório do sentimento amoroso.
III. O soneto de Vinícius de Moraes apresenta o sujeito lírico que ama de corpo e alma, ampliando o sentimento amoroso à dimensão física.
Quais estão corretas?
Apenas I.
Apenas II.
Apenas I e III.
I, II e III.
4.
MULTIPLE CHOICE QUESTION
30 sec • 1 pt
Os textos a seguir são referências paras as questões 5:
Texto 1
E se o Auto da Barca do Inferno enfatizava os pecados dos mais abastados, o Auto da Compadecida evidenciou a salvação dos pobres e sofridos, ainda que sagazes golpistas que emergem do universo de Ariano Suassuna. Como autos de moralidade, as duas obras traduzem as falhas da sociedade à qual cada dramaturgo pertencia.
Flávia Peretti e Luiza Carvalho, com texto disponível em: https://repositorio.ifes.edu.br/bitstream/handle/123456789/1596/TCC_Auto_Barca_Inferno_Auto_Compadecida
Texto 2
BISPO
Senhor demônio tenha compaixão de um pobre Bispo.
ENCOURADO
Ah, compaixão... Como pilhéria é boa! Vamos, todos para dentro. Para dentro, já disse. Todos
para o fogo eterno, para padecer comigo.
Ariano Suassuna, em “O auto da Compadecida”.
Texto 3
DIABO
Que coisa tão preciosa...
Entrai, padre reverendo!
FRADE
E para onde levais a gente?
DIABO
Para aquele fogo ardente,
Que não temestes vivendo.
Gil Vicente, em “O auto da barca do inferno”.
5. Como pode-se perceber, “O auto da barca do inferno” e “O auto da Compadecida são duas obras que abordam temas como a hipocrisia, a visão do homem sobre a morte e a vida, e a vivência religiosa social. Apesar de pertencerem a épocas diferentes, ambas as peças apresentam denúncias sociais e mostram que os seus temas e motivos são de interesse atemporal.
No entanto, há algumas diferenças entre as duas obras, nos enunciados a seguir. Veja:
I. Enquanto O Auto da Barca do Inferno critica os pecados dos mais ricos, O Auto da Compadecida destaca a salvação dos pobres e sofridos.
II. Pode-se dizer que O Auto da Barca do Inferno tem como propósito a sátira social, criticando a cobiça, a avareza e a hipocrisia, enquanto O auto da Compadecida apresenta uma crítica voltada à desigualdade social.
III. Estilisticamente, O Auto da Compadecida é um drama nordestino que se aproxima do barroco católico brasileiro, com elementos da literatura de cordel, e O auto da Barca do Inferno é um texto que representa o paradigma do Humanismo português, ainda com presenças da mentalidade medieval.
Está correto o que se diz em:
I, II e III.
I e II.
I e III.
Apenas I.
5.
MULTIPLE CHOICE QUESTION
30 sec • 1 pt
A representação do “Homem Vitruviano”, de Leonardo da Vinci, se relaciona com o Humanismo, pois
reflete a valorização do ser humano, da harmonia e da integração entre arte, ciência e filosofia.
coloca o homem no centro do mundo, o que se chama de teocentrismo.
simboliza a desintegração entre arte, ciência e filosofia, e a busca pelo conhecimento.
representa os valores medievais.
6.
MULTIPLE CHOICE QUESTION
30 sec • 1 pt
O Auto da Barca do Inferno é uma das três peças que compõem a Trilogia das Barcas do teatro vicentino. Gil Vicente é autor do período literário português, conhecido como Humanismo.
Texto I
ANJO: Que mandais?
FIDALGO: Que me digais,
pois parti tão sem aviso,
se a barca do paraíso
é esta em que navegais.
ANJO: Esta é; que lhe buscais?
FIDALGO: Que me deixeis embarcar;
sou fidalgo de solar,
é bem que me recolhais.
[...]
ANJO: Pra vossa fantasia
mui pequena é esta barca.
FIDALGO: Pra senhor de tal marca
não há aqui mais cortesia?
VICENTE, Gil. Auto da Barca do Inferno. São Paulo: FTD, 1997.
Os diálogos entre o anjo e o fidalgo põem em discussão não só os valores de um mundo medieval, mas também do mundo contemporâneo. A atualidade dessa discussão decorre de que o homem de hoje, ainda, assume falsos posicionamentos semelhantes ao de uma das personagens da cena.
Essa atualidade é apresentada, por meio de
limitações retóricas.
alianças subversivas.
falhas na comunicação.
atos de falas impositivas.
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