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Redação_2ªsérie

Total questions: 20

Worksheet time: 3600secs

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1.

Analise o que é dito no seguinte trecho: “mesmo vendo espécies diferentes das que constavam nos livros, esperava-se dos botânicos que se guiassem pelos livros, não pelas coisas do mundo”. Assinale a alternativa que não está condizente com o que é dito no trecho.

a)

Lembra-se da relevância que, em geral, se atribui à consulta bibliográfica.

b)

Ressalta-se o valor de não nos limitarmos às teorias já definidas.

c)

Exalta-se a atitude científica de quem procura o apoio da observação.

d)

Adverte-se quanto ao risco de orientações teóricas não publicadas.

e)

Rejeita-se a posição de quem presume existirem verdades irretocáveis.

2.

Sim, estou me associando à campanha nacional contra os verbos que acabam em "ilizar". Se nada for feito, daqui a pouco eles serão mais numerosos do que os terminados simplesmente em "ar". Todos os dias os maus tradutores de livros de marketing e administração disponibilizam mais e mais termos infelizes, que imediatamente são operacionalizados pela mídia, 1reinicializando palavras que já existiam e eram perfeitamente claras e eufônicas.


A doença está tão disseminada que muitos verbos honestos, com currículo de ótimos serviços prestados, estão a ponto decair em desgraça entre pessoas de ouvidos sensíveis. Depois que você fica alérgico a disponibilizar, como você vai admitir, digamos, 2"viabilizar"? É triste demorar tanto tempo para a gente se dar conta de que 3"desincompatibilizar" sempre foi um palavrão.


FREIRE, Ricardo. Complicabilizando. Época, ago. 2003.


Com base no texto, é correto afirmar:

a)

A “campanha nacional” a que se refere o autor tem por objetivo banir da língua portuguesa os verbos terminados em “ilizar”.

b)

O autor considera o emprego de verbos como “reinicializando” (ref. 1) e “viabilizar” (ref. 2) uma verdadeira “doença”.

c)

A maioria dos verbos terminados em “(i)lizar”, presentes no texto, foi incorporada à língua por influência estrangeira.

d)

O autor, no final do primeiro parágrafo, acaba usando involuntariamente os verbos que ele condena.

e)

Os prefixos “des” e “in”, que entram na formação do verbo “desincompatibilizar” (ref. 3), têm sentido oposto, por isso o autor o considera um “palavrão”.

3.

Noite em João Pessoa

1 A noite de ontem, ostentando uma cenografia muito lúgubre, nos deu a impressão de que a Justiça, na Paraíba do Norte, havia aberto falência.

2 Afigurou-se-nos, então, que nosso areópago forense, tornar-se-ia d'ora em diante um núcleo tristíssimo de bacharéis escaveirados com a faculdade prosódica obstruída por uma alalia incurável, arrastando desconsoladamente pela sala das audiências as fósseis togas hipotecadas.

3 O largo da Catedral de N. S. das Neves, oferecia sem nenhum exagero, uma perspectiva inteiramente desalentadora.

4 A iluminação elétrica, de um efeito intensivo péssimo, iluminava com reflexos mortiços toda aquela decadência sintomática que bem equivalia à justiça mundial agonizante, festejando com alguns círios e com o Cinema Halley a véspera de sua desintegração absoluta.

5 Pouquíssimos circunstantes.

6 Alguns, exibindo hiatos de desilusão mal contida, regressavam aos lares, com o atabalhoamento nervoso e a diminuição concomitante da verticalidade dorsal de quem está sendo vaiado publicamente (...)

7 Ah! Certamente, a noite da Justiça, com sua treva e os "films" magríssimos de seu cinema plebeu, foi apenas o prelúdio incoerente e mal definido dos deslumbramentos futuros que as outras noites hão de trazer, como uma compensação muito carinhosa, ao nosso espírito decepcionado.


Trecho da crônica inédita de Augusto dos Anjos. Jornal O GLOBO, 04/09/94.


No 6º parágrafo do texto, percebe-se a degradação física e moral dos bacharéis, que é motivada por:

a)

problemas físicos que atacam os nervos.

b)

desilusão amorosa contida.

c)

decepção profissional sofrida.

d)

sacrifício da volta ao lar.

e)

arqueamento da coluna pelo excesso de trabalho.

4.

Leia o trecho, para responder ao que se pede.


Nos últimos anos, a possibilidade de manipulação genética de seres humanos se tornou tecnicamente real, o que levou à publicação de vários manifestos da comunidade científica internacional contra o uso da técnica em embriões, óvulos e espermatozoides humanos. 1Não aceitamos alterações genéticas que possam ser transmitidas às próximas gerações. Apesar disso, cientistas chineses publicaram um trabalho descrevendo a criação de embriões humanos geneticamente modificados! 2Abrimos a Caixa de Pandora?


A frase que resume a tese defendida no texto é

a)

As pesquisas para aprimorar a manipulação genética devem ser conduzidas de forma absolutamente ética, de modo a tornar a técnica mais eficiente e segura.

b)

As iniciativas em tecnologia de manipulação genética devem ser caracterizadas pela ousadia porque são muitas as barreiras que se apresentam aos cientistas.

c)

A Lei de Biossegurança brasileira já deve ser revista para incorporar situações em que a engenharia genética possa ser utilizada sem riscos aos pacientes.

d)

A possibilidade de impedir doenças relacionadas à transmissão genética justifica eticamente os procedimentos de manipulação de embriões humanos.

e)

A tecnologia de edição do genoma em seres humanos já deveria ter sido permitida para programar traços físicos e psicológicos de crianças.

5.

Esta questão apresenta cinco propostas diferentes de redação. Assinale a alternativa que corresponde à melhor redação, considerando correção e clareza.

a)

Tirando as gargantas, esperanças e paixões, o povo no último carnaval não gastou nada que não custam dinheiro.

b)

O povo, com exceção das gargantas, esperanças e paixões, não gastou nada no último carnaval, mesmo porque não custa dinheiro.

c)

Menos as gargantas, esperanças e paixões, o que não custam dinheiro, no último carnaval o povo não gastou nada.

d)

No último carnaval, o povo não gastou nada, exceto gargantas, esperanças e paixões, que não custam dinheiro.

e)

Já que não custam dinheiro, no último carnaval exceto gargantas, esperanças e paixões, o povo não gastou nada.

6.

É comum, no Brasil, a prática de tortura contra presos. A tortura é imoral e constitui crime. Embora não exista ainda nas leis penais a definição do "crime de tortura", torturar um preso ou detido é abuso de autoridade somado a agressão e lesões corporais, podendo qualificar-se como homicídio, quando a vítima da tortura vem a morrer. Como tem sido denunciado com grande frequência, policiais incompetentes, incapazes de realizar uma investigação séria, usam a tortura para obrigar o preso a confessar um crime. Além de ser um procedimento covarde, que ofende a dignidade humana, essa prática é legalmente condenada. A confissão obtida mediante tortura não tem valor legal e o torturador comete crime, ficando sujeito a severas punições.

(Dalmo de Abreu Dallari)

Pode-se afirmar que esse trecho é uma dissertação:

a)

que apresenta, em todos os períodos, personagens individualizadas, movimentando-se num espaço e num tempo terríveis, denunciados pelo narrador, bem como a predominância de orações subordinadas, que expressam a sequência dos acontecimentos.

b)

que apresenta, em todos os períodos, substantivos abstratos, que representam as ideias discutidas, bem como a predominância de orações subordinadas, que expressam o encadeamento lógico da denúncia.

c)

que apresenta uma organização temporal em função do pretérito, jogando os acontecimentos denunciados para longe do momento em que se fala, bem como a predominância de orações subordinadas, que expressam o prolongamento das ideias repudiadas.

d)

que consegue fazer uma denúncia contundente, usando, entre outros recursos, a ênfase, por meio da repetição de um substantivo abstrato em todos os períodos, bem como a predominância de orações coordenadas sindéticas, que expressam o prolongamento das ideias repudiadas.

e)

que consegue construir um protesto persuasivo com uma linguagem conotativa, construída sobre metáforas e metonímias esparsas, bem como a predominância de orações subordinadas, próprias de uma linguagem formal, natural para esse contexto.

7.

Os princípios da coesão e de coerência não foram violados em:

a)

Técnicos do DIEESE e da FIPE viram na pequena deflação de agosto um sinal de que a economia estaria tendendo para um arrefecimento da recessão. Ela de fato indica diminuição do poder de compra e aumento de demanda.

b)

A quaisquer ilações tendenciosas acerca das medidas que possibilitaram a privatização de muitas empresas estatais deve-se no entanto procurar conhecer as verdadeiras e fundamentadas razões que, por isso, as determinaram.

c)

Sempre que possível os impostos devem ter caráter pessoal; devem porquanto ser graduados segundo sua capacidade econômica.

d)

Foi realmente surpreendente a desclassificação de crime hediondo no caso do índio Pataxó, pois o judiciário é conivente com o genocídio dos indígenas desde 1500.

e)

A proximidade pedestre, a praça, os parques são instrumentos essenciais do insubstituível papel civilizador da urbanidade. As grandes cidades brasileiras porém, pautadas pelo paradigma americano, fazem todas as concessões absurdas ao imperativo do automóvel.

8.

Assinale a opção que apresenta a melhor redação, considerando coerência, propriedade e correção.

a)

Linchar os tabloides, a mídia em especial (pela qual não tenho, aliás, a mínima simpatia) é, no fundo, na impossibilidade de furar os olhos de quem adora olhar por ele, tentar tapar o buraco da fechadura.

b)

Linchar a mídia e os tabloides – pelos os quais aliás não tenho a mínima simpatia – é, na impossibilidade de tapar o buraco da fechadura, furar em especial os olhos de quem adora tentar olhar por ele no fundo.

c)

No fundo, linchar a mídia, em especial os tabloides (pelos quais, aliás, não tenho a mínima simpatia), é tentar tapar o buraco da fechadura, na impossibilidade de furar os olhos de quem adora olhar por ele.

d)

No fundo, tapar o buraco da fechadura na impossibilidade de furar os olhos de quem adora olhar por eles, é tentar linchar a mídia e os tabloides pelos quais, aliás, não tenho a mínima simpatia.

e)

Na impossibilidade de tapar o buraco da fechadura, em especial tentar furar os olhos de quem adora olhar por ele, é linchar a mídia no fundo e os tabloides, pelos quais aliás não tenho a menor simpatia.

9.

O OLHAR TAMBÉM PRECISA APRENDER A ENXERGAR

Há uma historinha adorável, contada por Eduardo Galeano, escritor uruguaio, que diz que um pai, morador lá do interior do país, levou seu filho até a beira do mar. O menino nunca tinha visto aquela massa de água infinita. Os dois pararam sobre um morro. O menino, segurando a mão do pai, disse a ele: "Pai, me ajuda a olhar". Pode parecer uma espécie de fantasia, mas deve ser a exata verdade, representando a sensação de faltarem não só palavras mas também capacidade para entender o que é que estava se passando ali.

Agora imagine o que se passa quando qualquer um de nós para diante de uma grande obra de arte visual: como olhar para aquilo e construir seu sentido na nossa percepção? Só com auxílio mesmo. Não quer dizer que a gente não se emocione apenas por ser exposto a um clássico absoluto, um Picasso ou um Niemeyer ou um Caravaggio. Quer dizer apenas que a gente pode ver melhor se entender a lógica da criação.

(Luís Augusto Fischer, Folha de S. Paulo)


A frase "Não quer dizer que a gente não se emocione apenas por ser exposto a um clássico absoluto" é pouco clara. Mantendo-se a coerência com a linha de argumentação do texto, uma frase mais clara seria: "Não quer dizer que:

a)

algum de nós se emocione pelo simples fato de estar diante de uma obra clássica".

b)

a primeira aparição de um clássico absoluto venha logo a nos emocionar".

c)

nos emocionemos já na primeira reação diante de um clássico indiscutível".

d)

o simples contato com um clássico absoluto não possa nos emocionar".

e)

tão-somente em nossa relação com um clássico absoluto deixemos de nos emocionar".

10.

Eu considerei a glória de um pavão ostentando o esplendor de suas cores; é um luxo imperial. Mas andei lendo livros, e descobri que aquelas cores todas não existem na pena do pavão. Não há pigmentos. O que há são minúsculas bolhas d'água em que a luz se fragmenta, como em um prisma. O pavão é um arco-íris de plumas.

Eu considerei que este é o luxo do grande artista, atingir o máximo de matizes com um mínimo de elementos. De água e luz ele faz seu esplendor; seu grande mistério é a simplicidade.

Considerei, por fim, que assim é o amor, oh minha amada; de tudo que ele suscita e esplende e estremece e delira em mim existem apenas meus olhos recebendo a luz do teu olhar. Ele me cobre de glórias e me faz magnífico.

[Rubem Braga, 200 Crônicas Escolhidas]


Atente para as seguintes afirmações:

I. O esplendor do pavão e o da obra de arte implicam algum grau de ilusão.

II. O ser que ama sente refletir-se em si mesmo um atributo do ser amado.

III. O aparente despojamento da obra de arte oculta os recursos complexos de sua elaboração.

a)

as afirmações I e III estão corretas.

b)

as afirmações I e II estão corretas.

c)

as afirmações II e III estão corretas.

d)

a afirmação I está correta.

e)

a afirmação II está correta.

11.

"A triste verdade é que passei as férias no calçadão do Leblon, nos intervalos do novo livro que venho penosamente perpetrando. Estou ficando cobra em calçadão, embora deva confessar que o meu momento calçadônico mais alegre é quando, já no caminho de volta, vislumbro o letreiro do hotel que marca a esquina da rua onde finalmente terminarei o programa-saúde do dia. Sou, digamos, um caminhante resignado. Depois dos 50, a gente fica igual a carro usado, todo o dia tem uma coisa dando errado, é a suspensão, é a embreagem, é o radiador, é o contraplano do rolabrequim, é o contrafarto do mesocárdio epidítico, a falta de serotorpina folimolecular, é o que mecânicos e médicos disseram. Aí, para conseguir ir segurando a barra, vou acatando os conselhos. Andar é bom para mim, digo sem muita convicção a meus entediados botões, é bom para todos."

(João Ubaldo Ribeiro, O Estado de S. Paulo, 06/08/95)


No período que se inicia em "Depois dos 50...", o uso de termos (já existentes ou inventados) referentes a áreas diversas tem como resultado:

a)

um tom de melancolia, pela aproximação entre um carro usado e um homem doente.

b)

um efeito de ironia, pelo uso paralelo de termos da medicina e da mecânica.

c)

uma certa confusão no espírito do leitor, devido à apresentação de termos novos e desconhecidos.

d)

a invenção de uma metalinguagem, pelo uso de termos médicos em lugar de expressões corriqueiras.

e)

a criação de uma metáfora existencial, pela oposição entre o ser humano e objetos.

12.

- Ah, não sabe? Não o sabes? Sabes-lo não?

- Esquece.

- Não. Como "esquece"? Você prefere falar errado? E o certo é "esquece" ou "esqueça"? Ilumine-me. Mo diga. Ensines-lo-me, vamos.

- Depende.

- Depende. Perfeito. Não o sabes.

Ensinar-me-lo-ias se o soubesses, mas não sabes-o.

- Está bem. Está bem. Desculpe. Fale como quiser.

(L.F. Veríssimo, Jornal do Brasil, 30/12/94)


O texto tem por finalidade

a)

satirizar a preocupação com o uso e a colocação das formas pronominais átonas.

b)

ilustrar ludicamente várias possibilidades de combinação de formas pronominais.

c)

esclarecer pelo exemplo certos fatos da concordância de pessoa gramatical.

d)

exemplificar a diversidade de tratamentos que é comum na fala corrente.

e)

valorizar a criatividade na aplicação das regras de uso das formas pronominais.

13.

Dos anais da república:

2 - O senhor não tem medo de nada, presidente?

3 - Nada.

4 - Nem de barata?

5 Pausa de segundos. Digo a verdade, ou minto para parecer mais humano? [...]

6 Não. Melhor ser curto e sincero.

7 - Nem de barata.


(Veríssimo, L.F. "Ortopterofobia". In: COMÉDIA DA VIDA PÚBLICA . Porto Alegre: L&PM, 1995. p.237)


Considere as frases a seguir.


I - Nada. (parágrafo. 2)

II - Nem de barata? (parágrafo. 4)

III - Pausa de segundos. (parágrafo. 5)

IV - Digo a verdade, ou minto para parecer mais humano? (parágrafo. 5)


Quais delas representam ou a fala ou o pensamento do presidente?

a)

Apenas I e II

b)

Apenas I e IV

c)

Apenas II e III

d)

Apenas I, II e IV

e)

Apenas I, III e IV

14.

- Mas pra você não é uma pouca vergonha, é? - ela disse, secando as lágrimas. Voltava ao desafio.

2 - Eu sou homem, ou você não entende isto?

3 - Não entendo.

4 O Dr. Paranhos quedou-se quieto por um tempo marcado em séculos no relógio da agonia. Seus olhos baixaram para a mesa e assim ficaram, enquanto sua inteligência buscava uma forma clara de ilustrar a madrinha. Por fim, suspirou e disse:

5 - Eu tenho um argumento que você vai entender.

6 Levantou-se com certa dificuldade e ausentou-se da cozinha, onde ficamos suspensos por um fio em pleno abismo. Logo, porém, ele retornou com o argumento na mão. Girou o tambor do argumento. Depois, com um gesto calmo, solene, botou o argumento na cintura. Sentou-se novamente e disse, pausadamente:

7 - Tem uma coisinha, Dirce: ou este tal de feminismo acaba hoje, ou o que acaba é a tua mesada, se não acabar minha paciência antes. Certo? Agora vamos jantar.

(SSÓ, Ernani. O SEMPRE LEMBRADO. Porto Alegre: IGEL/IEL, 1989. p. 136-7)


A alternativa em que ambas as palavras ou expressões se referem a um mesmo personagem é

a)

você (1º parágrafo), você (5º parágrafo)

b)

ela (1º parágrafo), Dirce (7º parágrafo)

c)

você (2º parágrafo), o Dr. Paranhos (4º parágrafo)

d)

eu (2º parágrafo), você (5º parágrafo)

e)

eu (5º parágrafo) Dirce (7º parágrafo)

15.

Como os gêneros são históricos e muitas vezes estão ligados às tecnologias, eles permitem que surjam novidades nesse campo, mas são novidades com algum gosto do conhecido. Observem-se as respectivas tecnologias e alguns de seus gêneros: telegrama; telefonema; entrevista televisiva; entrevista radiofônica; roteiro cinematográfico e muitos outros que foram surgindo com tecnologias específicas. Neste sentido, é claro que a tecnologia da computação, por oferecer uma nova perspectiva de uso da escrita num meio eletrônico muito maleável, traz mais possibilidades de inovação.

MARCUSCHI, L. A. Disponível em: www.progesp.ufba.br. Acesso em: 23 jul. 2012 (fragmento).


O avanço das tecnologias de comunicação e informação fez, nas últimas décadas, com que surgissem novos gêneros textuais. Esses novos gêneros, contudo, não são totalmente originais, pois eles inovam em alguns pontos, mas remetem a outros gêneros textuais preexistentes, como ocorre no seguinte caso:

a)

O gênero e-mail mantém características dos gêneros carta e bilhete.

b)

O gênero aula virtual mantém características do gênero reunião de grupo.

c)

O gênero bate-papo virtual mantém características do gênero conferência.

d)

O gênero videoconferência mantém características do gênero aula presencial.

e)

O gênero lista de discussão mantém características do gênero palestra.

16.

Assinale a alternativa que exprime o teor crítico da charge.

a)

A pichação somente contribui para o aumento da poluição visual da cidade.

b)

É necessário investir efetivamente em educação para a conscientização ambiental.

c)

Há incoerência entre a proibição governamental e sua efetiva fiscalização.

d)

A pichação é uma forma ilegítima de protesto social e educacional.

e)

Os pichadores demonstram total indiferença com o meio ambiente e a lei.

17.

Alguns pesquisadores falam sobre a necessidade de um “letramento racial”, para “reeducar o indivíduo em uma perspectiva antirracista”, baseado em fundamentos como o reconhecimento de privilégios, do racismo como um problema social atual, não apenas legado histórico, e a capacidade de interpretar as práticas racializadas. Ouvir é sempre a primeira orientação dada por qualquer especialista ou ativista: uma escuta atenta, sincera e empática. Luciana Alves, educadora da Unifesp, afirma que "Uma das principais coisas é atenção à linguagem. A gente tem uma linguagem sexista, racista, homofóbica, que passa pelas piadas e pelo uso de termos que a gente já naturalizou. ‘A coisa tá preta’, ‘denegrir’, ‘serviço de preto’... Só o fato de você prestar atenção na linguagem já anuncia uma postura de reconstrução. Se o outro diz que tem uma carga negativa e ofensiva, acredite”.


(Adaptado de Gente branca: o que os brancos de um país racista podem fazer pela igualdade além de não serem racistas. UOL, 21/05/2018)


Segundo Luciana Alves, para combater o racismo e mudar de postura em relação a ele, é fundamental

a)

ouvir com atenção os discursos e orientações de especialistas e ativistas.

b)

reconhecer expressões racistas existentes em práticas naturalizadas.

c)

passar por um “letramento racial” que dispense o legado histórico.

d)

prestar atenção às práticas históricas e às orientações da educadora.

18.

Seria difícil encontrar hoje um crítico literário respeitável que gostasse de ser apanhado defendendo como uma ideia a velha antítese estilo e conteúdo. A esse respeito prevalece um religioso consenso. Todos estão prontos a reconhecer que estilo e conteúdo são indissolúveis, que o estilo fortemente individual de cada escritor importante é um elemento orgânico de sua obra e jamais algo meramente “decorativo”.


Na prática da crítica, entretanto, a velha antítese persiste praticamente inexpugnada.


Susan Sontag. “Do estilo”. Contra a interpretação.


Consideradas no contexto, as expressões “religioso consenso”, “orgânico” e “inexpugnada”, sublinhadas no texto, podem ser substituídas, sem alteração de sentido, respectivamente, por:

a)

místico entendimento; biológico; invencível.

b)

piedoso acordo; puro; inesgotável.

c)

secular conformidade; natural; incompreensível.

d)

fervorosa unanimidade; visceral; insuperada.

e)

espiritual ajuste; vital; indomada.

19.

Leia o texto a seguir, publicado no Instagram e em um livro do @akapoeta João Doederlein.

A ressignificação de estrela ocorre porque o verbete apresenta

a)

diversas acepções dessa palavra de modo amplo, literal e descritivo.

b)

cinco definições da palavra relativas à realidade e uma definição figurada.

c)

vários contextos de uso que evidenciam o caráter expositivo do gênero verbete.

d)

uma entrada formal de dicionário e acepções que expressam visões particulares.

20.

Bopp estranhou que as mulheres tivessem todas o mesmo nome. Jean-Pierre sorriu e lhe disse que originalmente não tinham. A única verdadeira Clodiá era a branquinha, a mais velha das quatro, que viera para a Amazônia com Jean-Pierre havia mais de vinte anos. As índias, que eram as mais novas, ele conhecera na floresta e se apropriara delas já fazia algum tempo. A oriental, ele trouxe da China, quando visitara o país no ano anterior. Não se lembrava mais como se chamavam as índias e a chinesa: os nomes eram muito complicados. Disse que passara a chamá-las Clodiá para não correr o risco de trocar os nomes. [...]. Assim era mais simples e prático e evitava aborrecimentos desnecessários. Essa variedade de nomes não leva a nada, serve apenas para deixar os homens confusos, disse ainda, acrescentando que o homem de hoje já tem preocupações suficientes para ocupar sua mente.


STIGGER, Veronica. Opisanie Œwiata. São Paulo: SESI-SP, 2018. p. 124-125.


O trecho põe em evidência, de modo irônico,

a)

valores sociais relacionados à objetificação da figura feminina.

b)

a incapacidade da personagem em memorizar diferentes nomes.

c)

a falta de comunicação entre mulheres de diferentes países.

d)

questionamentos da estrutura familiar brasileira.