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Worksheets2ª SÉRIE - 18 de out - REVISÃO SAS - CAP 10 A 19
Total questions: 25
Worksheet time: 13mins
A lei não nasce da natureza, junto das fontes frequentadas pelos primeiros pastores: a lei nasce das batalhas reais, das vitórias, dos massacres, das conquistas que têm sua data e seus heróis de horror: a lei nasce das cidades incendiadas, das terras devastadas; ela nasce com os famosos inocentes que agonizam no dia que está amanhecendo. FOUCAULT. M. Aula de 14 de janeiro de 1976. In. Em defesa da sociedade. São Paulo: Martins Fontes. 1999.
O filósofo Michel Foucault (séc. XX) inova ao pensar a política e a lei em relação ao poder e à organização social. Com base na reflexão de Foucault, a finalidade das leis na organização das sociedades modernas é:
a) Coagir e servir para refrear a agressividade humana.
b) Organizar as relações de poder na sociedade e entre os Estados.
c) Combater ações violentas na guerra entre as nações.
d) Estabelecer princípios éticos que regulamentam as ações bélicas entre países inimigos.
e) Criar limites entre a guerra e a paz praticadas entre os indivíduos de uma mesma nação.
A expressão microfísica do poder, cunhada pelo filósofo Michel Foucault, designa:
a) A forma repressiva da dominação capitalista.
b) As mudanças de regime político nos períodos revolucionários.
c) O aparato de pompa envolvido no espetáculo das punições durante o Antigo Regime.
d) Uma rede de dispositivos ou mecanismos de poder que se disseminam por toda a estrutura social.
e) O Estado como instância coercitiva que origina e fundamenta todo tipo de poder social.
Mesmo na reprodução mais perfeita, um elemento está ausente: o aqui e agora da obra de arte, sua existência única, no lugar em que ela se encontra. É nessa existência única, e somente nela, que se desdobra a história da obra. Os vestígios das primeiras [originais] só podem ser investigados por análises químicas ou físicas, irrealizáveis na reprodução; os vestígios das segundas [reproduções] são o objeto de uma tradição, cuja reconstituição precisa partir do lugar em que se achava o original. BENJAMIN, Walter. A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica. In. ______. Magia e técnica, arte e política: ensaios sobre literatura e história da cultura. Obras escolhidas. Trad. Sérgio Paulo Rouanet. 3. ed. v. 1. São Paulo: Brasiliense, 1987. (adaptado)
Com base no texto, Walter Benjamin, importante pensador da Escola de Frankfurt, defende que o(a):
a) Artista é um simples reprodutor de ideias sem consciência coletiva.
b) Sentido da arte restringe-se aos aspectos econômicos e sociais.
c) Característica singular da obra desaparece na grande quantidade de cópias.
d) Obra de arte consegue manter-se independente dos interesses capitalistas.
e) Toda ação artística encerra uma reação a interesses políticos.
Os estudos realizados por Michel Foucault (1926-1984) apresentam interfaces que corroboram para estudos em diversas áreas de conhecimento, entre as quais a Filosofia, Ciências Sociais, Pedagogia, Psiquiatria, Medicina e Direito. Em 1975, Foucault publicou a obra “Vigiar e Punir: história da violência das prisões”, na qual propunha uma nova concepção de poder, a qual abandonava alguns postulados que marcaram a posição tradicional da esquerda do período.
Sobre a concepção de poder foucaultiana, é CORRETO afirmar:
a) O poder está centralizado na figura do Estado e está localizado no próprio aparelho de Estado, que é o instrumento privilegiado do poder.
b) Todo poder está subordinado a um modo de produção e a uma infraestrutura, pois o modo como a vida econômica é organizada determina a política.
c) O poder tem como essência dividir os que possuem poder (classe dominante) daqueles que não têm poder (classe dos dominados).
d) Só exerce poder quem o possui, por se tratar de um privilégio adquirido pela classe dominante que detém o poder econômico.
e) O poder não remete diretamente a uma estrutura política, ao uso da força ou a uma classe dominante: as relações de poder são móveis e só podem existir quando os sujeitos são livres e há possibilidade de resistência.
O edifício é circular. Os apartamentos dos prisioneiros ocupam a circunferência. Você pode chamá-los, se quiser, de celas. O apartamento do inspetor ocupa o centro; você pode chamá-lo, se quiser de alojamento do inspetor. A moral reformada; a saúde preservada; a indústria revigorada; a instrução difundida; os encargos públicos aliviados; a economia assentada, como deve ser, sobre uma rocha; o nó górdio da Lei sobre os Pobres não cortado, mas desfeito – tudo por uma simples ideia de arquitetura! BENTHAM, J. O panóptico. Belo Horizonte: Autêntica, 2008.
Essa é a proposta de um sistema conhecido como panóptico, um modelo que mostra o poder da disciplina nas sociedades contemporâneas, exercido preferencialmente por mecanismos:
a) Consensuais, que pactuam acordos com base na compreensão dos benefícios gerais de se ter as próprias ações controladas.
b) Religiosos, que se constituem como um olho divino controlador que tudo vê.
c) Sutis, que adestram os corpos no espaço-tempo por meio do olhar como instrumento de controle.
d) Ideológicos, que estabelecem limites pela alienação, impedindo a visão da dominação sofrida.
e) Repressivos, que perpetuam as relações de dominação entre os homens por meio da tortura física.
Desde o início da semana, alunos da rede municipal de Vitória da Conquista, na Bahia, não vão mais poder cabular aulas. Um “uniforme inteligente” vai contar aos pais se os alunos chegaram à escola – ou “dedurar” se eles não passaram do portão. O sistema, baseado em rádio-frequência, funciona por meio de um minichip instalado na camiseta do novo uniforme, que começou a ser distribuído para 20 mil estudantes na segunda-feira. Funciona assim: no momento em que os alunos entram na escola, um sensor instalado na portaria detecta o chip e envia um SMS aos pais avisando sobre a entrada na instituição.
Natália Cancian. Uniforme inteligente entrega aluno
que cabula aula na Bahia. Folha de S.Paulo, 22.03.2012.
A leitura do fato relatado na reportagem permite repercussões filosóficas relacionadas à esfera da ética, pois o “uniforme inteligente”:
a) É fruto de uma ação do Estado para incrementar o grau de liberdade nas escolas.
b) Está inserido em um processo de resistência ao poder disciplinar na escola.
c) Introduz novas formas institucionais de controle sobre a liberdade individual.
d) Indica a consolidação de mecanismos de consulta democrática na escola pública.
e) Proporciona uma indiscutível contribuição científica para a autonomia individual.
Foucault mostra que efeitos de poder, tais como o autocontrole dos gestos e atitudes, são produzidos não somente pela violência e pela força, mas sobremaneira pela sensação de estar sendo vigiado. Engana-se quem pensa ser a sociedade aquela na qual todos se vigiam, como se houvesse um acréscimo de guardas. Pelo contrário, nas instituições de vigilância, precisou-se cada vez menos dessas personagens.
CANDIOTTO, Cesar. Psicologia e sociedade, v. 24, Belo Horizonte, 2012. Disponível em: <http://www.scielo.br>. Acesso em: 03 ago. 2017. (adaptado)
De acordo com o pensamento de Foucault expresso no texto anterior, o mecanismo utilizado para estabelecer o controle dos corpos nas relações de poder é, prioritariamente, o(a):
a) Família
b) Religião
c) Governo
d) Disciplina
Você sabe que lá fora você pode abrir seu laptop na
praça, pode deixar a porta aberta, a bicicleta sem cadeado. Mas lá fora, não esqueça, é você quem limpa a sua privada. Você já relacionou as duas coisas? Nos países em que você lava a própria privada, ninguém mata por uma bicicleta. Nos países em que uma parte da população vive para lavar a privada de outra parte da população, a parte que tem sua privada lavada por outrem não pode abrir o laptop no metrô. DUCLOS, D. apud DUVIVIER, G. A privada e a bicicleta. Disponível em: www1.folha.uol.com.br. Acesso em: 6 jul. 2015 (adaptado).
O texto, apresentado como uma carta às elites brasileiras, sucedeu a notícia sobre um assassinato por causa de uma bicicleta. Nele contrapõem-se dois padrões de sociabilidade, diferenciados pelo(a):
a) Valor dos impostos.
b) Desigualdade social.
c) Laicização do Estado.
d) Desenvolvimento tecnológico.
Os impostos são quantia em dinheiro para o Estado
pagos por pessoas físicas e jurídicas. É um tributo usado para custear parte das despesas de administração e dos investimentos do governo em obras de infraestrutura e serviços essenciais à população, como saúde, segurança e educação. Mas há um descompasso entre arrecadação e qualidade dos serviços públicos, pois o custo Brasil é alto. A carga tributária bruta brasileira em 2010 subiu para
33,56% do PIB (Produto Interno Bruto), informou há pouco a Receita Federal. No ano retrasado, o percentual havia sido de 33,14%. Em valores, isso representa R$ 3,6 trilhões ao longo do ano passado. O aumento decorreu do crescimento de 7,5% do PIB e de 8,9% da arrecadação tributária nos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário. Em 2010, a arrecadação tributária bruta totalizou R$ 1,2 trilhão. Disponível em: www1.folha.uol.com.br. Acesso: 23 set. 2011.
A partir dessas informações, é correto afirmar que o Estado é um(a):
a) Instituição sociopolítica que regula as relações humanas com finalidade de padronizar comportamento conforme preceitos ideológicos definidos eticamente.
b) Instituição política, com poder institucionalizado e, por extensão, agente de controle social, com poder de regular as relações entre todos os membros da sociedade.
c) Instituição sociopolítica que prescreve códigos éticos destinados à orientação da conduta dos indivíduos em prol de um mundo ideal.
d) Organização político-econômica que regula o processo de socialização primária e a reprodução dos saberes informais inerentes a uma cultura.
De acordo com Comte-Sponville, o totalitarismo é:
a) Ditadura que se impõe pela força.
b) Intolerante, uma tirania do verdadeiro.
c) Um sistema democrático consolidado.
d) Uma intolerância que admite acordo com a cultura.
De acordo com a filósofa Hannah Arendt, o totalitarismo é uma forma de governo essencialmente diferente de outras formas de opressão política conhecidas, como o despotismo, a tirania e a ditadura. Considerando as características e as expressões históricas do totalitarismo no século XX, assinale a afirmativa incorreta:
a) A propaganda é um meio importante para a difusão da ideologia oficial nos governos totalitários.
b) O terror é um princípio fundamental da ação política totalitária.
c) Nazismo e stalinismo são dois exemplos históricos de regimes totalitários.
d) O totalitarismo procura reforçar a distinção entre esfera pública e esfera privada.
Alexis de Tocqueville, um dos grandes teóricos da democracia na América, afirma em sua obra de 1835: "Quando comparo as repúblicas gregas e romanas com essas repúblicas da América, as bibliotecas manuscritas das primeiras e seu populacho grosseiro com os mil jornais que circulam nas segundas e com o povo esclarecido que as habita; quando em seguida penso em todos os esforços que ainda são feitos para julgar uns com a ajuda dos outros e prever, pelo que aconteceu há dois mil anos, o que acontecerá em nossos dias, sou tentado a queimar meus livros, a fim de aplicar apenas idéias novas a um estado social tão novo". TOCQUEVILLE, Alexis. de. "A Democracia na América". São Paulo: Martins Fontes, 2005, p. 355-356.
Com base no texto e nos conhecimentos sobre a formação da democracia nos Estados Unidos da América, é correto afirmar:
a) Por considerar a democracia na América uma ruptura histórica, Alexis de Tocqueville afirma que a democracia norte-americana foi um episódio original e sem precedentes em experiências históricas anteriores.
b) O "estado social tão novo" apregoado pelo autor refere-se à existência de uma democracia fundamentada nos pressupostos do Despotismo Esclarecido que caracterizava o sistema político no Antigo Regime na Europa.
c) Tocqueville sugere que, diferente das repúblicas gregas e romanas, a experiência democrática americana resultou na formação de uma população grosseira e iletrada, consequência da leitura de jornais em vez de livros.
d) Ao destacar o ineditismo da democracia norte-americana, Tocqueville refere-se ao fato de a Declaração de Independência dos Estados Unidos (1776) ter conferido igualdade, liberdade e direitos irrestritos às mulheres e aos escravos.
Até hoje admitia-se que nosso conhecimento se devia regular pelos objetos; porém, todas as tentativas para descobrir, mediante conceitos, algo que ampliasse nosso conhecimento, malogravam-se com esse pressuposto. Tentemos, pois, uma vez, experimentar se não se resolverão melhor as tarefas da metafísica, admitindo que os objetos se deveriam regular pelo nosso conhecimento. KANT, I. Crítica da razão pura. Lisboa: Calouste-Gulbenkian, 1994 (adaptado).
O trecho em questão é uma referência ao que ficou conhecido como revolução copernicana na filosofia. Nele, confrontam-se duas posições filosóficas que:
a) assumem pontos de vista opostos acerca da natureza do conhecimento.
b) defendem que o conhecimento é impossível, restando-nos somente o ceticismo.
c) revelam a relação de interdependência entre os dados da experiência e a reflexão filosófica.
d) apostam, no que diz respeito às tarefas da filosofia, na primazia das ideias em relação aos objetos.
e) refutam-se mutuamente quanto à natureza do nosso conhecimento e são ambas recusadas por Kant.
Leia o texto a seguir.
A razão humana, num determinado domínio dos seus conhecimentos, possui o singular destino de se ver atormentada por questões, que não pode evitar, pois lhe são impostas pela sua natureza, mas às quais também não pode dar respostas por ultrapassarem completamente as suas possibilidades. (KANT, I. Crítica da Razão Pura (Prefácio da primeira edição, 1781). Tradução de Manuela Pinto dos Santos e Alexandre Fradique Morujão. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1994, p. 03.)
Com base no texto e nos conhecimentos sobre Kant, o domínio destas intermináveis disputas chama-se:
a) experiência.
b) natureza.
c) entendimento.
d) metafísica.
Kant definiu a Estética como sendo ciência. E completando, Alexander Brumgarten a definiu como sendo a teoria do belo e das suas manifestações através da arte. Como ciência e teoria do belo, a Estética pretende alcançar um tipo específico de conhecimento que é aquele captado:
a) pela lógica.
b) pela razão.
c) pela alma.
d) pelos sentidos.
“O texto monólogo de M. Melamed é uma crítica mordaz às sociedades do controle[…] Para o poeta[…] regurgitar esse excesso é retomar e reverter nossa talvez única vanguarda, a antropofágica. Não se trata mais de deglutir as vanguardas europeias para criar uma arte brasileira, mas de expelir as informações para refletir sobre o que de fato interessa devorar, repensando nossa condição de consumidores da cultura”. FERNANDES, S. “Antropofagia devastadora”, in Bravo, nº 89. São Paulo: Abril Cultural, p. 57.
Considerando-se o texto, a proposta estética do artista consiste em:
a) repelir toda influência exercida pelo imenso fluxo de informações europeias em nome de uma autêntica cultura brasileira.
b) receber as influências culturais europeias para recusá-las, posteriormente, de modo irrevogável.
c) assimilar as vanguardas europeias para integrá-las, posteriormente, no âmbito da cultura crítica nacional.
d) acolher as vanguardas europeias sob a condição da possibilidade de rejeição refletida dos elementos inadequados ao interesse da cultura nacional.
“Existe sempre um aspecto inteligível na experiência estética da arte que não deve ser negligenciado. Sem a interpretação daquele que vê ou ouve, sem a construção de sentido por aquele que percebe, não há beleza ou obra de arte”. Charles Feitosa.
A partir da citação acima é correto afirmar que:
a) a capacidade de apreciar a beleza se dá exclusivamente pelos órgãos dos sentidos.
b) a reflexão e a racionalidade não interferem na apreciação estética.
c) a arte é para sentir e não para pensar.
d) a fruição da beleza na arte não coincide inteiramente com a mera experiência sensorial, mas exige também a participação do pensamento.
Hoje, a indústria cultural assumiu a herança civilizatória da democracia de pioneiros e empresários, que tampouco desenvolvera uma fineza de sentido para os desvios espirituais. Todos são livres para dançar e para se divertir do mesmo modo que, desde a neutralização histórica da religião, são livres para entrar em qualquer uma das inúmeras seitas. Mas a liberdade de escolha da ideologia, que reflete sempre a coerção econômica, revela-se em todos os setores como a liberdade de escolher o que é sempre a mesma coisa. ADORNO, T; HORKHEIMER, M. Dialética do esclarecimento: fragmentos filosóficos. Rio de Janeiro; Zahar, 1985.
A liberdade de escolha na civilização ocidental, de acordo com a análise do texto, é um(a):
a) conquista da humanidade.
b) ilusão da contemporaneidade.
c) produto da moralidade.
d) patrimônio político.
“A diversão é o prolongamento do trabalho sob o capitalismo tardio. Ela é procurada por quem quer escapar ao processo de trabalho mecanizado, para se pôr de novo em condições de enfrentá-lo. Mas, ao mesmo tempo, a mecanização atingiu um tal poderio sobre a pessoa em seu lazer e sobre a sua felicidade, ela determina tão profundamente a fabricação das mercadorias destinadas à diversão, que esta pessoa não pode mais perceber outra coisa senão as cópias que reproduzem o próprio processo de trabalho”. (ADORNO, Theodor; HORKHEIMER, Max. Dialética do esclarecimento. Trad. de Guido Antônio de Almeida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1997. p.128.)
Com base no texto e nos conhecimentos sobre trabalho e lazer no capitalismo tardio, em Adorno e
Horkheimer, é correto afirmar:
a) Há um círculo vicioso que envolve o processo de trabalho e os momentos de lazer. Com o objetivo de
fugir do trabalho mecanizado e repor as forças, o indivíduo busca refúgio no lazer, porém o lazer se
estrutura com base na mesma lógica mecanizada do trabalho.
b) Apesar de se apresentarem como duas dimensões de um mesmo processo, lazer e trabalho se diferenciam no capitalismo tardio, na medida em que o primeiro é o espaço do desenvolvimento das potencialidades individuais, a exemplo da reflexão.
c) Mesmo sendo produzidas de acordo com um esquema mercadológico que fabrica cópias em ritmo industrial, as mercadorias acessadas nos momentos de lazer proporcionam ao indivíduo plena diversão e cultura.
d) Tanto o trabalho quanto o lazer preservam a autonomia do indivíduo, mesmo nos processos de
mecanização que caracterizam a fabricação de mercadorias no capitalismo tardio.
“A indústria cultural não cessa de lograr seus consumidores quanto àquilo que está continuamente a lhes prometer. A promissória sobre o prazer, emitida pelo enredo e pela encenação, é prorrogada indefinidamente: maldosamente, a promessa a que afinal se reduz o espetáculo significa que jamais chegaremos à coisa mesma, que o convidado deve se contentar com a leitura do cardápio. [...] Cada espetáculo da indústria cultural vem mais uma vez aplicar e demonstrar de maneira inequívoca a renúncia permanente que a civilização impõe às pessoas. Oferecer-lhes algo e ao mesmo tempo privá-las disso é a mesma coisa”. (ADORNO, Theodor; HORKHEIMER, Max. Dialética do esclarecimento. Trad. de Guido Antônio de Almeida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1997. p. 130-132.)
Com base no texto e nos conhecimentos sobre indústria cultural em Adorno e Horkheimer, é correto afirmar:
a) A indústria cultural limita-se a atender aos desejos que surgem espontaneamente da massa de consumidores, satisfazendo as aspirações conscientes de indivíduos autônomos e livres que escolhem o que querem.
b) A indústria cultural tem um desempenho pouco expressivo na produção dos desejos e necessidades dos indivíduos, mas ela é eficiente no sentido de que traz a satisfação destes desejos e necessidades.
c) A indústria cultural planeja seus produtos determinando o que os consumidores desejam de acordo com critérios mercadológicos. Para atingir seus objetivos comerciais, ela cria o desejo, mas, ao mesmo tempo, o indivíduo é privado do acesso ao prazer e à satisfação prometidos.
d) O entretenimento que veículos como o rádio, o cinema e as revistas proporcionam ao público não pode ser entendido como forma de exploração dos bens culturais, já que a cultura está situada fora desses canais.
Os ricos adquiriram uma obrigação relativamente à coisa pública, uma vez que devem sua existência ao ato de submissão à sua proteção e zelo, o que necessitam para viver; o Estado então fundamenta o seu direito de contribuição do que é deles nessa obrigação, visando a manutenção de seus concidadãos. Isso pode ser realizado pela imposição de um imposto sobre a propriedade ou a atividade comercial dos cidadãos, ou pelo estabelecimento de fundos e de uso dos juros obtidos a partir deles, não para suprir as necessidades do Estado (uma vez que este é rico), mas para suprir as necessidades do povo.KANT, I. A metafísica dos costumes. Bauru: Edipro, 2003.
Segundo esse texto de Kant, o Estado:
a) deve sustentar todas as pessoas que vivem sob seu poder, a fim de que a distribuição seja paritária.
b) está autorizado a cobrar impostos dos cidadãos ricos para suprir as necessidades dos cidadãos pobres.
c) dispõe de poucos recursos e, por esse motivo, é obrigado a cobrar impostos idênticos dos seus membros.
d) delega aos cidadãos o dever de suprir as necessidades do Estado, por causa do seu elevado custo de manutenção.
e) tem a incumbência de proteger os ricos das imposições pecuniárias dos pobres, pois os ricos pagam mais tributos.
Uma sociedade é uma associação mais ou menos autossuficiente de pessoas que em suas relações mútuas reconhecem certas regras de conduto com obrigatórias e que, na maioria das vezes, agem de acordo com elas. Uma sociedade é bom ordenada não apenas quando está planejada para promover o bem de seus membros, mas quando é também efetivamente regulada por uma concepção pública de justiça. Isto é, trata-se de uma sociedade na qual todos aceitam, e sabem que os outros aceitam, o mesmo princípio de justiça.
RAWLS, J. Uma teoria da justiça. São Paulo: Martins Fontes, 1997. Adaptado.
A visão expressa nesse texto do século XX remete a qual aspecto do pensamento moderno?
.
a) A relação entre liberdade e autonomia do Liberalismo
b) A independência entre poder e moral do Racionalismo.
c) A convenção entre cidadãos e soberano do Absolutismo.
d) A dialética entre indivíduo e governo autocrata do Idealismo.
e) A contraposição entre bondade e condições selvagem do Naturalismo.
Na Arte Poética, Aristóteles desenvolve longamente a questão do papel pedagógico das artes, particularmente da tragédia, que, segundo o filósofo, tem a função de produzir a catarse, isto é:
a) O discurso sensível perfeito.
b) A serenidade apolínea.
c) O sentimento do sublime.
d) A purificação espiritual dos espectadores.
"No século XIX, entusiasmada com as ciências e as técnicas, bem como com a Segunda Revolução Industrial, a Filosofia afirmava a confiança plena e total no saber científico e na tecnologia para dominar e controlar a Natureza, a sociedade e os indivíduos. No entanto, no século XX, a Filosofia passou a desconfiar do otimismo científicotecnológico do século anterior em virtude de vários acontecimentos". (CHAUÌ, Marilena. Convite à Filosofia. 7. ed. São Paulo: Ática, 2001, p.49-50).
Uma marca da desconfiança da filosofia para com o otimismo cientificista foi o aparecimento da noção de razão instrumental, formulada pelos teóricos da Escola de Frankfurt. Sobre razão instrumental é possível afirmar:
a) Trata-se do exercício da racionalidade científica, que tem por empresa o domínio da natureza para fins lucrativos e coloca a técnica e a ciência em função do capital.
b) Refere-se aos instrumentos usados pela razão para encontrar as explicações mágicas do mundo.
c) Corresponde à maneira através da qual os filósofos Adorno, Horkheimer e Marcuse descreveram a racionalidade ocidental como instrumentalização da emoção.
d) Os filósofos da Escola de Frankfurt afirmam que a razão instrumental reflete sobre as contradições e os conflitos políticos e sociais, fato que fez com que eles ficassem conhecidos como os filósofos da Teoria Crítica.
Com efeito, à democracia não bastam as leis. Se uma determinada nação não cria uma cultura democrática, não conseguirá ser democrática apenas com a edição de leis democráticas. [...] Já outro princípio democrático, o Princípio da Tolerância, elaborado principalmente por Locke e Voltaire, não tem como ser, com precisão, expresso na forma da lei, sendo antes um valor a ser cultivado como parte da cultura democrática.
Qual das alternativas a seguir interpreta coerentemente
a citação anterior?
a) A democracia é o regime político pautado nas leis, de forma que basta construí-las para que imediatamente ela venha a existir na sociedade.
b) Uma nação com democracia amadurecida requer que sua sociedade pratique valores democráticos, como o respeito às leis e a tolerância.
c) Locke e Voltaire defenderam que uma sociedade verdadeiramente democrática seria aquela em que as leis ditassem os comportamentos.
d) Leis democráticas são suficientes para a criação de sociedades democráticas, visto que a tolerância é um sentimento que pode ser transformado em lei.
