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3ª Série - 18 de out - Filosofia - Revisão Geral - Atividade 2

Total questions: 25

Worksheet time: 13mins

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1.

Quando ninguém duvida da existência de um outro mundo, a morte é uma passagem que deve ser celebrada entre parentes e vizinhos. O homem da Idade Média tem a convicção de não desaparecer completamente, esperando a ressurreição. Pois nada se detém e tudo continua na eternidade. A perda contemporânea do sentimento religioso fez da morte uma provação aterrorizante, um trampolim para as trevas e o desconhecido. DUBY, G. Ano 1000 ano 2000 na pista dos nossos medos. São Paulo: Unesp, 1998 (adaptado).

Ao comparar as maneiras com que as sociedades têm lidado com a morte, o autor considera que houve um processo de:

a)

a) Mercantilização das crenças religiosas.

b)

b) Transformação das representações sociais.

c)

c) Disseminação do ateísmo nos países de maioria cristã.

d)

d) Diminuição da distância entre saber científico e eclesiástico.

e)

e) Amadurecimento da consciência ligada à civilização moderna.

2.

O edifício é circular. Os apartamentos dos prisioneiros ocupam a circunferência. Você pode chamá-los, se quiser, de celas. O apartamento do inspetor ocupa o centro; você pode chamá-lo, se quiser, de alojamento do inspetor. A moral reformada; a saúde preservada; a indústria revigorada; a instrução difundida; os encargos públicos aliviados; a economia assentada, como deve ser, sobre uma rocha; o nó górdio da Lei sobre os Pobres não cortado, mas desfeito — tudo por uma simples ideia de arquitetura! BENTHAM, J. O panóptico. Belo Horizonte: Autêntica, 2008. Essa é a proposta de um sistema conhecido como panóptico, um modelo que mostra o poder da disciplina nas sociedades contemporâneas, exercido preferencialmente por mecanismos:

a)

a) Religiosos, que se constituem como um olho divino controlador que tudo vê.

b)

b) Ideológicos, que estabelecem limites pela alienação, impedindo a visão da dominação sofrida.

c)

c) Repressivos, que perpetuam as relações de dominação entre os homens por meio da tortura física.

d)

d) Sutis, que adestram os corpos no espaço-tempo por meio do olhar como instrumento de controle.

3.

Os produtos e seu consumo constituem a meta declarada do empreendimento tecnológico. Essa meta foi proposta pela primeira vez no início da Modernidade, como expectativa de que o homem poderia dominar a natureza. No entanto, essa expectativa, convertida em programa anunciado por pensadores como Descartes e Bacon e impulsionado pelo Iluminismo, não surgiu “de um prazer de poder”, “de um mero imperialismo humano”, mas da aspiração de libertar o homem e de enriquecer sua vida, física e culturalmente. CUPANI, A. A tecnologia como problema filosófico: três enfoques, Scientiae Studia. São Paulo, v. 2, n. 4, 2004 (adaptado).

Autores da filosofia moderna, notadamente Descartes e Bacon, e o projeto iluminista concebem a ciência como uma forma de saber que almeja libertar o homem das intempéries da natureza. Nesse contexto, a investigação científica consiste em:

a)

a) Expor a essência da verdade e resolver definitivamente as disputas teóricas ainda existentes.

b)

b) Oferecer a última palavra acerca das coisas que existem e ocupar o lugar que outrora foi da filosofia.

c)

c) Ser a expressão da razão e servir de modelo para outras áreas do saber que almejam o progresso.

d)

d) Explicitar as leis gerais que permitem interpretar a natureza e eliminar os discursos éticos e religiosos.

4.

A crítica é uma questão de distância certa. O olhar hoje mais essencial, o olho mercantil que penetra no coração das coisas, chama-se propaganda. Esta arrasa o espaço livre da contemplação e aproxima tanto as coisas, coloca-as tão debaixo do nariz quanto o automóvel que sai da tela de cinema e cresce, gigantesco, tremeluzindo em direção a nós. E, do mesmo modo que o cinema não oferece móveis e fachadas a uma observação crítica completa, mas dá apenas a sua espetacular, rígida e repentina proximidade, também a propaganda autêntica transporta as coisas para primeiro plano e tem um ritmo que corresponde ao de um bom filme. BENJAMIN, W. Rua de mão única: infância berlinense – 1900. Belo Horizonte: Autêntica, 2013 (adaptado).

O texto apresenta um entendimento do filósofo Walter Benjamin, segundo o qual a propaganda dificulta o procedimento de análise crítica em virtude do(a)

a)

a) Caráter ilusório das imagens.

b)

b) Evolução constante da tecnologia.

c)

c) Aspecto efêmero dos acontecimentos.

d)

d) Conteúdo objetivo das informações. E Natureza emancipadora das opiniões.

5.

Galileu, que detinha uma verdade científica importante, abjurou-a com a maior facilidade, quando ela lhe pôs a vida em perigo. Em um certo sentido, ele fez bem. Essa verdade valia-lhe a fogueira. Se for a Terra ou o Sol que gira em torno um do outro é algo profundamente irrelevante. Resumindo as coisas, é um problema fútil. Em compensação, vejo que muitas pessoas morrem por achar que a vida não vale a pena ser vivida. Vejo outras que se fazem matar pelas ideias ou ilusões que lhes proporcionam uma razão de viver (o que se chama de razão de viver é, ao mesmo tempo, uma excelente razão de morrer). Julgo, portanto, que o sentido da vida é a questão mais decisiva de todas. E como responder a isso? CAMUS, A. O mito de Sísifo: ensaio sobre o absurdo. Rio de Janeiro: Record, 2004 (adaptado).

O texto apresenta uma questão fundamental, na perspectiva da filosofia contemporânea, que consiste na reflexão sobre os vínculos entre a realidade concreta e a:

a)

a) Condição da existência no mundo.

b)

d) Abrangência dos valores religiosos.

c)

c) Percepção da experiência no tempo.

d)

d) Transitoriedade das paixões humanas.

6.

O justo e o bem são complementares no sentido de que uma concepção política deve apoiar-se em diferentes ideias do bem. Na teoria da justiça como equidade, essa condição se expressa pela prioridade do justo. Sob sua forma geral, esta quer dizer que as ideias aceitáveis do bem devem respeitar os limites da concepção política de justiça e nela desempenhar um certo papel. RAWLS, J. Justiça e democracia. São Paulo: Martins Fontes, 2000 (adaptado). Segundo Rawls, a concepção de justiça legisla sobre ideias do bem, de forma que:

a)

a) As ações individuais são definidas como efeitos determinados por fatores naturais ou constrangimentos sociais.

b)

b) O estudo da origem e da história dos valores morais concluem a inexistência de noções absolutas de bem e mal.

c)

c) O próprio estatuto do homem como centro do mundo é abalado, marcando o relativismo da época contemporânea.

d)

d) As intenções e bens particulares que cada indivíduo almeja alcançar são regulados na sociedade por princípios equilibrados.

7.

Nosso conhecimento científico “está começando a nos capacitar a interferir diretamente nas bases biológicas ou psicológicas da motivação humana, por meio de drogas ou por seleção ou engenharia genética, ou usando dispositivos externos que interferem no cérebro ou nos processos de aprendizagem”, escreveram recentemente os filósofos Julian Savulescu e Ingmar Persson. [...] James Hughes, especialista em bioética [...], defendeu o aprimoramento moral, afirmando que ele deve ser voluntário e não coercitivo. “Com a ajuda da ciência, poderemos descobrir nossos caminhos para a felicidade e virtude proporcionadas pela tecnologia”. Rosner, Hillary. “Seria bom viver para sempre?”. Disponível em: <www.sciam.com.br> Acesso em: out. 2016.

As possibilidades tecnológicas descritas no texto permitem afirmar que:

a)

a) Os recursos científicos estão direcionados ao aperfeiçoamento técnico da espécie humana.

b)

b) Tais interferências técnicas somente seriam possibilitadas sob um regime político totalitário.

c)

c) Ideais espiritualistas de meditação permitem concentração intensa da mente.

d)

d) O caráter voluntário dos experimentos elimina a existência de controvérsias de natureza ética.

8.

A história de todas as sociedades tem sido a história das lutas de classe. Classe oprimida pelo despotismo feudal, a burguesia conquistou a soberania política no Estado moderno, no qual uma exploração aberta e direta substituiu a exploração velada por ilusões religiosas. A estrutura econômica da sociedade condiciona as suas formas jurídicas, políticas, religiosas, artísticas ou filosóficas. Não é a consciência do homem que determina o seu ser, mas, ao contrário, são as relações de produção que ele contrai que determinam a sua consciência. (Adaptado de K. Marx e F. Engels, Obras escolhidas. São Paulo: Alfa-Ômega, s./d., vol 1, p. 21-23, 301-302.) As proposições dos enunciados podem ser associadas ao pensamento conhecido como:

a)

a) Pensamento mítico, ligado à ação de deuses poderosos, dentro de uma perspectiva de tempo cíclico.

b)

b) Materialismo histórico, que concebe a História a partir da luta de classes e da determinação das formas ideológicas pelas relações de produção.

c)

c) Positivismo, que encara a História como um conjunto de dados quantificáveis e dispostos em ordem cronológica.

d)

d) Teocentrismo, reafirmando uma concepção providencialista e linear da História.

9.

Em entrevista ao jornal Democracy Now, em 2014, a filósofa Angela Davis afirmou que algum progresso em torno da questão das prisões americanas tem ocorrido desde a publicação do seu livro Are Prisons bsolete?. “Em vez de pensar em formas de reformar o sistema penitenciário, precisamos pensar em formas de, a longo prazo, ter menos pessoas atrás das grades para, no futuro, termos um ambiente sem prisões, no qual problemas sociais como analfabetismo e pobreza não signifiquem uma trajetória direta para a cadeia”, disse. MOREIRA, Isabela. 4 reflexões para entender o pensamento de Angela Davis. Revista Galileu, 25 nov. 2016. Disponível em: <http://www.revistagalileu.globo.com>. Acesso em: 22 mar. 2017. (adaptado) A política de encarceramento em massa, criticada por Angela Davis no contexto norte-americano, está relacionada a problemas sociais ocasionados por uma experiência de:

a)

a) Investimento em propostas que criem práticas integrativas e humanitárias.

b)

b) Cidadania fragilizada pelo preconceito com relação a alguns setores sociais.

c)

c) Análise demográfica em que a maioria dos prisioneiros são negros e latinos.

d)

d) Altruísmo estatal direcionado a segmentos sociais de menor renda e formação.

10.

O Estado é sempre visto como “todo-poderoso”; na pior hipótese, como repressor e cobrador de impostos; na melhor, como um distribuidor paternalista de empregos e favores. A ação política nessa visão é, sobretudo, orientada para a negociação direta com o governo, sem passar pela mediação da representação. Como vimos, até mesmo uma parcela do movimento operário na Primeira República orientou-se nessa direção; parcela ainda maior adaptou-se a ela na década de 1930. Essa cultura, orientada mais para o Estado do que para a representação, é o que chamamos de “estadania”, em contraste com a cidadania. CARVALHO, José Murilo de. Cidadania no Brasil: o longo caminho. 3. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002. p. 221.

O conceito de cidadania, aludido no texto do historiador José Murilo de Carvalho, representa a:

a)

a) Distribuição de empregos e favores pelo Estado.

b)

b) Tentativa de driblar a cobrança de impostos pelo Estado.

c)

c) Possibilidade de cada cidadão ser representado pelo Estado

d)

d) Fragilização do poder público representado pelo Estado.

11.

O conceito de democracia, no pensamento de Habermas, é construído a partir de uma dimensão procedimental, calcada no discurso e na deliberação. A legitimidade democrática exige que o processo de tomada de decisões políticas ocorra a partir de uma ampla discussão pública, para somente então decidir. Assim, o caráter deliberativo corresponde a um processo coletivo de ponderação e análise, permeado pelo discurso, que antecede a decisão. VITALE. D. Jürgen Habermas, modernidade e democracia deliberativa. Cadernos do CRH (UFBA), v. 19, 2006 (adaptado),

O conceito de democracia proposto por Jürgen Habermas pode favorecer processos de inclusão social. De acordo com o texto, é uma condição para que isso aconteça o(a):

a)

a) A Participação direta periódica do cidadão.

b)

b) Debate livre e racional entre cidadãos e Estado.

c)

c) Interlocução entre os poderes governamentais.

d)

d) Eleição de lideranças políticas com mandatos temporários.

12.

Essas longas cadeias de razões, todas simples e fáceis, de que os geômetras costumam se utilizar para chegar às demonstrações mais difíceis, haviam-me dado oportunidade de imaginar que todas as coisas passíveis de cair sob domínio do conhecimento dos homens seguem-se umas às outras da mesma maneira e que, contanto que nos abstenhamos somente de aceitar por verdadeira alguma que não o seja, e que observemos sempre a ordem necessária para deduzilas umas das outras, não pode haver, quaisquer que sejam, tão distantes às quais não se chegue por fim, nem tão ocultas que não se descubram. (DESCARTES, R. Discurso do método. Tradução de Elza Moreira Marcelina. Brasília: Editora da Universidade de Brasília; São Paulo: Ática, 1989. p. 45).

No que se refere ao método cartesiano, como visto no texto, sabe-se que:

a)

a) O conhecimento é obtido partindo-se da experiência, isto é, da observação da natureza, e depois generalizando os resultados de tais observações.

b)

b) Qualquer coisa que a razão humana é capaz de conhecer pode ser alcançada, partindo-se de verdades evidentes, e aplicando a dedução lógica a essas verdades.

c)

c) É possível apenas obter um conhecimento aproximado, probabilístico, acerca de qualquer objeto, não sendo de modo algum alcançável o conhecimento da verdade, independente do assunto em questão.

d)

d) Independentemente das premissas das quais se parte ao se procurar obter conhecimento sobre um determinado assunto, a verdade sobre tal assunto será alcançada desde que os princípios da lógica dedutiva sejam aplicados corretamente.

13.

Pode-se viver sem ciência, pode-se adotar crenças sem querer justificá-las racionalmente, pode-se desprezar as evidências empíricas. No entanto, depois de Platão e Aristóteles, nenhum homem honesto pode ignorar que uma outra atitude intelectual foi experimentada, a de adotar crenças com base em razões e evidências e questionar tudo o mais a fim de descobrir seu sentido último. ZINGANO, M. Platão e Aristóteles: o fascínio da filosofia. São Paulo: Odysseus, 2002.

Platão e Aristóteles marcaram profundamente a formação do pensamento Ocidental. No texto, é ressaltado importante aspecto filosófico de ambos os autores que, em linhas gerais, refere-se à:

a)

a) Adoção da experiência do senso comum como critério de verdade.

b)

b) Incapacidade de a razão confirmar o conhecimento resultante de evidências empíricas.

c)

c) Pretensão de a experiência legitimar por si mesma a verdade.

d)

d) Compreensão de que a verdade deve ser justificada racionalmente.

14.

O cálculo, mesmo com os decimais e a álgebra, foi adotado na Índia, onde o sistema decimal foi inventado; mas seu uso foi desenvolvido apenas pelo capitalismo no Ocidente, pois, na Índia, isso não levou às modernas aritmética e contabilidade. Nem podemos dizer que as origens da matemática e da mecânica tenham sido determinadas pelos interesses capitalistas. Mas a utilização técnica do conhecimento científico, tão importante para as condições de vida da massa do povo, foi certamente incentivada pelas condições econômicas, estas que lhe eram extremamente favoráveis no mundo ocidental. WEBER, Max. A ética protestante e o espírito do capitalismo. 4. ed. São Paulo: Martin Claret, 2009.

A análise weberiana mostra que, no processo de desenvolvimento capitalista, o conhecimento científico foi:

a)

a) Desvinculado das habilidades técnicas originalmente desenvolvidas.

b)

b) Expropriado da cultura oriental sem que esta fosse reconhecida.

c)

c) Utilizado com o fim de gerar dividendos financeiros para o povo.

d)

d) Desenvolvido segundo os critérios da racionalidade econômica.

15.

Suponha homens numa morada subterrânea, em forma de caverna, cuja entrada, aberta à luz, se estende sobre todo o comprimento da fachada; eles estão lá desde a infância, as pernas e o pescoço presos por correntes, de tal sorte que não podem trocar de lugar e só podem olhar para frente, pois os grilhões os impedem de voltar a cabeça; a luz de uma fogueira acesa ao longe, numa elevada do terreno, brilha por detrás deles; entre a fogueira e os prisioneiros, há um caminho ascendente; ao longo do caminho, imagine um pequeno muro, semelhante aos tapumes que os manipuladores de marionetes armam entre eles e o público e sobre os quais exibem seus prestígios. PLATÃO. A República. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2007. Essa narrativa de Platão é uma importante manifestação cultural do pensamento grego antigo, cuja ideia central, do ponto de vista filosófico, evidencia o(a):

a)

a) Caráter antropológico, descrevendo as origens do homem primitivo.

b)

b) Sistema penal da época, criticando o sistema carcerário da sociedade ateniense.

c)

c) Vida cultural e artística, expressa por dramaturgos trágicos e cômicos gregos.

d)

e) Teoria do conhecimento, expondo a passagem do mundo ilusório para o mundo das ideias.

16.

Até hoje admitia-se que nosso conhecimento se devia regular pelos objetos; porém todas as tentativas para descobrir, mediante conceitos, algo que ampliasse nosso conhecimento, malogravam-se com esse pressuposto. Tentemos, pois, uma vez, experimentar se não se resolverão melhor as tarefas da metafísica, admitindo que os objetos se deveriam regular pelo nosso conhecimento. KANT, I. Crítica da razão pura. Lisboa: Calouste-Gulbenkian, 1994 (adaptado).

O trecho em questão é uma referência ao que ficou conhecido como revolução copernicana na filosofia. Nele, confrontam-se duas posições filosóficas que:

a)

a) Assumem pontos de vista opostos acerca da natureza do conhecimento.

b)

b) Defendem que o conhecimento é impossível, restando-nos somente o ceticismo.

c)

c) Revelam a relação de interdependência entre os dados da experiência e a reflexão filosófica.

d)

d) Apostam, no que diz respeito às tarefas da filosofia, na primazia das ideias em relação aos objetos.

17.

Posto que as qualidades que impressionam nossos sentidos estão nas próprias coisas, é claro que as ideias produzidas na mente entram pelos sentidos. O entendimento não tem o poder de inventar ou formar uma única ideia simples na mente que não tenha sido recebida pelos sentidos. Gostaria que alguém tentasse imaginar um gosto que jamais impressionou seu paladar, ou tentasse formar a ideia de um aroma que nunca cheirou. Quando puder fazer isso, concluirei também que um cego tem ideias das cores, e um surdo, noções reais dos diversos sons. (John Locke. Ensaio acerca do entendimento humano, 1991. Adaptado.)

De acordo com o filósofo, todo conhecimento origina-se da:

a)

a) Reminiscência de ideias originalmente transcendentes.

b)

b) Combinação de ideias metafísicas e empíricas.

c)

c) Categorias a priori existentes na mente humana.

d)

d) Experiência com os objetos reais e empíricos.

18.

TEXTO I Há já algum tempo eu me apercebi de que, desde meus primeiros anos, recebera muitas falsas opiniões como verdadeiras, e de que aquilo que depois eu fundei em princípios tão mal assegurados não podia ser senão mui duvidoso e incerto. Era necessário tentar seriamente, uma vez em minha vida, desfazerme de todas as opiniões a que até então dera crédito, e começar tudo novamente a fim de estabelecer um saber firme e inabalável. DESCARTES, R. Meditações concernentes à Primeira Filosofia. São Paulo: Abril Cultural, 1973 (adaptado). TEXTO II É o caráter radical do que se procura que exige a radicalização do próprio processo de busca. Se todo o espaço for ocupado pela dúvida, qualquer certeza que aparecer a partir daí terá sido de alguma forma gerada pela própria dúvida, e não será seguramente nenhuma daquelas que foram anteriormente varridas por essa mesma dúvida. SILVA, F. L. Descartes: a metafísica da modernidade. São Paulo: Moderna, 2001 (adaptado).

A exposição e a análise do projeto cartesiano indicam que, para viabilizar a reconstrução radical do conhecimento, deve-se:

a)

a) Retomar o método da tradição para edificar a ciência com legitimidade.

b)

b) Questionar de forma ampla e profunda as antigas ideias e concepções.

c)

c) Investigar os conteúdos da consciência dos homens menos esclarecidos.

d)

d) Buscar uma via para eliminar da memória saberes antigos e ultrapassados.

19.

Segundo Aristóteles, “na cidade com o melhor conjunto de normas e naquela dotada de homens absolutamente justos, os cidadãos não devem viver uma vida de trabalho trivial ou de negócios — esses tipos de vida são desprezíveis e incompatíveis com as qualidades morais —, tampouco devem ser agricultores os aspirantes à cidadania, pois o lazer é indispensável ao desenvolvimento das qualidades morais e à prática das atividades políticas”. VAN ACKER, T. Grécia. A vida cotidiana na cidade-Estado. São Paulo: Atual, 1994.

O trecho, retirado da obra Política, de Aristóteles, permite compreender que a cidadania:

a)

a) Possui uma dimensão histórica que deve ser criticada, pois é condenável que os políticos de qualquer época fiquem entregues à ociosidade, enquanto o resto dos cidadãos tem de trabalhar.

b)

b) Era entendida como uma dignidade própria dos grupos sociais superiores, fruto de uma concepção política profundamente hierarquizada da sociedade.

c)

c) Estava vinculada, na Grécia Antiga, a uma percepção política democrática, que levava todos os habitantes da pólis a participarem da vida cívica.

d)

d) Tinha profundas conexões com a justiça, razão pela qual o tempo livre dos cidadãos deveria ser dedicado às atividades vinculadas aos tribunais.

20.

TEXTO I Anaxímenes de Mileto disse que o ar é o elemento originário de tudo o que existe, existiu e existirá, e que outras coisas provêm de sua descendência. Quando o ar se dilata, transforma-se em fogo, ao passo que os ventos são ar condensado. As nuvens formam-se a partir do ar por feltragem e, ainda mais condensadas, transformamse em água. A água, quando mais condensada, transforma-se em terra, e quando condensada ao máximo possível, transforma-se em pedras. BURNET, J. A aurora da filosofia grega. Rio de Janeiro: PUC-Rio, 2006 (adaptado). TEXTO II Basílio Magno, filósofo medieval, escreveu: “Deus, como criador de todas as coisas, está no princípio do mundo e dos tempos. Quão parcas de conteúdo se nos apresentam, em face desta concepção, as especulações contraditórias dos filósofos, para os quais o mundo se origina, ou de algum dos quatro elementos, como ensinam os Jônios, ou dos átomos, como julga Demócrito. Na verdade, dão a impressão de quererem ancorar o mundo numa teia de aranha.” GILSON, E.; BOEHNER, P. História da Filosofia Cristã. São Paulo: Vozes, 1991 (adaptado).

Filósofos dos diversos tempos históricos desenvolveram teses para explicar a origem do universo, a partir de uma explicação racional. As teses de Anaxímenes, filósofo grego antigo, e de Basílio, filósofo medieval, têm em comum na sua fundamentação teorias que:

a)

a) Eram baseadas nas ciências da natureza.

b)

b) Refutavam as teorias de filósofos da religião.

c)

c) Tinham origem nos mitos das civilizações antigas.

d)

d) Postulavam um princípio originário para o mundo.

21.

Passamos de uma sociedade política a uma sociedade organizacional, entendida esta última como uma sociedade de gestão sistêmica e tecnocrática que serve de legitimação e referência aos direitos da pessoa e, portanto, define uma liberdade de maneira totalmente privada. Tudo se reduz ao exercício pragmático do controle e da influência. A referência à cidadania não desaparece, mas reduz-se à participação nas eleições, numa sociedade de massa totalmente aberta à propaganda e amplamente entregue às solicitações mercantis e às modas. DUPAS, Gilberto. Atores e poderes na nova ordem global: assimetrias, instabilidades e imperativos de legitimação. São Paulo: Editora UNESP, 2005. Segundo o texto, a cidadania no século XXI passa por um processo de:

a)

a) Vinculação a um ambiente politicamente democrático e liberalizante.

b)

b) Substituição do seu sentido ampliado pelo modelo individualizado.

c)

c) Reconhecimento da importância do marketing político nas campanhas.

d)

d) Enfraquecimento da legitimidade dos processos decisórios pelo voto.

22.

É alarmante constatar que a legislação diária do Brasil é uma regulamentação do “não pode”, a palavra “não” que submete o cidadão ao Estado, sendo usada de forma geral e constante. Ora, é precisamente por tudo isso que conseguimos descobrir e aperfeiçoar um modo, um jeito, um estilo de navegação social que passa sempre nas entrelinhas desses peremptórios e autoritários “não pode!”. Assim, entre o “pode” e o “não pode”, escolhemos, de modo chocantemente antilógico, mas singularmente brasileiro, a junção do “pode” com o “não pode”. DAMATTA, Roberto. O que faz o brasil, Brasil? 12. ed. Rio de Janeiro: Rocco, 2001. No texto anterior, Roberto DaMatta discorre sobre uma prática socialmente enraizada na cultura brasileira conhecida como:

a)

a) Autoritarismo excludente.

b)

b) Ética do meio termo.

c)

c) Democracia racial.

d)

d) Jeitinho brasileiro.

23.

Nossa felicidade depende daquilo que somos, de nossa individualidade; enquanto, na maior parte das vezes, levamos em conta apenas a nossa sorte, apenas aquilo que temos ou representamos. Pois, o que alguém é para si mesmo, o que o acompanha na solidão e ninguém lhe pode dar ou retirar, é manifestamente mais essencial para ele do que tudo quanto puder possuir ou ser aos olhos dos outros. Um homem espiritualmente rico, na mais absoluta solidão, consegue se divertir primorosamente com seus próprios pensamentos e fantasias, enquanto um obtuso, por mais que mude continuamente de sociedades, espetáculos, passeios e festas, não consegue afugentar o tédio que o martiriza. (Schopenhauer. Aforismos sobre a sabedoria de vida, 2015. Adaptado).

Com base no texto, é correto afirmar que a ética de Schopenhauer:

a)

a) Corrobora os padrões hegemônicos de comportamento da sociedade de consumo atual.

b)

b) Valoriza o aprimoramento formativo do espírito como campo mais relevante da vida humana.

c)

c) Valoriza preferencialmente a simplicidade e a humildade, em vez do cultivo de qualidades intelectuais.

d)

d) Prioriza a condição social e a riqueza material como as determinações mais relevantes da vida humana.

24.

Leia o texto a seguir:

“[…] a ética [pode ser definida] como a problematização ou interpretação dos valores morais ou dos costumes

naturalizados pelo hábito. […] Os dilemas éticos e morais fazem parte de uma discussão que perpassa a Filosofia, o Direito e as religiões: a discussão a respeito do certo e do errado, do bom e do mau”. Tomando a ética como a parte da Filosofia que investiga os princípios orientadores das normas de conduta humana, principalmente os relacionados aos conflitos de interpretação e concepção de mundo presentes na sociedade, assinale a alternativa que contém exemplos de debates em que o campo da ética está presente:

a)

a) Desonestidade, luta de classes e sistema de educação inclusiva.

b)

b) Papel do pai na educação dos filhos, divórcio e guarda compartilhada.

c)

c) Utilização de células-tronco, eutanásia e aborto de fetos anencéfalos.

d)

d) Esportes violentos, sexualidade e propaganda voltada para o público infantil.

25.

Nos rituais indígenas, a ingestão do cauim evoca a busca de um estado de prazer e de felicidade. Na tradição filosófica, a ideia de felicidade foi abordada por Aristóteles, na obra “Ética a Nicômaco”. Considerando o pensamento ético de Aristóteles, assinale a alternativa correta:

a)

a) Todos os seres humanos aspiram ao bem e à felicidade, que só podem ser alcançados pela conduta virtuosa, aliada à vontade e à escolha racional.

b)

b) O interesse pessoal constitui o bem supremo a que visam todas as ações humanas, acima das escolhas racionais.

c)

c) A felicidade do indivíduo não pode ser alcançada pelo discernimento racional, mas tão-somente pelo exercício da sensibilidade.

d)

d) A felicidade é o bem supremo a que aspira todo indivíduo pela experiência sensível do prazer que se busca por ele mesmo.