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Worksheets1ª série 2020 - Revisão P3 Sociologia (Cap 20, 21, 23)
Total questions: 15
Worksheet time: 13mins
Uma das categorias fundamentais utilizadas por Gilberto Freyre para pensar o Brasil é:
cordialidade
patrimonialismo
luta de classe
desigualdade social
miscigenação
Formou-se na América tropical uma sociedade agrária na estrutura, escravocrata na técnica de exploração econômica, híbrida de índio – e mais tarde de negro – na composição. Sociedade que se desenvolveria defendida menos pela consciência de raça, do que pelo exclusivismo religioso desdobrado em sistema de profilaxia social e política. Menos pela ação oficial do que pelo braço e pela espada do particular. Mas tudo isso subordinado ao espírito político e de realismo econômico e jurídico que aqui, como em Portugal, foi desde o primeiro século elemento decisivo de formação nacional; sendo que entre nós através das grandes famílias proprietárias e autônomas; senhores de engenho com altar e capelão dentro de casa e índios de arco e flecha ou negros armados de arcabuzes às suas ordens. (FREYRE, G. Casa-grande & senzala. Rio de Janeiro: José Olympio, 1984.)
De acordo com a abordagem de Gilberto Freyre sobre a formação da sociedade brasileira, é correto afirmar que:
a colonização na América tropical era obra, sobretudo, da iniciativa particular.
o caráter da colonização portuguesa no Brasil era exclusivamente mercantil.
a constituição da população brasileira esteve isenta de mestiçagem racial e cultural.
a Metrópole ditava as regras e governava as terras brasileiras com punhos de ferro.
os engenhos constituíam um sistema econômico e político, mas sem implicações sociais.
A miscigenação de raças e de culturas foi um aspecto fundamental da nacionalidade brasileira. Gilberto Freyre, em Casa-grande & senzala, de 1933, valoriza “as características do negro, do índio e do mestiço”, defendendo “a ideia de que a mistura dessas raças seria a ‘força’, o ponto positivo, da nossa cultura”.
(LORENSETTI, Everaldo. “A produção sociológica brasileira.” In: LORENSETTI, Everaldo et al. Sociologia: Ensino Médio. Curitiba: SEED-PR, 2006. p. 53.)
Com base nessa informação, assinale o que for correto:
Essa concepção de Gilberto Freyre demonstra o seu racismo na análise da sociedade brasileira.
Na visão de Freyre, a mistura de raças dificulta a democracia racial.
Para o autor, a riqueza da nacionalidade brasileira adviria de uma convivência entre as raças, que possibilitaria a comuni-cação e a mistura entre as culturas.
Para Gilberto Freyre, a raça ariana era superior e devia ser privilegiada na elaboração de políticas públicas.
Segundo o autor, o índio e o negro não contribuíram de maneira fundamental para a riqueza da cultura brasileira.
A respeito das relações entre as raças no Brasil, Gilberto Freyre:
enfatiza as desigualdades de oportunidades existentes para pessoas provenientes de raças diferentes.
discute as maneiras por meio das quais ocorreu a convivência entre as diferentes raças no Brasil.
ressalta os abismos sociais entre negros e brancos durante o Período Colonial.
lembra o papel que o Estado terá em integrar o negro de forma plena na sociedade a partir de políticas públicas.
Sobre a importância dada à miscigenação no trabalho de Gilberto Freyre, pode-se afirmar que:
ela é problemática, estando entre os fatores que conduzem o Brasil para o atraso.
a mistura de raças causou danos praticamente irreparáveis na estrutura social brasileira.
ela foi fundamental para diminuir barreiras e promover a democracia entre as raças.
essa categoria ressalta as profundas desigualdades que se iniciaram no Período Colonial e existem até hoje.
Sérgio Buarque de Holanda, em sua obra, apresenta alguns pares de oposição, dentre os quais não se destaca:
proletários e burgueses.
aventureiro e trabalhador.
semeador e ladrilhador.
modernidade e tradição.
A respeito das interpretações de Sérgio Buarque sobre o Brasil, marque o que é correto:
Para Sérgio Buarque, a criatividade e alegria do povo brasileiro se manifestam na cordialidade presente em nossas relações sociais, que engrandece nossa sociedade.
Para o autor, as instituições sociais brasileiras são permeadas por desigualdades estruturais que oferecem chances diferentes para pessoas que vêm de estratos sociais distintos.
De acordo com Sérgio Buarque, as instituições políticas brasileiras estão em pleno processo de amadurecimento em decorrência da instauração de valores democráticos e liberais na população.
Para o autor, o Brasil precisa passar por um processo de modernização de modo que consiga romper com aspectos da herança cultural portuguesa.
Em sociedade de origens tão nitidamente personalistas como a nossa, é compreensível que os simples vínculos de pessoa a pessoa, independentes e até exclusivos de qualquer tendência para a cooperação autêntica entre os indivíduos, tenham sido quase sempre os mais decisivos. As agregações e relações pessoais, embora, por vezes, precárias, e, de outro lado, as lutas entre facções, entre famílias, entre regionalismos, faziam dela um todo incoerente e amorfo. O peculiar da vida brasileira parece ter sido, por essa época, uma acentuação singularmente enérgica do afetivo, do irracional, do passional e uma estagnação ou, antes, uma atrofia correspondente das qualidades ordenadoras, disciplinadoras, racionalizadoras.
(HOLANDA, S. B. de. Raízes do Brasil. São Paulo: Cia das Letras, 1995.)
Um traço formador da vida pública brasileira expressa-se, segundo a análise do historiador, na:
rigidez das normas jurídicas.
prevalência dos interesses privados.
solidez da organização institucional.
legitimidade das ações burocráticas.
estabilidade das estruturas políticas.
Sérgio Buarque de Holanda, assim como outros historiadores e sociólogos da década de 1930, tentou explicar o atraso brasileiro quando comparado com os EUA e com as nações europeias. O autor encontra os motivos do atraso:
na herança patrimonial, personalista e aventureira que marca a psicologia do povo brasileiro.
nas desigualdades entre brancos e negros, responsáveis pela não inserção de todos na sociedade.
no processo de proclamação da República, que se deu não de forma inclusiva, mas exclusiva.
no sistema escravocrata, que não faz nascer uma sociedade capitalista de mercado.
na ausência de condições materiais que pudessem impulsionar o processo de modernização brasileiro.
De acordo com Sérgio Buarque de Holanda, “o gosto da maravilha e do mistério, quase inseparável da literatura de viagens na era dos grandes descobrimentos marítimos, ocupa espaço singularmente reduzido nos escritos quinhentistas dos portugueses sobre o Novo Mundo”. (HOLANDA, Sérgio Buarque de. Visão do paraíso. São Paulo: Brasiliense, 1996. p. 1.)
Qual foi a motivação para essa redução?
A língua portuguesa não estava suficientemente desenvolvida para expressar o gosto pelo maravilhoso e pelo mistério.
Os portugueses tinham práticas anteriores com grandes navegações e o contato mais frequente com outros povos, sobretudo do Oriente.
Os portugueses interessavam-se mais pelo México e pela América do Norte.
A ocupação do Novo Mundo, sobretudo do Brasil, pelos portugueses foi imediata, o que amenizou o impacto inicial do contato.
Os portugueses consideravam os povos indígenas e a natureza do Novo Mundo semelhantes aos encontrados na Europa.
É um conceito fundamental para o pensamento de Caio Prado Júnior:
o homem cordial
a democracia racial
o sentido de colonização
o "jeitinho" brasileiro
O sentido de colonização, noção proposta por Caio Prado Jr., diz que:
O Brasil deveria deixar de se submeter aos mandos e desmandos dos EUA e China
o Brasil foi destinado a tornar-se um mero fornecedor de produtos (açúcar, algodão, ouro, borracha, café...) para a Metrópole
O Brasil só alcançaria sua total independência quando sua população tivesse alcançado os mesmos níveis educacionais dos países europeus
O Brasil deveria deixar para trás seu passado feudal e tornar-se, rapidamente, um país capitalista
Para Caio Prado Júnior, a formação brasileira se completaria no momento em que fosse superada a nossa herança de inorganicidade social – o oposto da interligação com objetivos internos – trazida da colônia. Esse momento alto estaria, ou esteve, no futuro. Se passarmos a Sérgio Buarque de Holanda, encontraremos algo análogo. O país será moderno e estará formado quando superar a sua herança portuguesa, rural e autoritária, quando então teríamos um país democrático. Também aqui o ponto de chegada está mais adiante, na dependência das decisões do presente. Celso Furtado, por seu turno, dirá que a nação não se completa enquanto as alavancas do comando, principalmente do econômico, não passarem para dentro do país. Como para os outros dois, a conclusão do processo encontra-se no futuro, que agora parece remoto.
[SCHWARZ, R. "Os sete fôlegos de um livro". In: Sequências brasileiras. São Paulo: Companhia. das Letras, 1999 (adaptado).]
Acerca das expectativas quanto à formação do Brasil, a sentença que sintetiza os pontos de vista apresentados no texto é:
Brasil, um país que vai para frente.
Brasil, a eterna esperança.
Brasil, glória no passado, grandeza no presente.
Brasil, terra bela, pátria grande.
Brasil, gigante pela própria natureza.
Em suas análises sobre o Brasil colonial, Caio Prado Júnior destaca o poder político dos latifundiários e sustenta que:
tal poder decorre diretamente do poder econômico que esses latifundiários possuíam.
o referido advém da conquista do poder por meio de revoluções implementadas contra a Metrópole
esse poder vem da força do povo, que preferia se submeter ao controle dos senhores de engenho a se submeter aos ditames de Portugal.
esse poder permaneceu constante durante toda a evolução econômica brasileira.
Caio Prado Júnior, Gilberto Freyre e Sérgio Buarque de Holanda são intelectuais da chamada “Geração de 30”, primeiro momento da sociologia no Brasil como atividade autônoma, voltada para o conhecimento sistemático e metódico da sociedade. Sobre as preocupações características dessa geração, assinale aquela que contém uma inverdade:
Promove a desmistificação da retórica liberal vigente e a denúncia da visão hierárquica e autoritária das elites brasileiras.
Faz a defesa do cientificismo como instrumento de compreensão e explicação da sociedade brasileira.
Critica a produção intelectual erudita e acadêmica dos bacharéis como instrumento de dominação social.
Critica o processo de modernização e defende a preservação das raízes rurais como o caminho mais desejável para a ordem e o progresso da sociedade brasileira.
