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UNESP 2017

Total questions: 20

Worksheet time: 57mins

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1.

NOME COMPLETO

4 lines
2.

Apesar de sua dispersão geográfica e de sua fragmentação política, os Gregos tinham uma profunda consciência de pertencer a uma só e mesma cultura. Esse fenômeno é tão mais extraordinário, considerando-se a ausência de qualquer autoridade central política ou religiosa e o livre espírito de invenção de uma determinada comunidade para resolver os diversos problemas políticos ou culturais que se colocavam para ela.

(Moses I. Finley. Os primeiros tempos da Grécia, 1998. Adaptado.)

O excerto refere-se ao seguinte aspecto essencial da história grega da Antiguidade:

a)

a predominância da reflexão política sobre o desenvolvimento das belas-artes.

b)

a fragilidade militar de populações isoladas em pequenas unidades políticas.

c)

a vinculação do nascimento da filosofia com a constituição de governos tirânicos

d)

a existência de cidades-estados conjugada a padrões civilizatórios de unificação.

e)

a igualdade social sustentada pela exploração econômica de colônias estrangeiras.

3.

A Igreja foi responsável direta por mais uma transformação, formidável e silenciosa, nos últimos séculos do Império: a vulgarização da cultura clássica. Essa façanha fundamental da Igreja nascente indica seu verdadeiro lugar e função na passagem para o Feudalismo. A condição de existência da civilização da Antiguidade em meio aos séculos caóticos da Idade Média foi o caráter de resistência da Igreja. Ela foi a ponte entre duas épocas.

(Perry Anderson. Passagens da Antiguidade ao Feudalismo, 2016. Adaptado.)

O excerto permite afirmar corretamente que a Igreja cristã

a)

tornou-se uma instituição do Império Romano e sobreviveu à sua derrocada quando da invasão dos bárbaros germânicos.

b)

limitou suas atividades à esfera cultural e evitou participar das lutas políticas durante o Feudalismo.

c)

manteve-se fiel aos ensinamentos bíblicos e proibiu representações de imagens religiosas na Idade Média.

d)

reconheceu a importância da liberdade religiosa na Europa Ocidental e combateu a teocracia imperial.

e)

combateu o universo religioso do Feudalismo e propagou, em meio aos povos sem escrita, o paganismo greco-romano

4.

A pintura representa no martírio de Cristo os seguintes princípios culturais do Renascimento italiano:

a)

a imitação das formas artísticas medievais e a ênfase na natureza espiritual de Cristo

b)

a preocupação intensa com a forma artística e a ausência de significado religioso do quadro

c)

a disposição da figura de Cristo em perspectiva geométrica e o conteúdo realista da composição.

d)

a gama variada de cores luminosas e a concepção otimista de uma humanidade sem pecado.

e)

a idealização do corpo do Salvador e a noção de uma divindade desvinculada dos dramas humanos.

5.

Em meados do século o negócio dos metais não ocuparia senão o terço, ou bem menos, da população. O grosso dessa gente compõe-se de mercadores de tenda aberta, oficiais dos mais variados ofícios, boticários, prestamistas, estalajadeiros, taberneiros, advogados, médicos, cirurgiões-barbeiros, burocratas, clérigos, mestres-escolas, tropeiros, soldados da milícia paga. Sem falar nos escravos, cujo total, segundo os documentos da época, ascendia a mais de cem mil. A necessidade de abastecer-se toda essa gente provocava a formação de grandes currais; a própria lavoura ganhava alento novo.

(Sérgio Buarque de Holanda. “Metais e pedras preciosas”. História geral da civilização brasileira, vol 2, 1960. Adaptado.)

De acordo com o excerto, é correto concluir que a extração de metais preciosos em Minas Gerais no século XVIII

a)

impediu o domínio do governo metropolitano nas áreas de extração e favoreceu a independência colonial.

b)

bloqueou a possibilidade de ascensão social na colônia e forçou a alta dos preços dos instrumentos de mineração

c)

provocou um processo de urbanização e articulou a economia colonial em torno da mineração

d)

extinguiu a economia colonial agroexportadora e incorporou a população litorânea economicamente ativa.

e)

restringiu a divisão da sociedade em senhores e escravos e limitou a diversidade cultural da colônia.

6.

No movimento de Independência atuam duas tendências opostas: uma, de origem europeia, liberal e utópica, que concebe a América espanhola como um todo unitário, assembleia de nações livres; outra, tradicional, que rompe laços com a Metrópole somente para acelerar o processo de dispersão do Império.

(Octavio Paz. O labirinto da solidão, 1999. Adaptado.)

O texto refere-se às concepções em disputa no processo de Independência da América Latina. Tendo em vista a situação política das nações latino-americanas no século XIX, é correto concluir que

a)

os Estados independentes substituíram as rivalidades pela mútua cooperação

b)

os países libertos formaram regimes constitucionais estáveis.

c)

as antigas metrópoles ibéricas continuavam governando os territórios americanos

d)

o conteúdo filosófico das independências sobrepôs-se aos interesses oligárquicos.

e)

as classes dirigentes nativas foram herdeiras da antiga ordem colonial.

7.

A expansão territorial dos Estados Unidos, no século XIX, foi o resultado da compra da Luisiana francesa pelo governo central, da anexação de territórios mexicanos, da distribuição de pequenos lotes de terra para colonos pioneiros, da expansão das redes de estradas de ferro, assim como da anexação de terras indígenas. Esse processo expansionista foi ideologicamente justificado pela doutrina do Destino Manifesto, segundo a qual

a)

o direito pertence aos povos mais democráticos e laboriosos.

b)

o mundo deve ser transformado para o engrandecimento da humanidade.

c)

o povo americano deve garantir a sobrevivência econômica das sociedades pagãs

d)

as terras pertencem aos seus descobridores e primeiros ocupantes

e)

a nação deve conquistar o continente que a Providência lhe reservou

8.

Art. 3o - O governo paraguaio se reconhece obrigado à celebração do Tratado da Tríplice Aliança de 1o de maio de 1865, entendendo-se estabelecido desde já que a navegação do Alto Paraná e do Rio Paraguai nas águas territoriais da república deste nome fica franqueada aos navios de guerra e mercantes das nações aliadas, livres de todo e qualquer ônus, e sem que se possa impedir ou estorvar-se de nenhum modo a liberdade dessa navegação comum.

(“Acordo Preliminar de Paz Celebrado entre Brasil, Argentina e Uruguai com o Paraguai (20 junho 1870)”. In: Paulo Bonavides e Roberto Amaral (orgs.). Textos políticos da história do Brasil, 2002. Adaptado.)

O tratado de paz imposto pelos países vencedores da guerra contra o Paraguai deixa transparente um dos motivos da participação do Estado brasileiro no conflito

a)

o domínio de jazidas de ouro e prata descobertas nas províncias centrais.

b)

o esforço em manter os acordos comerciais celebrados pelas metrópoles ibéricas.

c)

a garantia de livre trânsito nas vias de acesso a províncias do interior do país.

d)

o projeto governamental de proteger a nação com fronteiras naturais.

e)

o monopólio governamental do transporte de mercadorias a longa distância.

9.

Leia o texto para responder às questões 38 e 39.

A industrialização contemporânea requer investimentos vultosos. No Brasil, esses investimentos não podiam ser feitos pelo setor privado, devido à escassez de capital que caracteriza as nações em desenvolvimento. Além disso, o crescimento econômico do Brasil, um recém-chegado ao processo de modernização, processou-se em condições socioeconômicas diferentes. Um efeito internacional de demonstração, na forma de imitação de padrões de vida, entre países ricos e pobres, e entre classes ricas e pobres dentro das nações, resultou em pressões significativas sobre as taxas de crescimento para diminuir a diferença entre nações desenvolvidas e em desenvolvimento. Em vista das aspirações de melhores padrões de vida, o governo desempenhou um papel importante no crescimento econômico recente do Brasil.

(Carlos Manuel Peláez e Wilson Suzigan. História monetária do Brasil, 1981. Adaptado.)

De acordo com o texto, uma das particularidades do processo de industrialização brasileira é

a)

o controle das matérias-primas industriais pelas nações imperialistas do planeta.

b)

a escassez de mão de obra devido à sobrevivência da pequena propriedade rural.

c)

a escassez de mão de obra devido à sobrevivência da pequena propriedade rural.

d)

a emergência da industrialização em meio a economias internacionais já industrializadas

e)

a existência prévia de um amplo mercado consumidor de produtos de luxo.

10.

Os impasses do desenvolvimento industrial brasileiro, apontados pelo texto, foram enfrentados no governo Juscelino Kubitschek (1956-1961) com o Plano de Metas, cujo objetivo era promover a industrialização por meio

a)

da associação de esforços econômicos entre o Estado, o capital estrangeiro e as empresas nacionais

b)

da valorização da moeda nacional, da estatização de fábricas falidas e da contenção de salários.

c)

da criação de indústrias têxteis estatais e do aumento de impostos sobre o grande capital naciona

d)

do emprego de empresas multinacionais submetidas à severa lei da remessa de lucros, juros e dividendos para o exterior

e)

do combate à seca no Nordeste e do aumento do salário mínimo, com controle da inflação.

11.
a)

estabilidade política, crescimento da economia agroindustrial e baixas taxas de inflação

b)

renúncia presidencial, debates sobre sistema de governo e projetos de reforma social.

c)

ascensão de governos conservadores, despolitização da sociedade e abolição de leis trabalhistas.

d)

deposição do presidente da República, privatizações de empresas estatais e adoção do neoliberalismo.

e)

autoritarismos governamentais, restrições à liberdade de expressão e cassações de mandatos de parlamentares

12.

O artista Artur Barrio nasceu em Portugal e mudou-se para o Brasil em 1955, dedicando-se à pintura a partir de 1965. Em 1969, começa a criar as Situações: trabalhos de grande impacto, realizados com materiais orgânicos como lixo, papel higiênico, detritos humanos e carne putrefata, com os quais realiza intervenções no espaço urbano. No mesmo ano, escreve um manifesto no qual contesta as categorias tradicionais da arte e sua relação com o mercado, e a conjuntura histórica da América Latina. Em 1970, na mostra coletiva Do corpo à terra, espalha as Trouxas ensanguentadas em um rio em Belo Horizonte.

http://enciclopedia.itaucultural.org.br. Adaptado.

Relacionando-se a imagem, as informações contidas no texto e o contexto do ano da mostra coletiva Do corpo à terra, é correto interpretar a intervenção Trouxas ensanguentadas como uma

a)

denúncia da situação política e social do Brasil.

b)

revelação da pobreza da população brasileira.

c)

demonstração do caráter perdulário das sociedades de consumo.

d)

crítica à falta de planejamento das cidades latino--americanas.

e)

melhoria, por meio da arte, das áreas degradadas das cidades.

13.

Com o fim da Guerra Fria, os EUA formalizaram sua posição hegemônica. Sem concorrência e se expandindo para as antigas áreas de predomínio socialista, o capitalismo conheceu uma nova fase de expansão: tornou-se mundializado, globalizado. O processo de globalização criou uma nova divisão internacional do trabalho, baseado numa redistribuição pelo mundo de fábricas, bancos e empresas de comércio, serviços e mídias.

(Loriza L. de Almeida e Maria da Graça M. Magnoni (orgs.). Ciências humanas: filosofia, geografia, história e sociologia, 2016. Adaptado.)

Dentre as consequências do processo de globalização, é correto citar

a)

o nascimento do governo universal e democrático

b)

a pacificação das relações internacionais.

c)

o enfraquecimento dos estados-nações.

d)

a abolição da exploração social do trabalho.

e)

o nivelamento econômico dos países.

14.

Os fluxos de importação e de exportação expressos no mapa evidenciam

a)

a ausência de países integrantes do G4 nas importações de petróleo.

b)

a ausência de países integrantes do G7 nas exportações de petróleo.

c)

o predomínio dos países membros do NAFTA nas exportações de petróleo

d)

a ausência de países integrantes do BRICS nas importações de petróleo

e)

o predomínio dos países membros da OPEP nas exportações de petróleo.

15.

Texto 1

Estamos em uma situação aterradora: dos lados da direita e da esquerda há ausência de pensamento. Você conversa com alguém da direita e vê que ele é capaz de dizer quatro frases contraditórias sem perceber as contradições. Você conversa com alguém da extrema esquerda e vê o totalitarismo que também opera com a ausência do pensamento. Então nós estamos ensanduichados entre duas maneiras de recusar o pensamento.

(Marilena Chaui. “Sociedade brasileira: violência e autoritarismo por todos os lados”. Cult, Fevereiro de 2016. Adaptado.)

Texto 2

O fenômeno dos coletivos é um traço regressivo no embate com a solidão do homem moderno. É uma tentativa, canhestra e primitiva, de “voltar ao útero materno” para ver se o ruído insuportável da realidade disforme do mundo se dissolve porque grito palavras de ordem ou faço coisas pelas quais eu mesmo não sou responsabilizado, mas sim o “coletivo”, essa “pessoa” indiferenciada que não existe.

(Luiz Felipe Pondé. “Sapiens x abelhas”. Folha de S.Paulo, 23.05.2016. Adaptado.)

Sobre os textos, é correto afirmar que

a)

os textos 1 e 2 criticam o individualismo moderno, enfatizando a importância da valorização das tradições populares e comunitárias

b)

os textos 1 e 2 criticam as tendências totalitárias no campo da consciência política, em seus aspectos irracionalistas e psicológicos.

c)

os textos 1 e 2 analisam um fenômeno que espelha a realização dos ideais iluministas de autonomia do indivíduo e de emancipação da humanidade.

d)

os textos 1 e 2 valorizam a importância do sentimento e das emoções como meios de agregação dos indivíduos no interior de coletividades políticas.

e)

o texto 1 critica a alienação da consciência política, enquanto o texto 2 valoriza a inserção dos indivíduos em coletivos.

16.

Em maio deste ano, a divulgação do vídeo de uma moça desacordada, vítima de um estupro coletivo, provocou grande indignação na população. Num primeiro momento, prevaleceu a revolta diante da barbárie e a percepção de que o machismo, base da chamada “cultura do estupro”, persiste na sociedade. Passado o primeiro momento, as opiniões divergentes começaram a surgir. Entre os que não veem o machismo como propulsor de crimes desse tipo estão aqueles (e aquelas!) que consideraram os autores do ato uns “monstros”, o que faz do episódio um caso isolado, perpetrado por pessoas más. Houve quem analisasse o fato do ponto de vista da psicologia, sugerindo que, num estupro coletivo, o que importa é o grupo, não a mulher (como ocorre nos trotes contra calouros e na agressão entre torcidas de futebol). Mais uma vez, temos uma reflexão que se propõe explicar os fatos à luz do indivíduo e seu psiquismo. Outros deslocam o problema para as classes sociais menos favorecidas. São os que costumam ficar horrorizados com a existência de favelas, ambientes onde meninas dançam com pouca roupa ao som das letras machistas do funk.

(Thaís Nicoleti. “Discursos em torno da ‘cultura do estupro’”. www.uol.com.br, 09.06.2016. Adaptado.)

Considerando o conjunto dos argumentos mobilizados no texto para explicar a violência contra a mulher na sociedade atual, é correto afirmar que

a)

a “cultura do estupro” é um conceito educacional relacionado sobretudo com o baixo nível de escolarização da população.

b)

as origens e responsabilidades por tais acontecimentos devem ser atribuídas tanto aos agentes quanto às vítimas da agressão

c)

a “cultura do estupro” é um conceito científico, relacionado com desvios comportamentais de natureza psiquiátrica

d)

os episódios de barbárie social são provocados exclusivamente pelas desigualdades materiais geradas pelo capitalismo

e)

a abordagem opõe um enfoque antropológico, baseado em questões de gênero, a argumentos de natureza moral, psicológica e social.

17.

Quando estou dentro do cinema, tudo me parece perfeito, como se eu estivesse dentro de uma máquina de sensações programadas. Mergulho em suspense, em medo, em vinganças sem-fim, tudo narrado como uma ventania, como uma tempestade de planos curtos, tudo tocado por orquestras sinfônicas plagiando Beethoven ou Ravel para cenas românticas, Stravinski para violências e guerras. Não há um só minuto sem música, tudo feito para não desgrudarmos os olhos da tela. A eficiência técnica me faz percorrer milhares de anos-luz de emoções e aventuras aterrorizantes, que nos exaurem como se fôssemos personagens, que nos fazem em pedaços espalhados pela sala, junto com os copos de Coca-Cola e sacos de pipocas. Somos pipocas nesses filmes.

(Arnaldo Jabor. “A guerra das estrelas”. O Estado de S.Paulo, 18.11.2014. Adaptado.)

Esse texto pode ser corretamente considerado

a)

uma crítica de natureza estética aos apelos técnicos e sensacionalistas no cinema.

b)

uma análise elogiosa do alto grau de perfeição técnica das imagens do cinema.

c)

um ponto de vista valorizador da presença da música erudita no cinema atual.

d)

um elogio ao cinema como mercadoria de entretenimento da indústria cultural.

e)

uma crítica ao caráter culturalmente elitista das obras cinematográficas atuais.

18.

O alvo dos ataques extremistas é o Iluminismo. E a melhor defesa é o próprio Iluminismo. “Por mais que seus valores estejam sendo atacados por elementos como os fundamentalistas americanos e o islamismo radical, isto é, pela religião organizada, o Iluminismo continua sendo a força intelectual e cultural dominante no Ocidente. O Iluminismo continua oferecendo uma arma contra o fanatismo”. Estas palavras do historiador britânico Anthony Pagden chegam em um momento em que algumas forças insistem em dinamitar a herança do Século das Luzes. “O Iluminismo é um projeto importante e em incessante evolução. Proporciona uma imagem de um mundo capaz tanto de alcançar certo grau de universalidade quanto de libertar-se das restrições do tipo de normas morais oferecidas pelas comunidades religiosas e suas análogas ideologias laicas: o comunismo, o fascismo e, agora, inclusive, o comunitarismo”, afirma Pagden.

(Winston Manrique Sabogal. “‘O Iluminismo continua oferecendo uma arma contra o fanatismo’”. www.unisinos.br. Adaptado.)

No texto, o Iluminismo é entendido como

a)

um impulso intelectual propagador de ideologias políticas e religiosas contrárias à hegemonia do Ocidente.

b)

um movimento filosófico e intelectual de valorização da razão, da liberdade e da autonomia, restrito ao século XVIII

c)

uma tendência de pensamento legitimadora do domínio colonialista e imperialista exercido pelas nações europeias.

d)

um projeto intelectual eurocêntrico baseado em imagens de mundo dotadas de universalidade teológica.

e)

uma experiência intelectual racional e emancipadora, de origem europeia, porém passível de universalização.

19.

A genuína e própria filosofia começa no Ocidente. Só no Ocidente se ergue a liberdade da autoconsciência. No esplendor do Oriente desaparece o indivíduo; só no Ocidente a luz se torna a lâmpada do pensamento que se ilumina a si própria, criando por si o seu mundo. Que um povo se reconheça livre, eis o que constitui o seu ser, o princípio de toda a sua vida moral e civil. Temos a noção do nosso ser essencial no sentido de que a liberdade pessoal é a sua condição fundamental, e de que nós, por conseguinte, não podemos ser escravos. O estar às ordens de outro não constitui o nosso ser essencial, mas sim o não ser escravo. Assim, no Ocidente, estamos no terreno da verdadeira e própria filosofia.

(Hegel. Estética, 2000. Adaptado.)

De acordo com o texto de Hegel, a filosofia

a)

visa ao estabelecimento de consciências servis e representações homogêneas.

b)

é compatível com regimes políticos baseados na censura e na opressão.

c)

valoriza as paixões e os sentimentos em detrimento da racionalidade.

d)

é inseparável da realização e expansão de potenciais de razão e de liberdade.

e)

fundamenta-se na inexistência de padrões universais de julgamento.

20.

Nossa felicidade depende daquilo que somos, de nossa individualidade; enquanto, na maior parte das vezes, levamos em conta apenas a nossa sorte, apenas aquilo que temos ou representamos. Pois, o que alguém é para si mesmo, o que o acompanha na solidão e ninguém lhe pode dar ou retirar, é manifestamente mais essencial para ele do que tudo quanto puder possuir ou ser aos olhos dos outros. Um homem espiritualmente rico, na mais absoluta solidão, consegue se divertir primorosamente com seus próprios pensamentos e fantasias, enquanto um obtuso, por mais que mude continuamente de sociedades, espetáculos, passeios e festas, não consegue afugentar o tédio que o martiriza.

(Schopenhauer. Aforismos sobre a sabedoria de vida, 2015. Adaptado.)

Com base no texto, é correto afirmar que a ética de Schopenhauer

a)

corrobora os padrões hegemônicos de comportamento da sociedade de consumo atual.

b)

valoriza o aprimoramento formativo do espírito como campo mais relevante da vida humana.

c)

valoriza preferencialmente a simplicidade e a humildade, em vez do cultivo de qualidades intelectuais.

d)

prioriza a condição social e a riqueza material como as determinações mais relevantes da vida humana.

e)

realiza um elogio à fé religiosa e à espiritualidade em detrimento da atração pelos bens materiais.