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REAVALIAÇÃO DE LÍNGUA PORTUGUESA - 1ª Etapa – 2º Ano

Total questions: 20

Worksheet time: 3600secs

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1.

A essência da teoria democrática é a supressão de qualquer imposição de classe, fundada no postulado ou na crença de que os conflitos e problemas humanos – econômicos, políticos, ou sociais – são solucionáveis pela educação, isto é, pela cooperação voluntária, mobilizada pela opinião pública esclarecida. Está claro que essa opinião pública terá de ser formada à luz dos melhores conhecimentos existentes e, assim, a pesquisa científica nos campos das ciências naturais e das chamadas ciências sociais deverá se fazer a mais ampla, a mais vigorosa, a mais livre, e a difusão desses conhecimentos, a mais completa, a mais imparcial e em termos que os tornem acessíveis a todos.

(Anísio Teixeira, Educação é um direito. Adaptado.)


No trecho “chamadas ciências sociais”, o emprego do termo “chamadas” indica que o autor:

a)

vê, nas “ciências sociais”, uma panaceia, não uma análise crítica da sociedade.

b)

considera utópicos os objetivos dessas ciências.

c)

prefere a denominação “teoria social” à denominação “ciências sociais”.

d)

discorda dos pressupostos teóricos dessas ciências.

e)

utiliza com reserva a denominação “ciências sociais”.

2.

FEIJÕES OU PROBLEMAS?

Reza a lenda que um monge, próximo de se aposentar, precisava encontrar um sucessor. Entre seus discípulos, dois já haviam dado mostras de que eram os mais aptos, mas apenas um o poderia. Para sanar as dúvidas, o mestre lançou um desafio, para por a sabedoria dos dois à prova: ambos receberiam alguns grãos de feijão, que deveriam colocar dentro dos sapatos, para então empreender a subida de uma grande montanha.

Dia e hora marcado, começa a prova. Nos primeiros quilômetros, um dos discípulos começou a mancar. No meio da subida, parou e tirou os sapatos. As bolhas em seus pés já sangravam, causando imensa dor. Ficou para trás, observando seu oponente sumir de vista.

Prova encerrada, todos de volta ao pé da montanha, para ouvir do monge o óbvio anúncio. Após o festejo, o derrotado aproxima-se do vencedor e pergunta como é que ele havia conseguido subir e descer com os feijões nos sapatos.

- Antes de colocá-los no sapato, eu os cozinhei.

Carregando feijões, ou problemas, há sempre um jeito mais fácil de levar a vida. Problemas são inevitáveis. Já a duração do sofrimento, é você quem determina.


Nesse texto, o discípulo que venceu a prova

a)

colocou o feijão em um sapato.

b)

cozinhou o feijão.

c)

desceu a montanha correndo.

d)

sumiu da vista do oponente.

e)

tirou seu sapato.

3.

FEIJÕES OU PROBLEMAS?

Reza a lenda que um monge, próximo de se aposentar, precisava encontrar um sucessor. Entre seus discípulos, dois já haviam dado mostras de que eram os mais aptos, mas apenas um o poderia. Para sanar as dúvidas, o mestre lançou um desafio, para por a sabedoria dos dois à prova: ambos receberiam alguns grãos de feijão, que deveriam colocar dentro dos sapatos, para então empreender a subida de uma grande montanha.

Dia e hora marcado, começa a prova. Nos primeiros quilômetros, um dos discípulos começou a mancar. No meio da subida, parou e tirou os sapatos. As bolhas em seus pés já sangravam, causando imensa dor. Ficou para trás, observando seu oponente sumir de vista.

Prova encerrada, todos de volta ao pé da montanha, para ouvir do monge o óbvio anúncio. Após o festejo, o derrotado aproxima-se do vencedor e pergunta como é que ele havia conseguido subir e descer com os feijões nos sapatos.

- Antes de colocá-los no sapato, eu os cozinhei.

Carregando feijões, ou problemas, há sempre um jeito mais fácil de levar a vida. Problemas são inevitáveis. Já a duração do sofrimento, é você quem determina.


No texto, qual é o conflito gerador desse enredo?

a)

A necessidade do monge em encontrar um sucessor.

b)

A solução encontrada pelo discípulo vencedor.

c)

A subida dos discípulos a uma grande montanha.

d)

O desafio proposto pelo mestre aos seus discípulos.

e)

O sofrimento do discípulo ao ver o oponente vencer.

4.

O QUE É BIODIVERSIDADE?

Biodiversidade é a variedade de vida na Terra. É composta por todos os seres vivos e engloba desde vírus microscópios até os maiores animais do planeta. Humanos são parte integrante da biodiversidade.

A biodiversidade é composta por todos os genes, espécies, ecossistemas e paisagens que interagem constantemente em todos os níveis. Cada ser vivo tem uma única composição genética. Os seres humanos têm usado essa variação genética para produzir milhares de variedades de culturas de alimentos e de animais domesticados.

A biodiversidade envolve comunidades e relacionamentos. Todos os seres vivos compõem ecossistemas dinâmicos (por exemplo, florestas, lavouras, lagos) que integram uma paisagem. Nesse ambiente, suas vidas se entrelaçam numa teia de relações caracterizadas por cooperação, competição, predação, simbiose ou parasitismo.

UNESCO. Planeta, abr. 2011. Fragmento.


A função de linguagem predominante no texto lido é

a)

emotiva.

b)

metalinguística.

c)

fática.

d)

referencial.

e)

apelativa

5.

A tirinha acima é uma crítica:

a)

ao fato de os pais não explicarem as coisas corretamente às crianças.

b)

quanto à cautela dos pais para que as crianças não distorçam na rua o que ouvem em casa.

c)

ao fato de as crianças contarem aos amigos o que os pais falam em casa.

d)

à fala das pessoas, que muitas vezes não tem importância.

e)

ao fato de Mafalda ter criado uma expectativa no amigo que o desiludiu.

6.

O CHAT E SUA LINGUAGEM VIRTUAL

“O significado da palavra chat vem do inglês e quer dizer “conversa”. Essa conversa acontece em tempo real, e, para isso, é necessário que duas ou mais pessoas estejam conectadas ao mesmo tempo, o que chamamos de comunicação síncrona. São muitos os sites que oferecem a opção de bate-papo na internet, basta escolher a sala que deseja “entrar”, salas são divididas por assuntos, como educação, cinema, esporte, música, sexo, entre outros. Para entrar, é necessário escolher um nick, uma espécie de apelido que identificará o participante durante a conversa. Algumas salas restringem a idade, mas não existe nenhum controle para verificar se a idade informada é realmente a idade de quem está acessando, facilitando que crianças e adolescentes acessem salas com conteúdos inadequados para sua faixa etária.”


Segundo o texto, o chat proporciona a ocorrência de diálogos instantâneos com linguagem específica, uma vez que nesses ambientes interativos faz-se uso de protocolos diferenciados de interação. O chat, nessa perspectiva, cria uma nova forma de comunicação porque:

a)

possibilita que ocorra diálogo sem a exposição da identidade real dos indivíduos, que podem recorrer a apelidos fictícios sem comprometer o fluxo da comunicação em tempo real.

b)

disponibiliza salas de bate-papo sobre diferentes assuntos com pessoas pré-selecionadas por meio de um sistema de busca monitorado e atualizado por autoridades no assunto.

c)

seleciona previamente conteúdos adequados à faixa etária dos usuários que serão distribuídos nas faixas de idade organizadas pelo site que disponibiliza a ferramenta.

d)

garante a gravação das conversas, o que possibilita que um diálogo permaneça aberto, independente da disposição de cada participante.

e)

limita a quantidade de participantes conectados nas salas de bate-papo, a fim de garantir a qualidade e eficiência dos diálogos, evitando mal-entendidos.

7.

Analise as proposições seguintes e ponha C para que for correto e I para o que for incorreto, em seguida marque a opção que apresenta a sequência correta de cima para baixo:

( ) Linguagem é a faculdade que tem o homem de exprimir seus estados mentais por meio do processo de interação comunicativa.

( ) A linguagem é exclusiva do homem, uma vez que outros seres podem utilizá-la.

( ) Fala é a utilização individual da língua; é um fenômeno fonético (sons).

( ) A língua é potencial, social e possui código com estrutura própria.

a)

C – I – C – I

b)

C – I – I – C

c)

C – C– C – C

d)

C – I – C – C

e)

I – I – C – C

8.

Analise as proposições seguintes e ponha C para que for correto e I para o que for incorreto, em seguida marque a opção que apresenta a sequência correta de cima para baixo:

( ) Quando nos comunicamos por meio de palavras (oral ou escrita), estamos utilizando a linguagem verbal.

( ) A linguagem visual é mais rápida e eficaz que a linguagem verbal, uma vez que transmite a mensagem de forma completa e objetiva.

( ) A língua é estática, isto é, não evolui com o processo de desenvolvimento da comunidade.

( ) A língua está sempre atualizada com novas palavras, por isso move-se rapidamente.

a)

C – I – C – I

b)

C – I – I – C

c)

C – C– I – C

d)

C – I – C – C

e)

I – I – C – C

9.

Aponte a opção que preenche corretamente os espaços da sentença abaixo:

“_______ quer que eu me hospede, procuro logo saber o preço da _______, quanto custa a _______de um carro alugado, bem como _______ se possa ir à noite.”

a)

aonde – estadia – estada – onde;

b)

onde – estadia – estada – aonde;

c)

onde – estada – estadia – aonde;

d)

aonde – estada – estadia – onde;

e)

onde – estadia – estadia – aonde.

10.

Observe as palavras sublinhadas nas sentenças abaixo e assinale o item que as classifica corretamente:

I- Não gosto de brincadeiras de mau gosto.

II- Sempre uso uma colher para colher alface.

a)

Homógrafas

b)

Parônimas

c)

Homófonas

d)

Homônimas Perfeitos

e)

ambíguas

11.

Analise bem as referência e as frases abaixo:


I. PARÔNIMOS

II. HOMÔNIMOS HOMÓGRAFOS

III. HOMÔNIMOS HOMÓFONOS

IV. HOMÔNIMOS PERFEITO


( ) O professou ratificou a data da prova. / O professor retificou a data da prova.

( ) Haverá uma reunião do concelho escolar. / Um bom conselho não faz mal.

( ) Dirigiu-se à sede do município. / Quero matar minha sede.

( ) Estou aqui desde cedo. / Não cedo a pressões infundadas.


Relacionando, corretamente, temos:

a)

I – III – II – IV

b)

IV – II – III – I

c)

II – I – III – IV

d)

I – III – II – IV

e)

I – II – III – IV

12.

A frase onde os homônimos e / ou parônimos em destaque estão com significação invertida é:

a)

Era eminente a queda do iminente deputado.

b)

A justiça inflige i uma pena a quem infringe a lei.

c)

Vultosa quantia foi gasta para curar sua vultuosa face.

d)

O mandado de segurança impediu a cassação do mandato.

e)

O nosso censo depende exclusivamente do senso de responsabilidade do IBGE.

13.

PÉROLAS ABSOLUTAS

Há, no seio de uma ostra, um movimento — ainda que imperceptível. Qualquer coisa imiscui-se pela fissura, uma partícula qualquer, diminuta e invisível. Venceu as paredes lacradas, que se fecham como a boca que tem medo de deixar escapar um segredo. Venceu. E agora penetra o núcleo da ostra, contaminando-lhe a própria substância. A ostra reage, imediatamente. E começa a secretar o nácar. É um mecanismo de defesa, uma tentativa de purificação contra a partícula invasora. Com uma paciência de fundo de mar, a ostra profanada continua seu trabalho incansável, secretando por anos a fio o nácar que aos poucos vai se solidificando. É dessa solidificação que nascem as pérolas.

As pérolas são, assim, o resultado de uma contaminação. A arte por vezes também. A arte é quase sempre a transformação da dor. [...] Escrever é preciso. É preciso continuar secretando o nácar, formar a pérola que talvez seja imperfeita, que talvez jamais seja encontrada e viva para sempre encerrada no fundo do mar. Talvez estas, as pérolas esquecidas, jamais achadas, as pérolas intocadas e por isso, absolutas em si mesmas, guardem em si uma parcela faiscante da eternidade.

SEIXAS, H. Uma ilha chamada livro. Rio de Janeiro: Record, 2009 (fragmento).

*Nácar = Substância dura, irisada, rica em calcário, produzida por alguns moluscos.


Considerando os aspectos estéticos e semânticos presentes no texto, a imagem da pérola configura uma percepção que:

a)

reforça o valor do sofrimento e do esquecimento para o processo criativo.

b)

ilustra o conflito entre a procura do novo e a rejeição ao elemento exótico.

c)

concebe a criação literária como trabalho progressivo e de autoconhecimento.

d)

expressa a ideia de atividade poética como experiência anônima e involuntária.

e)

destaca o efeito introspectivo gerado pelo contato com o inusitado e com o desconhecido.

14.

PÉROLAS ABSOLUTAS

Há, no seio de uma ostra, um movimento — ainda que imperceptível. Qualquer coisa imiscui-se pela fissura, uma partícula qualquer, diminuta e invisível. Venceu as paredes lacradas, que se fecham como a boca que tem medo de deixar escapar um segredo. Venceu. E agora penetra o núcleo da ostra, contaminando-lhe a própria substância. A ostra reage, imediatamente. E começa a secretar o nácar. É um mecanismo de defesa, uma tentativa de purificação contra a partícula invasora. Com uma paciência de fundo de mar, a ostra profanada continua seu trabalho incansável, secretando por anos a fio o nácar que aos poucos vai se solidificando. É dessa solidificação que nascem as pérolas.

As pérolas são, assim, o resultado de uma contaminação. A arte por vezes também. A arte é quase sempre a transformação da dor. [...] Escrever é preciso. É preciso continuar secretando o nácar, formar a pérola que talvez seja imperfeita, que talvez jamais seja encontrada e viva para sempre encerrada no fundo do mar. Talvez estas, as pérolas esquecidas, jamais achadas, as pérolas intocadas e por isso, absolutas em si mesmas, guardem em si uma parcela faiscante da eternidade.

SEIXAS, H. Uma ilha chamada livro. Rio de Janeiro: Record, 2009 (fragmento).

*Nácar = Substância dura, irisada, rica em calcário, produzida por alguns moluscos.


Assinale o termo que, no texto, se apresenta no sentido denotativo:

a)

seio (l. 01)

b)

pérolas (l. 07)

c)

nácar (l. 09)

d)

pérola (l. 09)

e)

pérolas (l. 11)

15.

Assinale a alternativa que contenha a sequência correta sobre as funções da linguagem, importantes elementos da comunicação:

1. Ênfase no emissor (lª pessoa) e na expressão direta de suas emoções e atitudes.

2. Evidencia o assunto, o objeto, os fatos, os juízos. É a linguagem da comunicação.

3. Busca mobilizar a atenção do receptor, produzindo um apelo ou uma ordem.

4. Ênfase no canal para checar sua recepção ou para manter a conexão entre os falantes.

5. Visa à tradução do código ou à elaboração do discurso, seja ele linguístico ou extralinguístico.

6. Voltada para o processo de estruturação da mensagem e para seus próprios constituintes, tendo em vista produzir um efeito estético.


( ) Função Poética

( ) Função Fática

( ) Função Metalinguística

( ) Função Referencial

( ) Função Emotiva

( ) Função Conativa

a)

1, 2, 4, 3, 6, 5.

b)

6, 4, 5, 2, 1, 3.

c)

5, 6, 2, 4, 3, 1.

d)

6, 5, 2, 4, 3, 1.

e)

3, 5, 2, 4, 6, 1.

16.

CENSURA MORALISTA

Há tempos que a leitura está em pauta. E, diz-se, em crise. Comenta-se esta crise, por exemplo, apontando a precariedade das práticas de leitura, lamentando a falta de familiaridade dos jovens com livros, reclamando da falta de bibliotecas em tantos municípios, do preço dos livros em livrarias, num nunca acabar de problemas e de carências. Mas, de um tempo para cá, pesquisas acadêmicas vêm dizendo que talvez não seja exatamente assim, que brasileiros leem, sim, só que leem livros que as pesquisas tradicionais não levam em conta. E, também de um tempo para cá, políticas educacionais têm tomado a peito investir em livros e em leitura.

LAJOLO, M. Disponível em: www.estadao.com.br. Acesso em: 2 dez. 2013 (fragmento).


Os falantes, nos textos que produzem, sejam orais ou escritos, posicionam-se frente a assuntos que geram consenso ou despertam polêmica. No texto, a autora

a)

ressalta a importância de os professores incentivarem os jovens às práticas de leitura.

b)

critica pesquisas tradicionais que atribuem a falta de leitura à precariedade de bibliotecas.

c)

rebate a ideia de que as políticas educacionais são eficazes no combate à crise de leitura.

d)

questiona a existência de uma crise de leitura com base nos dados de pesquisas acadêmicas.

e)

atribui a crise da leitura à falta de incentivos e ao desinteresse dos jovens por livros de qualidade.

17.

DESABAFO

Desculpem-me, mas não dá pra fazer uma cronicazinha divertida hoje. Simplesmente não dá. Não tem como disfarçar: esta é uma típica manhã de segunda-feira. A começar pela luz acesa da sala que esqueci ontem à noite. Seis recados para serem respondidos na secretária eletrônica. Recados chatos. Contas para pagar que venceram ontem. Estou nervoso. Estou zangado.

CARNEIRO, J. E. Veja, 11 set. 2002 (fragmento).


Nos textos em geral, é comum a manifestação simultânea de várias funções da linguagem, com o predomínio, entretanto, de uma sobre as outras. No fragmento da crônica Desabafo, a função da linguagem predominante é a emotiva ou expressiva, pois

a)

o discurso do enunciador tem como foco o próprio código.

b)

a atitude do enunciador se sobrepõe àquilo que está sendo dito.

c)

o interlocutor é o foco do enunciador na construção da mensagem.

d)

o referente é o elemento que se sobressai em detrimento dos demais.

e)

o enunciador tem como objetivo principal a manutenção da comunicação.

18.

O telefone tocou.

— Alô? Quem fala?

— Como? Com quem deseja falar?

— Quero falar com o sr. Samuel Cardoso.

— É ele mesmo. Quem fala, por obséquio?

— Não se lembra mais da minha voz, seu Samuel?

Faça um esforço.

— Lamento muito, minha senhora, mas não me lembro. Pode dizer-me de quem se trata?

(ANDRADE, C. D. Contos de aprendiz. Rio de Janeiro: José Olympio, 1958.)


Pela insistência em manter o contato entre o emissor e o receptor, predomina no texto a função

a)

metalinguística.

b)

fática.

c)

referencial.

d)

emotiva.

e)

conativa.

19.

DISPARIDADES RACIAIS

Fator decisivo para a superação do sistema colonial, o fim do trabalho escravo foi seguido pela criação do mito da democracia racial no Brasil. Nutriu-se, desde então, a falsa ideia de que haveria no país um convívio cordial entre as diversas etnias.

Aos poucos, porém, pôde-se ver que a coexistência pouco hostil entre brancos e negros, por exemplo, mascarava a manutenção de uma descomunal desigualdade socioeconômica entre os dois grupos e não advinha de uma suposta divisão igualitária de oportunidades.

O cruzamento de alguns dados do último censo do IBGE relativos ao Rio de Janeiro permite dimensionar algumas dessas inequívocas diferenças. Em 91, o analfabetismo no Estado era 2,5 vezes maior entre negros do que entre brancos, e quase 60% da população negra com mais de 10 anos não havia conseguido ultrapassar a 4ª. série do 1º. grau, contra 39% dos brancos. Os números relativos ao ensino superior confirmam a cruel seletividade imposta pelo fator socioeconômico: até aquele ano, 12% dos brancos haviam concluído o 3º. Grau, contra só 2,5% dos negros.

É inegável que a discrepância racial vem diminuindo ao longo do século: o analfabetismo no Rio de Janeiro era muito maior entre negros com mais de 70 anos do que entre os de menos de 40 anos. Essa queda, porém, ainda não se traduziu numa proporcional equalização de oportunidades.

Considerando que o Rio de Janeiro é uma das unidades mais desenvolvidas do país e com acentuada tradição urbana, parece inevitável extrapolar para outras regiões a inquietação resultante desses dados.

(Folha de São Paulo, 9. de jun. de 1996. Adaptado).


Considerando as funções que a linguagem pode desempenhar, reconhecemos que, no texto acima, predomina a função:

a)

apelativa: alguém pretende convencer o interlocutor acerca da superioridade de um produto.

b)

expressiva: o autor tenciona apenas transparecer seus sentimentos e emoções pessoais.

c)

fática: o propósito comunicativo em jogo é o de entrar em contato com o parceiro da interação.

d)

estética: o autor tem a pretensão de despertar no leitor o prazer e a emoção da arte pela palavra.

e)

referencial: o autor discorre acerca de um tema e expõe sobre ele considerações pertinentes.

20.

LUSOFONIA

Escrevo um poema sobre a rapariga que está sentada no café, em frente da chávena de café, enquanto alisa os cabelos com a mão. Mas não posso escrever este poema sobre essa rapariga porque, no Brasil, a palavra rapariga não quer dizer o que ela diz em Portugal. Então, terei de escrever a mulher nova do café, a jovem do café, a menina do café, para que a reputação da pobre rapariga que alisa os cabelos com a mão, num café de Lisboa, não fique estragada para sempre quando este poema atravessar o Atlântico para desembarcar no Rio de Janeiro. E isto tudo sem pensar em África, porque aí lá terei de escrever sobre a moça do café, para evitar o tom demasiado continental da rapariga, que é uma palavra que já me está a pôr com dores de cabeça até porque, no fundo, a única coisa que eu queria era escrever um poema sobre a rapariga do café. A solução, então, é mudar de café, e limitar-me a escrever um poema sobre aquele café onde nenhuma rapariga se pode sentar à mesa porque só servem café ao balcão.

JÚDICE, N. Matéria do Poema. Lisboa: D. Quixote, 2008.


*rapariga: s.f., fem. de rapaz: mulher nova; moça; menina; (Brasil), meretriz.

O texto traz em relevo as funções metalinguística e poética. Seu caráter metalinguístico justifica-se pela:

a)

discussão da dificuldade de se fazer arte inovadora no mundo contemporâneo.

b)

defesa do movimento artístico da pós-modernidade, típico do século XX.

c)

abordagem de temas do cotidiano, em que a arte se volta para assuntos rotineiros.

d)

tematização do fazer artístico, pela discussão do ato de construção da própria obra.

e)

valorização do efeito de estranhamento causado no público, o que faz a obra ser reconhecida.