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Orações subordinadas substantivas.

Total questions: 10

Worksheet time: 1hrs 3mins

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1.

A questão refere-se ao fragmento de Capitães da areia reproduzido a seguir.


O TRAPICHE


SOB A LUA, NUM VELHO TRAPICHE ABANDONADO, as crianças dormem.

Antigamente aqui era o mar. Nas grandes e negras pedras dos alicerces do trapiche as ondas ora se rebentavam fragorosas, ora vinham se bater mansamente. A água passava por baixo da ponte sob a qual muitas crianças repousam agora, iluminadas por uma réstia amarela de lua. Desta ponte saíram inúmeros veleiros carregados, alguns eram enormes e pintados de estranhas cores, para a aventura das travessias marítimas. Aqui vinham encher os porões e atracavam nesta ponte de tábuas, hoje comidas. Antigamente diante do trapiche se estendia o mistério do mar oceano, as noites diante dele eram de um verde escuro, quase negras, daquela cor misteriosa que é a cor do mar à noite.

Hoje a noite é alva em frente ao trapiche. É que na sua frente se estende agora o areal do cais do porto. Por baixo da ponte não há mais rumor de ondas. A areia invadiu tudo, fez o mar recuar de muitos metros. Aos poucos, lentamente, a areia foi conquistando a frente do trapiche. Não mais atracaram na sua ponte os veleiros que iam partir carregados. Não mais trabalharam ali os negros musculosos que vieram da escravatura. Não mais cantou na velha ponte uma canção um marinheiro nostálgico. A areia se estendeu muito alva em frente ao trapiche. E nunca mais encheram de fardos, de sacos, de caixões, o imenso casarão. Ficou abandonado em meio ao areal, mancha negra na brancura do cais.

AMADO, Jorge. Capitães da areia. São Paulo: Companhia das Letras, 2009. p. 25.


Para fazer uma leitura proficiente do fragmento, é necessário que o leitor, entre outros procedimentos, recupere as relações sintático-semânticas ali estabelecidas.

Assim, os sujeitos dos quatro últimos períodos do fragmento, considerando-se a ordem de ocorrência, são:

a)

"um marinheiro nostálgico", "a areia", "os negros musculosos" e "o imenso casarão".

b)

"uma canção", "a areia", "os negros musculosos" e "um marinheiro nostálgico".

c)

"um marinheiro nostálgico", "a areia", "o imenso casarão", "o imenso casarão".

d)

"uma canção", "a areia", "o imenso casarão" e "um marinheiro nostálgico".

2.

Leia o poema para responder à questão.


Redundâncias

Ter medo da morte

é coisa dos vivos

o morto está livre

de tudo o que é vida


Ter apego ao mundo

é coisa dos vivos

para o morto não há

(não houve)

raios rios risos


E ninguém vive a morte

quer morto quer vivo

mera noção que existe

só enquanto existo

GULLAR, Ferreira. Muitas vozes.


Em relação à oração – "é coisa dos vivos" –, os enunciados – "Ter medo da morte" – (1.ª estrofe) e – "Ter apego ao mundo" – (2.ª estrofe) exercem a função sintática de:

a)

sujeito.

b)

predicativo do sujeito.

c)

objeto direto.

d)

adjunto adnominal.

e)

complemento nominal.

3.

Considere o artigo de Don Tapscott (1947-).

O fim do marketing

A empresa vende ao consumidor

— com a web não é mais assim

Com a internet se tornando onipresente, os Quatro Ps do marketing — produto, praça, preço e promoção — não funcionam mais. O paradigma era simples e unidirecional: as empresas vendem aos consumidores. Nós criamos produtos; fixamos preços; definimos os locais onde vendê-los; e fazemos anúncios. Nós controlamos a mensagem. A internet transforma todas essas atividades.

(...)

Os produtos agora são customizados em massa, envolvem serviços e são marcados pelo conhecimento e os gostos dos consumidores. Por meio de comunidades online, os consumidores hoje participam do desenvolvimento do produto. Produtos estão se tornando experiências. Estão mortas as velhas concepções industriais na definição e marketing de produtos.

(...)

Graças às vendas online e à nova dinâmica do mercado, os preços fixados pelo fornecedor estão sendo cada vez mais desafiados. Hoje questionamos até o conceito de “preço”, à medida que os consumidores ganham acesso a ferramentas que lhes permitem determinar quanto querem pagar. Os consumidores vão oferecer vários preços por um produto, dependendo de condições específicas. Compradores e vendedores trocam mais informações e o preço se torna fluido. Os mercados, e não as empresas, decidem sobre os preços de produtos e serviços.

(...)

A empresa moderna compete em dois mundos: um físico (a praça, ou marketplace) e um mundo digital de informação (o espaço mercadológico, ou marketspace). As empresas não devem preocupar-se com a criação de um web site vistoso, mas sim de uma grande comunidade online e com o capital de relacionamento. Corações, e não olhos, são o que conta. Dentro de uma década, a maioria dos produtos será vendida no espaço mercadológico. Uma nova fronteira de comércio é a marketface — a interface entre o marketplace e o marketspace

(...)

Publicidade, promoção, relações públicas etc. exploram “mensagens” unidirecionais, de um-para-muitos e de tamanho único, dirigidas a consumidores sem rosto e sem poder. As comunidades online perturbam drasticamente esse modelo. Os consumidores com frequência têm acesso a informações sobre os produtos, e o poder passa para o lado deles. São eles que controlam as regras do mercado, não você. Eles escolhem o meio e a mensagem. Em vez de receber mensagens enviadas por profissionais de relações públicas, eles criam a “opinião pública” online

Os marqueteiros estão perdendo o controle, e isso é muito bom.

(Don Tapscott. O fim do marketing. INFO, São Paulo, Editora Abril, janeiro 2011, p. 22.)


Nós criamos produtos; fixamos preços; definimos os locais onde vendê-los; e fazemos anúncios. Nós controlamos a mensagem.

Nas orações que compõem os dois períodos transcritos, os termos destacados exercem a função de

a)

sujeito.

b)

objeto direto.

c)

objeto indireto.

d)

predicativo do sujeito.

e)

predicativo do objeto.

4.

Na tirinha 1, em “...dizer pra elas o que é bom pra elas?”, temos dois complementos que se classificam, respectivamente, como

a)

objeto direto e complemento nominal.

b)

objeto indireto e objeto indireto.

c)

complemento nominal e complemento nominal.

d)

objeto indireto e complemento nominal.

e)

objeto indireto e objeto direto.

5.

Assinale a função sintática do elemento sublinhado:

“A invasão das escolas por esses novos equipamentos tecnológicos exige adaptação.”

a)

Adjunto adnominal

b)

Complemento nominal

c)

Adjunto adverbial

d)

Objeto indireto

e)

Objeto direto

6.

Afinal, quem manda na floresta?

Enfim resolveu o Leão sair para fazer sua pesquisa, verificar se ainda era o Rei dos Animais. Os tempos tinham mudado muito, as condições de progresso alterado fundamentalmente a psicologia e os métodos de combate das feras, as relações de respeito e hierarquia entre os animais já não eram as mesmas, diziam até que subterraneamente as formigas estavam organizadas. De modo que seria bom indagar. Não que restasse ao Leão qualquer dúvida quanto à sua realeza. Mas assegurar–se é uma das constantes do espírito humano, e, por extensão, do espírito animal. Ouvir da boca dos outros a consagração do nosso valor, saber o sabido, quando ele nos é favorável, eis um prazer dos deuses. Assim o Leão encontrou o Macaco e perguntou: "Hei, você aí, Macaco, quem é o rei dos animais?" O Macaco, surpreendido pelo rugir indagatório, deu um salto de pavor e, quando respondeu, já estava no mais alto galho da mais alta árvore da floresta: "Claro que é você, Leão, claro que é você!".

Satisfeito, o Leão continuou pela floresta e perguntou ao papagaio: "Currupato, Papagaio. Quem, segundo seu conceito, é o Senhor da Floresta, não é o Leão?" E como aos papagaios não é dado o dom de improvisar, mas apenas o de repetir, lá repetiu o Papagaio, rumorejando as asas: "Currupato... é o Leão? Não é o Leão? Currupato, não é o Leão?".

Cheio de si, o Leão penetrou mais ainda na floresta adentro, em busca de novas afirmações de sua personalidade. Encontrou a coruja e perguntou: "Coruja velha, não sou eu o Maioral da Mata?" "Sim, ninguém duvida de que és tu", disse a Coruja. Mas disse de lábia, não de crente. E lá se foi o Leão, mais firme no passo, mais alto de cabeça. Encontrou o Tigre! "Tigre, disse em voz de estertor, para impor–se ao rival terrível – não tens a menor dúvida de que sou o Rei da Floresta. Certo?" O tigre rugiu, hesitou, tentou não responder, mas sentiu o barulho do olhar do Leão queimando as folhas e disse, rugindo contrafeito: "É". E rugiu ainda mais mal humorado e já arrependido, quando o Leão se afastou.

Três quilômetros adiante, numa grande clareira, o Leão encontrou o Elefante. Perguntou: "Elefante, quem manda na floresta, quem é Rei, Imperador, Presidente da República, dono e senhor das árvores e dos seres, dentro da mata?" O Elefante pegou–o pela tromba, deu três voltas com ele pelo ar, atirou–o contra o tronco de uma árvore e desapareceu floresta adentro. O Leão caiu no chão, tonto e humilhado, levantou–se lambendo uma das patas, e murmurou: "Que diabo, só porque não sabia a resposta não era preciso ficar tão zangado".

Moral: Cada um tira dos acontecimentos a conclusão que bem entende.

Millôr Fernandes

E como aos papagaios não é dado o dom de improvisar, mas apenas o de repetir.

Os termos em vermelho, no período acima, exercem, respectivamente, as seguintes funções sintáticas:

a)

sujeito – adjunto adnominal – objeto indireto

b)

objeto direto – adjunto adnominal – sujeito

c)

agente da passiva – objeto direto – adjunto adverbia

d)

complemento nominal – objeto direto – predicativo

e)

objeto indireto – sujeito – adjunto adnominal

7.

Analise a seguinte citação:

“Não queremos perder, nem deveríamos perder: saúde, pessoas, posição, dignidade ou confiança. Mas perder e ganhar fazem parte do nosso processo de humanização.”

LUFT, Lya. Disponível em: <http://pensador.uol.com.br/poesia_sobre_saude/>. Acesso em: 30 set. 2013.


Os termos em destaque têm função sintática de

a)

adjuntos adnominais

b)

complementos nominais

c)

aposto enumerativo

d)

predicativos do sujeito

e)

aposto

8.

UDO VERDE NA GROELÂNDIA

As geleiras da Groelândia estão derretendo tão rapidamente que, em alguns lugares, os níveis glaciais baixaram 10 metros num único ano. A constatação é de um grupo de cientistas da fundação Gary Comer, entidade americana que estuda as mudanças bruscas do clima no planeta. Para os pesquisadores, o território dinamarquês se tornou um laboratório gigante das transformações ambientais. O recuo do gelo e o desnudamento das rochas deram espaço a liquens e até a plantas mais desenvolvidas, além de resgatarem traços da agricultura viking extinta no século 15, quando a temperatura caiu tanto que nenhuma civilização resistiu ali. Hoje, a novidade ressuscita o verde e os fazendeiros. O aparente bom pasto é apenas a ponta de um grande problema ecológico.

Terra, ed. 162, out. 2005, p.25.


“A constatação é de um grupo de cientistas da fundação Gary Comer, entidade americana que estuda as mudanças bruscas do clima no planeta.”

O enunciado destacado tem a função de:

a)

referir-se ao Estados Unidos.

b)

explicar as mudanças bruscas no clima.

c)

caracterizar as mudanças climáticas.

d)

explicar o que vem a ser a fundação Gary Comer.

e)

referir-se aos cientistas e suas habilidades.

9.

Leia.

Os pesquisadores Roberta Faria, Alan Vendrame, Rebeca Silva e Ilana Pinsky, do Departamento de Psiquiatria e Psicologia Médica da Universidade Federal de São Paulo, analisaram a associação entre propaganda de álcool e consumo de cerveja por adolescentes. Foram entrevistados 1 115 estudantes de sétima e oitava séries de três escolas públicas de São Bernardo do Campo, SP, em 2006. As variáveis independentes foram: atenção prestada às propagandas de álcool, crença na veracidade das propagandas, resposta afetiva às propagandas, uso prévio de cigarro, entre outras. A variável dependente foi consumo de cerveja nos últimos 30 dias. Idade, importância dada à religião e ter banheiro em casa foram utilizadas como controle. O consumo de cerveja nos últimos 30 dias esteve associado ao uso de cigarro, a ter uma marca preferida de bebida alcoólica, a não ser monitorado pelos pais, a achar que as festas que frequentam parecem-se com as de comerciais, a prestar muita atenção aos comerciais, acreditando que eles falam a verdade. Essa associação manteve-se mesmo na presença de outras variáveis associadas ao seu consumo. A conclusão do artigo “Propaganda de álcool e associação ao consumo de cerveja por adolescentes” foi: as propagandas de bebidas alcoólicas associam-se positivamente ao consumo recente de cerveja por remeterem os adolescentes à própria realidade ou por fazê-los acreditar em sua veracidade. Limitar a veiculação de propagandas de bebidas alcoólicas pode ser um dos caminhos para a prevenção do uso e abuso de álcool por adolescentes.

(Pesquisa FAPESP, agosto de 2011. Adaptado)

Certos termos têm o papel, na frase, de completar outros termos, como no trecho resposta afetiva às propagandas, no qual a expressão às propagandas funciona como complemento nominal. Assinale a alternativa em que a expressão destacada exerce essa mesma função sintática:

a)

[...] a prestar muita atenção aos comerciais [...].

b)

O consumo de cerveja nos últimos 30 dias [...].

c)

[...] limitar a veiculação de propagandas [...].

d)

[...] consumo de cerveja por adolescentes [...].

e)

[...] acreditando que eles falam a verdade.

10.

Considere uma passagem do livro Palhaços, do docente e pesquisador da UNESP Mario Fernando Bolognesi:


[...] O circo é a exposição do corpo humano em seus limites biológico e social. O espetáculo fundamenta-se na relação do homem com a natureza, expondo a dominação e a superação humanas. O adestramento de feras é demonstração do controle do homem sobre o mundo natural, confirmando, assim, a sua superioridade sobre as demais espécies animais. Acrobacias, malabarismos, equilibrismos e ilusionismos diversos deixam evidente a capacidade humana de superação de seus próprios limites. Mas, ao apresentar espetacularmente a superação, terminam por confirmar a contingência natural da existência, expressa na sublimidade do corpo altivo, distante do cotidiano.

Os riscos dos artistas circenses são reais, dentro do contexto espetaculoso de cada função. No espetáculo, os artistas não apresentam “interioridades”; eles são puro corpo exteriorizado, sublime ou grotesco, que se realiza e se extingue na dimensão mesma do seu gesto. Eles não são atores a interpretar um “outro”, uma realidade externa e distante. O espetáculo, assim, se aproxima de um ritual que se repete e que evidencia a possibilidade concreta de fracasso. A emoção da plateia então oscila entre uma possível frustração diante do malogro do acrobata e a sugestão de superação de limites presente a cada número. Um trapezista pode cair, como acontece vez ou outra. Por isso o público não afasta o olhar das evoluções aéreas. Estabelece-se, assim, uma relação ritualística que encontra eco, em última instância, nas estruturas coletivas de sobrevivência e necessidade de transposição dos percalços do cotidiano. Se o artista falha, ele é aplaudido porque ao menos tentou. Ele ousou, e isso já é o bastante para impulsionar a fantasia coletiva da superação.

Os números cômicos, por sua vez, ao explorar os estereótipos e situações extremas, evidenciam os limites psicológicos e sociais do existir. Eles trabalham, no plano simbólico, com tipos que não deixam de ser máscaras sociais biologicamente determinadas (os palhaços são desajeitados, lerdos, fisicamente deformados, estúpidos etc.). Esses limites se revelam com o riso espontâneo que escancara as estreitas fronteiras do social. Quando os palhaços entram no picadeiro, o olhar espetaculoso se desloca objetivamente para a realidade diária da plateia.

[...]

[...] O movimento de superação da natureza e a possibilidade (quando não a capacidade) de subjugar as limitações biológicas e de criticar as máscaras sociais garantem a legitimidade do exercício do sonho. Está aberto, no espetáculo de circo, o terreno da utopia.

(Mario Fernando Bolognesi. Palhaços São Paulo: Editora da Unesp, 2003.)


Está aberto, no espetáculo de circo, o terreno da utopia.

Na oração, “o terreno da utopia” exerce a função sintática de:

a)

objeto direto.

b)

complemento nominal.

c)

sujeito.

d)

predicativo do sujeito.

e)

predicativo do objeto.