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Figuras de Linguagem

Total questions: 16

Worksheet time: 1hrs 20mins

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1.

O argumento presente na charge consiste em uma metáfora relativa à teoria evolucionista e ao desenvolvimento tecnológico. Considerando o contexto apresentado, verifica-se que o impacto tecnológico pode ocasionar:

a)

o surgimento de um homem dependente de um novo modelo tecnológico.

b)

a mudança do homem em razão dos novos inventos que destroem sua realidade.

c)

a problemática social de grande exclusão digital a partir da interferência da máquina.

d)

a invenção de equipamentos que dificultam o trabalho do homem, em sua esfera social.

e)

o retrocesso do desenvolvimento do homem em face da criação de ferramentas como lança, máquina e computador.

2.

O nome do inseto pirilampo (vaga-lume) tem uma interessante certidão de nascimento. De repente, no fim do século XVII, os poetas de Lisboa repararam que não podiam cantar o inseto luminoso, apesar de ele ser um manancial de metáforas, pois possuía um nome “indecoroso” que não podia ser “usado em papéis sérios”: caga-lume. Foi então que o dicionarista Raphael Bluteau inventou a nova palavra, pirilampo, a partir do grego pyr, significando “fogo”, e lampas, “candeia”.

(FERREIRA, M.B. Caminhos do português: exposição comemorativa do ano europeu das línguas. Portugal: Biblioteca Nacional, 2001)

O texto descreve a mudança ocorrida na nomeação do inseto, por questões de tabu linguístico. Esse tabu diz respeito à

a)

recuperação histórica do significado.

b)

ampliação do sentido de uma palavra.

c)

produção imprópria de poetas portugueses.

d)

denominação científica com base em termos gregos.

e)

restrição ao uso de um vocábulo pouco aceito socialmente.

3.

Em casa, Hideo ainda podia seguir fiel ao imperador japonês e às tradições que trouxera no navio que aportara em Santos. […] Por isso Hideo exigia que, aos domingos, todos estivessem juntos durante o almoço. Ele se sentava à cabeceira da mesa; à direita, ficava Hanashiro, que era o primeiro filho, e Hitoshi, o segundo, e à esquerda, Haruo, depois Hiroshi, que era o mais novo. […] A esposa, que também era mãe, e as filhas que também eram irmãs, aguardavam de pé ao redor da mesa […]. Haruo reclamava, não se cansava de reclamar: que se sentassem também as mulheres à mesa, que era um absurdo aquele costume. Quando se casasse, se sentariam à mesa a esposa e o marido, um em frente ao outro, porque não era o homem melhor do que a mulher para ser o primeiro […]. Elas seguiam de pé, a mãe um pouco cansada dos protestos do filho, pois o momento do almoço era sagrado, não era hora de levantar bandeiras inúteis […].

(NAKASATO, O. Nihonjin. São Paulo: Benvirá, 2011)

Referindo-se a práticas culturais de origem nipônica, o narrador registra as reações que elas provocam na família e mostra um contexto em que

a)

a obediência ao imperador leva ao prestígio pessoal.

b)

as novas gerações abandonam seus antigos hábitos.

c)

a refeição é o que determina a agregação familiar.

d)

os conflitos de gênero tendem a ser neutralizados.

e)

o lugar à mesa metaforiza as relações de poder.

4.

O açúcar

O branco açúcar que adoçará meu café

nesta manhã de Ipanema

não foi produzido por mim

nem surgiu dentro do açucareiro por milagre.

Vejo-o puro

e afável ao paladar

como beijo de moça, água

na pele, flor

que se dissolve na boca. Mas este açúcar

não foi feito por mim.

Este açúcar veio

da mercearia da esquina e tampouco o fez o Oliveira,

[dono da mercearia.

Este açúcar veio

de uma usina de açúcar em Pernambuco

ou no Estado do Rio

e tampouco o fez o dono da usina.

Este açúcar era cana

e veio dos canaviais extensos

que não nascem por acaso

no regaço do vale.

(…)

Em usinas escuras,

homens de vida amarga

e dura

produziram este açúcar

branco e puro

com que adoço meu café esta manhã em Ipanema.

Ferreira Gullar. Toda Poesia. Rio de Janeiro:Civilização Brasileira, 1980, p. 227-8.

A antítese que configura uma imagem da divisão social do trabalho na sociedade brasileira é expressa poeticamente na oposição entre a doçura do branco açúcar e

a)

o trabalho do dono da mercearia de onde veio o açúcar.

b)

o beijo de moça, a água na pele e a flor que se dissolve na boca.

c)

o trabalho do dono do engenho em Pernambuco, onde se produz o açúcar.

d)

a beleza dos extensos canaviais que nascem no regaço do vale.

e)

o trabalho dos homens de vida amarga em usinas escuras.

5.

Metáfora

Gilberto Gil

Uma lata existe para conter algo,

Mas quando o poeta diz: “Lata”

Pode estar querendo dizer o incontível

Uma meta existe para ser um alvo,

Mas quando o poeta diz: “Meta”

Pode estar querendo dizer o inatingível

Por isso não se meta a exigir do poeta

Que determine o conteúdo em sua lata

Na lata do poetatudonada cabe,

Pois ao poeta cabe fazer

Com que na lata venha caber

O incabível

Deixe a meta do poeta não discuta,

Deixe a sua meta fora da disputa Meta

dentro e fora, lata absoluta

Deixe-a simplesmente metáfora.

Disponível em: http://www.letras.terra.com.br. Acesso em: 5 fev. 2009.

A metáfora é a figura de linguagem identificada pela comparação subjetiva, pela semelhança ou analogia entre elementos. O texto de Gilberto Gil brinca com a linguagem remetendo-nos a essa conhecida figura. O trecho em que se identifica a metáfora é:

a)

“Uma lata existe para conter algo”.

b)

“Mas quando o poeta diz: ‘Lata'”.

c)

“Uma meta existe para ser um alvo”.

d)

“Por isso não se meta a exigir do poeta”.

e)

“Que determine o conteúdo em sua lata”

6.

Oxímoro (ou paradoxo) é uma construção textual que agrupa significados que se excluem mutuamente. Para Garfield, a frase de saudação de Jon expressa o maior de todos os oxímoros.

a)

“Era ele que erguia casas

Onde antes só havia chão.”

b)

“… a casa que ele fazia

Sendo a sua liberdade

Era a sua escravidão.”

c)

“Naquela casa vazia

Que ele mesmo levantara

Um mundo novo nascia

De que sequer suspeitava.”

d)

“… o operário faz a coisa

E a coisa faz o operário.”

e)

“Ele, um humilde operário

Um operário que sabia

Exercer a profissão.”

7.

"Seus óculos eram imperiosos."

Assinale a alternativa em que aparece a mesma figura de linguagem que há na frase acima:

a)

"As cidades vinham surgindo na ponte dos nomes."

b)

"Nasci na sala do 3° ano."

c)

"O bonde passa cheio de pernas."

d)

"O meu amor, paralisado, pula."

e)

"Não serei o poeta de um mundo caduco."

8.

Cidade grande

Que beleza, Montes Claros.

Como cresceu Montes Claros.

Quanta indústria em Montes Claros.

Montes Claros cresceu tanto,

ficou urbe tão notória,

prima-rica do Rio de Janeiro,

que já tem cinco favelas

por enquanto, e mais promete.

(Carlos Drummond de Andrade)

Entre os recursos expressivos empregados no texto, destaca-se a

a)

metalinguagem, que consiste em fazer a linguagem referir-se à própria linguagem.

b)

intertextualidade, na qual o texto retoma e reelabora outros textos.

c)

ironia, que consiste em se dizer o contrário do que se pensa, com intenção crítica.

d)

denotação, caracterizada pelo uso das palavras em seu sentido próprio e objetivo.

e)

prosopopeia, que consiste em personificar coisas inanimadas, atribuindo-lhes vida.

9.

Nos versos abaixo, uma figura se ergue graças ao conflito de duas visões antagônicas:

“Saio do hotel com quatro olhos,

- Dois do presente,

- Dois do passado.”

Esta figura de linguagem recebe o nome de:

a)

metonímia

b)

catacrese

c)

hipérbole

d)

antítese

e)

hipérbato

10.

Morro da Babilônia

À noite, do morro

descem vozes que criam o terror

(terror urbano, cinquenta por cento de cinema,

e o resto que veio de Luanda ou se perdeu na língua

Geral).

Quando houve revolução, os soldados

espalharam no morro,

o quartel pegou fogo, eles não voltaram.

Alguns, chumbados, morreram.

O morro ficou mais encantado.

Mas as vozes do morro

não são propriamente lúgubres.

Há mesmo um cavaquinho bem afinado

que domina os ruídos da pedra e da folhagem

e desce até nós, modesto e recreativo,

como uma gentileza do morro.

(Carlos Drummond de Andrade, Sentimento do mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2012, p.19.)

No poema “Morro da Babilônia”, de Carlos Drummond de Andrade,

a)

a menção à cidade do Rio de Janeiro é feita de modo indireto, metonimicamente, pela referência ao Morro da Babilônia.

b)

o sentimento do mundo é representado pela percepção particular sobre a cidade do Rio de Janeiro, aludida pela metáfora do Morro da Babilônia.

c)

o tratamento dado ao Morro da Babilônia assemelha-se ao que é dado a uma pessoa, o que caracteriza a figura de estilo denominada paronomásia.

d)

a referência ao Morro da Babilônia produz, no percurso figurativo do poema, um oxímoro: a relação entre terror e gentileza no espaço urbano.

11.

POÇAS D’ÁGUA

As poças d´água são um mundo mágico

Um céu quebrado no chão

Onde em vez de tristes estrelas

Brilham os letreiros de gás Néon.

(Mario Quintana, Preparativos de viagem, São Paulo, Globo, 1994.)

Levando-se em conta o texto como um todo, é correto afirmar que a metáfora presente no primeiro verso se justifica porque as poças

a)

estimulam a imaginação.

b)

permitem ver as estrelas.

c)

são iluminadas pelo Néon.

d)

se opõem à tristeza das estrelas.

e)

revelam a realidade como espelhos.

12.

A namorada

Havia um muro alto entre nossas casas.

1Difícil de mandar recado para ela.

Não havia e-mail.

2O pai era uma onça.

A gente amarrava o bilhete numa pedra presa por

um cordão

E pinchava a pedra no quintal da casa dela.

Se a namorada respondesse pela mesma pedra

Era uma glória!

Mas por vezes o bilhete enganchava nos galhos da

goiabeira

E então era agonia.

No tempo do onça era assim.

(Manoel de Barros, Poesia completa. São Paulo: Leya, 2010.)

O pai era uma onça (ref. 2). Nesse verso, a palavra onça está empregada em um sentido que se define como:

a)

enfático

b)

antitético

c)

metafórico

d)

metonímico

13.

Em uma grande concessionária de São Paulo leu-se a seguinte chamada: “Queima total de seminovos”. A mesma estratégia foi utilizada em uma chamada de um grande hipermercado, em que se podia ler: “Grande queima de colchões”. Acerca dos sentidos criados por essas chamadas, é apropriado afirmar que

a)

em ambas há uma utilização da linguagem em seu sentido estritamente literal.

b)

apenas em uma delas a linguagem foi utilizada em seu sentido estritamente literal.

c)

em ambas o sentido é metafórico e é apreendido pela associação com o contexto.

d)

em ambas o sentido é metafórico e é apreendido apenas pelas regras gramaticais.

e)

em ambas o sentido é metafórico e não pode ser apreendido porque é incoerente.

14.

Maria Bofetão

A surra que Maria Clara aplicou na vilã Laura levantou a audiência da novela Celebridade.

Na segunda-feira passada, 28 tabefes bem aplicados pela heroína Maria Clara (Malu Mader) derrubaram a ignóbil Laura (Cláudia Abreu) e levantaram a audiência de Celebridade, a novela das 8 da Globo. (…)

Tanto a mocinha quanto a vilã ganharam nova dimensão nos últimos tempos. Maria Clara, depois de perder sua fortuna, deixou de ser apenas uma patricinha magnânima e insossa, a aborrecida Maria Chata. Ela ganhou fibra e mostrou que não tem sangue de barata. Quanto à Laura, ficou claro que sua maldade tem proporções oceânicas: continuou com suas perfídias mesmo depois de conquistar a fama e o dinheiro que almejava. Por tripudiar tanto assim sobre a inimiga, atraiu o ódio dos noveleiros. (Veja, 05.05.2004.)

Em “Quanto à Laura, ficou claro que sua maldade tem proporções oceânicas”, a figura de linguagem presente é

a)

uma metáfora, já que compara a maldade com o oceano.

b)

uma hipérbole, pois expressa a ideia de uma maldade exagerada.

c)

um eufemismo, já que não afirma diretamente o quanto há de maldade.

d)

uma ironia, pois se reconhece a maldade, mas ficam pressupostos outros sentidos.

e)

um pleonasmo, já que entre maldade e oceânicas há uma repetição de sentido.

15.

O negócio


Grande sorriso do canino de ouro, o velho Abílio propõe às donas que se abastecem de pão e banana:

— Como é o negócio?

De cada três dá certo com uma. Ela sorri, não responde ou é uma promessa a recusa:

— Deus me livre, não! Hoje não…

Abílio interpelou a velha:

— Como é o negócio?

Ela concordou e, o que foi melhor, a filha também aceitou o trato. Com a dona Julietinha foi assim. Ele se chegou:

— Como é o negócio?

Ela sorriu, olhinho baixo. Abílio espreitou o cometa partir. Manhã cedinho saltou a cerca. Sinal combinado, duas batidas na porta da cozinha. A dona saiu para o quintal, cuidadosa de não acordar os filhos. Ela trazia a capa de viagem, estendida na grama orvalhada.

O vizinho espionou os dois, aprendeu o sinal. Decidiu imitar a proeza. No crepúsculo, pum-pum, duas pancadas fortes na porta. O marido em viagem, mas não era dia do Abílio. Desconfiada, a moça surgiu à janela e o vizinho repetiu:

— Como é o negócio?


Diante da recusa, ele ameaçou:


— Então você quer o velho e não quer o moço? Olhe que eu conto!


TREVISAN, D. Mistérios de Curitiba. Rio de Janeiro: Record, 1979 (fragmento)

Quanto à abordagem do tema e aos recursos expressivos, essa crônica tem um caráter

a)

filosófico, pois reflete sobre as mazelas sofridas pelos vizinhos.

b)

lírico, pois relata com nostalgia o relacionamento da vizinhança.

c)

irônico, pois apresenta com malícia a convivência entre vizinhos.

d)

crítico, pois deprecia o que acontece nas relações de vizinhança.

e)

didático, pois expõe uma conduta a ser evitada na relação entre vizinhos.

16.

Nessa tirinha, a personagem faz referência a uma das mais conhecidas figuras de linguagem para

a)

condenar a prática de exercícios físicos.

b)

valorizar aspectos da vida moderna.

c)

desestimular o uso das bicicletas.

d)

caracterizar o diálogo entre gerações.

e)

criticar a falta de perspectiva do pai.