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Worksheets2ª Série_Revisão_1ºB
Total questions: 15
Worksheet time: 1hrs 15mins
“Agora, pois, que meu espírito está livre de todos os cuidados, e que consegui um repouso assegurado numa pacífica solidão, aplicar-me-ei seriamente e com liberdade em destruir em geral todas as minhas antigas opiniões. Ora, não será necessário, para alcançar esse desígnio, provar que todas elas são falsas, o que talvez nunca levasse a cabo; mas, uma vez que a razão já me persuade de que não devo menos cuidadosamente impedir-me de dar crédito às coisas que não são inteiramente certas e indubitáveis, do que às que nos parecem manifestamente ser falsas, o menor motivo de dúvida que eu nelas encontrar bastará para me levar a rejeitar todas. E, para isso, não é necessário que examine cada uma em particular, o que seria um trabalho infinito; mas, visto que a ruína dos alicerces carrega necessariamente consigo todo o resto do edifício, dedicar-me-ei inicialmente aos princípios sobre os quais todas as minhas antigas opiniões estavam apoiadas. Tudo o que recebi, até presentemente, como o mais verdadeiro e seguro, aprendi-o dos sentidos ou pelos sentidos: ora, experimentei algumas vezes que esses sentidos eram enganosos, e é de prudência nunca se fiar inteiramente em quem já nos enganou uma vez.”
(René Descartes, Meditações metafísicas. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2011)
Nesse texto, René Descartes submete à crítica o conhecimento derivado dos sentidos e com isso justifica a assim chamada “dúvida metódica”. Esta última consiste em
rejeitar como falso tudo aquilo que é passível de dúvida.
acreditar apenas naquilo que traz algum benefício.
confiar apenas em conhecimentos derivados da experiência.
duvidar das ideias claras e distintas.
“A ciência, tanto por sua necessidade de coroamento como por princípio, opõe-se absolutamente à opinião. Se, em determinada questão, ela legitimar a opinião, é por motivos diversos daqueles que dão origem à opinião; de modo que a opinião está, de direito, sempre errada. A opinião pensa mal; não pensa: traduz necessidades em conhecimentos. Ao designar os objetos pela utilidade, ela se impede de conhecê-los. Não se pode basear nada na opinião: antes de tudo, é preciso destruí-la. Ela é o primeiro obstáculo a ser superado. Não basta, por exemplo, corrigi-la em determinados pontos, mantendo, como uma espécie de moral provisória, um conhecimento vulgar provisório. O espírito científico proíbe que tenhamos uma opinião sobre questões que não compreendemos, sobre questões que não sabemos formular com clareza”.(Gaston Bachelard, A formação do espírito científico. Rio de Janeiro: Contraponto, 1996)
O excerto discute uma questão de ordem epistemológica que atravessa, em certa medida, a história da filosofia. No entender do autor, a ciência
contradiz a opinião porque parte de hipóteses baseadas no senso comum.
opõe-se à opinião, pois suas teses não são formuladas espontaneamente.
confirma a racionalidade estrita dos postulados baseados na opinião.
é contrária à opinião, pois visa produzir conhecimentos úteis à humanidade.
Se abandonar a ingenuidade e os preconceitos do senso comum for útil; se não se deixar guiar pela submissão às ideias dominantes e aos poderes estabelecidos for útil; se buscar compreender a significação do mundo, da cultura, da histó- ria for útil; se conhecer o sentido das criações humanas nas artes, nas ciências e na política for útil; se dar a cada um de nós e à nossa sociedade os meios para serem conscientes de si e de suas ações numa prática que deseja a liberdade e a felicidade para todos for útil, então podemos dizer que a Filosofia é o mais útil de todos os saberes de que os seres humanos são capazes.
(Marilena Chauí, Convite à Filosofia)
Sobre o método filosofico afirma que
proporciona conhecimentos politicamente neutros e cientificamente objetivos.
a reflexão filosófica tem por objetivo reproduzir os preconceitos do senso comum.
produz um pensamento para o qual a aparência das coisas é igual à sua essência.
a utilidade da filosofia relaciona-se com horizontes éticos e críticos sobre a realidade.
(pontos 1)
(Enem 2012)
TEXTO I
Experimentei algumas vezes que os sentidos eram enganosos, e é de prudência nunca se fiar inteiramente em quem já nos enganou uma vez.
DESCARTES, R. Meditações Metafísicas. São Paulo: Abril Cultural, 1979.
TEXTO II
Sempre que alimentarmos alguma suspeita de que uma ideia esteja sendo empregada sem nenhum significado, precisaremos apenas indagar: de que impressão deriva esta suposta ideia? E se for impossível atribuir-lhe qualquer impressão sensorial, isso servirá para confirmar nossa suspeita.
HUME, D. Uma investigação sobre o entendimento. São Paulo: Unesp, 2004 (adaptado).
Nos textos, ambos os autores se posicionam sobre a natureza do conhecimento humano. A comparação dos mesmos permite assumir que Descartes e Hume:
Atribuem diferentes lugares ao papel dos sentidos no processo de obtenção do conhecimento.
Concordam que conhecimento humano é impossível em relação às ideias e aos sentidos.
Entendem que é desnecessário suspeitar do significado de uma ideia na reflexão filosófica e crítica.
Defendem os sentidos como critério originário para considerar um conhecimento legítimo.
No que tange o conhecimento empírico, está CORRETO o que traz a alternativa:
Francis Bacon ao criar a teoria dos ídolos também é considerado um dos fundadores do método indutivo; e por acreditar na valorização da experiência como fonte fundamental para o desenvolvimento da ciência, pode ser considerado um expoente do conhecimento empírico.
De acordo com o empirismo, o conhecimento que temos do mundo nos veio, exclusivamente, por nossas experiências sensoriais, cujo principal representante é René Descartes.
Conhecimento empírico é aquele pautado nas ideias inatas, diante das quais a experiência sensível se constrói possibilitando assim o acesso ao conhecimento.
Existe uma grande falha no pensamento empírico: um cego jamais teria acesso ao conhecimento, porque ele não poderia enxergar o mundo.
Quanto ao conhecimento racional é CORRETO afirmar que:
Tem o filósofo John Locke como principal expoente dessa corrente.
O conhecimento racional é aquele que defende que a verdade é alcançada por meio das experiências sensoriais.
Immanuel Kant defende que todo conhecimento apenas pode ser percebido pelos sentidos, não existindo nenhuma ideia inata.
O racionalismo é uma corrente que defende que o conhecimento é obtido por meio da razão e tem como um dos representantes Rene Descartes.
No que tange o conhecimento empírico está CORRETO o que traz a alternativa:
Pode-se inferir dessa corrente que o conhecimento que temos do mundo nos veio, exclusivamente, por nossas experiências sensoriais e tem como principal representante é Rene Descartes.
Immanuel Kant ao criar a teoria dos ídolos também é considerado um dos fundadores do método indutivo, é o principal representante dessa corrente.
Conhecimento, segundo o empirismo, nos vem mediante nossas experiências sensoriais com o mundo.
Há uma grande falha no pensamento empírico, pois ao demonstrar que o conhecimento vem através dos sentidos deixa claro que um cego jamais teria acesso ao conhecimento, porque ele não poderia enxergar o mundo.
Dentre os pensadores da Idade Moderna estudados, um deles afirmava sobre a necessidade de se libertar dos ídolos que eram responsáveis por bloquearem a mente humana para atingir a verdade. Dos filósofos citados abaixo, quem era o responsável por essa teoria:
John Locke
Rene Descartes
Immanuel Kant
Francis Bacon
Uma questão básica enfrentada pela teoria do conhecimento é quanto ao ponto de partida dos conhecimentos, traduzindo-se em basicamente duas teorias. Logo, é CORRETO que:
O empirismo, cujo principal representante é Descartes, afirma que só podemos conhecer a verdade se fizermos uso da razão.
O racionalismo, apesar de reconhecer a importância da razão humana, destaca que o conhecimento apenas se torna possível a partir das nossas experiências sensoriais.
Segundo Descartes, principal expoente do racionalismo, ao nascermos, nossa mente se compara a uma folha de papel em branco, ou seja, não possuímos nenhuma ideia, todas as ideias que temos surgem a partir das nossas experiências.
John Locke, principal representante do empirismo, defendia que tudo o que vem a nossa mente, teve que passar antes pelos sentidos.
“...penso não haver mais dúvidas de que não há princípios práticos com os quais todos os homens concordam e, portanto, nenhum é inato”. Quanto a essa frase é correto afirmar que
Essa citação diz respeito ao pensamento do filósofo Francis Bacon que defende que todo o conhecimento é inato, ou seja, já nasce com os homens.
Expressa as ideias de John Locke, ao defender que o conhecimento advém das experiências sensoriais.
Trata das ideias do filosofo Immanuel Kant quanto a sua defesa de que o conhecimento é exclusivamente empírico.
Essa citação representa o pensamento de Descartes, pois este defende que o conhecimento e fornecido pelas experiências sensoriais.
(ENEM/2012) O texto faz referência à relação entre razão e sensação, um aspecto essencial da Doutrina das Ideias de Platão (427 a.C.-346 a.C.). De acordo com o texto, como Platão se situa diante dessa relação?
Estabelecendo um abismo intransponível entre as duas.
Privilegiando os sentidos e subordinando o conhecimento a eles.
Atendo-se à posição de Parmênides de que razão e sensação são inseparáveis.
Afirmando que a razão é capaz de gerar conhecimento, mas a sensação não.
Renascimento é o nome que se dá ao movimento de mudanças culturais, que atingiu as camadas urbanas da Europa Ocidental entre os séculos XIV e XVI, caracterizado pela retomada dos valores da cultura greco-romana, ou seja, da cultura clássica. Esse momento é considerado como um importante período de transição envolvendo as estruturas feudo capitalistas. Sobre este movimento assinale a alternativa CORRETA:
Suas bases eram proporcionadas pela corrente filosófica do humanismo, que descartava a escolástica medieval, até então predominante, e propunha o retorno às virtudes da antiguidade;
O movimento envolvia uma nova sociedade. A vida rural passou a implicar uma nova mentalidade, pois o trabalho, a diversão, o tipo de moradia, implicavam um novo comportamento dos homens.
O Renascimento foi um movimento de alguns artistas que destoava da nova concepção de vida adotada na época por uma parcela da sociedade, e que era combatida nas obras de arte.
O Renascimento foi uma cópia da Antiguidade, pois se utilizava dos mesmos conceitos aplicados da mesma maneira à uma nova realidade;
Com forte base racionalista rompeu completamente com os princípios cristãos da época, o que levou às perseguições realizadas à época pelo Santo Tribunal da Inquisição da Igreja Católica e a queima de várias obras filosóficas e literárias em praça pública.
Leia este trecho, em que se faz referência à construção do mundo moderno:
“... os modernos são os primeiros a demonstrar que o conhecimento verdadeiro só pode nascer do trabalho interior realizado pela razão, graças a seu próprio esforço, sem aceitar dogmas religiosos, preconceitos sociais, censuras políticas e os dados imediatos fornecidos pelos sentidos”. (CHAUÍ, Marilena. "Primeira filosofia". 4. ed. São Paulo: Brasiliense, 1985. p. 80.)
A leitura do trecho nos permite identificar características do Renascimento. Assinale a afirmativa que contém essas características.
nova postura com relação ao conhecimento, a qual transforma o modo de entendimento do mundo e do próprio homem.
ruptura com as concepções antropocêntricas, a qual modifica as relações hierárquicas senhoriais.
ruptura com o mundo antigo, a qual caracteriza um distanciamento do homem face aos diversos movimentos religiosos.
adaptações do pensamento contemplativo, as quais reafirmam a primazia do conhecimento da natureza em relação ao homem.
(Enem)
(...) Depois de longas investigações, convenci-me por fim de que o Sol é uma estrela fixa rodeada de planetas que giram em volta dela e de que ela é o centro e a chama. Que, além dos planetas principais, há outros de segunda ordem que circulam primeiro como satélites em redor dos planetas principais e com estes em redor do Sol. (...) Não duvido de que os matemáticos sejam da minha opinião, se quiserem dar-se ao trabalho de tomar conhecimento, não superficialmente, mas duma maneira aprofundada, das demonstrações que darei nesta obra. Se alguns homens ligeiros e ignorantes quiserem cometer contra mim o abuso de invocar alguns passos da Escritura (sagrada), a que torçam o sentido, desprezarei os seus ataques: as verdades matemáticas não devem ser julgadas senão por matemáticos. (COPÉRNICO, N. De Revolutionibus orbium caelestium)
Aqueles que se entregam à prática sem ciência são como o navegador que embarca em um navio sem leme nem bússola. Sempre a prática deve fundamentar-se em boa teoria. Antes de fazer de um caso uma regra geral, experimente-o duas ou três vezes e verifique se as experiências produzem os mesmos efeitos. Nenhuma investigação humana pode se considerar verdadeira ciência se não passa por demonstrações matemáticas. (VINCI, Leonardo da. Carnets)
O aspecto a ser ressaltado em ambos os textos para exemplificar o racionalismo moderno é
a fé como guia das descobertas.
o senso crítico para se chegar a Deus.
a limitação da ciência pelos princípios bíblicos.
a importância da experiência e da observação.
o princípio da autoridade e da tradição.
Com sua operação filosófica denominada “dúvida metódica”, René Descartes acabou instituindo um paradigma filosófico que foi identificado como racionalismo. Em oposição ao racionalismo cartesiano, alguns filósofos britânicos desenvolveram a filosofia empirista, que consistia em:
tomar como premissa principal para o conhecimento a faculdade da razão, a partir da qual o mundo se torna inteligível.
negar a importância dos dados empíricos para o processo do conhecimento.
tomar como premissa principal para o conhecimento os dados da realidade sensível, isto é, os dados empíricos, materiais.
não ter um método filosófico racional, convertendo-se assim ao irracionalismo, corrente que depois dominaria parte da filosofia do século XIX.
defender politicamente o império inglês contra as investidas dos intelectuais de outros países.
