WorksheetsFilosofia ENEM (questões amplas)
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A figura do inquilino ao qual a personagem da tirinha se refere é o (a)
constrangimento por olhares de reprovação.
costume imposto aos filhos por coação.
consciência da obrigação moral.
pessoa habitante da mesma casa.
temor de possível castigo.
Todas as coisas são diferenciações de uma mesma coisa e são a mesma coisa. E isto é evidente. Porque se as coisas que são agora neste mundo – terra, água, ar e fogo e as outras coisas que se manifestam neste mundo –, se alguma destas coisas fosse diferente de qualquer outra, diferente em sua natureza própria e se não permenecesse a mesma coisa em suas muitas mudanças e diferenciações, então não poderiam as coisas, de nenhuma maneira, misturar-se umas às outras, nem fazer bem ou mal umas às outras, nem a planta poderia brotar da terra, nem um animal ou qualquer outra coisa vir à existência, se todas as coisas não fossem compostas de modo a serem as mesmas. Todas as coisas nascem, através de diferenciações, de uma mesma coisa, ora em uma forma, ora em outra, retomando sempre a mesma coisa.
DIÓGENES. In: BORNHEIM, G. Os filósofos pré-socráticos. São Paulo: Cultrix, 1967.
O texto descreve argumento dos primeiros pensadores, denominados pré-socráticos. Para eles, a principal preocupação filosófica era de ordem
A. cosmológica, propondo uma explicação racional do mundo fundamentada nos elementos da natureza.
B. política, discutindo as formas de organização da pólis ao estabelecer as regras da democracia.
C. ética, desenvolvendo uma filosofia dos valores virtuosos que tem a felicidade como o bem maior.
D. estética. procurando investigar a aparência dos entes sensíveis.
E. hermenêutica, construindo uma explicação unívoca da realidade.
Para a voz corrente é muito simples: ser livre é poder fazer tudo o que se quer, como se quer, quando se quer [...] Infelizmente, não existe [...] sociedade humana que permita fazer tudo o que se quer. Existem sempre motivos (‘razões’) ou causas [...] que ‘determinam’ a nossa ação [...]. Refletindo sobre a liberdade, Rousseau chegou à seguinte conclusão: “A obediência à lei que se estatuiu a si mesmo é liberdade”.
Ou seja, a liberdade consistiria não em recusar obedecer, negar os constrangimentos e rejeitar as determinações, mas sim em assumi-las plenamente, tentando refletir antes de agir, ajuizar o mais lúcida e racionalmente possível, para não cair em excessos de toda a ordem.
HUISMAN, Denis. A Filosofia para principiantes. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1983. p. 64-68 (Adaptação).
Tendo como referência o texto, é correto afirmar que, para Huisman, a liberdade consiste em
A) aceitar todo tipo de determinação.
B) agir unicamente em conformidade com seus próprios desejos.
C) agir sem nenhum impedimento do outro.
D) agir de acordo com as leis que nos são impostas pela sociedade, aceitando-as por medo de punição.
E) agir levando em consideração as determinações, mas assumindo-as de forma consciente e refletida.
A Filosofia, para muitos filósofos e comentadores, tem data e local de nascimento – séc. VII a.C. – e o primeiro filósofo teria sido Tales de Mileto (640-550 a.C.). Esse nascimento da filosofia marcou toda história do Ocidente, deixando um vasto legado de conquistas que ainda hoje influenciam nosso modo de ser. Dentre esses legados, destaca-se
A) a desconfiança nas decisões puramente racionais, exigindo que os sentimentos e as paixões tivessem prioridade sobre a razão.
B) a visão fatalista da realidade, já que os gregos acreditavam que a vontade humana era condicionada por determinismos sociais e históricos.
C) o nascimento da filosofia enquanto fato histórico-social, circunscrito à realidade grega, exercendo pouca influência no desenvolvimento posterior do Ocidente.
D) o pensamento operando conforme leis e princípios que permitem distinguir o verdadeiro do falso, além de postular que as práticas humanas eram resultado da deliberação da vontade.
Nenhuma das alternativas.
No contexto da Filosofia Clássica, Platão e Aristóteles possuem lugar de destaque. Suas concepções, que se opõem, mas não se excluem, são amplamente estudadas e debatidas devido à influência que exerceram, e ainda exercem, sobre o pensamento ocidental. Todavia é necessário salientar que o produto dos seus pensamentos se insere em uma longa tradição filosófica que remonta a Parmênides e Heráclito e que influenciou, direta ou indiretamente, entre outros, os racionalistas, empiristas, Kant e Hegel.
Observando o cerne da filosofia de Platão, assinale nas opções abaixo aquela que se identifica corretamente com suas concepções.
a) A dicotomia aristotélica (mundo sensível X mundo inteligível) se opõe radicalmente as concepções de caráter empírico defendidas por Platão.
b) A filosofia platônica é marcada pelo materialismo e pragmatismo, afastando-se do misticismo e de conceitos transcendentais.
c) Segundo Platão a verdade é obtida a partir da observação das coisas, por meio da valorização do conhecimento sensível.
d) Para Platão, a realidade material e o conhecimento sensível são ilusórios.
e) As concepções platônicas negam veementemente a validade do Inatismo.
Locke […] admite, a título de direito natural, o direito de propriedade fundado sobre o trabalho e limitado, por consequência, à extensão de terra que um homem pode cultivar, e o poder paterno, sendo a família instituição natural e não política. […] O pacto social não cria nenhum direito novo. É um acordo entre indivíduos que se reúnem para empregar a força coletiva no sentido de executar as leis naturais, renunciando a executá-las por sua própria força.
(Émile Bréhier. História da filosofia, 1979.)
O excerto apresenta um aspecto da teoria política de Locke, que estabelece
a) a garantia da defesa de bens individuais.
b) a submissão das famílias à decisão coletiva.
c) a regulação do Estado conforme a vontade divina.
d) a ausência de um poder soberano.
e) a autoridade do governo na divisão de propriedades.
Princípios práticos são subjetivos, ou máximas, quando a condição é considerada pelo sujeito como verdadeira só para a sua vontade; são, por outro lado, objetivos, quando a condição é válida para a vontade de todo ser natural.
KANT, I. Crítica da razão prática. Lisboa: Edições 70, 2008.
A concepção ética presente no texto defende a
a) universalidade do dever.
b) maximização da utilidade.
c) aprovação pelo sentimento.
d) identificação da justa medida.
e) obediência à determinação divina.
Os sofistas inventam a educação em ambiente artificial, o que se tornará uma das características de nossa civilização. Eles são os profissionais do ensino, antes de tudo pedagogos, ainda que seja necessário reconhecer a notável originalidade de um Protágoras, de um Górgias ou de um Antifonte, por exemplo. Por um salário, eles ensinavam a seus alunos receitas que lhes permitiam persuadir os ouvintes, defender, com a mesma habilidade, o pró e o contra, conforme o entendimento de cada um.
HADOT, P. O que é a filosofia antiga? São Paulo: Loyola, 2010 (adaptado).
O texto apresenta uma característica dos sofistas, mestres da oratória que defendiam a(o)
a) ideia do bem, demonstrado na mente com base na teoria da reminiscência.
b) relativismo, evidenciado na convencionalidade das instituições políticas.
c) ética, aprimorada pela educação de cada indivíduo com base na virtude.
d) ciência, comprovada empiricamente por meio de conceitos universais.
e) religião, revelada pelos mandamentos das leis divinas.
“Portanto, deve-se dizer que como a lei escrita não dá força ao direito natural, assim também não pode diminuir-lhe nem suprimir lhe a força; pois, a vontade humana não pode mudar a natureza. Portanto, se a lei escrita contém algo contra o direito natural, é injusta e não tem força para obrigar. Pois, só há lugar para o direito positivo, quando, segundo o direito natural, é indiferente que se proceda de uma maneira ou de outra, como já foi explicado acima. Por isso, tais textos não hão de chamar leis, mas corrupções de lei, como já se disse. E portanto, não se deve julgar de acordo com elas.”
AQUINO, Tomás de. Suma Teológica, II, Questão 60, Art. 5.
Com base na passagem acima, é correto afirmar que
A) a lei escrita só é legítima se for baseada no direito natural.
B) o direito positivo não é a lei escrita, mas dos costumes.
C) o direito natural só é legítimo se expresso na lei escrita.
D) não há diferença entre direito natural e direito positivo.
E) Nenhuma das anteriores.
De fato, não é porque o homem pode usar a vontade livre para pecar que se deve supor que Deus a concedeu para isso. Há, portanto, uma razão pela qual Deus deu ao homem esta característica, pois sem ela não poderia viver e agir corretamente. Pode-se compreender, então, que ela foi concedida ao homem para esse fim, considerando-se que se um homem a usar para pecar, recairão sobre ele as punições divinas. Ora, isso seria injusto se a vontade livre tivesse sido dada ao homem não apenas para agir corretamente, mas também para pecar. Na verdade, por que deveria ser punido aquele que usasse da sua vontade para o fim para o qual ele lhe foi dada?
Agostinho. O livre-arbítrio. In: Marcondes, D. Textos básicos de ética. Rio de Janeiro. Jorge Zashar, 2008.
Nesse texto, o filósofo cristão agostinho de Hipona sustenta que a punição divina tem como fundamento o(a)
A) Desvio da postura celibatária.
B) Insuficiência da autonomia moral.
C) Afastamento das ações de desapego.
D) Distanciamento das práticas de sacrifício.
E) Violação dos preceitos do Velho Testamento.
Leia o texto a seguir:
A República de Veneza e o Ducado de Milão ao norte, o reino de Nápoles ao sul, os Estados papais e a república de Florença no centro formavam ao final do século XV o que se pode chamar de mosaico da Itália sujeita a constantes invasões estrangeiras e conflitos internos. Nesse cenário, o florentino Maquiavel desenvolveu reflexões sobre como aplacar o caos e instaurar a ordem necessária para a unificação e a regeneração da Itália.
SADEK, M. T. Nicolau Maquiavel: o cidadão sem fortuna, o intelectual de virtù. In: WEFORT, F. C. (Org.). Clássicos da política. v.2. São Paulo: Ática, 2003. p.11-24 (Adaptação).
Com base no texto e nos conhecimentos sobre a filosofia política de Maquiavel, assinale a alternativa correta.
A) A anarquia e a desordem no Estado são aplacadas com a existência de um príncipe que age segundo a moralidade convencional e cristã.
B) A estabilidade do Estado resulta de ações humanas concretas que pretendem evitar a barbárie, mesmo que a realidade seja móvel e a ordem possa ser desfeita.
C) A história é compreendida como retilínea, portanto a ordem é resultado necessário do desenvolvimento e aprimoramento humano, sendo impossível que o caos se repita.
D) A ordem na política é inevitável, uma vez que o âmbito dos assuntos humanos é resultante da materialização de uma vontade superior e divina.
E) Há uma ordem natural e eterna em todas as questões humanas e em todo o fazer político, de modo que a estabilidade e a certeza são constantes nessa dimensão.
Assinale a alternativa INCORRETA.
A) Pode-se dizer que a política de Maquiavel é realista, pois procura a verdade efetiva, ou seja, “como o homem age de fato”. A esse realismo alia-se atendência utilitarista, pela qual Maquiavel pretende desenvolver uma teoria voltada para a ação eficaz e imediata.
B) Em relação ao pensamento medieval, Maquiavel procede à secularização da política, rejeitando o legado ético-cristão.
C) Maquiavel se distancia da política normativa dos gregos e medievais, pois não mais busca as normas que definem o bom regime, nem explicita quais devem ser as virtudes do bom governante.
D) Maquiavel está à procura do príncipe ideal, indicando as normas para conquistar e não perder o poder. Nesta perspectiva, não há diferenças entre o “dever ser” da política clássica e aquele a que se refere Maquiavel na obra O príncipe.
E) Embora Maquiavel não tivesse usado o conceito de razão de Estado, é considerado o pensador que começa a esboçar a doutrina que vigorará no século seguinte, quando o governo absoluto, em circunstâncias críticas e extremamente graves, a ela recorre permitindo-se violar normas jurídicas, morais, políticas e econômicas.
Em Discurso do método nas partes quarta e quinta, especialmente, Descartes defende a existência de Deus. Por exemplo, na quarta, ele afirma o seguinte:
– [...] se há homens que não estejam bem persuadidos da existência de Deus e da alma, [...], quero que saiba que todas as outras coisas das quais se julgam talvez certificados, como a de terem um corpo, haver astros e uma terra e coisa semelhantes, são ainda menos certas.
DESCARTES, R. Discurso do método. São Paulo: Nova Cultural, Coleção Os Pensadores, 1991.
No contexto do mundo e do pensamento cartesiano, esse argumento pretende
A) sustentar a existência da difusão do Deus cristão, perante filósofos, ateus ou céticos.
B) demonstrar que fé é o embasamento primordial para construção da ciência moderna.
C) assegurar que toda cultura humana: Ciência, Filosofia, Política, Arte, etc. é provida por Deus.
D) defender a fé católica que lhe fora infundida no colégio jesuítico La Flèche onde estudara.
E) afirmar a existência de Deus como garantia da racionalidade objetiva da ciência moderna.
