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Recuperação Quizizz

Total questions: 10

Worksheet time: 5mins

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1.

(Enem 2021)  Nem guerras, nem revoltas. Os incêndios eram o mais frequente tormento da vida urbana no Regnum Italicum. Entre 880 e 1080, as cidades estiveram constantemente entregues ao apetite das chamas. A certa altura, a documentação parece vencer pela insistência do vocabulário, levando até o leitor mais crítico a cogitar que os medievais tinham razão ao tratar aqueles acontecimentos como castigos que antecediam o julgamento final. Como um quinto cavaleiro apocalíptico, o incêndio agia ao feitio da peste ou da fome: vagando mundo afora, retornava de tempos em tempos e expurgava justos e pecadores num tormento derradeiro, como insistiam os textos do século X. O impacto acarretado sobre as relações sociais era imediato e prolongava-se para além da destruição material. As medidas proclamadas pelas autoridades faziam mais do que reparar os danos e reconstruir a paisagem: elas convertiam a devastação em uma ocasião para alterar e expandir não só a topografia urbana, mas as práticas sociais até então vigentes.

 

RUST, L. D. Uma calamidade insaciável. Rev. Bras. Hist., n. 72. maio-ago. 2016 (adaptado).

  

De acordo com o texto, a catástrofe descrita impactava as sociedades medievais por proporcionar a:

a)

correção dos métodos preventivos e das regras sanitárias.   

b)

revelação do descaso público e das degradações ambientais.   

c)

transformação do imaginário popular e das crenças religiosas

d)

remodelação dos sistemas políticos e das administrações locais.   

e)

reconfiguração dos espaços ocupados e das dinâmicas comunitárias.   

2.

(Enem 2019)  O cristianismo incorporou antigas práticas relativas ao fogo para criar uma festa sincrética. A igreja retomou a distância de seis meses entre os nascimentos de Jesus Cristo e João Batista e instituiu a data de comemoração a este último de tal maneira que as festas do solstício de verão europeu com suas tradicionais fogueiras se tornaram “fogueiras de São João”. A festa do fogo e da luz no entanto não foi imediatamente associada a São João Batista. Na Baixa Idade Média, algumas práticas tradicionais da festa (como banhos, danças e cantos) foram perseguidas por monges e bispos. A partir do Concílio de Trento (1545-1563), a Igreja resolveu adotar celebrações em torno do fogo e associá-las à doutrina cristã.

 

CHIANCA, L. Devoção e diversão: expressões contemporâneas de festas e santos católicos. Revista Anthropológicas, n. 18, 2007 (adaptado).

 

 

Com o objetivo de se fortalecer, a instituição mencionada no texto adotou as práticas descritas, que consistem em:

a)

promoção de atos ecumênicos

b)

fomento de orientação bíblicas.    

c)

apropriação de cerimônias seculares.    

d)

retomada de ensinamentos apostólicos.    

e)

ressignificação de rituais fundamentalistas.   

3.

(Enem 2018)  Então disse: “Este é o local onde construirei. Tudo pode chegar aqui pelo Eufrates, o Tigre e uma rede de canais. Só um lugar como este sustentará o exército e a população geral”. Assim ele traçou e destinou as verbas para a sua construção, e deitou o primeiro tijolo com sua própria mão, dizendo: “Em nome de Deus, e em louvor a Ele. Construí, e que Deus vos abençoe”.

 

AL-TABARI, M. Uma história dos povos árabes. São Paulo: Cia. das Letras. 1995 (adaptado).

 

 

A decisão do califa Al-Mansur (754-775) de construir Bagdá nesse local orientou-se pela:

a)

disponibilidade de rotas e terras férteis como base da dominação política.    

b)

proximidade de áreas populosas como afirmação da superioridade bélica.    

c)

submissão à hierarquia e à lei islâmica como controle do poder real.    

d)

fuga da península arábica como afastamento dos conflitos sucessórios.    

e)

ocupação de região fronteiriça como contenção do avanço mongol.    

4.

(Enem 2015)  A casa de Deus, que acreditam una, está, portanto, dividida em três: uns oram, outros combatem, outros, enfim, trabalham. Essas três partes que coexistem não suportam ser separadas; os serviços prestados por uma são a condição das obras das outras duas; cada uma por sua vez encarrega-se de aliviar o conjunto... Assim a lei pode triunfar e o mundo gozar da paz.

 

ALDALBERON DE LAON. In: SPINOSA, F. Antologia de textos históricos medievais. Lisboa: Sá da Costa, 1981.

 

 

A ideologia apresentada por Aldalberon de Laon foi produzida durante a Idade Média. Um objetivo de tal ideologia e um processo que a ela se opôs estão indicados, respectivamente, em:

a)

Justificar a dominação estamental / revoltas camponesas.   

b)

Subverter a hierarquia social / centralização monárquica.   

c)

Impedir a igualdade jurídica / revoluções burguesas.   

d)

Controlar a exploração econômica / unificação monetária.   

e)

Questionar a ordem divina / Reforma Católica.   

5.

(Enem 2014)  Sou uma pobre e velha mulher,

Muito ignorante, que nem sabe ler.

Mostraram-me na igreja da minha terra

Um Paraíso com harpas pintado

E o Inferno onde fervem almas danadas,

Um enche-me de júbilo, o outro me aterra.

 

VILLON. F. In: GOMBRICH, E. História da arte. Lisboa: LTC. 1999.

 

Os versos do poeta francês François Villon fazem referência às imagens presentes nos templos católicos medievais. Nesse contexto, as imagens eram usadas com o objetivo de:

a)

refinar o gosto dos cristãos.   

b)

incorporar ideais heréticos.   

c)

educar os fiéis através do olhar.   

d)

divulgar a genialidade dos artistas católicos.   

e)

valorizar esteticamente os templos religiosos.   

6.

(Enem 2021)  Desde o século XII que a cristandade ocidental era agitada pelo desafio lançado pela cultura profana – a dos romances de cavalaria, mas também a cultura folclórica dos camponeses e igualmente a dos citadinos, de caráter mais jurídico – à cultura eclesiástica, cujo veículo era o latim. Francisco de Assis veio alterar a situação, propondo aos seus ouvintes uma mensagem acessível a todos e, simultaneamente, enobrecendo a língua vulgar através do seu uso na religião.

 

VAUCHEZ, A. A espiritualidade da Idade Média Ocidental, séc. VIII-XIII. Lisboa: Estampa, 1995.

 

 

O comportamento desse religioso demonstra uma preocupação com as características assumidas pela Igreja e com as desigualdades sociais compartilhada no seu tempo pelos(as):

a)

senhores feudais.   

b)

movimentos heréticos.   

c)

integrantes das Cruzadas.   

d)

corporações de ofícios.   

e)

universidades medievais.   

7.

(Enem 2018)  A existência em Jerusalém de um hospital voltado para o alojamento e o cuidado dos peregrinos, assim como daqueles entre eles que estavam cansados ou doentes, fortaleceu o elo entre a obra de assistência e de caridade e a Terra Santa. Ao fazer, em 1113, do Hospital de Jerusalém um estabelecimento central da ordem, Pascoal II estimulava a filiação dos hospitalários do Ocidente a ele, sobretudo daqueles que estavam ligados à peregrinação na Terra Santa ou em outro lugar. A militarização do Hospital de Jerusalém não diminuiu a vocação caritativa primitiva, mas a fortaleceu.

 

DEMURGER, A. Os Cavaleiros de Cristo. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2002 (adaptado).

 

O acontecimento descrito vincula-se ao fenômeno ocidental do (a):

a)

surgimento do monasticismo guerreiro, ocasionado pelas cruzadas.   

b)

descentralização do poder eclesiástico, produzida pelo feudalismo.    

c)

alastramento da peste bubônica, provocado pela expansão comercial.    

d)

afirmação da fraternidade mendicante, estimulada pela reforma espiritual.    

e)

criação das faculdades de medicina, promovida pelo renascimento urbano.   

8.

(Enem 2008)  A Peste Negra dizimou boa parte da população europeia, com efeitos sobre o crescimento das cidades. O conhecimento médico da época não foi suficiente para conter a epidemia. Na cidade de Siena, Agnolo di Tura escreveu: "As pessoas morriam às centenas, de dia e de noite, e todas eram jogadas em fossas cobertas com terra e, assim que essas fossas ficavam cheias, cavavam-se mais. E eu enterrei meus cinco filhos com minhas próprias mãos (...) E morreram tantos que todos achavam que era o fim do mundo."

 

            Agnolo di Tura. The Plague in Siena: An Italian Chronicle. In: William M. Bowsky, The Black Death: a turning point in history? New York: HRW, 1971 (com adaptações).

 

O testemunho de Agnolo di Tura, um sobrevivente da Peste Negra que assolou a Europa durante parte do século XIV, sugere que:

a)

o flagelo da Peste Negra foi associado ao fim dos tempos.   

b)

a Igreja buscou conter o medo, disseminando o saber médico.   

c)

a impressão causada pelo número de mortos não foi tão forte, porque as vítimas eram poucas e identificáveis.   

d)

houve substancial queda demográfica na Europa no período anterior à Peste.   

e)

o drama vivido pelos sobreviventes era causado pelo fato de os cadáveres não serem enterrados.   

9.

(Enem 1999)  Considere os textos a seguir.

 

(...) de modo particular, quero encorajar os crentes empenhados no campo da filosofia para que iluminem os diversos âmbitos da atividade humana, graças ao exercício de uma razão que se torna mais segura e perspicaz com o apoio que recebe da fé.

            (Papa João Paulo II. Carta Encíclica Fides et Ratio aos bispos da igreja católica sobre as relações entre fé e razão, 1998)

 

As verdades da razão natural não contradizem as verdades da fé cristã.

            (São Tomás de Aquino-pensador medieval)

 

Refletindo sobre os textos, pode-se concluir que:

a)

a encíclica papal está em contradição com o pensamento de São Tomás de Aquino, refletindo a diferença de épocas.   

b)

a encíclica papal procura complementar São Tomás de Aquino, pois este colocava a razão natural acima da fé.   

c)

a Igreja medieval valorizava a razão mais do que a encíclica de João Paulo II.  

d)

o pensamento teológico teve sua importância na Idade Média, mas, em nossos dias, não tem relação com o pensamento filosófico.   

e)

tanto a encíclica papal como a frase de São Tomás de Aquino procuram conciliar os pensamentos sobre fé e razão.   

10.

(Fgv 2017)  Perante esta sociedade, a burguesia está longe de assumir uma atitude revolucionária. Não protesta nem contra a autoridade dos príncipes territoriais, nem contra os privilégios da nobreza, nem, principalmente, contra a Igreja. (...) A única coisa de que trata é a conquista do seu lugar. As suas reivindicações não excedem os limites das necessidades mais indispensáveis.

 

Henri Pirenne. História econômica e social da Idade Média, 1978.

 

 

Segundo o texto, é correto afirmar que:

a)

a burguesia, nascida da própria sociedade medieval, nela não tem lugar; para conquistá-lo, suas reivindicações são a liberdade de ir e vir, elaborar contratos, dispor de seus bens, fazer comércio, liberdade administrativa das cidades, ou seja, não tem o objetivo de destruir a nobreza e o clero.   

b)

os burgueses, enriquecidos pelo comércio, reivindicam privilégios semelhantes aos da nobreza e do clero na sociedade moderna; acentuadamente revolucionários, os seus interesses significam título, terras e servos para garantirem um lugar compatível com sua riqueza.   

c)

o território da burguesia é o solo urbano, a cidade como sinônimo de liberdade, protegida da exploração da nobreza e do clero; para isso, cria o direito urbano, isto é, leis para o comércio, a justiça e a administração que, de forma revolucionária, asseguram-lhe um lugar na sociedade moderna.   

d)

a sociedade medieval tem um lugar específico para os burgueses, pois as liberdades, as leis, a justiça e a administração estão em suas mãos; tal situação tem o objetivo de brecar o poder político e econômico dos nobres e da Igreja, fortalecidos pela expansão da servidão e pelo declínio do comércio.   

e)

com exigências revolucionárias, como liberdade comercial, jurídica e territorial, a burguesia, cada vez mais rica, visa destruir a sociedade medieval; esta, por sua vez, barra a ascensão econômica e política da burguesia, ao fortalecer a servidão no campo e impedir as transações comerciais na cidade.