WorksheetsREVISÃO 2 ANO
Total questions: 10
Worksheet time: 23mins
A chamada tríade parnasiana era formada pelos poetas:
Aluísio de Azevedo, Raul Pompeia e Machado de Assis
Olavo Bilac, Raimundo Correia e Alberto de Oliveira
Camilo Pessanha, Cruz Souza e Alphonsus de Guimarães
Basílio da Gama, Santa Rita Durão e Alvarenga Peixoto
Gonçalves Dias, Álvares de Azevedo e Casimiro de Abreu
As alternativas abaixo apresentam caraterísticas do Parnasianismo, EXCETO:
Objetivismo e racionalismo
Valorização da cultura clássica
Linguagem culta, refinada e rebuscada
Oposição ao romantismo
Subjetivismo e pessimismo
Sobre as principais diferenças entre o Parnasianismo e o Simbolismo:
I. Enquanto no Parnasianismo a linguagem é objetiva e culta, no Simbolismo a linguagem é vaga e fluida.
II. O Simbolismo preza pelo subjetivismo, enquanto o Parnasianismo pelo objetivismo.
III. O pessimismo é uma das características da poesia simbolista, enquanto na poesia parnasiana há contenção de sentimentos.
Está correta a alternativa:
I
I e II
I e III
II e III
I, II e III
A UM POETA
Longe do estéril turbilhão da rua, Beneditino, escreve! No aconchego Do claustro, no silêncio e no sossego, Trabalha, e teima, e lima, e sofre, e sua!
Mas que na forma se disfarce o emprego Do esforço; e a trama viva se construa De tal modo, que a imagem fique nua, Rica, mas sóbria, como um templo grego.
Não se mostre na fábrica o suplício Do mestre. E, natural, o efeito agrade, Sem lembrar os andaimes do edifício:
Porque a Beleza, gêmea da Verdade, Arte pura, inimiga do artifício, É a força e a graça na simplicidade.
Olavo Bilac
Sobre o poema de Olavo Bilac, é correto afirmar apenas:
É um soneto metalinguístico, pois nele o poeta trata do próprio ato de escrever poemas. Há uma preocupação excessiva com a forma e, para alcançar a perfeição, o poeta trabalha, e teima, e lima, e sofre, e sua, conforme o último verso do primeiro quarteto do soneto.
Há um manejo especial de ritmos da linguagem com estranha combinação de rimas e recursos sonoros, como aliteração e assonância.
O irracionalismo dos versos parnasianos facilita a compreensão e interpretação do poema, escrito em tom denotativo.
Na busca de sugerir sensações, uma das principais características do parnasianismo, o poeta aproxima a poesia da música.
PROFISSÃO DE FÉ
Olavo Bilac
Invejo o ourives quando escrevo:
Imito o amor
Com Ele, em ouro, o alto-relevo
Faz de uma flor.
Imito-o. E, pois nem de Carrara
A pedra firo:
O alvo cristal, a pedra rara,
O ônix prefiro.
Por isso, corre, por servir-me,
Sobre o papel
A pena, como em prata firme
Corre o cinzel.
Corre; desenha, enfeita a imagem,
A ideia veste:
Cinge-lhe ao corpo a ampla roupagem
Azul-celeste.
Torce, aprimora, alteia, lima
A frase; e enfim,
No verso de ouro engasta a rima,
Como um rubim.
Quero que a estrofe cristalina,
Dobrada ao jeito
Do ourives, saia da oficina
Sem um defeito:
E que o lavor do verso, acaso,
Por tão sutil,
Possa o lavor lembrar de um vaso
De Becerril.
E horas sem conta passo, mudo,
O olhar atento,
A trabalhar, longe de tudo
O pensamento.
Porque o escrever – tanta perícia,
Tanta requer,
Que ofício tal... nem há notícia
De outro qualquer.
Assim procedo. Minha pena
Segue esta norma,
Por te servir, Deusa serena,
Serena Forma!
Olavo Bilac. Profissão de fé. In: Poesia. Rio de Janeiro: Agir, p. 39-40.
O poeta parnasiano tem a concepção de arte pela arte, distanciando-se da realidade. Percebemos esse distanciamento nos versos
“Porque o escrever – tanta perícia,
Tanta requer,”
“Por te servir, Deusa serena,
Serena Forma!”
“Por isso, corre, por servir-me,
Sobre o papel”
“A trabalhar, longe de tudo
O pensamento.”
Entre as principais características do simbolismo estão:
objetivismo, otimismo, religiosidade. b
subjetivismo, pessimismo e misticismo.
misticismo, individualismo e objetivismo.
cientificismo, racionalismo e otimismo.
subjetivismo, racionalismo e materialismo
Os principais escritores do simbolismo brasileiro foram:
Cruz e Souza e Alphonsus de Guimaraens.
Augusto dos Anjos e Teófilo Dias.
Olavo Bilac e Alberto de Oliveira.
Raimundo Correia e Aluísio de Azevedo.
Rubem Braga e Adolfo Caminha
Vida obscura
Ninguém sentiu o teu espasmo obscuro ó ser humilde entre os humildes seres, embriagado, tonto de prazeres, o mundo para ti foi negro e duro.
Atravessaste no silêncio escuro a vida presa a trágicos deveres e chegaste ao saber de altos saberes tornando-te mais simples e mais puro.
Ninguém te viu o sofrimento inquieto, magoado, oculto e aterrador, secreto, que o coração te apunhalou no mundo,
Mas eu que sempre te segui os passos sei que a cruz infernal prendeu-te os braços e o teu suspiro como foi profundo!
(SOUSA, C. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1961)
Com uma obra densa e expressiva no Simbolismo brasileiro, Cruz e Souza transpôs para seu lirismo uma sensibilidade em conflito com a realidade vivenciada. No soneto, essa percepção traduz-se em
sofrimento tácito diante dos limites impostos pela discriminação.
tendência latente ao vício como resposta ao isolamento social.
extenuação condicionada a uma rotina de tarefas degradantes.
frustração amorosa canalizada para as atividades intelectuais.
vocação religiosa manifesta na aproximação com a fé cristã.
Sobre a poesia de Cruz e Sousa é correto afirmar apenas:
Sua poesia, dentro do movimento parnasiano, representa um momento de descontração e investigação. Nela, verificam-se três fases: a fase romântica; a fase parnasiana e a fase pré-simbolista.
O poeta equilibrou a dimensão social com a dimensão coletiva, ilustrando, por meio desse procedimento, o comportamento característico da segunda geração romântica.
O desejo de fugir da realidade, de transcender a matéria e integrar-se espiritualmente no cosmo, posturas verificadas em sua poesia, originam-se do sentimento de opressão produzido pelo capitalismo e também do drama racial e pessoal que o autor vivia.
Formalmente, o poeta revela influências árcades e renascentistas, sem, contudo, cair no formalismo parnasiano. Embora preferisse o verso decassílabo, Cruz e Sousa explorou outras métricas, particularmente a redondilha maior.
Cárcere das almas
Ah! Toda a alma num cárcere anda presa, Soluçando nas trevas, entre as grades Do calabouço olhando imensidades, Mares, estrelas, tardes, natureza. Tudo se veste de uma igual grandeza Quando a alma entre grilhões as liberdades Sonha e, sonhando, as imortalidades Rasga no etéreo o Espaço da Pureza. Ó almas presas, mudas e fechadas Nas prisões colossais e abandonadas, Da Dor no calabouço, atroz, funéreo! Nesses silêncios solitários, graves, que chaveiro do Céu possui as chaves para abrir-vos as portas do Mistério?!
(CRUZ E SOUSA, J. Poesia completa. Florianópolis: Fundação Catarinense de Cultura / Fundação Banco do Brasil, 1993.)
Os elementos formais e temáticos relacionados com o contexto cultural do Simbolismo encontrados no poema Cárcere das almas, de Cruz e Sousa, são:
a opção pela abordagem, em linguagem simples e direta, de temas filosóficos.
a prevalência do lirismo amoroso e intimista em relação à temática nacionalista.
o refinamento estético da forma poética e o tratamento metafísico de temas universais.
a evidente preocupação do eu lírico com a realidade social expressa em imagens poéticas inovadoras.
a liberdade formal da estrutura poética que dispensa a rima e a métrica tradicionais em favor de temas do cotidiano.
