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Trabalho e Sociologia

Total questions: 11

Worksheet time: 39mins

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1.

Na produção social que os homens realizam, eles entram em determinadas relações indispensáveis e independentes de sua vontade; tais relações de produção correspondem a um estágio definido de desenvolvimento das suas forças materiais de produção. A totalidade dessas relações constitui a estrutura econômica da sociedade fundamento real, sobre o qual se erguem as superestruturas política e jurídica, e ao qual correspondem determinadas formas de consciência social.
MARX, K. Prefácio à Critica da economia política, In: MARX, K.: ENGELS, F.
Textos 3. São Paulo: Edições Sociais, 1977 (adaptado).



Para o autor, a relação entre economia e política estabelecida no sistema capitalista faz com que 

a)

o proletariado seja contemplado pelo processo de mais-valia.


b)

o trabalho se constitua como o fundamento real da produção material.


c)

a consolidação das forças produtivas seja compatível com o progresso humano.

d)

a autonomia da sociedade civil seja proporcional ao desenvolvimento econômico.


e)

a burguesia revolucione o processo social de formação da consciência de classe.

2.

As relações sociais, produzidas a partir da expansão do mercado capitalista ― e o sistema de fábrica é seu “estágio superior" ―, tornaram possível o desenvolvimento de uma determinada tecnologia, isto é, aquela que supõe a priori a expropriação dos saberes daqueles que participam do processo de trabalho. Nesse sentido, foi no sistema de fábrica que uma dada tecnologia pôde se impor, não apenas como instrumento para incrementar a produtividade do trabalho, mas, muito principalmente, como instrumento para controlar, disciplinar e hierarquizar esse processo de trabalho. DECCA, E. S. O Nascimento das Fábricas. São Paulo: Brasiliense, 1986 (fragmento).

Mais do que trocar ferramentas pela utilização de máquinas, o capitalismo, por meio do “sistema de fábrica", expropriou o trabalhador do seu “saber fazer", provocando, assim,


a)

a desestruturação de atividades lucrativas praticadas pelos artesãos ingleses desde a Baixa Idade Média.


b)

a divisão e a hierarquização do processo laboral, que ocasionaram o distanciamento do trabalhador do seu produto final.


c)

o movimento dos trabalhadores das áreas urbanas em direção às rurais, devido à escassez de postos de trabalho nas fábricas.

d)

a organização de grupos familiares em galpões para elaboração e execução de manufaturas que seriam comercializadas.

e)

a associação da figura do trabalhador à do assalariado, fato que favorecia a valorização do seu trabalho e a inserção no processo fabril.


3.

Um banco inglês decidiu cobrar de seus clientes cinco libras toda vez que recorressem aos funcionários de suas agências. E o motivo disso é que, na verdade, não querem clientes em suas agências; o que querem é reduzir o número de agências, fazendo com que os clientes usem as máquinas automáticas em todo o tipo de transações. Em suma, eles querem se livrar de seus funcionários.
HOBSBAWM, E. O novo século. São Paulo: Companhia das Letras, 2000 (adaptado).

O exemplo mencionado permite identificar um aspecto da adoção de novas tecnologias na economia capitalista contemporânea. Um argumento utilizado pelas empresas e uma consequência social de tal aspecto estão em 

a)

qualidade total e estabilidade no trabalho.


b)

pleno emprego e enfraquecimento dos sindicatos.


c)

diminuição dos custos e insegurança no emprego


d)

responsabilidade social e redução do desemprego.

e)

maximização dos lucros e aparecimento de empregos.


4.

TEXTO I

Cidadão

Tá vendo aquele edifício, moço?

Ajudei a levantar

Foi um tempo de aflição

Eram quatro condução

Duas pra ir, duas pra voltar

Hoje depois dele pronto

Olho pra cima e fico tonto

Mas me vem um cidadão

E me diz desconfiado

“Tu tá aí admirado

Ou tá querendo roubar?"

Meu domingo tá perdido

Vou pra casa entristecido

Dá vontade de beber

E pra aumentar meu tédio

Eu nem posso olhar pro prédio

Que eu ajudei a fazer.

BARBOSA, L. In: ZÉ RAMALHO. 20 Super Sucessos.

Rio de Janeiro: Sony Music, 1999 (fragmento).


TEXTO II

O trabalhador fica mais pobre á medida que produz mais riqueza e sua produção cresce em força e extensão. O trabalhador torna-se uma mercadoria ainda mais barata à medida que cria mais bens. Esse fato simplesmente subentende que o objeto produzido pelo trabalho, o seu produto, agora se lhe opõe como um ser estranho, como uma força independente do produtor.

MARX, K. Manuscritos econômicos(Primeiro manuscrito).

São Paulo: Boitempo Editorial, 2004 (adaptado).


Com base nos textos, a relação entre trabalho e modo de

produção capitalista é


a)

baseada na desvalorização do trabalho especializado e no aumento da demanda social por novos postos de emprego.


b)

fundada no crescimento proporcional entre o número de trabalhadores e o aumento da produção de bens e serviços.


c)

estruturada na distribuição equânime de renda e no declínio do capitalismo industrial e tecnocrata.

d)

instaurada a partir do fortalecimento da luta de classes e da criação da economia solidária.

e)

derivada do aumento da riqueza e da ampliação da exploração do trabalhador.


5.

(UEMA/2021)

Analise o ciclo do trabalho escravo contemporâneo.

http://trabalhoescravocontemporaneo.blogspot.com/2017/09/trabalho-escravo-contemporaneo.html

Avalie as assertivas abaixo.

I. A escravidão chamada de contemporânea é, apenas, uma forma de burlar a legislação trabalhista, não causando danos nem para o empregador nem para o empregado.
II. A manutenção do trabalho forçado e das jornadas exaustivas é necessária para o cumprimento das metas de produção estabelecidas pelos compradores dos produtos.
III. Os trabalhadores em situação análoga à escravidão são vítimas do desemprego e da falta de condições de vida em seus municípios, o que os faz aceitar ofertas de trabalho em outras regiões.
IV. o trabalho escravo contemporâneo tem maior incidência no setor primário, em região de expansão agrícola, sobretudo nas atividades da pecuária, da produção de carvão e do cultivo de cana-de-açúcar.

As assertivas corretas sobre trabalho análogo à escravidão, retratado na imagem, são, apenas:

a)
  • II e IV.

b)
  • I e II.

c)
  • III e IV.

d)
  • II e III.

e)
  • I e III.

6.

Considere o texto a seguir:

“Relação de trabalho é o gênero que compreende o trabalho autônomo, eventual, avulso etc. Relação de emprego trata do trabalho subordinado do empregado em relação ao empregador. A CLT disciplina a relação de empregados. A Justiça do Trabalho, de modo geral, julga questões de empregados.”

MARTINS, Sérgio Pinto. Direito do Trabalho. 20. ed. São Paulo: Atlas, 2004. p. 114.

Observando a importância da Consolidação das Leis Trabalhistas, que unificou a legislação trabalhista existente no Brasil em 1943, a CLT tem como intento a(o)

a)

a) criação de autonomia legal de empresas e trabalhadores em suas relações de ofício.

b)

b) ordenamento jurídico particular dos contratos de trabalho no campo.

c)

c) regulamentação das relações individuais e coletivas do trabalho.

d)

d) construção de acordos coletivos entre setores sociais antagônicos.

e)

e) concessão lenta e gradual de direitos sociais plenos aos trabalhadores brasileiros.

7.

A uberização nomeia um novo tipo de gestão e controle da força de trabalho, também compreendida como uma tendência passível de se generalizar no âmbito das relações de trabalho. […] Resultando das formas contemporâneas de eliminação de direitos, transferência de riscos e custos para os trabalhadores e novos arranjos produtivos, ela em alguma medida sintetiza processos em curso há décadas, ao mesmo tempo em que se apresenta como tendência para o futuro do trabalho. O tema ganha visibilidade com a formação de enormes contingentes de trabalhadores controlados por empresas que operam por meio de plataformas digitais.

(Ludmila Costhek Abílio et al. “Uberização e plataformização do trabalho no Brasil: conceitos, processos e formas”. Sociologias, 2021.)
O excerto aborda as novas relações trabalhistas mediadas por plataformas digitais. Com tais relações, nos próximos anos o futuro do trabalho será definido pela

a)

a)

autogestão do trabalhador na relação com grandes empresas.

b)

b)

queda na geração de vagas no setor informal.

c)

c)

persistência de mecanismos de exploração.

d)

d)

extinção de postos de serviço no setor primário.

e)

e)

flexibilidade na jornada de trabalho do profissional não autônomo.

8.

O conceito de precariado se refere a uma classe emergente, definida por uma combinação distinta de relações. As pessoas do precariado estão sendo forçadas a aceitar uma vida de empregos instáveis, sem uma identidade ocupacional, sendo exploradas e sem horários regulares de trabalho.

https://tinyurl.com/y6kgyeqz Acesso em: 10.10.2019. Adaptado.

 

De acordo com o texto, o precariado é um grupo de pessoas que

a)

não aceita a tutela do Estado e negocia sua força de trabalho diretamente com o governo, que o repassa às empresas, conseguindo, dessa forma, remunerações acima do mercado.

b)

não é explorado pelo fato de trabalhar sem folgas semanais, uma vez que possui registro na carteira de trabalho, e aceita, voluntariamente, não tirar as férias anuais previstas em lei.

c)

não possui um emprego formal e, portanto, não possui direitos trabalhistas, estando sujeito às atividades com longas jornadas de trabalho, por prazo determinado e em condições insalubres.

d)

não recebe mais que um salário mínimo, contudo, possui horários regulares de trabalho e está amparado pelas leis trabalhistas, que permitem uma remuneração menor que a prevista na Constituição Federal.

e)

não quer ter um emprego formal, mas tem seus direitos trabalhistas legais respeitados, mesmo cumprindo jornadas de trabalho superiores a vinte horas diárias, e também possui estabilidade no emprego de caráter oficial.

9.

Leia o texto e analise a figura a seguir.

Em 1991, a renda média das brasileiras correspondia a 63% do rendimento masculino. Em 2000, chegou a 71%. As conquistas comprovam dedicação, mas também necessidade. As pesquisas revelam que quase 30% delas apresentam em seus currículos mais de dez anos de escolaridade, contra 20% dos profissionais masculinos.

PROBST, Elisiana Renata. “A evolução da mulher no mercado de trabalho”. Revista do Instituto Catarinense de Pós Graduação. Disponível em: <www.icpg.com.br>. Acesso em: 4 abr. 2014

Tendo em vista o texto e o implícito no discurso iconográfico, percebe-se

a)

a) as diferenças na valorização da força de trabalho entre os gêneros e a ampliação das demandas das mulheres na luta pelo reconhecimento social.

b)

b) a queda da taxa de fecundidade, elevando a renda feminina, e os tabus da adequação a padrões de beleza vigentes.

c)

c) a alteração do perfil das trabalhadoras que se tornam mais velhas, casadas e mães e a participação das mulheres no movimento feminista.

d)

d) a classificação do trabalho doméstico contabilizado como atividade econômica e a continuidade de modelos familiares tradicionais.

e)

e) as diferenças da jornada de trabalho entre os gêneros e a influência da mídia estabelecendo um padrão de corpo feminino.

10.

As feridas da discriminação racial se exibem ao mais superficial olhar sobre a realidade social do país. Até 1950, a discriminação em empregos era uma prática corrente, sancionada pelas práticas sociais do país. Em geral, os anúncios de vagas de trabalho eram publicados com a explícita advertência: “não se aceitam pessoas de cor.” Mesmo após a Lei Afonso Arinos, de 1951, proibindo categoricamente a discriminação racial, tudo continuou na mesma. Depois da lei, os anúncios se tornaram mais sofisticados que antes, e passaram a requerer: “pessoas de boa aparência”. Basta substituir “pessoas de boa aparência” por “branco” para se obter a verdadeira significação do eufemismo.

(Adaptado de Abdias do Nascimento, O genocídio do negro brasileiro: processo de um racismo mascarado. São Paulo: Perspectiva, 2018, p. 97.)

A partir do excerto, é correto afirmar:

a)

a)

Apesar da Lei Afonso Arinos de 1951, o racismo que existia há muitos anos no mercado de trabalho brasileiro permaneceu por meio de estratégias camufladas.   

b)

b)

A Lei Afonso Arinos de 1951 possibilitou a eliminação do racismo no mercado de trabalho do mundo da moda, que exigia a boa aparência das pessoas brancas. 

c)

c)

Em 1951, o conceito de “pessoas de boa aparência”, ditado pelo mundo da moda e reproduzido nos anúncios de vagas de trabalho, privilegiava o asseio no vestir.   

d)

d)

O racismo foi eliminado das relações sociais brasileiras somente na década de 1990, com a consolidação do conjunto de leis da democracia racial.

11.

A análise por cor ou raça para o último ano disponível mostra que, regionalmente, a situação da população preta ou parda também é mais vulnerável do que a da branca. Enquanto para a população branca, 14 UFs [Unidades da Federação] registraram taxa de desocupação até 10,0%, sendo três delas inferiores a 6,0%, para a população preta ou parda, a maioria das UFs registrou taxas acima de 10,0%, sendo que, em sete delas, a taxa superou os 14,0%, índice não alcançado pela população branca (IBGE, 2017, p. 26). Ainda sobre esses dados, o IBGE (2017) demonstra que a população branca tem maior participação no mercado formal de trabalho (68,6%) – com carteira assinada – em relação à população negra (54,6%).

Os dados levantados pelo IBGE estão associados:

a)

A) ao equilíbrio estrutural de poder.

b)

B) à intolerância cultural.

c)

C) à discriminação territorial.

d)

D) à desigualdade étnico-racial.