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Simulado - gênero crônica

Total questions: 11

Worksheet time: 2hrs 35mins

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1.

Leia o fragmento de uma crônica para responder à questão:

 BOCA DE LUAR (Fragmento)

 Você tem boca de luar, disse o rapaz para a namorada, e a namorada riu, perguntou ao rapaz que espécie de boca é essa, o rapaz respondeu que é uma boca toda enluarada, de dentes muito alvos e leitosos, entende? Ela não entendeu bem e tornou a perguntar, desta vez que lua correspondia à sua boca, se era crescente, minguante, cheia ou nova. Ao que o rapaz disse que minguante não podia ser, nem crescente, nem nova só podia ser lua cheia, uai. Aí a moça disse que mineiro tem cada uma, onde é que se viu boca de lua cheia, até parece boca cheia de lua, uma bobice. O rapaz não gostou de ser chamada de bobice a sua invenção, exclamou meio espinhado que boca de luar, mesmo sendo de luar de lua cheia, é completamente diferente – insistiu: com-ple-ta-men-te – de boca cheia de lua; é uma imagem poética[…]

Carlos Drummond de Andrade

O trecho da crônica representa a conversa entre um casal de namorados. O objetivo do rapaz, ao dizer que a moça tem boca de luar, foi

a)

fazer uma piada.

b)

fazer uma crítica.

c)

fazer um elogio.

d)

fazer uma brincadeira.

2.

Leia o poema a seguir, que se aproxima bastante de uma crônica, pois capta um assunto do cotidiano:

Retrato

“Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro, 
nem estes olhos tão vazios, nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas; 
eu não tinha este coração que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança, 
tão simples, tão certa, tão fácil: 
Em que espelho ficou perdida a minha face?“

( Poema de Cecilia Meireles)

2. Com base no poema, pode-se afirmar que ele 

a)

apresenta um autorretrato.

b)

demonstra um novo rosto.

c)

transmite a alegria da mudança.

d)

expressa emoção de se sentir jovem. 

3.

Leia a crônica abaixo para responder à questão:

O Homem Nu (Fragmento)

Fernando Sabino

Ao acordar, disse para a mulher:
— Escuta, minha filha: hoje é dia de pagar a prestação da televisão, vem aí o sujeito com a conta, na certa.  Mas acontece que ontem eu não trouxe dinheiro da cidade, estou a nenhum.
— Explique isso ao homem — ponderou a mulher.
— Não gosto dessas coisas. Dá um ar de vigarice, gosto de cumprir rigorosamente as minhas obrigações. Escuta: quando ele vier a gente fica quieto aqui dentro, não faz barulho, para ele pensar que não tem ninguém.   Deixa ele bater até cansar — amanhã eu pago.

Pouco depois, tendo despido o pijama, dirigiu-se ao banheiro para tomar um banho, mas a mulher já se trancara lá dentro. Enquanto esperava, resolveu fazer um café. Pôs a água a ferver e abriu a porta de serviço para apanhar o pão.  Como estivesse completamente nu, olhou com cautela para um lado e para outro antes de arriscar-se a dar dois passos até o embrulhinho deixado pelo padeiro sobre o mármore do parapeito. Ainda era muito cedo, não poderia aparecer ninguém. Mal seus dedos, porém, tocavam o pão, a porta atrás de si fechou-se com estrondo, impulsionada pelo vento.

O texto de Fernando Sabino é uma crônica que

a)

narra, em versos, um fato comum do cotidiano.

b)

narra mudanças de hábito na vida das personagens.

c)

narra um fato comum do cotidiano sem  humor.

d)

narra um fato do cotidiano de forma humorística.

4.

No trecho: “São confortáveis, mas todos têm divisórias de ferro.”, a palavra em destaque estabelece ideia de

a)

causa.

b)

adição.

c)

oposição.

d)

comparação.

5.

A luta e a lição

  Um brasileiro de 38 anos, Vítor Negrete, morreu no Tibete após escalar pela segunda vez o ponto culminante do planeta, o monte Everest. Da primeira, usou o reforço de um cilindro de oxigênio para suportar a altura. Na segunda (e última), dispensou o cilindro, devido ao seu estado geral, que era considerado ótimo.

     As façanhas dele me emocionaram, a bem sucedida e a malograda. Aqui do meu canto, temendo e tremendo toda a vez que viajo no bondinho do Pão de Açúcar, fico meditando sobre os motivos que levam alguns heróis a se superarem. Vitor já havia vencido o cume mais alto do mundo. Quis provar mais, fazendo a escalada sem a ajuda do oxigênio suplementar. O que leva um ser humano bem sucedido a vencer desafios assim?

Ora, dirão os entendidos, é assim que caminha a humanidade. Se cada um repetisse meu exemplo, ficando solidamente instalado no chão, sem tentar a aventura, ainda estaríamos nas cavernas, lascando o fogo com pedras, comendo animais crus e puxando nossas mulheres pelos cabelos, como os trogloditas -se é que os trogloditas faziam isso. Somos o que somos hoje devido a heróis que trocam a vida pelo risco. Bem verdade que escalar montanhas, em si, não traz nada de prático ao resto da humanidade que prefere ficar na cômoda planície da segurança.

     Mas o que há de louvável (e lamentável) na aventura de Vítor Negrete é a aspiração de ir mais longe, de superar marcas, de ir mais alto, desafiando os riscos. Não sei até que ponto ele foi temerário ao recusar o oxigênio suplementar. Mas seu exemplo -e seu sacrifício- é uma lição de luta, mesmo sendo uma luta perdida.  

Carlos Heitor Cony

Na crônica “A luta e a lição” de Carlos Heitor Cony, um trecho onde o autor exprime o seu sentimento, é

a)

“Na segunda (e última), dispensou o cilindro, devido ao seu estado geral, que era considerado ótimo.”

b)

“Vitor já havia vencido o cume mais alto do mundo.”

c)

“As façanhas dele me emocionaram, a bem sucedida e a malograda.”

d)

“Bem verdade que escalar montanhas, em si, não traz nada de prático ao resto da humanidade…”

6.

Ao final do texto, percebe-se que o autor trouxe ao leitor

a)

um pouco de humor diante do fato mencionado.

b)

uma reflexão diante de um fato que culminou com a morte de alguém.

c)

apenas descrições de um fato ocorrido no monte Everest.

d)

uma narração com intuito de convencer o leitor sobre sua opinião. 

7.

Analisando a crônica lida, percebemos que o fato que serviu como tema foi  

a)

uma viagem no bondinho do Pão de Açúcar.

b)

o modo de vida dos trogloditas. 

c)

a morte de Vítor Negrete ao tentar escalar o monte Everest.

d)

a viagem de Vítor Negrete ao Tibete.

8.

No trecho: “… como os trogloditas – se é que os trogloditas faziam isso.”, a fala do autor após o uso do hífen revela que ele

a)

acredita que tal situação ocorreu no passado.

b)

critica as atitudes dos trogloditas.

c)

não tem certeza que tal fato foi praticado pelos trogloditas.

d)

demonstrou complacência com os trogloditas.

9.

Há uma opinião em

a)

“Um brasileiro de 38 anos, Vítor Negrete, morreu no Tibete após escalar pela segunda vez o ponto culminante do planeta..”

b)

“Na segunda (e última), dispensou o cilindro, devido ao seu estado geral, que era considerado ótimo.

c)

“Vitor já havia vencido o cume mais alto do mundo.”

d)

“Mas o que há de louvável (e lamentável) na aventura de Vítor Negrete é a aspiração de ir mais longe…”

10.

Desmatamento

      No caminho para meu consultório, passo pela Granja Viana, um bairro muito bonito e aconchegante, pode se dizer até elegante e charmoso. Um local onde há condomínios com suas casas bonitas, vivendo em harmonia com a natureza. Ali estão também restaurantes que nos fazem sentir como se estivéssemos no interior, algo como Monte Verde ou Campos do Jordão.

Em alguns pontos da avenida São Camilo – que corta a Granja – vê-se uma mata tropical densa ao lado da pista. Moradores da região contam orgulhosos que, em seus quintais, pequenos macacos os visitam para comer as frutas deixadas nas vasílias. Certa manhã observei uma placa em frente a um desses pedaços de mata densa: “Breve: condomínio Alphaville Granja Viana”. Aquilo me deixou preocupado, como se previsse o que estaria para acontecer. “Onde eles levantarão um condomínio por aqui?”, pensava. Não seria possível que alguém desmataria toda aquela região. Hoje em dia há uma proteção ambiental grande, principalmente dentro da cidade. Valter, um grande amigo ambientalista, me disse que “se você cortar uma árvore da sua rua, a prefeitura lhe dará uma multa enorme e ainda terá que plantar outras árvores”. Mas era possível. Difícil explicar a dor no coração que tive ao passar num sábado de manhã e observar, incrédulo, que haviam cortado todas aquelas lindas árvores que haviam ali. E olha que nem moro na Granja, imagino a dor dos vizinhos.

 Esses, relatam um grande número de macacos que, assustados, entram em seus quintais, expulsos de seu lar. Imaginamos o número de animais mortos. Passeatas de moradores ocorreram e – graças ao bom Deus! – embargaram a obra. Hoje, alguns meses após o desmatamento, vemos um terreno completamente nu de vegetação, terra, barro e tratores parados, como cães famintos sobre um bom bife, esperando a hora de continuar sua furiosa destruição.

      Não se pode, simplesmente, liberar essa construção com a desculpa do “mal estar feito, agora que já foi tudo destruído”. esse mal exemplo será seguido sempre: destruímos o verde primeiro e depois, como não há o que fazer, construímos cimento em cima. Será que algum dia isso tudo vai mudar?

Fonte: cronicasdeumbrasileiro.blogspot.com

Observe os dois trechos retirados da crônica:

Trecho 01: “Certa manhã observei uma placa em frente a um desses pedaços de mata densa: “Breve: condomínio Alphaville Granja Viana”.”

Trecho 02: “Hoje, alguns meses após o desmatamento, vemos um terreno completamente nu de vegetação, terra, barro e tratores parados, como cães famintos sobre um bom bife, esperando a hora de continuar sua furiosa destruição.”

O  2º trecho retirado da crônica, apresenta, com relação ao que foi dito no 1º trecho, o sentido de 

a)

oposição.

b)

causa.

c)

consequência.

d)

finalidade.

11.

O título da crônica, “Desmatamento”,  se relaciona a uma das principais características desse gênero que é 

a)

basear-se em um fato comum, do dia a dia.

b)

basear-se em um tema científico. 

c)

basear-se em um tema de ficção .

d)

basear-se em um fato histórico.