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Recomposição de Língua Portuguesa 3ª Série

Total questions: 9

Worksheet time: 7mins

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1.

Leia o texto e responda à questão.

[...] A antropofagia, ato comum em sociedades indígenas brasileiras pelo qual o homem come outro homem, não é vista por Oswald deAndrade como uma mera forma de nutrição, mas sim como modo de incorporar as qualidades do deglutido. Esta ideia étransportada por Oswald para o processo de formação da cultura brasileira, no qual o colonizado se torna mais forte que ocolonizador ao digeri-lo, ao tomar para si o que há de bom no outro. [...]

Disponível em: <https://conexao.ufrj.br/2008/06/so-a-antropofagia-nos-une/>. Acesso em: 17 dez. 2024. Fragmento.

O Manifesto Antropófago (1928), de Oswald de Andrade, concebe a antropofagia como uma proposta de

a)

manifestação das diferenças linguísticas.

b)

recusa dos padrões estéticos do passado.

c)

defesa dos valores culturais do colonizador.

d)

assimilação da contribuição artística europeia.

e)

união da produção indígena com a estrangeira.

2.

Leia o texto e responda à questão.

Canto de regresso à pátria

Oswald de Andrade

Minha terra tem palmares

onde gorjeia o mar

Os passarinhos daqui

Não cantam como os de lá

Minha terra tem mais rosas

E quase que mais amores

Minha terra tem mais ouro

Minha terra tem mais terra

Ouro terra amor e rosas

Eu quero tudo de lá

Não permita Deus que eu morra

Sem que volte para lá

Não permita Deus que eu morra

Sem que volte pra São Paulo

Sem que veja a Rua 15

E o progresso de São Paulo

Disponível em: <https://wp.ufpel.edu.br/aulusmm/2017/05/10/canto-de-regresso-a-patria-oswald-de-andrade/>. Acesso em 18 dez. 2024.

No poema, ao repetir a expressão "Minha terra tem" e trazer elementos como "palmares", "rosas", "ouro" e "terra", o poeta busca

a)

exaltar a natureza exuberante e a riqueza do país.

b)

criticar a exploração dos recursos naturais do Brasil.

c)

demonstrar a saudade do poeta pelo local onde nasceu.

d)

ironizar o ufanismo exacerbado e o nacionalismo ingênuo.

e)

destacar a superioridade da cultura brasileira em relação às outras.

3.

Leia o texto e responda à questão.

Senhora

José de Alencar

Quem não se recorda de Aurélia Camargo, que atravessou o firmamento da corte como brilhante meteoro, e apagou-se de repenteno meio do deslumbramento que produzira seu fulgor?

Tinha ela dezoito anos quando apareceu a primeira vez na sociedade. Não a conheciam; e logo buscaram todos com avidezinformações acerca da grande novidade do dia.

Dizia-se muita coisa que não repetirei agora, pois a seu tempo saberemos a verdade, sem os comentos malévolos de que usamvesti-la os noveleiros.

Aurélia era órfã; tinha em sua companhia uma velha parenta, viúva, D. Firmina Mascarenhas, que sempre a acompanhava nasociedade.

Mas essa parenta não passava de mãe de encomenda, para condescender com os escrúpulos da sociedade brasileira, que naqueletempo não tinha admitido ainda certa emancipação feminina.

Disponível em: <http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bv000139.pdf>. Acesso em 18 dez. 2024. (fragmento)

De acordo com o texto, no romance “Senhora” (1875), de José de Alencar, o narrador critica os costumes da época, ao

a)

idealizar a figura feminina presente na sociedade brasileira do século XIX.

b)

mascarar os vícios e hábitos sociais, da época, no desenvolvimento do enredo.

c)

incorporar costumes avançados para a sociedade daquele período histórico.

d)

denunciar a submissão feminina na aristocracia opressora brasileira da época.

e)

julgar as mulheres solteiras e financeiramente independentes do século XIX.

4.

(ENEM - Adaptada) Leia o texto e responda à questão.

Ela era linda. Gostava de dançar, fazia teatro em São Paulo e sonhava ser atriz em Hollywood. Tinha 13 anos quando ganhou umacâmera de vídeo — e uma irmã. As duas se tornaram suas companheiras de experimentações. Adolescente, Elena vivia a criarfilminhos e se empenhava em dirigir a pequena Petra nas cenas que inventava. Era exigente com a irmã. E acreditava no potencialda menina para satisfazer seus arroubos de diretora precoce. Por cinco anos, integrou algumas das melhores companhiaspaulistanas de teatro e participou de preleções para filmes e trabalhos na TV. Nunca foi chamada. No início de 1990, Elena tinha 20anos quando se mudou para Nova York para cursar artes cênicas e batalhar uma chance no mercado americano. [...] Vinte anosdepois, é a irmã caçula que volta a Nova York para percorrer os últimos passos da irmã, vasculhar seus arquivos e transformar suas memórias em imagem e poesia. “Elena” é um filme sobre a irmã que parte e sobre a irmã que fica. É um filme sobre a busca, a perda, a saudade, mas também sobre o encontro, o legado e a memória. Um filme sobre a Elena de Petra e sobre a Petra de Elena, sobre o que ficou de uma na outra e, essencialmente, um filme sobre a delicadeza.

VANUCHI, C. Época, 19 out. 2012. (Adaptado).

O texto é uma resenha crítica, pois tem a finalidade de

a)

narrar, por meio de imagem e poesia, cenas da vida das irmãs Petra e Elena.

b)

descrever, por meio das memórias de Petra, a separação de duas irmãs.

c)

distorcer, por meio das principais cenas do filme, a história de Elena.

d)

lançar, por meio da história de vida do autor, um filme autobiográfico.

e)

avaliar, por meio de análise crítica, o filme em referência.

5.

Leia o texto e responda à questão.

Oceano

Djavan

Amar é um deserto e seus temores

Vida que vai na sela dessas dores

Não sabe voltar, me dá teu calor

Vem me fazer feliz porque eu te amo

Você deságua em mim, e eu, oceano

Me esqueço que amar é quase uma dor

Disponível em: <https://www.letras.mus.br/djavan/11337/>. Acesso em: 14.fev.2025. (Fragmento).

Na canção, o uso da conjunção “porque” expressa uma

a)

explicação.

b)

comparação.

c)

conclusão.

d)

oposição.

e)

condição.

6.

Leia o texto e responda à questão.

Os Cortejos

Mário de Andrade

Monotonias das minhas retinas...

Serpentinas de entes frementes a se desenrolar...

Todos os sempres das minhas visões! "

Bon Giorno, caro."

Horríveis as cidades!

Vaidades e mais vaidades...

Nada de asas! Nada de poesia! Nada de alegria!

Oh! os tumultuários das ausências!

Paulicéia - a grande boca de mil dentes;

e os jorros dentre a língua trissulca

de pus e de mais pus de distinção...

Giram homens fracos, baixos, magros...

Serpentinas de entes frementes a se desenrolar...

[...]

Disponível em: <https://mario-de-andrade.blogspot.com/2009/05/os-cortejos.html>. Acesso em: 06.mar.2025. (Fragmento).

Vocabulário: Frementes - “que freme”, ou seja, que está tremendo, agitado, vibrante, ou que está cheio de emoções.

Bon Giorno - em italiano que significa "bom dia" em português.

Tumultuários - adjetivo que descreve algo ou alguém que está imerso em tumulto ou desordem.

Trissulca - significa que tem três sulcos, canais, fendas ou pontas.

O poema “Os Cortejos”, de Mário de Andrade, pertence à primeira geração do Modernismo no Brasil e apresenta como características

a)

tom irônico e linguagem coloquial, com construção em verso livre.

b)

emprego de expressões tradicionais, além da presença de rimas.

c)

padrão sintático e ortográfico na elaboração dos versos do texto

d)

subjetivismo explícito nas marcas de primeira pessoa do plural.

e)

uso de palavras próprias da linguagem culta e termos formais.

7.

O quinze

Rachel de Queiroz

Eles tinham saído de véspera, de manhã, da canoa. Eram duas horas da tarde.

Cordulina, que vinha quase cambaleando, sentou-se numa pedra e falou, numa voz quebrada e penosa:

- Chico, eu não posso mais... Acho até que vou morrer. Dá-me aquela zoeira na cabeça!

Chico Bento olhou dolorosamente a mulher. O cabelo em falripas sujas, como que gasto, acabado, caía, por cima do rosto, envesgando os olhos, roçando a boca.[...]

No colo da mulher, o Duquinha, também era só osso e pele, levava, com um gemido abafado, a mãozinha imunda, os dedos ressequidos, aos pobres olhos doentes.

E com outra tateava o peito da mãe, mas num movimento tão fraco e tão triste que era mais uma tentativa do que um gesto.

Lentamente o vaqueiro voltou as costas; cabisbaixo, o Pedro o seguiu.

E foram andando à toa, devagarinho, costeando a margem da caatinga.

Disponível em: <https://www.ileel.ufu.br/lexicoSertanista/arquivos/da5ec614-25d0-41e2-88e2-b9e73bdc501d_O%20Quinze.pdf. Acesso em: 04.abr.2025.(Fragmento).

Vocabulário: Falripas - cabelos curtos e ralos, ou seja, poucos e finos.

O fragmento do romance “O quinze”, de Rachel de Queiroz, retoma um dos temas da prosa regionalista ao

a)

ressaltar a importância da solidariedade no enfrentamento das dificuldades.

b)

destacar a riqueza da caatinga e o modo de vida das comunidades sertanejas.

c)

valorizar os mitos e as tradições populares do Nordeste, com ênfase no folclore.

d)

apresentar a questão da seca com enfoque na situação de pobreza do sertanejo.

e)

idealizar o estilo de vida no sertão como uma experiência mística e transcendental.

8.

(UFSCAR - Adaptada ) Leia os textos 1 e 2 e responda à questão.

Vocabulário: Choupana - casa rústica, geralmente pequena e feita de materiais simples como madeira e palha.

Embora muito distantes entre si na linha do tempo, os textos aproximam-se, pois o ideal que defendem é

a)

a emoção em detrimento da razão, pois esta retira do homem seus melhores sentimentos.

b)

o desejo de enriquecer no campo, aproveitando as riquezas naturais.

c)

a dedicação à produção poética junto à natureza, fonte de inspiração dos poetas.

d)

o aproveitamento do dia presente –

o carpe diem

-, pois o tempo passa rapidamente.

e)

o sonho de uma vida mais simples e natural, distante dos centros urbanos.

9.

(ENEM) Observe a obra e responda à questão.

As vanguardas europeias não devem ser vistas isoladamente, uma vez que elas apresentam alguns conceitos estéticos e visuais que se aproximam. Com base nosconceitos vanguardistas, entre eles o de exploração de formas geometrizadas do Cubismo, no início do século XX, o quadro “Soldados jogando cartas” explorauma:

a)

uniformidade de tons como crítica à industrialização.

b)

mecanização do homem expressa por formas tubulares.

c)

aproximação impossível entre máquina e homem.

d)

imagem plana para expressar a industrialização.

e)

abordagem sentimentalista do homem.