WorksheetsAVALIAÇÃO DE RECUPERAÇÃO DO SIMULADO 2
Total questions: 26
Worksheet time: 1hrs 18mins
1. LEIA O TEXTO E RESPONDA AS QUESTÕES 1 e 2.
Um “mamute” é descoberto no
fundo do mar em ilha brasileira
Há muitos anos, moluscos com uma concha brilhante como porcelana
chegaram até as rochas no fundo do mar na Ilha da Trindade, localizada
a 1.160 quilômetros da costa brasileira, no litoral do Espírito Santo.
Os moluscos tiveram mutações que, por seleção natural, deram origem,
muito tempo depois, a uma nova espécie, a Macrocypraea mammoth.
[...]
A descoberta da nova espécie é descrita em artigo da revista científica Plos
One. “De início, pensou-se que fossem animais da espécie Macrocypraea
zebra, que é muito comum no litoral das Américas e do Caribe”, afirma o
pesquisador Luiz Ricardo Simone, do MZ [Museu de Zoologia], que assina
o artigo com Daniel Cavallari, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras
de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP. [...]
Simone explica que as espécies de moluscos do gênero Macrocypraea
costumam fazer referência a animais em seu nome científico devido aos
desenhos na superfície das conchas, como no caso da Macrocypraea zebra. “No caso da nova espécie, a concha possui projeções que lembram as
presas de um mamute, um animal pré-histórico extinto aparentado com o
elefante, por isso ela recebeu o nome Macrocypraea mammoth”, conta.
[...]
BERNARDES, Júlio. Um “mamute” é descoberto no fundo do mar em ilha
brasileira. Jornal da USP. Disponível em: <https://jornal.usp.br/ciencias/
ciencias-biologicas/um-mamute-e-descoberto-no-fundo-do-mar-em-ilhabrasileira>. Acesso em: 13 ago. 2020.
1.1 O texto trata, principalmente,
( A ) da localização da Ilha da Trindade, no litoral do Espírito Santo.
( B ) da referência a animais nos nomes científicos dos moluscos
Macrocypraea.
( C ) da descoberta de uma nova espécie de molusco na Ilha da Trindade.
( D) da qualidade da divulgação da revista científica Plos One.
( E ) dos animais da espécie Macrocypraea zebra, comuns nas Américas e
no Caribe.
2. No título desse texto, a palavra “mamute” está entre aspas porque o autor
teve a intenção de
( A ) demonstrar que não está tratando literalmente do animal pré-histórico
extinto.
( B ) marcar uma fala do pesquisador Luiz Ricardo Simone do Museu de
Zoologia.
( C ) ironizar os pesquisadores que confundiram um molusco com um
mamute.
( D) demarcar a utilização de uma palavra em língua estrangeira em seu texto.
( E ) destacar para o leitor a utilização de um termo científico desconhecido.
Leia o texto e responda à questão 3.
Carta aberta ao Ibama
A ONG CDA – Cidadãos em Defesa dos Animais – vem, por meio desta,
repudiar as ações de traficantes de animais não nativos no Brasil. Esta iniciativa
nasceu como uma reação ao episódio em que um estudante de veterinária
do Distrito Federal foi picado por uma cobra naja, animal não pertencente
à fauna brasileira, que deve ter entrado no país de forma ilegal. O fato de
essa ser uma espécie não nativa dificultou a busca por um soro antiofídico
apropriado para o tratamento, trazendo à tona a importante discussão sobre
os perigos dessa prática nefasta.
A forma como esses animais são transportados, com longas viagens e em
condições precárias, é uma ameaça às suas vidas. Aqueles que sobrevivem
às viagens, muitas vezes, encontram condições climáticas inapropriadas para
sua adaptação no Brasil, já que não são nativos. Além disso, se um animal
desses for solto na natureza, ele pode dominar espécies nativas, criando
um desequilíbrio ecológico.
A sociedade brasileira não pode continuar incentivando essa prática: o trá-
fico existe porque existem compradores. Os órgãos que fiscalizam esse tipo
de ação ilegal precisam estar mais atentos, aplicando multas mais pesadas
e, até mesmo, penas privativas de liberdade para traficantes e compradores,
em especial para os reincidentes.
O Brasil precisa evoluir, deixando de ser um país que tolera práticas arcaicas egoístas de exibicionismo que já não combinam com a consciência
ambiental que se pretende pôr em prática no país.
Elaborado pelo autor
3. De acordo com a carta aberta da CDA ao Ibama, o tráfico de animais não nativos é perigoso porque
( A ) pode modificar as condições climáticas dos países que os recebem
( B ) traficantes e compradores não podem ser punidos pelos órgãos de
fiscalização.
( C ) a maioria dos animais traficados são peçonhentos e podem matar
( D) a soltura desses animais na natureza pode causar um desequilíbrio
ecológico.
( E ) pode levar à extinção de espécies que se encontram em risco.
Leia o texto e responda às questões 4 a 6.
Telemedicina, pandemia e desigualdade
Uma vez que a interação pessoal foi limitada ou suspensa pela crise
da pandemia da covid-19, os serviços de telemedicina passaram a
estar na vanguarda como uma forma alternativa para satisfazer às necessidades de consultas e cuidados médicos. Telemedicina é uma área
da telessaúde que oferece suporte diagnóstico remotamente, permitindo
a interpretação de exames e a emissão de laudos médicos a distância.
[…]
Muitos relatos apontam para uma maior necessidade, especialmente
nas áreas onde a distância é um fator crítico para a oferta de serviços
ligados à saúde, de serviços de telemedicina. É imenso o potencial da
telemedicina para superar as desigualdades crônicas do país: desigualdade social (miséria exposta e chocante) e desigualdade de preparo e
competências (médicos locais generalistas, na maioria dos casos despreparados e com pouca especialização).
A possibilidade de profissionais interagirem pode contribuir para minimizar o problema: o profissional local (médico ou enfermeiro), que
supostamente domina as noções básicas da anamnese*, teria condi-
ções de transmitir ao seu colega especialista as condições do paciente
(acompanhadas de fotos, se for o caso), salvando uma vida ou mesmo
evitando que seja perdida em razão de desinformada ação implementada
pelo profissional da Medicina conducente ao óbito.
À medida que a crise causada pela pandemia da covid-19 evolui,
reguladores e formuladores de políticas públicas reconhecem os benefícios da telemedicina e trabalham para entender e remover problemas
jurídicos da matéria (legislação aplicável, normas éticas dos Conselhos
de Medicina etc.) e encontrar as melhores opções tecnológicas. A prestação de serviços de telemedicina requer o atendimento de rigorosos
requisitos, daí por que as instituições públicas e privadas devem encontrar abordagens perspicazes e práticas para escolha de fornecedores,
desenvolvedores e demais parceiros no desenvolvimento de sistemas
de telessaúde exequíveis em conformidade com as leis e requisitos
regulamentares. […]
PENTEADO, Mauro Rodrigues. Telemedicina, pandemia e desigualdade.
Disponível em: <https://jornal.usp.br/artigos/telemedicina-pandemia-e-desigualdade>.
Acesso em: 11 ago. 2020.
Anamnese: conjunto de perguntas que um profissional de saúde faz
para um paciente com o objetivo de estabelecer um ponto inicial no diagnóstico de uma doença.
4. O trecho do texto em que se encontra a tese defendida pelo autor é
( A ) “Telemedicina é uma área da telessaúde que oferece suporte diagnóstico remotamente […].”
( B ) “A prestação de serviços de telemedicina requer o atendimento de
rigorosos requisitos […].”
( C ) “É imenso o potencial da telemedicina para superar as desigualdades
crônicas do país […].”
( D) “[…] reguladores e formuladores de políticas públicas reconhecem
os benefícios da telemedicina […].”
( E ) “A possibilidade de profissionais interagirem pode contribuir para
minimizar o problema […].”
5. De acordo com o texto, a telemedicina passou a ser considerada uma maneira alternativa de suprir as necessidades de cuidados médicos porque
( A ) ela fez com que médicos generalistas conseguissem atender a um
número maior de pacientes.
( B ) a pandemia de covid-19 restringiu ou até mesmo suspendeu a possibilidade de interação pessoal.
( C ) há pesquisas atestando que ela é mais eficiente do que o atendimento
pessoal em regiões mais pobres.
( D) ela permite que médicos generalistas façam cursos a distância para
se tornarem especialistas.
( E ) ela se apresenta como uma alternativa mais barata do que o atendimento pessoal, que é mais custoso.
6. A finalidade desse texto é
( A ) defender a telemedicina.
( B ) trazer emoções para o leitor.
( C ) vender um produto para o leitor.
( D) reprovar o despreparo dos médicos.
( E ) criticar negativamente a telemedicina.
Leia o texto e responda à questão 7
No filme Matrix, clássico do gênero ficção científica, o protagonista Neo é confrontado pela descoberta de que o mundo em que vive é, na realidade,
uma ilusão construída a fim de manipular o comportamento dos seres humanos, que, imersos em máquinas que mantêm seus corpos sob controle,
são explorados por um sistema distópico dominado pela tecnologia. Embora seja uma obra ficcional, o filme apresenta características que se assemelham ao atual contexto brasileiro, pois, assim como na obra, os mecanismos tecnológicos têm contribuído para a alienação dos cidadãos, sujeitando-os aos filtros de informações impostos pela mídia, o que influencia negativamente seus padrões de consumo e sua autonomia intelectual.
Em princípio, cabe analisar o papel da internet no controle do comportamento sob a perspectiva do sociólogo contemporâneo Zygmunt Bauman. Segundo o autor, o crescente desenvolvimento tecnológico, aliado ao incentivo ao consumo desenfreado, resulta numa sociedade que anseia
constantemente por produtos novos e por informações atualizadas. Nesse contexto, possibilita-se a ascensão, no meio virtual, de empresas
que se utilizam de algoritmos programados para selecionar o conteúdo a ser exibido aos internautas com base em seu perfil socioeconômico, oferecendo anúncios de produtos e de serviços condizentes com suas recentes pesquisas em sites de busca ou de compras. Verifica-se, portanto, o impacto da mídia virtual na criação de necessidades que fomentam o consumo entre os cidadãos. Ademais, a influência do meio virtual atinge também o âmbito intelectual. Isso ocorre na medida em que, ao ter acesso apenas ao conteúdo previamente selecionado de acordo com seu perfil na internet, o indivíduo perde contato com pontos de vista que divergem do seu, o que compromete significativamente a construção de seu senso crítico e de sua capacidade de diálogo. Dessa maneira, surge uma massa de internautas alienados e despreocupados em checar a procedência das informações que recebem, o que torna ambiente virtual propício à disseminação das chamadas fake news.
Assim, faz-se necessária a atuação do Ministério da Educação, em parceria com a mídia, na educação da população – especialmente dos jovens, público mais atingido pela influência digital – acerca da necessidade do
posicionamento crítico quanto ao conteúdo exposto e sugerido na internet. Isso deve ocorrer por meio da promoção de palestras, que, ao serem
ministradas em escolas e universidades, orientem os brasileiros no sentido de buscar informação em fontes variadas, possibilitando a construção de
senso crítico. Além disso, cabe às entidades governamentais a elaboração de medidas que minimizem os efeitos das propagandas que visam incentivar o consumismo. Dessa forma, será possível tornar o meio virtual um ambiente mais seguro e democrático para a população brasileira.
BRASIL. Ministério da Educação. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais
Anísio Teixeira. Diretoria de Avaliação da Educação Básica. Redação do Enem 2019:
cartilha do participante. Brasília: Inep, 2019. p. 45.
7. A principal informação abordada no texto é
( A ) o filme de ficção científica Matrix, cujo protagonista descobre que o
mundo real é uma ilusão criada para controlar as pessoas.
( B ) o sociólogo contemporâneo Zygmunt Bauman e sua teoria sobre os
efeitos do crescente desenvolvimento tecnológico.
( C ) o fato de as fake news serem comuns e de os internautas não checarem
a procedência das informações que recebem.
( D) o modo como a tecnologia influencia os padrões de consumo e a
autonomia intelectual das pessoas.
( E ) maneiras de resolver o problema das fake news propagadas pela
alienação dos internautas.
Leia o texto e responda à questão 8.
Ao se aproximar do grupo do capitão, o poeta para; ao encontro dele vai
o capitão e pergunta:
Capitão
O amigo é, certamente,
Morador neste lugar,
E, portanto, lhe pergunto
Se, acaso, encontrou um boi,
De tão manso caminhar
Que nem sempre deixa rasto
No caminho onde passar.
Poeta
Cavaleiro e capitão,
Que está viajando a cavalo,
E vai trotando os caminhos,
Queira fazer a bondade
De descrever esse boi,
E uma por uma dizer-me
Suas nobres qualidades.
Capitão
Sua cor é clara – branca
Com leves manchas douradas,
Os cascos são cristalinos,
Os chifres são nacarados*.
Poeta
Ah! Ah! Senhor capitão!
Há muitos anos que estou
À procura desse boi:
É o animal mais formoso,
Que já neste mundo foi
Imaginado; mas, saiba:
Em vão, em vão, procurei...
E desse boi tão bonito
Nem mesmo a sombra encontrei.
Mateus
[Compreendendo a fantasia do poeta.]
Amigo, queira indicar-me
Onde é que, nesta região,
Pasta o gado, pois pretendo
Adquirir duas novilhas [...]
Poeta
Gado? Por aqui, há muito
Que não pasta mais o gado:
Somente, de vez em quando,
Pela curva do valado*
Se vê um boi de perneira*,
Um bezerro transviado*
Passear de motoneta*,
De pelo e de cara preta;
Mas gado mesmo não há.
E um boi assim tão bonito,
Como vocês descreveram,
Há muito que não se encontra
Em terras de Pernambuco.
Bastião
[Puxando pela manga do capitão.]
Ih! Ih! Este de onde veio?
Meu capitão, vamos indo,
Que este sujeito é maluco...
Capitão
[Estendendo a mão ao poeta.]
Bem, obrigado. Até...
[O poeta continua o seu caminho, desaparece.]
Mateus
[Passando rapidamente a mão pela cabeça e olhando para cima.]
Vôtes*!!...
Bastião
Que foi?
Mateus
Aquele bichinho
[Aponta para uma patativa* que está num ramo]
Pingou na minha cabeça.
Bastião
Ora, Mateus, se console
Dessa má sorte imprevista.
Pois imagine que o pingo
Podia vir de uma vaca
Fardada e paraquedista
CARDOZO, Joaquim. De uma noite de festa. Teatro de Joaquim Cardozo.
Recife: Cepe, 2017.
Nacarados: com cor de madrepérola (rosada e brilhante).
Valado: elevação de terra que identifica os limites de uma propriedade rural.
Perneiras: tipo de bota.
Transviado: que não obedece aos padrões comportamentais.
Motoneta: veículo parecido com uma bicicleta, mas que tem um assento no lugar do selim, é motorizado e tem rodas menores do que as da motocicleta.
Vôtes: expressão de espanto.
Patativa: tipo de pássaro.
8. A parte principal do texto é
( A ) “Cavaleiro e capitão, / Que está viajando a cavalo, / E vai trotando os
caminhos, / Queira fazer a bondade / De descrever esse boi [...].”
B ) “Se vê um boi de perneira, / Um bezerro transviado / Passear de motoneta, / De pelo e de cara preta; / Mas gado mesmo não há.”.
( C ) “Sua cor é clara – branca / Com leves manchas douradas, / Os cascos
são cristalinos, / Os chifres são nacarados.”
( D) “Se, acaso, encontrou um boi, / De tão manso caminhar / Que nem
sempre deixa rasto / No caminho onde passar.”
( E ) “Ora, Mateus, se console / Dessa má sorte imprevista. / Pois imagine
que o pingo / Podia vir de uma vaca / Fardada e paraquedista”.
Leia o texto e responda à questão 9.
Primeiramente, no presente auto, se figura que chegamos subitamente a um rio, o qual per força havemos de passar em um de dous batéis* que
naquele porto estão, um deles passa para o paraíso e o outro para o inferno: os quais batéis tem cada um seu arrais* na proa: o do paraíso um anjo, e o do inferno um arrais infernal e um companheiro. [...] O primeiro interlocutor é um Fidalgo* que chega com um Paje*, que lhe leva um rabo mui comprido e uma cadeira de espaldas. [...]
Fidalgo — Esta barca onde vai?
Diabo — Para o inferno, senhor.
Fidalgo — E passageiros achais para tal habitação?
Diabo — Vejo-vos eu em feição para ir ao nosso cais...
Fidalgo — Parece-te a ti assim!...
Diabo — Em que esperas ter guarida?
Fidalgo — Que leixo* na outra vida quem reze sempre por mim.
Diabo — Quem reze sempre por ti?!.. Hi, hi, hi, hi, hi, hi, hi!... E tu viveste a teu prazer, cuidando cá guarnecer por que rezam lá por ti?!... Embarca — ou embarcai... que haveis de ir à derradeira!
Fidalgo — Quê? Quê? Quê? Assim lhe vai?!
Diabo — Vai ou vem! Embarcai prestes! Segundo lá escolhestes, assim cá
vos contentai. Pois que já a morte passastes, haveis de passar o rio.
Fidalgo — Não há aqui outro navio?
Diabo — Não, senhor, que este fretastes, e primeiro que expirastes me
destes logo sinal.
Fidalgo — Que sinal foi esse tal?
Diabo — Do que vós vos contentastes.
Fidalgo — A estoutra barca me vou.
Anjo — Que quereis?
Fidalgo — Que me digais, pois parti tão sem aviso, se a barca do Paraíso é esta em que navegais.
Anjo — Esta é; que demandais?
Fidalgo — Que me leixeis embarcar. Sou fidalgo de solar, é bem que me recolhais.
Anjo — Não se embarca tirania neste batel divinal.
Fidalgo — Não sei porque haveis por mal que entre a minha senhoria...
Anjo — Para vossa fantasia mui estreita é esta barca.
Fidalgo — Para senhor de tal marca nom há aqui mais cortesia? Venha a prancha e atavio! Levai-me desta ribeira!
Anjo — Não vindes vós de maneira para entrar neste navio. Essoutro vai mais vazio: a cadeira entrará e o rabo caberá e todo vosso senhorio. Ireis lá mais espaçoso, vós e vossa senhoria, cuidando na tirania do pobre povo queixoso. E porque, de generoso, desprezastes os pequenos, achar-vos-eis tanto menos quanto mais fostes fumoso*.
Diabo — À barca, à barca, senhores!
Fidalgo — Ao Inferno, todavia! Inferno há i para mi? Oh triste! Enquanto vivi não cuidei que o i havia: Tive que era fantasia! Folgava ser adorado,
confiei em meu estado e não vi que me perdia. Venha essa prancha! Veremos esta barca de tristura.
Diabo — Embarque vossa doçura, que cá nos entenderemos... Entrai,
meu senhor, entrai: Ei la prancha! Ponde o pé...
Fidalgo — Entremos, pois que assim é.
Diabo — Ora, senhor, descansai, passeai e suspirai. Em tanto virá mais gente.
Fidalgo — Ó barca, como és ardente! Maldito quem em ti vai!
VICENTE, Gil. O auto da barca do inferno. Disponível em: <http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraDownload.do select_action=&co_obra=16646&co_midia=2>. Acesso em: 21 ago. 2020.
Batéis: barcos. - Arrais: comandante. - Fidalgo: nobre, aristocrata. - Paje: empregado. - Leixar: deixar. - Fumoso: vaidoso.
9. As personagens presentes nessa história são
( A ) o Fidalgo e seu companheiro, o Diabo e o Anjo.
( B ) o Diabo, o companheiro dele, o Anjo e o Fidalgo.
( C ) o Fidalgo, o Paje, o Anjo, o Diabo e o companheiro dele.
( D) o Diabo, o Anjo e seu companheiro, o Fidalgo e o Paje.
( E ) o Anjo, o arrais infernal (Diabo) e o fidalgo.
Leia o texto e responda à questão 10.
Fio de corte
Quando retirei a faca da mala de roupas, embrulhada em um pedaço de
tecido antigo e encardido, com nódoas escuras e um nó no meio, tinha
pouco mais de sete anos. Minha irmã, Belonísia, que estava comigo, era
mais nova um ano. [...] Ao percebermos nossa avó se afastar da casa pela
lateral do terreiro, nos olhamos em sinal de que o terreno estava livre, para
em seguida dizer que era a hora de descobrir o que Donana escondia na
mala de couro, em meio às roupas surradas com cheiro de gordura rançosa. Donana notava que crescíamos e, curiosas, invadíamos seu quarto para
perguntar sobre as conversas que escutávamos e sobre as coisas de que
nada sabíamos, como os objetos no interior de sua mala. A todo instante
éramos repreendidas por nosso pai ou nossa mãe. Minha avó, em particular,
só precisava nos olhar com firmeza para sentirmos a pele arrepiar e arder,
como se tivéssemos nos aproximado de uma fogueira.
Por isso, ao vê-la se afastar em direção ao quintal, olhei para Belonísia.
Decidida a revirar suas coisas, não hesitei em caminhar, na ponta dos pés,
em direção ao quarto, para abrir a mala de couro envelhecida, com manchas e uma grossa camada de terra acumulada sobre ela. A mala, durante
toda a nossa existência, até então, estava debaixo da cama. Eu mesma fui
para o quintal espiar pela porta e ver vó Donana se arrastando em direção
à mata, que ficava depois do pomar e da horta, depois do galinheiro com
seus poleiros velhos. [...]
Belonísia se enfiou debaixo da cama e puxou a mala. O couro de caititu
que cobria as imperfeições do chão de terra se encolheu sob seu corpo.
Abri a mala sozinha, sob nossos olhos luminosos. [...] E no meio das roupas
mal dobradas e arrumadas havia um tecido sujo envolto no objeto que nos
chamou a atenção, como se fosse a joia preciosa que nossa avó guardava
com todo seu segredo. Fui eu quem desatou o nó, atenta à voz de Donana
que ainda estava distante. Vi os olhos de Belonísia cintilarem com o brilho
do que descobríamos como se fosse um presente novo, forjado de um metal
recém-tirado da terra. Levantei a faca, que não era grande nem pequena
diante dos nossos olhos, e minha irmã pediu para pegar. Não deixei, eu
veria primeiro. [...]
JUNIOR, Itamar Vieira. Torto arado. São Paulo: Todavia, 2019. E-book.
10. O conflito em torno do qual se desenvolve a narrativa é o fato de as duas
irmãs
( A ) ficarem observando a avó Donana ir à mata.
( B ) terem ganhado um presente novo da avó Donana.
( C ) gostarem de ouvir as conversas de outras pessoas.
( D) quererem descobrir o que a avó guardava dentro da mala.
( E ) serem repreendidas tanto pelos pais quanto pela avó Donana.
Leia o texto e responda às questões 11 e 12.
Resenha: A amiga genial, de Elena Ferrante
Os grandes romances de formação têm o poder de tocar de diferentes formas seus variados leitores. Suas interpretações podem ser tão múltiplas quanto o número daqueles que se arriscam a compreendê-los. Divertem, informam, instruem, mas, acima de tudo, incomodam. […]
Assim é com A amiga genial, de Elena Ferrante. Esse livro é o primeiro de uma série de quatro volumes, conhecidos como a “Série Napolitana” ou “Tetralogia Napolitana”. A narrativa acompanha a história de duas amigas, ainda crianças,
que eram vizinhas num bairro pobre de Nápoles na época do pós-guerra – começando na década de 1950 – e segue até a velhice das duas. Nesse primeiro livro, A amiga genial, Elena Greco – a narradora – e Raffaella Cerullo disputam, inconscientemente, o posto de melhor aluna da classe. Elena, mais conhecida como Lenu, é inteligente e organizada; Raffaella, apelidada de Lina ou Lila, é indisciplinada e muito mais inteligente, do tipo que precisa fazer muito menos esforço para compreender os assuntos, e por isso mesmo se entedia fácil. […]
A HBO adaptou o primeiro livro para uma série de TV com o mesmo nome. A adaptação está muito fiel, mas não sensibiliza da mesma forma, talvez
por faltar aquela sensação de intimidade própria da literatura. Os principais acontecimentos estão lá, da mesma forma que foram descritos no livro, mas falta a sensação de confissão no pé do ouvido deixada pela obra escrita.
SANTOS, José Fagner Alves. Resenha: A amiga genial, de Elena Ferrante.
Disponível em: <https://editorialivre.com.br/resenha-a-amiga-genial-de-elena-ferrante>.
Acesso em: 11 ago. 2020.
11. Quanto à linguagem empregada no texto, é correto afirmar que
( A ) predominam termos técnicos, típicos de textos críticos voltados para
especialistas.
( B ) a clareza do texto é garantida por uma linguagem predominantemente denotativa.
( C ) se verifica um falar caipira na resenha, a fim de reproduzir o falar de
Nápoles.
( D) há um humor no texto, que apela para uma linguagem predominantemente conotativa.
( E ) a ironia é marca constante no texto, a qual é alcançada por expressões
informais.
12. Em qual frase do texto há relação de causa e consequência?
( A ) “Suas interpretações podem ser tão múltiplas quanto o número daqueles que se arriscam a compreendê-los.”
( B ) “Esse livro é o primeiro de uma série de quatro volumes, conhecidos
como a ‘Série Napolitana’ ou ‘Tetralogia Napolitana’.”
( C ) “Nesse primeiro livro, A amiga genial, Elena Greco – a narradora – e
Raffaella Cerullo disputam, inconscientemente, o posto de melhor
aluna da classe.”
( D) “Raffaella […] precisa fazer muito menos esforço para compreender
os assuntos, e por isso mesmo se entedia fácil.
( E ) “Os principais acontecimentos estão lá, […] mas falta a sensação de
confissão no pé do ouvido deixada pela obra escrita.”
Leia o texto e responda às questões 13 a 15.
Racismo, até quando?
A discriminação e o preconceito contra negros, infelizmente, ainda estão presentes no esporte, na política, no comércio, na educação e, principalmente, nas redes sociais. Ou seja, está em nosso dia a dia, em forma de expressões de violência (agressões verbais ou físicas) e até em simples olhares.
Para piorar, há ainda o descaso e o pleno desinteresse do poder público em combater com rigor, como deveria, o crime de racismo. Ofendidos, os negros exigem punição, mas os agressores usam a impunidade como escudo. São pessoas de índole e educação rasas. Agridem não só os pretos e pardos, mas também os valores culturais e religiosos do povo negro.
A aplicação da lei é lenta e, quando as eventuais investigações chegam ao Judiciário, o crime de racismo, imprescritível e inafiançável, é transformado
em injúria racial, punido, na maioria das vezes, com cestas básicas, mas jamais com prisão. Tudo depende da interpretação do magistrado. E como não há dados nacionais sobre as sanções aplicadas pela Justiça, não sabemos de fato se as punições ocorrem em maior ou menor número a cada ano.
Faltam rigor e determinação tanto dos legisladores quanto dos operadores da lei para dar um basta à impunidade. Até quando vamos ver ou ouvir injúrias raciais nas arquibancadas dos estádios de futebol, principalmente contra brasileiros, ou na fila do caixa de um supermercado? Estamos quase no ano 2020, precisamos nos respeitar como pessoas. Somos todos iguais. Chega de racismo. Racismo, até quando?
Disponível em: <https://ndmais.com.br/opiniao/editorial/
racismo-ate-quando>. Acesso em: 12 ago. 2020.
13. O autor do texto defende a tese de que
( A ) racismo é prática cotidiana e não tem sido combatido com a severidade devida por parte do Judiciário.
( B ) têm crescido as punições contra o crime de racismo, embora se convertam apenas em pagamento de cestas básicas.
( C ) quem comete racismo, geralmente, é formado em faculdade e vem
de família rica e tradicional.
( D) o problema do racismo é que a própria vítima, em geral, não cobra
da Justiça a punição contra o racista.
( E ) as investigações relacionadas ao crime de racismo são frequentes,
mas, em geral, não conseguem comprovar o crime.
14. Um argumento que sustenta a tese do editorial é o fato de que
( A ) aquele que comete racismo é pessoa com antecedente criminal.
( B ) o crime de racismo se converte em crime de injúria racial, de pena
mais leve.
( C ) é impossível, atualmente, saber o número exato de punições contra
racistas.
( D) não é admissível que, na segunda década do século XXI, ainda haja
racismo.
( E ) todos somos iguais perante a lei e, por isso, o racismo é inaceitável.
15. O texto apresentado no editorial tem como finalidade
( A ) apresentar dados referentes aos casos de racismo no ano de 2019.
( B ) mostrar como a escravidão no Brasil deixou um legado racista na
sociedade.
( C ) mostrar a opinião do jornal sobre o racismo e as dificuldades de
puni-lo.
( D) divulgar leis federais que estão sendo criadas para coibir o racismo.
( E ) contar histórias de pessoas que sofreram agressões de cunho racista.
Leia os textos e responda às questões 16 e 17.
Texto I
[…]
A chamada cultura do cancelamento acaba de ser objeto, nos Estados Unidos, de um manifesto de repúdio por parte de um grupo amplo, diverso e representativo de escritores, artistas e intelectuais. Publicado na revista Harper’s, o texto lembra que não há oposição entre justiça social e liberdade de expressão e que “o melhor modo de derrotar más ideias é pela discussão e pela persuasão, não por tentativas de silenciá- -las ou simplesmente desejar que não existissem”. Os ataques raivosos e coordenados contra reputações de quem exprime o que o grupo não tolera produzem bem mais que cancelamentos nos ambientes digitais e demissões nos empresariais. Eles disseminam o veneno da autocensura em terrenos críticos para a evolução da sociedade como o acadêmico e o jornalístico. Ideias deixam de ser veiculadas por medo de represália, linhas de pesquisa são abandonadas por ferir suscetibilidades, hipóteses sobre o que funciona ou não nas políticas públicas nem sequer são aventadas* a título de evitar ondas de achincalhe* contra os seus postulantes. O ensimesmamento* reduz a diversidade do debate e restringe o leque de inovações à disposição da sociedade. […]
JUSTIÇA sem censura. Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br/
opiniao/2020/07/justica-sem-censura.shtml>. Acesso em: 10 ago. 2020.
Aventadas: sugeridas. - Achincalhe: escárnio ou zombaria. - Ensimesmamento: resultado de se absorver em si mesmo, sem interesse pelo que se encontra ao redor.
Texto II
Não é culpa da liberdade de expressão que tenhamos dificuldade em entender seus limites. Toda liberdade, a despeito do que nos tenha sido ensinado, exige atenção.
Liberdade não é fazer o que queremos fazer, na hora que bem entendermos, como der na telha. Liberdade é um conceito que envolve prudência, disciplina e respeito pelo outro porque ninguém existe sozinho. Não é liberdade de expressão desumanizar. Palavras ferem, aniquilam e podem matar. Palavras importam e, como uma arma, precisam ser usadas com muito cuidado. […] Ter alguma agência sobre sua vida é ter autonomia, não liberdade. A
cultura do cancelamento nasceu dessa confusão conceitual. É perfeitamente possível, e até divertido, cancelar temporariamente uma pessoa sem reduzir sua reputação a pó. Para isso, basta que critiquemos ideias e atitudes, e não a pessoa. […]
Cancelar é legítimo se entendermos que pessoas são incanceláveis, mas ideias e valores são perfeitamente canceláveis. E que, depois de amanhã, o que foi hoje cancelado pode ser descancelado – porque a vida é movimento. Assim, a cultura do cancelamento não pode ameaçar a liberdade de
expressão. […]
LACOMBE, Milly. A chamada cultura do cancelamento representa uma ameaçaà liberdade de expressão? NÃO. Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2020/07/a-chamada-cultura-do-cancelamento-representa-uma-ameaca-aliberdade-de-expressao-nao.shtml>. Acesso em: 10 ago. 2020.
16. A expressão “como der na telha”, que aparece no segundo parágrafo do texto II, representa uma linguagem
( A ) formal, que é utilizada pontualmente nesse texto.
( B ) formal, que é utilizada na maior parte do texto.
( C ) informal, que é utilizada pontualmente nesse texto.
( D) informal, que é utilizada na maior parte do texto.
( E ) científica, bastante presente nesse texto.
17. Qual é o trecho em que há um fato sem qualquer expressão de opinião?
( A ) “[…] o melhor modo de derrotar más ideias é pela discussão e pela
persuasão, não por tentativas de silenciá-las […].”
( B ) “Os ataques raivosos e coordenados contra reputações de quem
exprime o que o grupo não tolera produzem bem mais que cancelamentos […].”
( C ) “Eles disseminam o veneno da autocensura em terrenos críticos para
a evolução da sociedade como o acadêmico e o jornalístico.”
( D) “A chamada cultura do cancelamento acaba de ser objeto, nos Estados
Unidos, de um manifesto de repúdio […].”
( E ) “É perfeitamente possível, e até divertido, cancelar temporariamente
uma pessoa sem reduzir sua reputação a pó.
Leia o texto e responda à questão 18.
A crise do transporte público para além da pandemia*
Está em tramitação no Congresso um projeto de lei que prevê auxílio de 4 bilhões de reais para o setor de transporte coletivo operado por concessionárias contratadas pelos municípios — e, em alguns casos, por governos estaduais. […]
De acordo com o projeto que está em tramitação na Câmara, municípios e estados receberão recursos para repassar às concessionárias sob
a forma de créditos eletrônicos de passagem, equivalentes ao valor da tarifa de cada localidade. É como se as empresas estivessem recebendo antecipadamente a tarifa de um número de passageiros — estes poderão usar o transporte coletivo gratuitamente após a pandemia. Os créditos,
obtidos através do subsídio federal, serão distribuídos pelos governos municipais e estaduais. Ainda está em debate a proposta de que os governos que receberem os subsídios federais deverão elaborar planos emergenciais de estímulo à mobilidade ativa e redução da poluição ambiental como contrapartida. A solução, emergencial, parece fazer sentido: as empresas não quebram e os governos ganham um instrumento de apoio social importante para incluir os mais vulneráveis no pós-pandemia. Entretanto, existem falhas nessa equação que valem a pena serem apontadas.
Na verdade, é preciso dizer que há um problema estrutural no modelo de gestão do transporte público. Não tem a ver com a pandemia, mas sim com o modelo hegemônico de remuneração do serviço, baseado no pagamento de tarifa pelos passageiros. Este modelo cria dois problemas sérios. O primeiro deles é a exclusão progressiva da população do acesso ao transporte conforme o aumento nas tarifas, que sobem sem parar, e comprometem, inclusive, outros gastos das famílias. Segundo este modelo condiciona o lucro das empresas de ônibus à quantidade de passageiros por viagem. Ou seja, quanto mais lotarem os carros, mais elas arrecadarão.
Por isso, há toda uma luta histórica dentro do setor de transporte para que as empresas prestadoras sejam remuneradas pelo custo da viagem,
por quilômetro, e não por passageiro. Sem depender da tarifa, esse transporte coletivo seria mais eficiente, com qualidade, mais confortável. […]
A questão fundamental durante a pandemia é como garantir transporte coletivo de qualidade e seguro sem lotar os ônibus. A questão no pós-pandemia é como isso pode se transformar em um modelo futuro, mobilizando subsídios, mas também evidentemente exigindo algum tipo de compensação, de contrapartida, por parte das empresas. […]
ROLNIK, Raquel. A crise do transporte público para além da pandemia. Disponível em:
<https://raquelrolnik.blogosfera.uol.com.br/2020/07/30/a-crise-do-transporte-publicopara-alem-da-pandemia/>. Acesso em: 10 ago. 2020.
*Pandemia de covid-19, que teve início no Brasil em março de 2020.
18. O trecho do artigo que apresenta uma opinião da autora é
( A ) “Está em tramitação no Congresso um projeto de lei que prevê
auxílio de 4 bilhões de reais para o setor de transporte coletivo
[…].”
( B ) “A solução, emergencial, parece fazer sentido: as empresas não
quebram e os governos ganham um instrumento de apoio social
[…].”
( C ) “[…] governos que receberem os subsídios federais deverão
elaborar planos emergenciais de estímulo à mobilidade ativa
[…].”
( D) “[…] há toda uma luta histórica dentro do setor de transporte
para que as empresas prestadoras sejam remuneradas pelo custo
da viagem […].”
( E ) “[…] municípios e estados receberão recursos para repassar às
concessionárias sob a forma de créditos eletrônicos de passagem
[…].”
Leia o texto e responda à questão 19.
Erro de português
Quando o português chegou
Debaixo de uma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena!
Fosse uma manhã de sol
O índio tinha despido
O português.
ANDRADE, Oswald. Poesia reunida. São Paulo: Global, 2000. p. 9.
19. A partir da leitura do poema, pode-se afirmar que seu tema é
( A ) a lamentação do português diante da nudez dos povos nativos
do Brasil.
( B ) o problema de comunicação entre colonizadores e colonizados.
( C ) a constante chuva tropical que assola a maior parte do Brasil
D) a imposição cultural do europeu sobre os povos indígenas
brasileiros.
( E ) a nudez incomum dos povos indígenas nos dias em que o clima
está ruim.
Leia o texto e responda à questão 20.
Hóspedes naturais
[…] Desde que foi identificado na China em dezembro de 2019, o novo coronavírus se tornou onipresente. Espalhou-se pelos principais centros urbanos do mundo, infectou ao menos 5 milhões de pessoas e deixou mais de 320 mil mortos, em uma pandemia que assusta pela velocidade de disseminação.
Em pouco tempo, lotou hospitais, alterou os hábitos da população e o funcionamento das cidades. Não demorou e era encontrado até nas áreas mais remotas do planeta, de tribos indígenas no interior da Amazônia às terras altas e frias do Reino do Butão, nos Himalaias. O novo coronavírus, no entanto, é apenas uma das centenas de milhares – talvez milhões – de espécies de vírus que se estimam existir e que, por causa dos sistemas de transporte modernos, conseguem se disseminar com uma agilidade impensável décadas atrás. Diante desse cenário, é interessante, ou melhor, importante, conhecer mais o que de fato são os vírus e como apareceram e se espalharam por todos os cantos da Terra esses seres tão diminutos, feitos basicamente de material genético e proteínas, às vezes capazes de causar doenças devastadoras.
Um trabalho recente ajuda nessa tarefa. Em um artigo publicado em março deste ano na revista Microbiology and Molecular Biology Reviews, um grupo internacional de virologistas criou o primeiro sistema amplo de classificação dos vírus e, ao reagrupar as espécies segundo o grau de semelhança genética, concluiu que eles surgiram ao menos quatro vezes nos 4,6 bilhões de anos de história do planeta. O primeiro aparecimento teria ocorrido antes de os primeiros seres vivos formados por células despontarem na Terra há pelos menos 3,5 bilhões de anos. Nas outras três vezes é provável que formas rudimentares de células já existissem. […]
Os vírus são os grandes causadores de epidemias. Apenas neste século já são cinco: três por coronavírus, uma por zika e outra por ebola. Por essa razão e pelo fato de eles serem muitos e muito diversos, os especialistas recomendam há tempos que se mantenha o olho nos vírus. […]
ZORZETTO, Ricardo. Hóspedes naturais. Disponível em: <https://revistapesquisa.
fapesp.br/hospedes-naturais/>. Acesso em: 15 ago. 2020.
20. No trecho “O novo coronavírus, no entanto, é apenas uma das centenas de milhares – talvez milhões – de espécies de vírus que se estimam existir […].”, os travessões servem para
( A ) intercalar uma dúvida e poderiam ser substituídos por vírgulas.
( B ) explicar uma informação e poderiam ser substituídos por pontos e
vírgulas.
( C ) introduzir uma alternativa e poderiam ser substituídos por
reticências.
( D) conversar diretamente com o leitor e poderiam ser substituídos por
aspas.
( E ) indicar uma fala de um diálogo e poderiam ser substituídos por
parênteses.
Leia o texto e responda à questão 21.
AMARELO... VERMELHO! A briga com o pai, os boletos impiedosos, o filho no hospital, o chefe... VERDE!!! Os problemas já vão ficando pequenos no retrovisor...
Elaborado pelo autor.
21. No trecho “A briga com o pai, os boletos impiedosos, o filho no hospital, o chefe...”, a expressão em destaque é utilizada para dar a entender que a personagem
( A ) tem dificuldades para pagar suas contas.
( B ) pediu dinheiro emprestado ao pai.
( C ) não consegue encontrar seus boletos.
( D) está em dia com todas as suas contas.
( E ) gasta dinheiro com coisas supérfluas.
Leia o texto e responda à questão 22.
Futuro do pretérito
Não sei como é pra vocês, mas eu acho complicado ser brasileiro. Sinto-me como alguém que casou com uma pessoa cheia de defeitos na expectativa de mudá-la. Por isso a frase “o Brasil é o país do futuro” [...] vem bem a calhar. O que eu amo não é tanto o país em que vivo, é uma projeção do que o país poderia ser se... E se e se e se e se e se e se e se e se e bota “se” aí.
Às vezes o Brasil é uma esperança, às vezes um delírio e na maior parte do tempo é apenas uma triste constatação. Impossível nos divorciarmos, contudo: mesmo que eu fosse pras ilhas Fiji eu continuaria a ser brasileiro. Foi aqui que nasci, é em português que eu falo, penso, sonho e crio os meus filhos, então só me resta agarrar-me a esta projeção e amar esta ideia vaga do que nós um dia poderíamos ser. (Não é à toa que conjugo o verbo «poder» no futuro do pretérito, esse tempo verbal banhado em melancolia).
Meu amigo Gustavo me mostrou outro dia o anúncio de um apartamento à venda com a seguinte frase: “Grande potencial para reforma!”. Maneira não muito sutil que a imobiliária arrumou para informar que o imóvel estava caindo aos pedaços. “O Brasil é o país do futuro” não deixa de ter o mesmo significado: se é no futuro que nos realizaremos é porque no presente, bem, tá cheio de taco solto, fiação podre, infiltrações e trincas.
No entanto, postergando as reformas, aqui vivemos. É muito esquisito ser brasileiro. [...]
PRATA, Antonio. Futuro do pretérito. Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br/colunas/antonioprata/2019/03/futuro-do-preterito.shtml>.
Acesso em: 14 ago. 2020.
22. O uso da expressão “banhado em melancolia” para se referir ao futuro do pretérito indica que esse tempo verbal
( A ) é usado apenas na conjugação de verbos que tenham um significado
negativo ou estejam relacionados à tristeza.
( B ) é muito pouco usado, uma vez que é mais comum o uso de verbos
conjugados no futuro do presente.
( C ) é considerado o mais difícil de ser conjugado, o que faz com que as
pessoas evitem empregá-lo.
( D) demonstra um fato que poderia ter acontecido no passado, mas que
não aconteceu.
( E ) demonstra um fato que acontecerá no futuro, mas que está condicionado a ações realizadas no presente.
Leia o texto e responda à questão 23.
VENDE FRANGO-SE
Alguém encontrou esta pérola escrita numa placa em frente a um mercadinho de um morro do Rio: “Vende frango-se”. É poesia? Piada? Apenas mais um erro de português? É a vida e ela é inventiva. Eu, que estou sempre correndo atrás de algum assunto para comentar, pensei: isso dá samba, dá letra, dá crônica. Vende frango-se, compra casa-se, conserta sapato-se.
Prefiro isso aos “q tc cmg?” espalhados pelo mundo virtual, prefiro a ingenuidade de um comerciante se comunicando do jeito que sabe, é o “beija eu” dele.
Vende carne-se, vende carro-se, vende geleia-se. Não incentivo a ignorância, apenas concedo um olhar mais adocicado ao que é estranho a tanta gente, o nosso idioma. Tão poucos estudam, tão poucos leem, queremos o quê? Ao menos trabalham, negociam, vendem frangos, ao menos alguns compram e comem e os dias seguem, não importa a localização do sujeito indeterminado. Vive-se.
Talvez eu tenha é ficado agradecida por esse senhor ou senhora que se anunciou de forma errônea, porém inocente, já que é do meu feitio também trocar algumas coisas de lugar, e nem por isso mereço chicotadas, ao contrário: o comerciante do morro me incentivou a me perdoar. Esquecer o nome de um conhecido, não reconhecer uma voz ao telefone, chamar Gustavos de Olavos, confundir os verbos e embaralhar-se toda para falar: sou a rainha das gafes, dos tropeços involuntários. Tento transformar em folclore, já que falta de educação não é. Conserta destrambelhada-se. Eu me ofereço como cliente. Quem não? Sabemos todos como é constrangedor não acertar, mas lá do alto do seu boteco, ele nos absolve. Ele, o autor de um absurdo, mas um absurdo muito delicado.
Vende frango-se, e eu acho graça, e achar graça é uma coisa boa, sinal de que ainda não estamos tão secos, rudes e patrulheiros, ainda temos grandeza para promover o erro alheio a uma inesperada recriação da gramática, fica eleito o dono da placa o Guimarães Rosa do morro, vale o que está escrito, e do jeito que está escrito, uma vez que entender todos entenderam. Fica aqui minha homenagem à imperfeição.
MEDEIROS, Martha. Doidas e Santas. Porto Alegre: L&PM, 2010. E-book.
23. No trecho “Conserta destrambelhada-se.”, a autora redige a frase dessa forma porque quer
( A ) humilhar o comerciante que escreveu “vende frango-se” em seu
estabelecimento.
( B ) demonstrar que, em contextos informais, os erros gramaticais são
permitidos.
( C ) mostrar que um erro gramatical impede que se dê sentido às ideias.
( D) provar que é possível ser compreendida apesar dos erros gramaticais.
( E ) emplacar uma nova regra de colocação pronominal na Língua
Portuguesa.
Leia o texto e responda à questão 24.
Burrocracia
Recebi convite para participar de um evento literário em João Pessoa. Já quase não viajo a trabalho, preciso ficar mais tempo no meu escritório,
mas respondi que, dependendo da data, talvez conseguisse ir. Foi então que me chegou uma lista de documentos que eu deveria providenciar para viabilizar minha participação. Não acreditei. [...] Eu teria que passar uma semana percorrendo cartórios e ainda contratar um advogado, ou dois. Muito grata, mas fica para a próxima.
Nunca vi um país se entravar tanto. Nada avança em ritmo razoável. [...] Afora maledicências, pilantragens e disputas de poder, ainda temos a questão da papelada: é um milhão de pareceres, assinaturas, carimbos e rubricas que impedem o andar da carruagem. Pois é, ainda estamos nos tempos da
carruagem, trotando. [...] Como não imagino que haja almas satânicas por trás das administrações, só posso concluir que a burocracia tem algo a ver com isso. Quantos estudos, laudos, aprovações, orçamentos, prazos remarcados, projetos refeitos serão necessários para resolver nossas pendências? É o país da novela – mesmo.
Fizemos progresso na emissão de documentos pessoais – hoje se pode tirar uma certidão de nascimento ou uma carteira de identidade sem trâmites e demoras, mas ainda falta, como falta, para a gente ser uma nação que flui. A expressão “é pra ontem”, que configura a pressa, passou a ser literal. Não conseguimos sair do ontem e entrar no amanhã.
Os reféns da burocracia se defendem dizendo que não é culpa deles, exige-se o cumprimento da lei, e estão certos, senão vira bagunça. Mas alguém lá em cima, com a caneta na mão, tem o dever de promover mais agilidade nesse Brasil que só é rápido na informalidade. Há que se encontrar um meio de trabalhar de forma legal e ao mesmo tempo atender às demandas em prazo de país desenvolvido, que é o que almejamos ser.
O que é preciso para promover a desburocratização? Claro, uns 3.479 estudos de viabilidade. Pocotó, pocotó.
MEDEIROS, Martha. A graça da coisa. São Paulo: L&PM, 2013. E-book.
24. Ao escrever “burrocracia” no lugar de “burocracia”, no título do texto, a autora tem a intenção de
( A ) dar indícios ao leitor de que o texto será escrito com uma linguagem
marcada pela oralidade.
( B ) expor sua opinião sobre a burocracia, que considera um atraso no
desenvolvimento do país.
( C ) fazer uma autocrítica, demonstrando que desconhece o sentido da
palavra burocracia.
( D) antecipar a crítica aos desvios em relação à norma culta encontrados
em alguns documentos oficiais.
( E ) questionar o uso de palavras de origem francesa, uma vez que burocracia vem de bureau (escritório).
Leia os textos e responda à questão 25.
Texto I
La la land está para os musicais clássicos de Hollywood assim como a trilogia O hobbit está para O senhor dos anéis: você reconhece ótimos momentos, percebe que muitos destes vieram dos anteriores, sente certo prazer originado da nostalgia, mas, mesmo que admire a nova versão, sempre que a discute acaba usando uma variação da frase “Mas claro que nem se compara aos originais”. Sim, é um filme que provoca sua parcela de encantamento, mas esta acaba se parecendo com um doce cujo gosto desaparece logo depois de ser engolido e do qual começamos a nos esquecer com uma rapidez maior do que a esperada.
VILLAÇA, Pablo. La la land: cantando estações. Disponível em: <https://www.cinemaemcena.com.br/critica/filme/8348/la-la-land-cantando-estacoes>.
Acesso em: 10 ago. 2020.
Texto II
Ensolarado e absurdamente colorido, o musical [La la land – cantando estações] emprega imagens do passado, registradas nos muros e fachadas de Hollywood, nos cartazes e outdoors da cidade […]. Chazelle [diretor do filme] fica de olho nos clássicos, absolutamente respeitoso e reverente a eles. Mas a grande virtude de La la land é ser como a ponte do viaduto do início do filme… uma ligação entre duas eras, pensando no público. E – por que não? – o educando.
BORGO, Érico. La la land: cantando estações.Disponível em: <https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/la-la-land-critica>.
Acesso em: 10 ago. 2020.
25. Em relação às críticas a La la land – cantando estações, pode-se compreender que,
( A ) no texto I e no texto II, avalia-se negativamente a forma com que a
nostalgia de Hollywood é retratada nesse musical.
( B ) no texto I e no texto II, entende-se que esse musical supera em qualidade os filmes originais nos quais ele foi inspirado.
( C ) no texto I, não se admitem quaisquer qualidades do filme, e, no texto
II, são apresentados defeitos desse musical.
( D) no texto I, apesar de se exaltarem algumas qualidades, o filme não
é considerado memorável, e, no texto II, há uma visão favorável ao
musical.
( E ) no texto I e no texto II, chega-se à conclusão de que a virtude desse
filme é educar o público sobre a cultura dos musicais.
Leia o texto e responda à questão 26.
“Homeschooling”: a prática de educar em casa
A escola contemporânea tem sido objeto de críticas e questionamentos por parte de inúmeros setores da vida social. Há claramente uma crise nas imagens pelas quais a escola é representada para a população. E isso não acontece somente no Brasil. Um dos efeitos disso consiste no aumento de uma nova modalidade de educação – o homeschooling ou educação doméstica.
Os adeptos do ensino doméstico ou domiciliar alegam que há brechas na legislação brasileira, o que possibilita a defesa dessa modalidade de educação.
Afirmam, para isso, basicamente os princípios de liberdade de escolha do tipo de instrução que os pais desejam dar a seus filhos. Mais do que isso, criticam o sistema de ensino por sua homogeneidade, argumentam que há defasagens estruturais no modelo de ensino público brasileiro, declaram questões de violência, de drogas e de bullying em sala de aula. Alegam também argumentos de foro religioso e moral.
Entre os próprios representantes do Poder Judiciário, não há acordo no que diz respeito à autorização e à regulamentação dessa prática. Há juízes favoráveis, que encontram brechas na legislação e propõem sua flexibilização; e outros se opõem. Os argumentos contrários são aqueles que se reportam à dimensão socializadora da escola. A escola, além de ensinar a ler, a escrever e a contar – no sentido clássico –, é uma “forma de socialização”.
De todo modo, trata-se de um problema que, pelo visto, será pauta de um futuro próximo. Quem viver verá.
BOTO, Carlota. “Homeschooling”: a prática de educar em casa.Disponível em: <https://jornal.usp.br/artigos/homeschooling-a-pratica-de-educar-em casa>.Acesso em: 12 ago. 2020.
26. Em relação às opiniões sobre o homeschooling encontradas no artigo, pode-se afirmar que
( A ) alguns educadores são contrários a essa modalidade de ensino, pois
seus empregos estariam ameaçados.
( B ) pais que defendem o homeschooling dizem que seus filhos podem se
dedicar mais às suas matérias preferidas.
( C ) pessoas contrárias à educação doméstica defendem que as crianças
em casa podem estar sujeitas à violência doméstica.
( D) aqueles que defendem que a criança deve ser educada em casa usam
como argumento a maior interação entre os membros da família.
( E ) juízes que discordam do homeschooling temem que crianças que não
vão à escola possam ter prejudicada a habilidade de conviver com
outras crianças
