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Classicismo e Barroco

Total questions: 11

Worksheet time: 26mins

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1.

A admiração é filha da ignorância, porque ninguém se admira senão das coisas que ignora, principalmente se são grandes; e mãe da ciência, porque admirados os homens das coisas que ignoram, inquirem e investigam as causas delas até as alcançar, e isto é o que se chama ciência.

Acima, o texto do Padre Antônio Vieira se relaciona à estética do Barroco em virtude de:

a)

torneios mentais de grande expressividade, criando um labirinto de ideias.

b)

linguagem de índole clássica, em virtude da conceituação exata da admiração.

c)

um exercício tautológico de pouca inovação, já que traz as ideias classicistas.

d)

um auto de fé para conversão do gentio, na esteira da literatura catequética.

2.

Os versos de Gregório de Matos, poeta baiano, identificam uma das linhas-mestras do Barroco, a saber:

a)

uso de prosopopeia, ao elevar à humanidade elementos como Sol e Luz.

b)

uso de vocabulário religioso, na esteira dos conflitos decorrentes da Reforma Protestante.

c)

antítese e uso de adversativas, com intuito de criar um efeito obscuro e complexo.

d)

índole de resgate aos pressupostos da arte grega, demonstrando equilíbrio de formas e temas.

3.

O todo sem a parte não é todo;
A parte sem o todo não é parte;
Mas se a parte o faz todo sendo parte,
Não se diga que é parte, sendo todo.

O poema a seguir exemplifica a tensão entre parte e todo, uma reflexão que indica a aproximação do conceito de conceptismo no barroco por Gregório de Matos. Assinale a alternativa correta:

a)

O conceptismo, presente na obra de Gregório de Matos, valoriza sobretudo o jogo de ideias e argumentos lógicos, contrapondo-se ao exagero formal presente no cultismo, ambos elementos essenciais do barroco.

b)

A literatura barroca, representada por Gregório de Matos, evita o uso de antíteses e paradoxos, preferindo clareza absoluta para valorizar a transcendência espiritual.

c)

O conceptismo enfatiza a ornamentação exagerada da linguagem, buscando confundir o leitor por meio de imagens rebuscadas e longas descrições, característica que não aparece na obra do poeta barroco brasileiro.

d)

Gregório de Matos utiliza exclusivamente a poesia lírica e religiosa, afastando-se do caráter satírico e do uso de jogos argumentativos típicos do conceptismo.

4.

Considerando o trecho do poema Senhora Dona Bahia, de Gregório de Matos, assinale a alternativa que melhor relaciona a crítica satírica do autor com a realidade da formação da sociedade colonial brasileira.

a)

Gregório de Matos rejeita a influência dos europeus, defendendo a autonomia completa dos povos indígenas frente à colonização portuguesa.

b)

O trecho valoriza a força dos colonos portugueses que, por meio de seu poder, impõem ordem e progresso aos indígenas sem resistência efetiva.

c)

O poeta exalta a generosidade da Bahia ao acolher tanto os portugueses quanto os indígenas, destacando a harmonia entre os povos da colônia.

d)

Gregório denuncia a opressão econômica e social pelos portugueses aos nativos e à população local, que se calam diante da exploração.

5.

Sobre o poema a seguir, de Gregório de Matos, que critica o cenário da Bahia colonial, analise as afirmativas e assinale a alternativa correta:

a)

O texto exalta a capacidade dos governadores coloniais de conduzir a cidade com rigor e eficiência, valorizando a ordem social e a vigilância comunitária para o bem comum.

b)

Gregório de Matos celebra a diversidade cultural da Bahia, destacando a harmonia entre portugueses, mulatos e nativos, enfatizando a prosperidade dos mercados locais.

c)

O poema satiriza a incompetência e a corrupção da administração colonial, ao mesmo tempo em que revela tensões raciais e graves desigualdades econômicas.

d)

O poema utiliza linguagem barroca para louvar a justiça e a prosperidade da Bahia no século XVII, mostrando a esperança num futuro brilhante para seus habitantes.

6-7.

O amor é finalmente
um embaraço de pernas,
uma união de barrigas,
um breve tremor de artérias
Uma confusão de bocas,
uma batalha de veias,
um reboliço de ancas,
quem diz outra coisa é besta.

Gregório de Matos

Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.

Camões

6.

Sobre as concepções distintas de amor dos dois poetas, assinale a alternativa correta:

a)

As concepções de amor dos dois poetas são idênticas, evidenciando que ambos rejeitam a paixão humana e exaltam apenas o amor platônico.

b)

Camões retrata o amor como experiência espiritual e paradoxal, ao passo que Gregório de Matos enfatiza sua dimensão física e mundana, revelando o barroco com sua veia satírica e realista.

c)

Ambos os poetas expressam exclusivamente a visão idealizada do amor, negando qualquer aspecto físico ou terreno do sentimento.

d)

Gregório de Matos adota um tom erudito e místico, alinhado ao classicismo renascentista, enquanto Camões se aproxima do sarcasmo popular típico do barroco.

7.

Considerando o uso das figuras de linguagem e as características estéticas dos autores, assinale a alternativa correta:

a)

Camões explora paradoxos e metáforas para um amor idealizado e espiritualizado, ao equilíbrio clássico, enquanto Gregório usa linguagem corporal e imagens explícitas para revelar o amor carnal e satírico, próprio do Barroco.

b)

Gregório de Matos utiliza somente figuras objetivas e concretas, rejeitando metáforas e paradoxos, ao passo que Camões se limita ao uso direto de linguagem sem artifícios para descrever o amor.

c)

Ambos os autores empregam a mesma estratégia discursiva ao tratar o amor, preferindo o uso de figuras complexas e exageros barrocos para representar o sentimento amoroso.

d)

Embora Camões retrate o amor por imagens corporais explícitas e humorísticas, Gregório de Matos aborda o tema de maneira sofisticada e abstrata, com uma linguagem neutra e racional.

8.

Sobre o soneto "Busque Amor novas artes, novo engenho", de Luís de Camões, quais as corretas:

I. O poema adota a métrica decassilábica e a estrutura do soneto italiano, expressando a medida nova que trouxe rigor e musicalidade para a poesia portuguesa do século XVI.

II. Camões utiliza o paradoxo (“fogo que arde sem se ver”, “esperanças perigosas”) como figura central para manifestar a tensão entre dor e prazer no amor, característica do racionalismo equilibrado do Classicismo.

III. A personificação do Amor e a metáfora do “bravo mar” reforçam a presença do elemento natural e universal, típicos da estética renascentista que valoriza a harmonia entre homem e cosmos.

IV. O tom do poema é predominantemente sensorial e concreto, enfatizando as manifestações físicas do amor e afastando-se da idealização platônica comum no Classicismo.

a)

Apenas as afirmativas I, II e III estão corretas; a afirmativa IV não se aplica ao poema, pois o tratamento camoniano do amor é idealizado e intelectualizado.

b)

Todas as afirmativas estão corretas, refletindo o caráter inovador do soneto camoniano na tradição do Barroco.

c)

Apenas as afirmativas II e IV estão corretas, pois o poema mistura emoções paradoxais com forte ênfase nas imagens corporais do amor.

d)

Apenas as afirmativas I e IV estão corretas, porque a métrica e o enfoque sensorial afastam o poema de qualquer idealização renascentista.

9.

O soneto "Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades", de Luís de Camões, traz uma forma muito cara ao Classicismo, que pode ser caracterizada por:

a)

A estrutura formal do soneto e a repetição do verbo "mudar" reforçam a fluidez constante da existência, enquanto o eu lírico apresenta um tom otimista, valorizando a renovação dos ciclos naturais e humanos, típico do Classicismo idealista de Camões.

b)

O poema exemplifica a métrica decassilábica e a forma do soneto petrarquiano com rimas interpoladas, articulando a temática barroca do conflito entre mudança e permanência com forte presença de paradoxos que expressam a melancolia do sujeito lírico.

c)

A oposição entre "verde manto" e "neve fria" e o contraste entre "choro" e "doce canto" são exemplos de antíteses que enfatizam a instabilidade da vida, sustentando a reflexão do sujeito lírico sobre as perdas pessoais e a passagem inexorável do tempo.

d)

O poema rejeita o uso de recursos estilísticos clássicos, preferindo uma linguagem direta e coloquial para traduzir a visão fatalista do eu lírico, retratando as mudanças como fenômenos exclusivamente negativos e desprovidos de beleza formal.

10.

Considerando o texto e a obra Os Lusíadas, assinale a alternativa correta:

a)

A obra rejeita qualquer idealização das conquistas portuguesas, adotando uma postura crítica e irônica em relação às guerras e expansões coloniais, evidenciando uma visão barroca pessimista.

b)

Camões prioriza a narração factual e documental dos eventos históricos, afastando-se dos elementos mitológicos e simbólicos que costumam marcar as epopeias tradicionais.

c)
  • O poema insere-se na tradição clássica da epopeia, celebrando os feitos heroicos dos portugueses nos mares, salientando o nacionalismo e a missão civilizatória, sob o Classicismo português.

d)

O verso inicial destaca unicamente as experiências individuais dos navegadores portugueses, negligenciando a importância coletiva do povo lusitano e da identidade nacional.

11.

Assinale a alternativa que melhor interpreta o significado do episódio do Gigante Adamastor, no contexto das Grandes Navegações e da epopeia portuguesa.

a)

O trecho valoriza exclusivamente a permanência do Homem sob as forças imutáveis da natureza, mostrando a impotência e a submissão dos navegadores diante do mar e suas tempestades.

b)

A presença ameaçadora do gigante indica a crítica de Camões às ambições imperiais portuguesas, ressaltando a futilidade e o sofrimento causados pelas navegações comerciais.

c)

Adamastor representa a rejeição definitiva dos portugueses às superstições medievais, destacando a confiança absoluta na ciência náutica para atravessar mares sem nenhuma influência mítica.

d)

O episódio simboliza os perigos naturais e sobrenaturais que confrontavam os navegadores portugueses, transformando o mar desconhecido em desafio mítico que precisava ser vencido para a glória e expansão do Império.

12.

Por isto são maus ouvintes os de entendimentos agudos. Mas os de vontades endurecidas ainda são piores, porque um entendimento agudo pode-se ferir pelos mesmos fios e vencer-se uma agudeza com outra maior; mas contra vontades endurecidas nenhuma coisa aproveita a agudeza, antes dana mais, porque quando as setas são mais agudas, tanto mais facilmente se despontam na pedra. Oh! Deus nos livre de vontades endurecidas, que ainda são piores que as pedras.

(Sermão da Sexagésima, de Pe. Antônio Vieira.)

Pelo trecho reproduzido, pode-se concluir que o Sermão da Sexagésima trata da:

a)

problemática da pregação religiosa, considerando as figuras dos pregadores e dos fiéis.

b)

necessidade do engajamento dos fiéis nas batalhas contra os holandeses.

c)

perseguição sofrida pelo pregador em função do apoio que emprestava a índios e negros.

d)

condenação aos governantes locais que desobedeciam aos princípios do mercantilismo seiscentista.