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Revisão: Modernismos, Coesão e Argumentação, Fernando Pessoa

Total questions: 24

Worksheet time: 48mins

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1.

Os versos são do poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade. A partir da análise lexical dele, o que caracteriza a poesia da Segunda Geração Modernista?

a)

A linguagem coloquial, o verso livre e a valorização do cotidiano.

b)

O uso exclusivo de sonetos clássicos e linguagem rebuscada.

c)

A predominância de temas nacionalistas e indígenas.

d)

A valorização do passado histórico e da mitologia grega.

2.

A expressão “minhas retinas tão fatigadas” revela o uso de uma figura de linguagem, a saber:

a)

metáfora.

b)

metonímia.

c)

antítese.

d)

paradoxo.

e)

eufemismo.

3.

A simbologia do termo “pedra”, recorrente no poema, diz respeito a quê?

a)

Aos obstáculos e dificuldades da vida.

b)

À riqueza e prosperidade.

c)

À liberdade e independência.

d)

Ao amor e à paixão.

4.

O trecho a seguir pertence ao romance Dóra, Doralina, da escritora cearense Rachel de Queiróz: 

“Doer, dói sempre. Só não dói depois de morto. Porque a vida toda é um doer.”

O que esse trecho revela acerca da percepção de uma das gerações modernistas frente ao sentimento pelo Brasil?

a)

Revela uma visão pessimista e realista da vida, característica da Segunda Geração Modernista.

b)

Demonstra um otimismo exagerado em relação ao futuro do país, sob os ditames da Primeira Geração Modernista.

c)

Mostra uma total indiferença em relação aos problemas sociais do Brasil, base da Terceira Geração Modernista.

d)

Expressa apenas sentimentos nacionalistas e ufanistas, em retorno ao Romantismo.

5.

O trecho a seguir pertence ao romance O Quinze, de Rachel de Queiróz: “Saída a última rês, Chico Bento bateu os paus na porteira e foi caminhando devagar, atrás do lento caminhar do gado, que marchava à toa, parando às vezes, e pondo no pasto seco os olhos tristes, como numa agudeza de desesperança.” O Romance de 30, do qual O Quinze faz parte, realiza um movimento literário adverso à Primeira Geração Modernista, a saber:

a)

inovação linguística no que concerne ao uso apurado de nosso idioma, com vistas a elevá-lo ao patamar de línguas centrais e europeias.

b)

colaboração com a política getulista de prospecção de tipos genuinamente brasileiros, a fim de elaborar políticas públicas consonantes a tais problemas.

c)

não diferenciação de humanos e de animais, o que coaduna com a percepção de grandes bolsões de miséria em áreas deprimidas economicamente.

d)

um viés romântico, em que o pastor se torna um tipo cobiçado em virtude de qualidades ímpares de coragem e de resiliência.

6.

O trecho a seguir pertence ao romance O Quinze, de Rachel de Queiróz: “Saída a última rês, Chico Bento bateu os paus na porteira e foi caminhando devagar, atrás do lento caminhar do gado, que marchava à toa, parando às vezes, e pondo no pasto seco os olhos tristes, como numa agudeza de desesperança”.

Sobre as conjunções E e COMO, utilizadas no trecho, elas trazem sentido de:

a)

oposição, conformidade.

b)

adição, comparação.

c)

adição, causa.

d)

oposição, comparação.

7.

As ações governamentais sobre a disseminação das notícias falsas na Internet encontram barreiras em boa parte dos deputados, já que estes se valem de calúnias e difamações contra seus adversários. Sobre a estrutura coesiva do período composto anterior, é correto afirmar que (mais de uma é correta):

a)

O pronome demonstrativo realiza uma função anafórica, ao retomar um termo próximo.

b)

O uso de substantivos como calúnias e difamações é incoerente com a temática central do texto, que é a censura nas redes sociais.

c)

A conjunção causal, que une as duas orações, estabelece uma relação lógica, já que a primeira oração se torna consequência da última.

d)

A preposição CONTRA pode ser trocada por COM, sem alteração de sentido.

8.

“Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero é uma verdade inventada.”

Sobre o trecho do texto de Clarice Lispector, são feitas afirmações, assinalando as corretas:

a)

A prosa clariciana se estabelece por meio do apuro linguístico, em virtude dos pressupostos da segunda Geração Modernista.

b)

A prosa enxuta de Clarice se revela pelo uso de elipses, como no oração Eu não.

c)

Um dos destaques da Geração de 45, Clarice se notabiliza pelo recurso de quebra de expectativas e de descobertas súbitas das personagens (epifania).

d)

IV. Clarice flerta com o absurdo em seus textos, dos quais o excerto acima é um exemplo patente.

9.

“É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer, porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo.”

Assinale a alternativa que indica a presença de um paradoxo no texto acima.

a)

O texto apresenta uma afirmação que se contradiz, mas não prejudica a coerência.

b)

O texto apresenta apenas fatos objetivos.

c)

O texto não possui nenhuma contradição.

d)

O texto é composto apenas por vozes de autoridades, calcadas em filósofos.

10.

O baile dos jovens havia começado antes do anoitecer. Às dez horas os adultos entraram fantasiados na sala do casarão, cantando, pulando e enxotando a garotada. Yaqub quis ficar até meia-noite, porque uma sobrinha dos

Reinoso, a menina aloirada, corpo alto de moça, também ia brincar até a manhã da Quarta-Feira de Cinzas. Seria a primeira noite de Lívia na festa dos adultos, a primeira noite que ele, Yaqub, viu-a com os lábios pintados, os olhos contornados por linhas pretas, as tranças salpicadas de lantejoulas que brilhavam nos ombros bronzeados.

As informações do texto permitem concluir que:

a)

o narrador-personagem demonstra um interesse afetivo-erótico por Lívia, revelado pela contemplação minuciosa de sua aparência e pelo desejo de permanecer na festa até mais tarde.

b)

Yaqub sente repulsa pela transformação física de Lívia, percebendo-a como uma ameaça ao ambiente infantil e à própria diversão.

c)

a descrição de Lívia funciona apenas como recurso cenográfico, sem implicações emotivas ou simbólicas para o narrador-personagem.

d)

a presença dos adultos fantasiados escamoteia qualquer possibilidade de tensão amorosa, de modo que Yaqub permanece indiferente à figura de Lívia.

11.

A hipérbole é uma figura de linguagem que consiste no exagero de uma expressão ou ideia; ela ocorre na passagem:

a)

O baile dos jovens havia começado antes do anoitecer.

b)

... ficou trêmulo ao reconhecer o cabelo e o rosto semelhantes...

c)

... os adultos entraram fantasiados na sala do casarão...

d)

Seria a primeira noite de Lívia na festa dos adultos...

e)

A sala fervilhava de foliões, e no meio das tantas cores...

12.

Em relação às formas verbais destacadas na passagem – O baile dos jovens havia começado antes do anoitecer. Às dez horas os adultos entraram fantasiados na sala do casarão... –, é correto afirmar que:

a)

ambas estão empregadas no mesmo tempo verbal do modo indicativo.

b)

a primeira expressa uma ação que antecede temporalmente a segunda.

c)

a segunda, ao contrário da primeira, expressa uma ação hipotética.

d)

ambas expressam ações cuja realização se dá de forma concomitante.

e)

a primeira expressa uma ação contínua; a segunda, uma ação acabada.

13.

A passagem – Ele obedeceu. Acompanhou Rânia até o quarto, esperou-a dormir e voltou correndo ao casarão dos Benemou. – está reescrita em conformidade com a norma-padrão em:

a)

Ele obedeceu à mãe. Acompanhou Rânia até o quarto, fez-na dormir e voltou correndo à residência dos Benemou.

b)

Ele obedeceu à mãe. Acompanhou Rânia até o quarto, fê-la dormir e voltou correndo à residência dos Benemou.

c)

Ele obedeceu a mãe. Acompanhou Rânia até o quarto, fez-na dormir e voltou correndo na residência dos Benemou.

d)

Ele obedeceu à mãe. Acompanhou Rânia até o quarto, fez-la dormir e voltou correndo na residência dos Benemou.

e)

Ele obedeceu a mãe. Acompanhou Rânia até o quarto, fê-la dormir e voltou correndo na residência dos Benemou.

14.

Os versos de João Cabral de Melo Neto integram a chamada terceira geração do Modernismo ou Geração de 45. Considerando o programa estético-ideológico desse grupo literário, a função social que o texto cumpre é:

a)

afirmar a supremacia do “eu lírico” e o subjetivismo romântico, celebrando a interioridade individual como fonte de sentido.

b)

valorizar o rigor formal parnasiano, esvaziando o conteúdo referencial em prol de uma poesia “pura” e autônoma.

c)

denunciar a condição de miséria coletiva do homem nordestino, revelando o igualitarismo perverso da pobreza e articulando crítica social a uma dicção poética elaborada.

d)

promover o experimentalismo visual e a disposição espacial das palavras, característica própria do Concretismo posterior.

e)

reconstruir mitos clássicos como forma de escapar às tensões contemporâneas, adotando tom escapista e erudito.

15.

A fluência sonora do fragmento é resultado, entre outros fatores, da adoção de um procedimento versificatório presente desde as cantigas medievais. O recurso em questão consiste em:

a)

versos livres com distribuição rítmica aleatória, aproximando-se da prosa e rompendo com qualquer cadência tradicional.

b)

rimas internas raras, cuja função principal é desconstruir a musicalidade e instaurar ruído semântico.

c)

emprego sistemático da redondilha maior (heptassílabo), metro medieval que confere cadência oral e cancioneira ao poema contemporâneo.

d)

uso predominante de hipérbatos, estratégia barroca que produz sonoridade pela inversão sintática.

e)

dodecassílabos heroicos, associados à épica camoniana, responsáveis pelo ritmo lento e solene dos versos.

16.

O fragmento ao lado revela que, em Grande Sertão: Veredas, Guimarães Rosa:

a)

descreve o sertão apenas para preservar costumes locais, recusando qualquer aproximação com questões filosóficas ou universais.

b)

parte de referências regionais (léxico, paisagem, crenças) para investigar dilemas ontológicos – bem x mal, vida x morte –, convertendo o espaço sertanejo em metáfora da condição humana.

c)

restringe-se a documentar o falar popular, de modo naturalista, sem tensionar valores que ultrapassem o contexto do interior mineiro.

d)

apresenta o sertão como ambiente exótico, voltado sobretudo ao entretenimento turístico do leitor urbano.

e)

privilegia a objetividade científica, abolindo qualquer traço de subjetividade ou transcendência.

17.

A linguagem rosiana, marcada por invenções vocabulares (“fantasia”, “dessossegos”) e por uma sintaxe que dispensa coordenações tradicionais (“de primeiro, eu fazia e mexia, e pensar não pensava”), tem como principal efeito:

a)

restaurar o modelo gramatical clássico em sua pureza normativa, reforçando o caráter conservador da narrativa.

b)

criar um fluxo de consciência que simula o pensamento oral do narrador, permitindo ao leitor acompanhar a travessia interior do protagonista através de neologismos e de pausas sintáticas abruptas.

c)

dificultar a compreensão temática, pois a ruptura linguística anula qualquer possibilidade de comunicação entre narrador e leitor.

d)

padronizar o registro coloquial, submetendo-o a regras fixas para facilitar a memorização escolar do texto.

e)

provocar apenas efeito ornamental, sem contribuir para a construção subjetiva ou psicológica das personagens.

18.

Assinale a alternativa que apresenta corretamente as características primordiais das gerações do Modernismo brasileiro.

a)

A primeira geração valorizou a ruptura com o passado, a segunda aprofundou o engajamento social e a terceira buscou novas formas de expressão.

b)

A primeira geração foi marcada pelo classicismo, a segunda pelo barroco e a terceira pelo romantismo.

c)

A primeira geração destacou o simbolismo, a segunda o realismo e a terceira o naturalismo.

d)

A primeira geração foi exclusivamente regionalista, a segunda exclusivamente urbana e a terceira exclusivamente política.

19.

O eu lírico do poema de Alberto Caeiro, um dos heterônimos do poeta Fernando Pessoa, caracteriza-se por:

a)

assumir uma postura filosófica, buscando o sentido oculto das coisas.

b)

valorizar a experiência sensorial imediata, sem buscar significados profundos.

c)

adotar um tom épico, celebrando feitos grandiosos.

d)

recorrer à ironia para criticar a sociedade moderna.

e)

expressar angústia existencial diante da vida.

20.

O verso “Mas é como se os guardasse”, do heterônimo Alberto Caeiro, sugere:

a)

uma identificação simbólica com a simplicidade da vida rural.

b)

a negação de qualquer vínculo com a natureza.

c)

o desejo de fugir da realidade cotidiana.

d)

a busca por reconhecimento social.

e)

a valorização do trabalho árduo.

21.

A voz poética de Alberto Caeiro se destaca no universo de heteronímia pessoana ao frisar que:

a)

a crítica ao positivismo ao propor que a razão científica seja a única via legítima de interpretação do real.

b)

a recusa tanto da metafísica quanto do cientificismo, pois o eu lírico afirma um saber intuitivo, imediato, que se basta no contato sensorial com a Natureza.

c)

o retorno às alegorias medievais, nas quais elementos naturais simbolizam verdades transcendentes de ordem teológica.

d)

a adoção de uma postura platônica, em que o mundo sensível é apenas aparência enquanto o verdadeiro ser permanece oculto.

e)

o desejo do idealismo alemão, defendendo que a realidade exterior é mero reflexo da consciência subjetiva.

22.

Ao afirmar: “Mas a minha tristeza é sossego / Porque é natural e justa”, o poeta heterônimo Alberto Caeiro:

a)

associa a tristeza a um processo de purgação estética, conforme a tradição aristotélica da catarse.

b)

insere a dor em chave romântica, convertendo-a em exaltação do sofrimento individual e dramático.

c)

redefine a tristeza como estado harmonioso, fruto de integração com o ciclo natural, sustentada por uma linguagem deliberadamente despojada de ornamentos.

d)

interpreta a melancolia segundo categorias psicanalíticas, explicando-a pela repressão de desejos inconscientes.

e)

ressignifica o modelo clássico da elegia (poema clássico lírico, de caráter terno e triste), recuperando recursos retóricos rebuscados para engrandecer o tom fúnebre do poema.

23.

Sob a superfície imagética (“uma gaiola numa terra onde não há aves”, “a parte da praia onde o mar não chega”), o poema heterônimo Álvaro de Campos articula uma reflexão implícita que dialoga com princípios do Existencialismo, porque:

a)

afirma a pré-determinação metafísica do sujeito, reduzindo a liberdade humana a simples ilusão criada pela linguagem poética.

b)

apresenta a dor como condição ontológica inevitável que conduz o indivíduo à busca de transcendência mística, típica do existencialismo cristão de Kierkegaard.

c)

exprime o absurdo da existência ao insistir no vazio de sentido (gaiola sem pássaros), aludindo à consciência angustiada que, ciente de sua própria finitude, reivindica autenticidade.

d)

rejeita a historicidade do sujeito ao preferir símbolos naturais, propondo o retorno à simplicidade como solução ética para a crise do existir.

e)

substitui a angústia pela celebração epicurista do prazer imediato (“dá-me rosas, rosas / e lírios também”), equivalendo liberdade existencial a hedonismo.

24.

A atitude existencial proposta pelo eu poético do heterônimo Ricardo Reis consiste em:

a)

glorificar a contingência dos acontecimentos, interpretando-a como prova de mérito individual e fundamento de uma ética da ambição.

b)

reconhecer a neutralidade do fado, renunciando a juízos de valor sobre êxito ou fracasso e adotando uma postura de serenidade perante o incontrolável.

c)

negar a influência de qualquer princípio determinista, defendendo a plena liberdade humana para moldar o real segundo a vontade própria.

d)

condenar a felicidade como afeto ilusório, prescrevendo o retraimento ascético em oposição a todo envolvimento emocional com o mundo sensível.

e)

afirmar a desigualdade natural como prerrogativa divina, legitimando hierarquias sociais fixas que dispensam reflexão moral sobre a justiça.