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filosofia enem

Total questions: 59

Worksheet time: 2hrs 32mins

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1.

(ENEM 2010) O príncipe, portanto, não deve se incomodar com a reputação de cruel, se seu propósito é manter o povo unido e leal. De fato, com uns poucos exemplos duros poderá ser mais clemente do que outros que, por muita piedade, permitem os distúrbios que levem ao assassínio e ao roubo. MAQUIAVEL, N. O Príncipe. São Paulo: Martin Claret, 2009. No século XVI, Maquiavel escreveu O Príncipe, reflexão sobre a Monarquia e a função do governante.
A manutenção da ordem social, segundo esse autor, baseava-se na

a)
inércia do julgamento de crimes polêmicos.
b)
bondade em relação ao comportamento dos mercenários.
c)
compaixão quanto à condenação dos servos
d)
neutralidade diante da condenação dos servos.
e)
conveniência entre o poder tirânico e a moral do príncipe
2.

(Enem 2012 - adaptado)

Iluminismo é a saída do homem de sua menoridade, da qual ele próprio é culpado. A menoridade é a incapacidade de fazer uso de seu entendimento sem a direção de outro indivíduo. O homem é o próprio culpado dessa menoridade se a causa dela não se encontra na falta de entendimento, mas na falta de decisão e coragem de servir-se de si mesmo sem a direção de outrem. Tem coragem de fazer uso de teu próprio entendimento, tal é o lema do esclarecimento.

Preguiça e covardia são as causas que explicam por que uma grande parte dos seres humanos, mesmo muito após a natureza tê-los declarado livres da orientação alheia, ainda permanecem, com gosto, e por toda a vida, na condição de menoridade. É tão confortável ser menor! Tenho à disposição um livro que entende por mim, um pastor que tem consciência por mim, um médico que prescreve uma dieta etc.: então não preciso me esforçar.

A maioria da humanidade vê como muito perigoso,além de bastante difícil, o passo a ser dado rumo à maioridade, uma vez que tutores já tomaram para si de bom grado a sua supervisão. Após terem previamente embrutecido e cuidadosamente protegido seu gado, para que estas pacatas criaturas não ousem dar qualquer passo fora dos trilhos nos quais devem andar, os tutores lhes mostram o perigo que as ameaça caso queiram andar por conta própria.

Tal perigo, porém, não é assim tão grande, pois, após algumas quedas, aprenderiam finalmente a andar; basta, entretanto, o perigo de um tombo para intimidá-las e aterrorizá-las por completo para que não façam novas tentativas

KANT, I. Resposta à pergunta: o que é Iluminismo? Petrópolis: Vozes, 1985 (adaptado).

Kant destaca no texto o conceito de Iluminismo, fundamental para a compreensão do contexto filosófico da Modernidade.

Iluminismo, no sentido empregado por Kant, representa

a)
a reivindicação de autonomia da capacidade racional como expressão da maioridade.
b)
o exercício da racionalidade como pressuposto menor diante das verdades eternas.
c)
a imposição de verdades matemáticas, com caráter objetivo, de forma heterônoma.
d)
a compreensão de verdades religiosas que libertam o homem da falta de entendimento.
e)
a emancipação da subjetividade humana de ideologias produzidas pela própria razão.
3.

(UEL-2008) A razão humana, num determinado domínio dos seus conhecimentos, possui o singular destino de se ver atormentada por questões, que não pode evitar, pois lhe são impostas pela sua natureza, mas às quais também não pode dar respostas por ultrapassarem completamente as suas possibilidades. (KANT, I. Crítica da Razão Pura (Prefácio da primeira edição, 1781). Tradução de Manuela Pinto dos Santos e Alexandre Fradique Morujão. Lisboa: Fundação CalousteGulbenkian, 1994, p. 03.)

Com base no texto e nos conhecimentos sobre Kant, o domínio destas intermináveis disputas chama-se

a)
experiência.
b)
natureza.
c)
entendimento.
d)
metafísica.
e)
sensibilidade.
4.

(UEL – 2008) Leia o seguinte texto: A filosofia está escrita neste imenso livro que continuamente está aberto diante de nossos olhos (estou falando do universo), mas que não se pode entender se primeiro não se aprende a entender sua língua e conhecer os caracteres em que está escrito. Ele está escrito em linguagem matemática e seus caracteres são círculos, triângulos e outras figuras geométricas, meios sem os quais é impossível entender humanamente suas palavras: sem tais meios, vagamos inutilmente por um escuro labirinto. (GALILEI, G. Il saggiatore. Apud REALE, G. & ANTISERI, D. História da filosofia. São Paulo: Paulinas, 1990, v. 2, p. 281.)

Tendo em mente o texto acima e os conhecimentos sobre o pensamento de Galileu acerca do método científico, considere as seguintes afirmativas.

I. Galileu defende o desenvolvimento de uma ciência voltada para os aspectos objetivos e mensuráveis da natureza, em oposição à física qualitativa de Aristóteles.

II. Para Galileu, é possível obter conhecimento científico sobre objetos matemáticos, tais como círculos e triângulos, mas não sobre objetos do mundo sensível.

III. Galileu pensa que uma ciência quantitativa da natureza é possível graças ao fato de que a própria natureza está configurada de modo a exibir ordem e simetrias matemáticas.

IV. Galileu considera que a observação não faz parte do método científico proposto por ele, uma vez que todo o conhecimento científico pode ser obtido por meio de demonstrações matemáticas.

Assinale a alternativa que contém todas as afirmativas corretas, mencionadas anteriormente.

a)
I e III.
b)
II e III.
c)
III e IV.
d)
I, II e IV.
e)
II, III e IV.
5.

Leia o seguinte texto de Descartes: Essas longas cadeias de razões, todas simples e fáceis, de que os geômetras costumam se utilizar para chegar às demonstrações mais difíceis, haviam-me dado oportunidade de imaginar que todas as coisas passíveis de cair sob domínio do conhecimento dos homens seguem-se umas às outras da mesma maneira e que, contanto que nos abstenhamos somente de aceitar por verdadeira alguma que não o seja, e que observemos sempre a ordem necessária para deduzi-las umas das outras, não pode haver, quaisquer que sejam, tão distantes às quais não se chegue por fim, nem tão ocultas que não se descubram. (DESCARTES, R. Discurso do método. Tradução de Elza Moreira Marcelina. Brasília: Editora da Universidade de Brasília; São Paulo: Ática, 1989. p. 45.)

Com base no texto e nos conhecimentos sobre o pensamento de Descartes, é correto afirmar que:

a)
Para Descartes, o conhecimento é obtido partindo-se da experiência, isto é, da observação da natureza, e depois generalizando os resultados de tais observações.
b)
Segundo Descartes, qualquer coisa que a razão humana é capaz de conhecer pode ser alcançada, partindo-se de verdades evidentes, e aplicando a dedução lógica a essas verdades.
c)
Para Descartes, é possível apenas obter um conhecimento aproximado, probabilístico, acerca de qualquer objeto, não sendo de modo algum alcançável o conhecimento da verdade, independente do assunto em questão.
d)
Descartes pensa que, independentemente das premissas das quais se parte ao se procurar obter conhecimento sobre um determinado assunto, a verdade sobre tal assunto será alcançada desde que os princípios da lógica dedutiva sejam aplicados corretamente.
e)
Para Descartes, não há verdades evidentes, de modo que para se obter conhecimento sobre qualquer assunto, é necessário realizar longas séries de demonstrações difíceis, como aquelas que são habitualmente desenvolvidas pelos geômetras.
6.

Leia o texto a seguir. Como o costume nos determina a transferir o passado para o futuro em todas as nossas inferências, esperamos - se o passado tem sido inteiramente regular e uniforme - o mesmo evento com a máxima segurança e não toleramos qualquer suposição contrária. Mas, se temos encontrado que diferentes efeitos acompanham causas que em aparência são exatamente similares, todos estes efeitos variados devem apresentar-se ao espírito ao transferir o passado para o futuro, e devemos considerá-los quando determinamos a probabilidade do evento. (HUME, D. Investigações acerca do entendimento humano. Tradução de AnoarAiex. São Paulo: Nova Cultural, 1996, p. 73.)

Com base no texto e nos conhecimentos sobre Hume, é correto afirmar:

a)
Hume procura demonstrar o cálculo matemático de probabilidades.
b)
Hume procura mostrar o mecanismo psicológico pelo qual a crença se fixa na imaginação.
c)
Para Hume, há uma conexão necessária entre causa e efeito.
d)
Para Hume, as inferências causais são a priori.
e)
Hume procura mostrar que crença e ficção produzem o mesmo efeito na imaginação humana.
7.

Leia o seguinte texto de Descartes: [...] considerei em geral o que é necessário a uma proposição para ser verdadeira e certa, pois, como acabara de encontrar uma proposição que eu sabia sê-lo inteiramente, pensei que devia saber igualmente em que consiste essa certeza. E, tendo percebido que nada há no "penso, logo existo" que me assegure que digo a verdade, exceto que vejo muito claramente que, para pensar, é preciso existir, pensei poder tomar por regra geral que as coisas que concebemos clara e distintamente são todas verdadeiras. (DESCARTES, R. Discurso do método. Tradução de Elza Moreira Marcelina. Brasília: Editora da Universidade de Brasília; São Paulo: Ática, 1989. p. 57.)

Com base no texto e nos conhecimentos sobre o pensamento cartesiano, é correto afirmar:

a)
Para Descartes, a proposição "penso, logo existo" não pode ser considerada como uma proposição indubitavelmente verdadeira.
b)
Embora seja verdadeira, a proposição "penso, logo existo" é uma tautologia inútil no contexto da filosofia cartesiana.
c)
Tomando como base a proposição "penso, logo existo", Descartes conclui que o que é necessário para que uma proposição qualquer seja verdadeira é que ela enuncie algo que possa ser concebido clara e distintamente.
d)
Descartes é um filósofo cético, uma vez que afirma que não é possível se ter certeza sobre a verdade de qualquer proposição.
e)
Tomando como exemplo a proposição "penso, logo existo", Descartes conclui que uma proposição qualquer só pode ser considerada como verdadeira se ela tiver sido provada com base na experiência.
8.

(Enem 2013) Até hoje admitia-se que nosso conhecimento se devia regular pelos objetos; porém, todas as tentativas para descobrir, mediante conceitos, algo que ampliasse nosso conhecimento, malogravam-se com esse pressuposto. Tentemos, pois, uma vez, experimentar se não se resolverão melhor as tarefas da metafísica, admitindo que os objetos se deveriam regular pelo nosso conhecimento. KANT, I. Crítica da razão pura . Lisboa: Calouste-Gulbenkian, 1994 (adaptado).

O trecho em questão é uma referência ao que ficou conhecido como revolução copernicana na filosofia.

Nele, confrontam-se duas posições filosóficas que

a)
assumem pontos de vista opostos acerca da natureza do conhecimento.
b)
defendem que o conhecimento é impossível, restando-nos somente o ceticismo.
c)
revelam a relação de interdependência entre os dados da experiência e a reflexão filosófica.
d)
apostam, no que diz respeito às tarefas da filosofia, na primazia das ideias em relação aos objetos.
e)
refutam-se mutuamente quanto à natureza do nosso conhecimento e são ambas recusadas por Kant
9.

Leia o texto a seguir: Certamente, temos aqui ao menos uma proposição bem inteligível, senão uma verdade, quando afirmamos que, depois da conjunção constante de dois objetos, por exemplo, calor e chama, peso e solidez, unicamente o costume nos determina a esperar um devido ao aparecimento do outro. Parece que esta hipótese é a única que explica a dificuldade que temos de, em mil casos, tirar uma conclusão que não somos capazes de tirar de um só caso, que não discrepa em nenhum aspecto dos outros. A razão não é capaz de semelhante variação. As conclusões tiradas por ela, ao considerar um círculo, são as mesmas que formaria examinando todos os círculos do universo. Mas ninguém, tendo visto somente um corpo se mover depois de ter sido impulsionado por outro, poderia inferir que todos os demais corpos se moveriam depois de receberem impulso igual. Portanto, todas as inferências tiradas da experiência são efeitos do costume e não do raciocínio. (HUME, D. Investigação acerca do entendimento humano. tradução de AnoarAiex. São Paulo: Nova Cultural, 1999. pp. 61-62.)

Com base no texto e nos conhecimentos sobre o pensamento de David Hume, é correto afirmar:

a)
A razão, para Hume, é incapaz de demonstrar proposições matemáticas, como, por exemplo, uma proposição da geometria acerca de um círculo.
b)
Hume defende que todo tipo de conhecimento, matemático ou experimental, é obtido mediante o uso da razão, e pode ser justificado com base nas operações do raciocínio.
c)
É necessário examinar um grande número de círculos, de acordo com Hume, para se poder concluir, por exemplo, que a área de um círculo qualquer é igual a "PI" multiplicado pelo quadrado do raio desse círculo.
d)
Hume pode ser classificado como um filósofo cético, no sentido de que ele defende a impossibilidade de se obter qualquer tipo de conhecimento com base na razão.
e)
Segundo Hume, somente o costume, e não a razão, pode ser apontado como sendo o responsável pelas conclusões acerca da relação de causa e efeito, às quais as pessoas chegam com base na experiência.
10.

É amplamente conhecido, na história da filosofia, como Descartes coloca em dúvida todo o conhecimento, até encontrar um fundamento inabalável; uma espécie de princípio de reconstituição do conhecimento. Neste processo, Descartes elege uma regra metodológica que o orientará na busca de novas verdades.

A regra geral que orientará Descartes na busca de novas verdades é

a)
a possibilidade do mundo externo.
b)
a possibilidade de unirmos corpo e alma.
c)
a clareza e distinção.
d)
a certeza dos juízos matemáticos.
e)
a idéia de que corpo e alma são entidades distintas.
11.

TEXTO I Há já algum tempo eu me apercebi de que, desde meus primeiros anos, recebera muitas falsas opiniões como verdadeiras, e de que aquilo que depois eu fundei em princípios tão mal assegurados não podia ser senão mui duvidoso e incerto. Era necessário tentar seriamente, uma vez em minha vida, desfazer-me de todas as opiniões a que até então dera crédito, e começar tudo novamente a fim de estabelecer um saber firme e inabalável. DESCARTES, R. Meditações concernentes à Primeira Filosofia. São Paulo: Abril Cultural, 1973 (adaptado).

TEXTO II É o caráter radical do que se procura que exige a radicalização do próprio processo de busca. Se todo o espaço for ocupado pela dúvida, qualquer certeza que aparecer a partir daí terá sido de alguma forma gerada pela própria dúvida, e não será seguramente nenhuma daquelas que foram anteriormente varridas por essa mesma dúvida. SILVA, F. L. Descartes : a metafísica da modernidade. São Paulo: Moderna, 2001 (adaptado).

A exposição e a análise do projeto cartesiano indicam que, para viabilizar a reconstrução radical do conhecimento, deve-se

a)
retomar o método da tradição para edificar a ciência com legitimidade.
b)
questionar de forma ampla e profunda as antigas ideias e concepções.
c)
investigar os conteúdos da consciência dos homens menos esclarecidos.
d)
buscar uma via para eliminar da memória saberes antigos e ultrapassados.
e)
encontrar ideias e pensamentos evidentes que dispensam ser questionados.
12.

(Enem 2012)

TEXTO I Experimentei algumas vezes que os sentidos eram enganosos, e é de prudência nunca se fiar inteiramente em quem já nos enganou uma vez. DESCARTES, R. Meditações Metafísicas . São Paulo: Abril Cultural, 1979.

TEXTO II Sempre que alimentarmos alguma suspeita de que uma ideia esteja sendo empregada sem nenhum significado, precisaremos apenas indagar: de que impressão deriva esta suposta ideia? E se for impossível atribuir-lhe qualquer impressão sensorial, isso servirá para confirmar nossa suspeita. HUME, D. Uma investigação sobre o entendimento . São Paulo: Unesp, 2004 (adaptado).

Nos textos, ambos os autores se posicionam sobre a natureza do conhecimento humano.

A comparação dos excertos permite assumir que Descartes e Hume

a)
defendem os sentidos como critério originário para considerar um conhecimento legítimo.
b)
entendem que é desnecessário suspeitar do significado de uma ideia na reflexão filosófica e crítica.
c)
são legítimos representantes do criticismo quanto à gênese do conhecimento.
d)
concordam que conhecimento humano é impossível em relação às ideias e aos sentidos.
e)
atribuem diferentes lugares ao papel dos sentidos no processo de obtenção do conhecimento.
13.

(ENEM 2011) Acompanhando a intenção da burguesia renascentista de ampliar seu domínio sobre a natureza e sobre o espaço geográfico, através da pesquisa científica e da invenção tecnológica, os cientistas também iriam se atirar nessa aventura, tentando conquistar a forma, o movimento, o espaço, a luz, a cor e mesmo a expressão e o sentimento. SEVCENKO, N. O Renascimento. Campinas: Unicamp, 1984.

O texto apresenta um espírito de época que afetou também a produção artística, marcada pela constante relação entre

a)
fé e misticismo.
b)
ciência e arte.
c)
cultura e comércio.
d)
política e economia.
e)
astronomia e religião.
14.

(ENEM-2008) Não ignoro a opinião antiga e muito difundida de que o que acontece no mundo é decidido por Deus e pelo acaso. Essa opinião é muito aceita em nossos dias, devido às grandes transformações ocorridas, e que ocorrem diariamente, as quais escapam à conjectura humana. Não obstante, para não ignorar inteiramente o nosso livre arbítrio, creio que se pode aceitar que a sorte decida metade dos nossos atos, mas [o livre-arbítrio] nos permite o controle sobre a outra metade. MAQUIAVEL, N. O Príncipe. Brasília: EdUnB, 1979 (adaptado).

Em O Príncipe, Maquiavel refletiu sobre o exercício do poder em seu tempo.

No trecho citado, o autor demonstra o vínculo entre o seu pensamento político e o humanismo renascentista ao

a)
valorizar a interferência divina nos acontecimentos definidores do seu tempo.
b)
rejeitar a intervenção do acaso nos processos políticos.
c)
afirmar a confiança na razão autônoma como fundamento da ação humana.
d)
romper com a tradição que valorizava o passado como fonte de aprendizagem.
e)
redefinir a ação política com base na unidade entre fé e razão.
15.

(ENEM 2013) Nasce daqui uma questão: se vale mais ser amado que temido ou temido que amado. Responde-se que ambas as coisas seriam de desejar; mas porque é difícil juntá-las, é muito mais seguro ser temido que amado, quando haja de faltaruma das duas. Porquedos homens que se pode dizer, duma maneira geral, que são ingratos, volúveis, simuladores, covardes e ávidos de lucro, e enquanto lhes fazes bem são inteiramente teus, oferecem-te o sangue, os bens, a vida e os filhos, quando, como acima disse, o perigo está longe; mas quando ele chega, revoltam-se. MAQUIAVEL, N. O Príncipe. Rio de Janeiro: Bertrand, 1991.

A partir da análise histórica do comportamento humano em suas relações sociais e políticas,

Maquiavel define o homem como um ser

a)
munido de virtude, com disposição nata a praticar o bem a si e aos outros.
b)
possuidor de fortuna, valendo-se de riquezas para alcançar êxito na política.
c)
guiado por interesses, de modo que suas ações são imprevisíveis e inconstantes.
d)
naturalmente racional, vivendo em um estado pré-social e portando seus direitos naturais.
e)
sociável por natureza, mantendo relações pacíficas com seus pares.
16.

(Enem 2014) - A filosofia encontra-se escrita neste grande livro que continuamente se abre perante nossos olhos (isto é, o universo), que não se pode compreender antes de entender a língua e conhecer os caracteres com os quais está escrito. Ele está escrito em língua matemática, os caracteres são triângulos, circunferência e outras figuras geométricas, sem cujos meios é impossível entender humanamente as palavras; sem eles, vagamos perdidos dentro de um obscuro labirinto. GALILEI, G. O ensaiador. Os pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1978.

No contexto da Revolução Científica do Século XVII, assumir a posição de Galileu significava defender a

a)
continuidade do vínculo entre ciência e fé dominante na Idade Média.
b)
necessidade de o estudo linguístico ser acompanhado do exame matemático.
c)
oposição da nova física quantitativa aos pressupostos da filosofia escolástica.
d)
importância da independência da investigação científica pretendida pela igreja.
e)
inadequação da matemática para elaborar uma explicação racional da natureza.
17.

Naregulação de matérias culturalmente delicadas, como, por exemplo, a linguagem oficial, os currículos da educação pública, o statusdas Igrejas e das comunidades religiosas, as normas do direito penal (por exemplo, quanto ao aborto), mas também em assuntos menos chamativos, como, por exemplo, a posição da família e dos consórcios semelhantes ao matrimônio, a aceitação de normas de segurança ou a delimitação das esferas pública e privada – em tudo isso reflete-se amiúde apenas o autoentendimento ético-político de uma cultura majoritária, dominante por motivos históricos. Por causa de tais regras, implicitamente repressivas, mesmo dentro de uma comunidade republicana que garanta formalmente aigualdade de direitos para todos, pode eclodir um conflito cultural movido pelas minorias desprezadas contra a cultura da maioria. HABERMAS, J. A inclusão do outro: estudos de teoria política. São Paulo: Loyola, 2002.

A reivindicação dos direitos culturais das minorias, como exposto por Habermas, encontra amparo nas democracias contemporâneas, na medida em que

a)
a secessão, pela qual a minoria discriminada obteria a igualdade de direitos na condição da sua concentração espacial, num tipo de independência nacional.
b)

a reunificação da sociedade que se encontra fragmentada em grupos de diferentes comunidades étnicas, confissões religiosas e formas de vida, em torno da coesão de uma cultura política nacional.

c)
a autonomia dos indivíduos que, ao chegarem à vida adulta, tenham condições de se libertar das tradições de suas origens em nome da harmonia da política nacional.
d)
o desaparecimento de quaisquer limitações, tais como linguagem política ou distintas convenções de comportamento, para compor a arena política a ser compartilhada.
e)

a coexistência das diferenças, considerando a possibilidade de os discursos de auto entendimento se submeterem ao debate público, cientes de que estarão vinculados à coerção do melhor argumento.

18.

É verdade que nas democracias o povo parece fazer o que quer; mas a liberdade política não consiste nisso. Deve-se ter sempre presente em mente o que é independência e o que é liberdade. A liberdade é o direito de fazer tudo o que as leis permitem; se um cidadão pudesse fazer tudo o que elas proíbem, não teria mais liberdade, porque os outros também teriam tal poder. MONTESQUIEU. Do Espirito das Leis. São Paulo: Editora Nova Cultural, 1997 (adaptado).

A característica de democracia ressaltada por Montesquieu diz respeito

a)
ao status de cidadania que o indivíduo adquire ao tomar as decisões por si mesmo.
b)
ao condicionamento da liberdade dos cidadãos à conformidade às leis.
c)
à possibilidade de o cidadão participar no poder e, nesse caso, livre da submissão às leis.
d)
ao livre-arbítrio do cidadão em relação àquilo que é proibido, desde que ciente das consequências.
e)
ao direito do cidadão exercer sua vontade de acordo com seus valores pessoais.
19.

Para Platão, o que havia de verdadeiro em Parmênides era que o objeto de conhecimento é um objeto de razão e não de sensação, e era preciso estabelecer uma relação entre objeto racional e objeto sensível ou material queprivilegiasse o primeiro em detrimento do segundo. Lenta, mas irresistivelmente, a Doutrina das Ideias formava-se emsua mente.

ZINGANO, M. Platão e Aristóteles: o fascínio da filosofia. São Paulo: Odysseus, 2012 (adaptado). O texto faz referência à relação entre razão e sensação, um aspecto essencial da Doutrina das Ideias de Platão (427 a.C.-346 a.C.).

De acordo com o texto, como Platão se situa diante dessa relação?

a)
Estabelecendo um abismo intransponível entre as duas.
b)
Privilegiando os sentidos e subordinandoo conhecimento a eles.
c)
Atendo-se à posição de Parmênides de que razão e sensação são inseparáveis.
d)
Afirmando que a razão é capaz de gerar conhecimento, mas a sensação não.
e)
Rejeitando a posição de Parmênides de que a sensação é superior à razão.
20.

(ENEM 2016) Hoje, a indústria cultural assumiu a herança civilizatória da democracia de pioneiros e empresários, que tampouco desenvolvera uma fineza de sentido para os desvios espirituais. Todos são livres para dançar e para se divertir, do mesmo modo que, desde a neutralização histórica da religião, são livres para entrar em qualquer uma das inúmeras seitas. Mas a liberdade de escolha de ideologia, que reflete sempre a coerção econômica, revela-se em todos os setores como a liberdade de escolher o que é sempre a mesma coisa. ADORNO, T; HORKHEIMER, M. A dialética do esclarecimento: fragmentos filosóficos. Rio de Janeiro: Zahar, 1995.

A liberdade de escolha na civilização ocidental, de acordo com a análise do texto, é um(a):

a)
legado social
b)
ilusão da contemporaneidade
c)
produto da moralidade
d)
conquista da humanidade
e)
patrimônio político
21.

(ENEM 2016) Sentimos que toda satisfação de nossos desejos advinda do mundo assemelha-se à esmola que mantém hoje o mendigo vivo, porém prolonga amanhã a sua fome. A resignação, ao contrário, assemelha-se à fortuna herdada: livra o herdeiro para sempre de todas as preocupações. SCHOPENHAUER, A. Aforismo para a sabedoria da vida. São Paulo: Martins Fontes, 2005.

O trecho destaca uma ideia remanescente de uma tradição filosófica ocidental,

segundo a qual a felicidade se mostra indissociavelmente ligada à

a)

fugacidade do conhecimento empírico.

b)
administração da independência interior.
c)
liberdade de expressão religiosa.
d)
busca de prazeres efêmeros.
e)

consagração de relacionamentos afetivos.

22.

(ENEM 2016) Vi os homens sumirem-se numa grande tristeza. Os melhores cansaram-se das suas obras. Proclamou-se uma doutrina e com ela circulou uma crença: Tudo é oco, tudo é igual, tudo passou! O nosso trabalho foi inútil; o nosso vinho tornou-se veneno; o mau olhado amareleceu-nos os campos e os corações. Secamos de todo, e se caísse fogo em cima de nós, as nossas cinzas voariam em pó. Sim; cansamos o próprio fogo. Todas as fontes secaram para nós, e o mar retirou-se. Todos os solos se querem abrir, mas os abismos não nos querem tragar. NIETZSCHE, F. Assim falou Zaratustra. Rio de Janeiro: Ediouro, 1977.

O texto exprime uma construção alegórica, que traduz um entendimento da doutrina niilista, uma vez que

a)
reforça a liberdade do cidadão.
b)
desvela os valores do cotidiano.
c)
exorta as relações de produção.
d)
destaca a decadência da cultura.
e)
amplifica o sentimento de ansiedade.
23.

(ENEM 2016)

Ser ou não ser – eis a questão.

Morrer – dormir – Dormir!

Talvez sonhar. Aí está o obstáculo!

Os sonhos que hão de vir no sono da morte

Quando tivermos escapado ao tumulto vital

Nos obrigam a hesitar: e é essa a reflexão

Que dá Pa desventura uma vida tão longa.

SHAKESPEARE, W. Hamlet. Porto Alegre: L&PM, 2007.

Este solilóquio pode ser considerado um precursor do existencialismo ao enfatizar a tensão entre

a)
consciência de si e angústia humana.
b)
inevitabilidade do destino e incerteza moral.
c)
Tragicidade da personagem e ordem do mundo.
d)
racionalidade argumentativa e loucura iminente.
e)
dependência paterna e impossibilidade de ação.
24.

(ENEM 2016) Nunca nos tornaremos matemáticos, por exemplo, embora nossa memória possua todas as demonstrações feitas por outros, se nosso espírito não for capaz de resolver toda espécie de problemas; não nos tornaríamos filósofos, por ter lido todos os raciocínios de Platão e Aristóteles, sem poder formular um juízo sólido sobre o que nos é proposto.

Assim, de fato, pareceríamos ter aprendido, não ciências, mas histórias.

DESCARTES, R. Regras para a orientação do espírito. São Paulo: Martins Fontes, 1999.

Em busca pelo saber verdadeiro, o autor considera o conhecimento, de modo crítico, como resultado da

a)
investigação da natureza empírica.
b)
retomada da tradição intelectual.
c)
imposição de valores ortodoxos.
d)
autonomia do sujeito pensante.
e)
liberdade do agente moral.
25.

(ENEM 2016)

TEXTO I Fragmento B91: Não se pode banhar duas vezes no mesmo rio, nem substância mortal alcança duas vezes a mesma condição; mas pela intensidade e rapidez da mudança, dispersa e de novo reúne. HERÁCLITO. Fragmentos (Sobre a natureza) São Paulo: Abril Cultural, 1996 (adaptado).

TEXTO II Fragmento B8: São muitos os sinais de que o ser é ingênito e indestrutível, pois é compacto, inabalável sem fim; não foi nem será, pois é agora um todo homogêneo, uno, contínuo. Como poderia o que é perecer? Como poderia gerar-se? PARMÊNIDES. Da natureza. São Paulo: Loyola, 2002 (adaptado).

Os fragmentos do pensamento pré-socrático expõem uma oposição que se insere no campo das

a)
investigações do pensamento sistemático.
b)
preocupações do período mitológico.
c)
discussões de base ontológica.
d)
habilidade da retórica sofística.
e)
verdades do mundo sensível.
26.

(ENEM 2016) A democracia deliberativa afirma que as partes do conflito político devem deliberar entre si, e, por meio de argumentação razoável, tentar chegar a um acordo sobre as políticas que seja satisfatória para todos.

A democracia ativista desconfia das exortações à deliberação por acreditar que no mundo real da política, onde as desigualdades estruturais influenciam procedimento e resultados, processos democráticos que parecem cumprir as normas de deliberação geralmente tendem a beneficiar os agentes mais poderosos.

Ela recomenda portanto, que aqueles que se preocupam com a promoção de mais justiça devem realizar principalmente a atividade de oposição crítica, em vez de tentar chegar a um acordo com quem sustenta estruturas de poder existentes ou delas se beneficia.

YOUNG, I. M. Desafios ativistas à democracia deliberativa. Revista Brasileira de Ciência Política, n. 13, jan. abr. 2014.

As concepções de democracia deliberativa e de democracia ativista apresentadas no texto tratam como imprescindíveis, respectivamente,

a)
a decisão da maioria e a uniformização de direitos.
b)
a organização de eleições e o movimento anarquista.
c)
a obtenção do consenso e a mobilização das minorias.
d)
a fragmentação da participação e a desobediência civil.
e)
a imposição de resistência e o monitoramento da liberdade.
27.

(ENEM 2016) A promessa da tecnologia moderna se converteu em uma ameaça ou esta se associou àquela de forma indissolúvel. Ela vai além da constatação da ameaça física.

Concebida para a felicidade humana, a submissão da natureza, na sobremedida de seu sucesso, que agora se estende à própria natureza do homem, conduziu ao maior desafio já posto ao ser humano pela sua própria ação.

O novo continente da práxis coletiva que adentramos com a alta tecnologia ainda constitui, para a teoria ética, uma terra de ninguém.

JONAS, H. O princípio de responsabilidade. Rio de Janeiro: Contraponto: Editora PUC- Rio, 2011 (adaptado).

As implicações éticas da articulação apresentada no texto impulsionam a necessidade de construção de um novo padrão de comportamento, cujo objetivo consiste em garantir o(a)

a)
pragmatismo da escolha individual.
b)
sobrevivência de gerações futuras.
c)
fortalecimento de políticas liberais.
d)
valorização de múltiplas etnias.
e)
promoção da inclusão social.
28.

(enem 2014)

TEXTO I Olhamos o homem alheio às atividades públicas não como alguém que cuida apenas de seus próprios interesses, mas como um inútil; nós, cidadãos atenienses, decidimos as questões públicas por nós mesmos na crença de que não é o debate que é empecilho à ação, e sim o fato de não se estar esclarecido pelo debate antes de chegar a hora da ação.

TUCÍDIDES. História da Guerra do Peloponeso. Brasília: UnB, 1987 (adaptado).

TEXTO II Um cidadão integral pode ser definido nada menos que pelo direito de administrar justiça e exercer funções públicas; algumas destas, todavia, são limitadas quanto ao tempo de exercício, de tal modo que não podem de forma alguma ser exercidas duas vezes pela mesma pessoa, ou somente podem sê-lo depois de certos intervalos de tempo prefixados.

ARISTÓTELES. Política. Brasília: UnB, 1985.

Comparando os textos I e II, tanto para Tucídides (no século V a.C.) quanto para Aristóteles (no século IV a.C.),

a cidadania era definida pelo(a):

a)
prestígio social.
b)
acúmulo de riqueza.
c)
participação política.
d)
local de nascimento.
e)
grupo de parentesco.
29.

(Enem 2014)

Três décadas – de 1884 a 1914 – separam o século XIX – que terminou com a corrida dos países europeus para a África e com o surgimento dos movimentos de unificação nacional na Europa – do século XX, que começou com a Primeira Guerra Mundial.

É o período do Imperialismo, da quietude estagnante na Europa e dos acontecimentos empolgantes na Ásia e na África.

ARENDT. H. As origens do totalitarismo. São Paulo: Cia. das Letras, 2012.

O processo histórico citado contribuiu para a eclosão da Primeira Grande Guerra na medida em que

a)
difundiu as teorias socialistas.
b)
acirrou as disputas territoriais.
c)
superou as crises econômicas.
d)
multiplicou os conflitos religiosos.
e)
conteve os sentimentos xenófobos.
30.

(Enem 2014)

Alguns dos desejos são naturais e necessários; outros, naturais e não necessários; outros, nem naturais nem necessários, mas nascidos de vã opinião.

Os desejos que não nos trazem dor se não satisfeitos não são necessários, mas o seu impulso pode ser facilmente desfeito, quando é difícil obter sua satisfação ou parecem geradores de dano.

EPICURO DE SAMOS. Doutrinas principais. In: SANSON, V F. Textos de filosofia. Rio de Janeiro: Eduff, 1974.

No fragmento da obra filosófica de Epicuro, o homem tem como fim

a)
alcançar o prazer moderado e a felicidade.
b)
valorizar os deveres e as obrigações sociais.
c)
aceitar o sofrimento e o rigorismo da vida com resignação.
d)
refletir sobre os valores e as normas dadas pela divindade.
e)
defender a indiferença e a impossibilidade de se atingir o saber.
31.

(Enem 2014)

No centro da imagem, o filósofo Platão é retratado apontando para o alto.

Esse gesto significa que o conhecimento se encontra em uma instância na qual o homem descobre a:

a)
suspensão do juízo como reveladora da verdade.
b)
realidade inteligível por meio do método dialético.
c)
salvação da condição mortal pelo poder de Deus.
d)
essência das coisas sensíveis no intelecto divino.
e)
ordem intrínseca ao mundo por meio da sensibilidade.
32.

(Enem 2014) A filosofia encontra-se escri ta neste grande livro que continuamente se abre perante nossos olhos (isto é, o universo), que não se pode compreender antes de entender a língua e conhecer os caracteres com os quais está escrito.

Ele está escrito em língua matemática, os caracteres são t riângulos, circunferências e No centro da imagem, o filósofo Platão é retratado apontando para o alto.

Esse gesto significa que o conhecimento se encontra em uma instância na qual o ta neste grande livro que continuamente se abre perante nossos olhos (isto é, o universo), que não se pode compreender antes de entender a língua e conhecer os caracteres com os quais está escrito.

Ele está riângulos, circunferências e outras figuras geométricas, sem cujos meios é impossível entender humanamente as palavras; sem eles, vagamos perdidos dentro de um obscuro labirinto.

GALILEI, G. O ensaiador. Os pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1978.

No contexto da Revolução Científica do século XVII, assumir a posição de Galileu significava defender a

a)
continuidade do vínculo entre ciência e fé dominante na Idade Média.
b)
necessidade de o estudo linguístico ser acompanhado do exame matemático.
c)
oposição da nova física quantitativa aos pressupostos da filosofia escolástica.
d)
importância da independência da investigação científica pretendida pela Igreja.
e)
inadequação da matemática para elaborar uma explicação racional da natureza.
33.

(Enem 2015)

Apesar de seu disfarce de iniciativa e otimismo, o homem moderno está esmagado por um profundo sentimento de impotência que o faz olhar fixamente e, como que paralisado, para as catástrofes que se avizinham.

Por isso, desde já, saliente-se a n ecessidade de uma permanente atitude crítica, o único modo pelo qual o homem realizará sua vocação natural de integrar do simples ajustamento ou acomodação, apreendendo temas e tarefas de sua época.

FREIRE, P. Educação como prática da liberdade. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2011.

Paulo Freire defende que a superação das dificuldades e a apreensão da realidade atual será obtida pelo(a)

a)
desenvolvimento do pensamento autônomo.
b)
obtenção de qualificação profissional.
c)
resgate de valores tradicionais.
d)
realização de desejos pessoais.
e)

aumento da renda familiar.

34.

(Enem 2015)

Trasímaco estava impaciente porque Sócrates e os seus amigos presumiam que a justiça era algo real e importante.

Trasímaco negava isso.

Em seu entender, as pessoas acreditavam no certo e no errado apenas por terem sido ensinadas a obedecer às regras da sua sociedade. No entanto, essas regras não passavam de invenções humanas.

RACHELS, J. Problemas da Filosofia. Lisboa: Gradiva, 2009.

O sofista Trasímaco, personagem imortalizado no diálogo A República, de Platão,

sustentava que a correlação entre justiça e ética é resultado de

a)
determinações biológicas impregnadas na natureza humana.
b)
verdades objetivas com fundamento anterior aos interesses sociais.
c)
mandamentos divinos inquestionáveis legados das tradições antigas.
d)
convenções sociais resultantes de interesses humanos contingentes.
e)
sentimentos experimentados diante de determinadas atitudes humanas.
35.

(Enem 2015)

Todo o poder criativo da mente se reduz a nada mais do que a faculdade de compor, transpor, aumentar ou diminuir os materiais que nos fornecem os sentidos e a experiência.

Quando pensamos em uma montanha de ouro, não fazemos mais do que juntar duas ideias consistentes, ouro e montanha, que já conhecíamos.

Podemos conceber um cavalo virtuoso, porque somos capazes de conceber a virtude a partir de nossos próprios sentimento, e podemos unir a isso a figura e a forma de um cavalo, animal que nos é familiar.

HUME, D. Investigação sobre o entendimento humano. São Paulo: Abril Cultural, 1995.

Hume estabelece um vínculo entre pensamento e impressão ao considerar que

a)
os conteúdos das ideias no intelecto têm origem na sensação.
b)

o espírito é capaz de classificar os dados da percepção sensível.

c)
os sentimentos ordenam como os pensamentos devem ser processados na memória.
d)
as ideias têm como fonte específica o sentimento cujos dados são colhidos na empiria.
e)

as ideias fracas resultam de experiências sensoriais determinadas pelo acaso.

36.

(ENEM 2016)

Sentimos que toda satisfação de nossos desejos advinda do mundo assemelha-se à esmola que mantém hoje o mendigo vivo, porém prolonga amanhã a sua fome. A resignação, ao contrário, assemelha-se à fortuna herdada: livra o herdeiro para sempre de todas as preocupações.

SCHOPENHAUER, A. Aforismo para a sabedoria da vida. São Paulo: Martins Fontes, 2005.

O trecho destaca uma ideia remanescente de uma tradição filosófica ocidental,

segundo a qual a felicidade se mostra indissociavelmente ligada à

a)
consagração de relacionamentos afetivos.
b)
administração da independência interior.
c)
fugacidade do conhecimento empírico.
d)
liberdade de expressão religiosa.
e)
busca de prazeres efêmeros.
37.

(ENEM 2016)

Ser ou não ser — eis a questão.

Morrer — dormir — Dormir!

Talvez sonhar. Aí está o obstáculo!

Os sonhos que hão de vir no sono da morte

Quando tivermos escapado ao tumulto vital

Nos obriguam a hesitar: e é essa a reflexão

Que dá à desventura uma vida tão longa.

SHAKESPEARE, W. Hamlet. Porto Alegre: L&PM, 2007

Este solilóquio pode ser considerado um precursor do existencialismo ao enfatizar a tensão entre

a)
consciência de si e angústia humana.
b)
inevitabilidade do destino e incerteza moral.
c)
tragicidade da personagem e ordem do mundo.
d)
racionalidade argumentativa e loucura iminente.
e)
dependência paterna e impossibilidade de ação.
38.

Hoje, a indústria cultural assumiu a herança civilizatória da democracia de pioneiros e empresários, que tampouco desenvolvera uma fineza de sentido para os desvios espirituais.

Todos são livres para dançar e para se divertir do mesmo modo que, desde a neutralização histórica da religião, são livres para entrar em qualquer uma das inúmeras seitas.

Mas a liberdade de escolha da ideologia, que reflete sempre a coerção econômica, revela-se em todos os setores como a liberdade de escolher o que é sempre a mesma coisa.

ADORNO, T; HORKHEIMER, M. Dialética do esclarecimento: fragmentos filosóficos. Rio de Janeiro; Zahar, 1985

A liberdade de escolha na civilização ocidental, de acordo com a análise do texto, é um(a)

a)
legado social.
b)
patrimônio politico.
c)
produto da moralidade.
d)
conquista da humanidade.
e)
ilusão da contemporaneidade.
39.

(ENEM 2016)

Nunca nos tornaremos matemáticos, por exemplo, embora nossa memória possua todas as demonstrações feitas por outros, se nosso espírito não for capaz de resolver toda espécie de problemas; não nos tornaríamos filósofos, por ter lido todos os raciocínios de Platão e Aristóteles, sem poder formular um juízo sólido sobre o que nos é proposto.

Assim, de fato, pareceríamos ter aprendido, não ciências, mas histórias.

DESCARTES, R. Regras para a orientação do espírito. São Paulo: Martins Fontes, 1999.

Em sua busca pelo saber verdadeiro, o autor considera o conhecimento, de modo crítico, como resultado da

a)
investigação de natureza empírica.
b)
retomada da tradição intelectual.
c)
imposição de valores ortodoxos.
d)
autonomia do sujeito pensante.
e)
liberdade do agente moral.
40.

(ENEM 2016)

Fragmento B91: Não se pode banhar duas vezes no mesmo rio, nem substância mortal alcançar duas vezes a mesma condição; mas pela intensidade e rapidez da mudança, dispersa e de novo reúne.

HERÁCLITO. Fragmentos (Sobre a natureza). São Paulo: Abril Cultural, 1996 (adaptado).

Fragmento B8: São muitos os sinais de que o ser é ingênito e indestrutível, pois é compacto, inabalável e sem fim; não foi nem será, pois é agora um todo homogêneo, uno, contínuo. Como poderia o que é perecer? Como poderia gerar- se?

PARMÊNIDES. Da natureza. São Paulo: Loyola, 2002 (adaptado).

Os fragmentos do pensamento pré-socrático expõem uma oposição que se insere no campo das

a)
investigações do pensamento sistemático.
b)
preocupações do período mitológico.
c)
discussões de base ontológica.
d)
habilidades da retórica sofística.
e)
verdades do mundo sensível.
41.

(ENEM 2016)

A promessa da tecnologia moderna se converteu em uma ameaça, ou esta se associou àquela de forma indissolúvel.

Ela Vai além da constatação da ameaça física. Concebida para a felicidade humana, a submissão da natureza, na sobremedida de seu sucesso, que agora se estende à própria natureza do homem, conduziu ao maior desafio já posto ao ser humano pela sua própria ação.

O novo continente da práxis coletiva que adentramos com a alta tecnologia ainda constitui, para a teoria ética, uma terra de ninguém.

JONAS, H. O princípio da responsabilidade. Rio de Janeiro: Contraponto; Editora PUC-Rio, 2011 (adaptado).

As implicações éticas da articulação apresentada no texto impulsionam a necessidade de construção de um novo padrão de comportamento, cujo objetivo consiste em garantir o(a)

a)
pragmatismo da escolha individual.
b)
sobrevivência de gerações futuras.
c)
fortalecimento de políticas liberais.
d)
valorização de múltiplas etnias.
e)
promoção da inclusão social.
42.

(ENEM 2017)

Sentimos que toda satisfação de nossos desejos advinda do mundo assemelha-se à esmola que mantém hoje o mendigo vivo, porém prolonga amanhã a sua fome.

A resignação, ao contrário, assemelha-se à fortuna herdada: livra o herdeiro para sempre de todas as preocupações.

SCHOPENHAUER, A. Aforismo para a sabedoria da vida. São Paulo: Martins Fontes, 2005.

O trecho destaca uma ideia remanescente de uma tradição filosófica ocidental, segundo a qual a felicidade se mostra indissociavelmente ligada à Alternativas

a)
consagração de relacionamentos afetivos.
b)
administração da independência interior.
c)
fugacidade do conhecimento empírico.
d)
liberdade de expressão religiosa.
e)
busca de prazeres efêmeros.
43.

(ENEM 2017)

TEXTO I Fragmento B91: Não se pode banhar duas vezes no mesmo rio, nem substância mortal alcançar duas vezes a mesma condição; mas pela intensidade e rapidez da mudança, dispersa e de novo reúne.

HERÁCLITO. Fragmentos (Sobre a natureza). São Paulo: Abril Cultural, 1996 (adaptado).

TEXTO II Fragmento B8: São muitos os sinais de que o ser é ingênito e indestrutível, pois é compacto, inabalável e sem fim; não foi nem será, pois é agora um todo homogêneo, uno, contínuo. Como poderia o que é perecer? Como poderia gerar-se?

PARMÊNIDES. Da natureza. São Paulo: Loyola, 2002 (adaptado).

Os fragmentos do pensamento pré-socrático expõem uma oposição que se insere no campo das

a)
investigações do pensamento sistemático.
b)
preocupações do período mitológico.
c)
discussões de base ontológica.
d)
habilidades da retórica sofística.
e)
verdades do mundo sensível.
44.

(ENEM 2017)

Ser moderno é encontrar-se em um ambiente que promete aventura, poder, alegria, crescimento, autotransformação e transformação das coisas em redor — mas ao mesmo tempo ameaça destruir tudo o que temos, tudo o que sabemos, tudo o que somos.

A experiência ambiental da modernidade anula todas as fronteiras geográficas e raciais, de classe e nacionalidade: nesse sentido, pode-se dizer que a modernidade une a espécie humana.

Porém, é uma unidade paradoxal, uma unidade de desunidade.

BERMAN, M. Tudo que é sólido desmancha no ar: a aventura da modernidade. São Paulo: Cia. das Letras, 1986 (adaptado).

O texto apresenta uma interpretação da modernidade que a caracteriza como um(a)

a)
dinâmica social contraditória.
b)
interação coletiva harmônica.
c)
fenômeno econômico estável.
d)
sistema internacional decadente.
e)
processo histórico homogeneizador.
45.

(Enem 2017)

A representação de Demócrito é semelhante à de Anaxágoras, na medida em que um infinitamente múltiplo é a origem; mas nele a determinação dos princípios fundamentais aparece de maneira tal que contém aquilo que para o que foi formado não é, absolutamente, o aspecto simples para si.

Por exemplo, partículas de carne e de ouro seriam princípios que, através de sua concentração, formam aquilo que aparece como figura.

HEGEL. G. W. F. Crítica moderna. In: SOUZA, J. C. (Org.). Os pré-socrática : vida e obra. São Paulo: Nova Cultural. 2000 (adaptado).

O texto faz uma apresentação crítica acerca do pensamento de Demócrito,

segundo o qual o “princípio constitutivo das coisas” estava representado pelo(a)

a)
número, que fundamenta a criação dos deuses.
b)
devir, que simboliza o constante movimento dos objetos.
c)
água, que expressa a causa material da origem do universo.
d)
imobilidade, que sustenta a existência do ser atemporal.
e)
átomo, que explica o surgimento dos entes.
46.

(Enem 2017)

Uma conversação de tal natureza transforma o ouvinte; o contato de Sócrates paralisa e embaraça; leva a refletir sobre si mesmo, a imprimir à atenção uma direção incomum:

os temperamentais, como Alcibíades, sabem que encontrarão junto dele todo o bem de que são capazes, mas fogem porque receiam essa influência poderosa, que os leva a se censurarem.

E sobretudo a esses jovens, muitos quase crianças, que ele tenta imprimir sua orientação.

BRÉHIER, E. História da filosofia . São Paulo: Mestre Jou, 1977.

O texto evidencia características do modo de vida socrático, que se baseava na

a)
contemplação da tradição mítica.
b)
sustentação do método dialético.
c)
relativização do saber verdadeiro.
d)
valorização da argumentação retórica.
e)
investigação dos fundamentos da natureza.
47.

Enem (Libras) 2017)

Alguns pensam que Protágoras de Abdera pertence também ao grupo daqueles que aboliram o critério, uma vez que ele afirma que todas as impressões dos sentidos e todas as opiniões são verdadeiras, e que a verdade é uma coisa relativa, uma vez que tudo o que aparece a alguém ou é opinado por alguém é imediatamente real para essa pessoa.

KERFERD, G. B. O movimento sofista . São Paulo: Loyola, 2002 (adaptado).

O grupo ao qual se associa o pensador mencionado no texto se caracteriza pelo objetivo de

a)
Alcançar o conhecimento da natureza por meio da experiência.
b)
Justificar a veracidade das afirmações com fundamentos universais.
c)
Priorizar a diversidade de entendimentos acerca das coisas.
d)
Preservar as regras de convivência entre os cidadãos.
e)
analisar o princípio do mundo conforme a teogonia.
48.

(Enem 2017)

O conceito de democracia, no pensamento de Habermas, é construído a partir de uma dimensão procedimental, calcada no discurso e na deliberação.

A legitimidade democrática exige que o processo de tomada de decisões políticas ocorra a partir de uma ampla discussão pública, para somente então decidir.

Assim, o caráter deliberativo corresponde a um processo coletivo de ponderação e análise, permeado pelo discurso, que antecede a decisão.

VITALE. D. Jürgen Habermas, modernidade e democracia deliberativa. Cadernos do CRH (UFBA), v. 19, 2006 (adaptado).

O conceito de democracia proposto por Jürgen Habermas pode favorecer processos de inclusão social.

De acordo com o texto, é uma condição para que isso aconteça o(a)

a)
participação direta periódica do cidadão.
b)
debate livre e racional entre cidadãos e Estado.
c)
interlocução entre os poderes governamentais.
d)
eleição de lideranças políticas com mandatos temporários.
e)
controle do poder político por cidadãos mais esclarecidos.
49.

(Enem 2017)

Uma pessoa vê-se forçada pela necessidade a pedir dinheiro emprestado.

Sabe muito bem que não poderá pagar, mas vê também que não lhe emprestarão nada se não prometer firmemente pagar em prazo determinado.

Sente a tentação de fazer a promessa; mas tem ainda consciência bastante para perguntar a si mesma: não é proibido e contrário ao dever livrar-se de apuros desta maneira?

Admitindo que se decida a fazê-lo, a sua máxima de ação seria: quando julgo estar em apuros de dinheiro, vou pedi-lo emprestado e prometo pagá-lo, embora saiba que tal nunca sucederá.

KANT, I. Fundamentação da metafísica dos costumes . São Paulo: Abril Cultural, 1980.

De acordo com a moral kantiana, a “falsa promessa de pagamento” representada no texto

a)
assegura que a ação seja aceita por todos a partir da livre discussão participativa.
b)

garante que os efeitos das ações não destruam a possibilidade da vida futura na terra..

c)
materializa-se no entendimento de que os fins da ação humana podem justificar os meios.
d)
permite que a ação individual produza a mais ampla felicidade para as pessoas envolvidas.
e)

opõe-se ao princípio de que toda ação do homem possa valer como norma universal.

50.

(Enem 2017)

A moralidade, Bentham exortava, não é uma questão de agradar a Deus, muito menos de fidelidade a regras abstratas.

A moralidade é a tentativa de criar a maior quantidade de felicidade possível neste mundo.

Ao decidir o que fazer, deveríamos, portanto, perguntar qual curso de conduta promoveria a maior quantidade de felicidade para todos aqueles que serão afetados.

RACHELS. J. Os elementos da filosofia moral , Barueri-SP; Manole. 2006.

Os parâmetros da ação indicados no texto estão em conformidade com uma

a)
fundamentação científica de viés positivista.
b)
convenção social de orientação normativa.
c)
transgressão comportamental religiosa.
d)
racionalidade de caráter pragmático.
e)
inclinação de natureza passional.
51.

(Enem 2017)

Se, pois, para as coisas que fazemos existe um fim que desejamos por ele mesmo e tudo o mais é desejado no interesse desse fim; evidentemente tal fim será o bem, ou antes, o sumo bem.

Mas não terá o conhecimento, porventura, grande influência sobre essa vida? Se assim é, esforcemo- nos por determinar, ainda que em linhas gerais apenas, o que seja ele e de qual das ciências ou faculdades constitui o objeto.

Ninguém duvidará de que o seu estudo pertença à arte mais prestigiosa e que mais verdadeiramente se pode chamar a arte mestra.

Ora, a política mostra ser dessa natureza, pois é ela que determina quais as ciências que devem ser estudadas num Estado, quais são as que cada cidadão deve aprender, e até que ponto; e vemos que até as faculdades tidas em maior apreço, como a estratégia, a economia e a retórica, estão sujeitas a ela.

Ora, como a política utiliza as demais ciências e, por outro lado, legisla sobre o que devemos e o que não devemos fazer, a finalidade dessa ciência deve abranger as das outras, de modo que essa finalidade será o bem humano.

ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. In: Pensadores . São Pauto: Nova Cultural, 1991 (adaptado).

Para Aristóteles, a relação entre o sumo bem e a organização da pólis pressupõe que

a)
o bem dos indivíduos consiste em cada um perseguir seus interesses.
b)
o sumo bem é dado pela fé de que os deuses são os portadores da verdade.
c)
a política é a ciência que precede todas as demais na organização da cidade.
d)
a educação visa formar a consciência de cada pessoa para agir corretamente.
e)
a democracia protege as atividades políticas necessárias para o bem comum.
52.

(ENEM/2017)

A crítica é uma questão de distância certa.

O olhar hoje mais essencial, o olho mercantil que penetra no coração das coisas, chama-se propaganda.

Esta arrasa o espaço livre da contemplação e aproxima tanto as coisas, coloca-as tão debaixo do nariz quanto o automóvel que sai da tela de cinema e cresce, gigantesco, tremeluzindo em direção a nós.

E, do mesmo modo que o cinema não oferece móveis e fachadas a uma observação crítica completa, mas dá apenas a sua espetacular, rígida e repentina proximidade, também a propaganda autêntica transporta as coisas para primeiro plano e tem um ritmo que corresponde ao de um bom filme.

BENJAMIN, W. Rua de mão única : infância berlinense – 1900. Belo Horizonte: Autêntica, 2013 (adaptado).

O texto apresenta um entendimento do filósofo Walter Benjamin,

segundo o qual a propaganda dificulta o procedimento de análise crítica em virtude do(a)

a)
caráter ilusório das imagens.
b)
evolução constante da tecnologia.
c)
aspecto efêmero dos acontecimentos.
d)
conteúdo objetivo das informações.
e)
natureza emancipadora das opiniões.
53.

(enem 2018)

O filósofo reconhece-se pela posse inseparável do gosto da evidência e do sentido da ambiguidade.

Quando se limita a suportar a ambiguidade, esta se chama equívoco.

Sempre aconteceu que, mesmo aqueles que pretenderam construir uma filosofia absolutamente positiva, só conseguiram ser filósofos na medida em que, simultaneamente, se recusaram o direito de se instalar no saber absoluto.

O que caracteriza o filósofo é o movimento que leva incessantemente do saber à ignorância, da ignorância ao saber, e um certo repouso neste movimento.

MERLEAU-PONTY, M. Elogio da filosofia. Lisboa: Guimarães, 1998 (adaptado).

O texto apresenta um entendimento acerca dos elementos constitutivos da atividade do filósofo,

que se caracteriza por

a)
reunir os antagonismos das opiniões ao método dialético.
b)
ajustar a clareza do conhecimento ao inatismo das ideias.
c)
associar a certeza do intelecto à imutabilidade da verdade.
d)
conciliar o rigor da investigação à inquietude do questionamento.
e)
compatibilizar as estruturas do pensamento aos princípios fundamentais.
54.

TEXTO I Tudo aquilo que é válido para um tempo de guerra, em que todo homem é inimigo de todo homem, é válido também para o tempo durante o qual os homens vivem sem outra segurança senão a que lhes pode ser oferecida por sua própria força e invenção.

HOBBES, T. Leviatã. São Paulo: Abril Cultural, 1983.

TEXTO II Não vamos concluir, com Hobbes que, por não ter nenhuma ideia de bondade, o homem seja naturalmente mau. Esse autor deveria dizer que, sendo o estado de natureza aquele em que o cuidado de nossa conservação é menos prejudicial à dos outros, esse estado era, por conseguinte, o mais próprio à paz e o mais conveniente ao gênero humano.

ROUSSEAU, J.-J. Discurso sobre a origem e o fundamento da desigualdade entre os homens. São Paulo: Martins Fontes, 1993 (adaptado).

Os trechos apresentam divergências conceituais entre autores que sustentam um entendimento segundo o qual

a igualdade entre os homens se dá em razão de uma

a)
predisposição ao conhecimento.
b)
submissão ao transcendente.
c)
tradição epistemológica.
d)
condição original.
e)
vocação política.
55.

O século XVIII é, por diversas razões, um século diferenciado.

Razão e experimentação se aliavam no que se acreditava ser o verdadeiro caminho para o estabelecimento do conhecimento científico, por tanto tempo almejado.

O fato, a análise e a indução passavam a ser parceiros fundamentais da razão.

É ainda no século XVIII que o homem começa a tomar consciência de sua situação na história.

ODALIA, N. In: PINSKY, J.; PINSKY, C. B. História da cidadania. São Paulo: Contexto, 2003.

No ambiente cultural do Antigo Regime,

a discussão filosófica mencionada no texto tinha como uma de suas características a

a)
aproximação entre inovação e saberes antigos.
b)
conciliação entre revelação e metafísica platônica.
c)
vinculação entre escolástica e práticas de pesquisa.
d)
separação entre teologia e fundamentalismo religioso.
e)
contraposição entre clericalismo e liberdade de pensamento.
56.

A primeira fase da dominação da economia sobre a vida social acarretou, no modo de definir toda realização humana, uma evidente degradação do ser para o ter.

A fase atual, em que a vida social está totalmente tomada pelos resultados da economia, leva a um deslizamento generalizado do ter para o parecer, do qual todo ter efetivo deve extrair seu prestígio imediato e sua função última.

Ao mesmo tempo, toda realidade individual tornou-se social, diretamente dependente da força social, moldada por ela.

DEBORD, G. A sociedade do espetáculo. Rio de Janeiro: Contraponto, 2015.

Uma manifestação contemporânea do fenômeno descrito no texto é o(a)

a)
valorização dos conhecimentos acumulados.
b)
exposição nos meios de comunicação.
c)
aprofundamento da vivência espiritual.
d)
fortalecimento das relações interpessoais.
e)
reconhecimento na esfera artística.
57.

A quem não basta pouco, nada basta.

EPICURO. os pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1985.

Remanescente do período helenístico,

a máxima apresentada valoriza a seguinte virtude:

a)
Esperança, tida como confiança no porvir.
b)
Justiça, interpretada como retidão de caráter.
c)
Temperança, marcada pelo domínio da vontade.
d)
Coragem, definida como fortitude na dificuldade.
e)
Prudência, caracterizada pelo correto uso da razão.
58.

Desde que tenhamos compreendido o significado da palavra “Deus”, sabemos, de imediato, que Deus existe.

Com efeito, essa palavra designa uma coisa de tal ordem que não podemos conceber nada que lhe seja maior.

Ora, o que existe na realidade e no pensamento é maior do que o que existe apenas no pensamento.

Donde se segue que o objeto designado pela palavra “Deus”, que existe no pensamento, desde que se entenda essa palavra, também existe na realidade.

Por conseguinte, a existência de Deus é evidente.

Tomás de Aquino. Suma Teológica. Rio de Janeiro: Loyola, 2002.

O texto apresenta uma elaboração teórica de Tomás de Aquino caracterizada por

a)
reiterar a ortodoxia religiosa contra os heréticos.
b)
sustentar racionalmente doutrina alicerçada na fé.
c)
explicar as virtudes teológicas pela demonstração.
d)
flexibilizar a interpretação oficial dos textos sagrados.
e)
justificar pragmaticamente crença livre de dogmas.
59.

Não é verdade que estão ainda cheios de velhice espiritual aqueles que nos dizem:

“Que fazia Deus antes de criar o céu e a terra?

Se estava ocioso e nada realizava”, dizem eles, “por que não ficou sempre assim no decurso dos séculos, abstendo-se, como antes, de toda ação?

Se existiu em Deus um novo movimento, uma vontade nova para dar o ser a criaturas que nunca antes criar, como pode haver verdadeira eternidade, se n’Ele aparece uma vontade que antes não existia?”

Santo Agostinho. Confissões.

A questão da eternidade, tal como abordada pelo autor, é um exemplo de reflexão filosófica sobre a(s)

a)
essência da ética cristã.
b)
natureza universal da criação.
c)
certezas inabaláveis da experiência.
d)
abrangência da compreensão humana.
e)
interpretação da realidade circundante.