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Atividade Grupo Goiaba

Total questions: 4

Worksheet time: 10mins

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1-5.

TEXTO 01:

Desburocratização ou devastação? A boiada que vai destruir o Brasil

 

Duda Salabert

 

Os homens de ternos azuis que andam pelo Congresso querem nos convencer a todo custo de que o licenciamento ambiental atualmente é um entrave. Dizem que é lento, complexo, travado: querem reduzir toda discussão à burocracia. Anunciam nos microfones e coletivas de imprensa que seguir regras e ter rigor atrasam o desenvolvimento do país. Mas quem repete isso não fala das vidas salvas, nem dos territórios protegidos, nem dos rios que ainda correm livres porque alguém, em algum órgão ambiental, se recusou a dizer “sim” com pressa.

O que emperra o Brasil não é o cuidado. É a ganância, a insistência de um modelo econômico falido que acha que o que trará desenvolvimento ao país é moer montanhas a qualquer custo, furar poços de petróleo em meio à biodiversidade e espalhar pelo país plantações que pouco alimentam as pessoas.

O Projeto de Lei 2.159/2021 é apresentado (e praticamente aprovado) como bala de prata para os problemas do licenciamento ambiental. No entanto, basta olhar com um pouco mais de atenção para perceber: não querem desburocratizar, querem desmontar. Querem empurrar goela abaixo um modelo em que os estudos viram formalidade, o controle social vira incômodo e a consulta às comunidades vira detalhe dispensável.

Com o PL da Devastação, querem transformar a maior parte do licenciamento em autodeclaração. O empreendedor diz que não tem impacto e pronto, recebe a licença. Sem debate, sem estudo, sem análise, ao gosto do grupo político que está no poder. Um papel impresso que vale mais que a lama que engoliu Mariana e destruiu o Rio Doce. Uma assinatura que vale mais que as 272 vidas soterradas em Brumadinho. Um clique que vale mais que os bairros inteiros tragados em Maceió.

A grande ironia é que tudo isso acontece enquanto o Brasil tenta se mostrar o grande embaixador da agenda climática, enquanto posa de anfitrião da COP30 e diz ao mundo que quer preservar a Amazônia. Como acreditar nesse discurso, se ao mesmo tempo se estimula a exploração de petróleo na Foz do Amazonas e se aprova um projeto que rasga o licenciamento ambiental?

É pura incoerência, para dizer o mínimo. Não há futuro possível se o preço do progresso for a morte lenta dos nossos biomas. Não há desenvolvimento justo se comunidades forem silenciadas. Não há transição energética sem justiça climática.

O que o Brasil precisa não é de menos licença. É de mais estrutura nos órgãos ambientais. Tecnologia que una gente e natureza. Precisamos de coragem para enfrentar os interesses que lucram com a destruição, os mesmos que financiam os homens de ternos azuis do Congresso.

Se aprovarem esse projeto, que se preparem para assinar também o atestado das próximas tragédias. Porque quando o licenciamento ambiental vira ficção, a catástrofe vira certeza.

Disponível em: https://midianinja.org/opiniao/desburocratizacao-ou-devastacao-a-boiada-que-vai-destruir-o-brasil/.

1.

O tema central do texto é:

a)

A importância do turismo no Brasil.

b)

A crítica ao enfraquecimento das leis ambientais.

c)

O incentivo à exploração do petróleo nacional.

d)

O apoio ao agronegócio moderno.

2.

Segundo o texto, o PL 2.159/2021 busca:

a)

Fortalecer o licenciamento ambiental.

b)

Reduzir a burocracia sem alterar as leis.

c)

Desmontar o controle e a fiscalização ambiental.

d)

Criar novas reservas ambientais.

3.

O autor considera o termo “bala de prata” uma ironia porque:

a)

O projeto causa destruição e não solução.

b)

O projeto resolve rapidamente todos os problemas.

c)

A metáfora não tem relação com o tema.

d)

O texto é favorável ao projeto.

4.

O texto menciona tragédias ambientais (como Mariana e Brumadinho) para:

a)

Relembrar acidentes históricos.

b)

Justificar a mineração no Brasil.

c)

Homenagear as vítimas.

d)

Mostrar as consequências da falta de fiscalização.

5.

A expressão “boiada que vai destruir o Brasil” significa:

a)

Uma hipérbole para o aumento do desmatamento resultante da pecuária.

b)

A metáfora para a aprovação descontrolada de leis ambientais destrutivas.

c)

A metáfora para o apoio do Congresso à agricultura sustentável.

d)

Uma hipérbole para a aprovação de leis ambientais mais rígidas.

6-10.

TEXTO 02:

Ecocídio, a agonia do Cerrado

 

Luiz Marques

 

O Cerrado é o segundo maior bioma do Brasil, ocupando uma área de 2.036.448 km2, cerca de 22% do território nacional. O Ministério do Meio Ambiente assim define esse bioma: “O Cerrado brasileiro é reconhecido como a savana mais rica do mundo, abrigando 11.627 espécies de plantas nativas já catalogadas. (…) Cerca de 199 espécies de mamíferos são conhecidas, e a rica avifauna compreende cerca de 837 espécies. Os números de peixes (1.200 espécies), répteis (180 espécies) e anfíbios (150 espécies) são elevados. (…) De acordo com estimativas recentes, o Cerrado é o refúgio de 13% das borboletas, 35% das abelhas e 23% dos cupins dos trópicos”. No Cerrado vivem 5% de todas as espécies do planeta e 30% das espécies do país, sendo que mais de 32% dessas espécies são endêmicas. De fato, mais de 4.800 espécies de plantas e de vertebrados são exclusivas dessa região. Além disso, das 5.487 espécies de mamíferos conhecidas no mundo, 700 estão no Brasil e 199 estão no Cerrado.

Extermínio da cobertura vegetal nativa e da biodiversidade

A manta vegetal nativa e a biodiversidade do Cerrado estão sendo exterminadas, sobretudo, pelo agronegócio. “O Cerrado já perdeu cerca de 70% de sua cobertura original”. Essa cobertura foi eliminada para dar lugar a pastagens e a commodities para exportação. Ao importar essas commodities, os países setentrionais estão importando indiretamente a água do Cerrado e de outros biomas tropicais, e exportando extinção de espécies ao destruir 15 vezes mais biodiversidade nos países exportadores de commodities do que dentro de suas próprias fronteiras.

Tal é a razão por que o Cerrado, a “caixa d’água” do Brasil, está secando. Berço de seis das oito bacias hidrográficas mais importantes do país, o Cerrado fornece cerca de 70% da água do São Francisco e 47% da do Rio Paraná. Essa matriz hídrica está secando: 91% das bacias hidrográficas do Cerrado perderam superfície natural de água em relação à média histórica de 1985-2024.

O desmatamento no bioma vem se espraiando sobretudo pelo Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia). Em 2024, o desmatamento nesses estados concentrou 75% do desmatamento do Cerrado e cerca de 42% de toda a perda de vegetação nativa no país. Esses quatro estados, que abrigam 47,8% da vegetação remanescente do Cerrado, têm sido o principal foco de desmatamento. Cada um deles tem pelo menos um município com mais de 30% de perda de vegetação nativa entre 2008 e 2023. É quase inacreditável que em 15 anos um município tenha perdido mais de 30% de sua vegetação nativa.

As projeções para este segundo quarto de século são nada menos que catastróficas para o Cerrado como um todo: “Mantidas as tendências atuais, 31% a 34% da área restante da cobertura vegetal do Cerrado deve ser suprimida até 2050 (…), levando à extinção cerca de 480 espécies de plantas endêmicas – três vezes mais que todas as extinções documentadas desde 1500”. Essas projeções foram feitas em 2017. Apenas cinco anos depois, o desmatamento, as ondas e picos de calor, as secas e os incêndios agravaram esse quadro.

Os resultados de uma pesquisa de 2022 indicam, de fato, que “a conversão das florestas do Cerrado em monoculturas e pastagens aumentou a temperatura média superficial em cerca de 3,5 °C e reduziu a evapotranspiração média anual em 44% e 39% respectivamente”.

Desmatamento, perda de biodiversidade, secas, incêndios, uso crescente de agrotóxicos, captação abusiva de água e falta de governança agem em sinergia como um acelerador do aquecimento e estão condenando o Cerrado à morte no horizonte dos próximos decênios. O alerta do próprio Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação é claro. O relatório “Mudança do Clima no Brasil – Síntese Atualizada e Perspectivas para Decisões Estratégicas”, publicado em 2024 pelo MCTI afirma, acerca do Cerrado: “A mudança de uso e cobertura do solo, aliada à mudança climática em curso, impactou fortemente sua biodiversidade e levou 657 espécies de plantas à extinção nesse bioma, mais do que quatro vezes o recorde global de extinção de espécies. (…) Os efeitos das mudanças climáticas, expressos por secas e ondas de calor, causam estresse às plantas, comprometendo seu crescimento e aumentando sua mortalidade”.

O Cerrado chegou a uma situação-limite. Mantido o atual modelo econômico injusto, ecocida e suicida, não há saída nem para esse bioma agonizante, nem para o Brasil e nem para os demais países da região. A única possibilidade de conservar e restaurar o que resta desse bioma, na medida do ainda possível, é descontinuar drasticamente a atividade do agronegócio, promovendo uma reforma agrária popular, condição de possibilidade de uma agricultura genuína, produtora de alimentos saudáveis, sem agrotóxicos, próximos do consumidor e geradora de prosperidade. Só não vê isso quem não quer ou quem lucra com a destruição.

Disponível em: https://www.brasildefato.com.br/2025/09/10/a-agonia-do-cerrado/.

6.

O texto trata principalmente:

a)

Da importância econômica do agronegócio.

b)

Da destruição do Cerrado brasileiro.

c)

Da recuperação das florestas do Cerrado.

d)

Da relação entre Cerrado e Amazônia.

7.

Segundo o autor, o Cerrado é considerado:

a)

A “caixa d’água do Brasil”, vital para os rios nacionais.

b)

Um bioma pobre em biodiversidade.

c)

Um território sem importância ambiental.

d)

Uma área desabitada e intocada.

8.

A principal causa da destruição do Cerrado é:

a)

A pecuária e o turismo rural.

b)

O aumento da biodiversidade.

c)

O agronegócio e o desmatamento.

d)

O excesso de chuvas.

9.

O autor utiliza dados sobre espécies e bacias hidrográficas para:

a)

Apoiar a tese de que os combustíveis fósseis são responsáveis pelo desmatamento no Cerrado.

b)

Criticar as ações governamentais de preservação ambiental.

c)

Mostrar que o Cerrado ainda pode ser recuperado.

d)

Comprovar a gravidade da situação do bioma.

10.

A proposta do autor para reverter a destruição é:

a)

Regular a exportação de commodities.

b)

Apoiar o agronegócio e a mineração.

c)

Promover uma reforma agrária popular e sustentável.

d)

Ampliar leis que regulamentem o uso de agrotóxicos.

11.

O que há de comum entre os dois textos?

a)

Ambos denunciam ações humanas que causam destruição ambiental.

b)

Ambos defendem o agronegócio.

c)

Um critica a burocracia das leis ambientais, o outro mostra a importância da biodiversidade do Cerrado.

d)

Um critica a PL da Devastação, o outro mostra a importância do agronegócio para o Cerrado.

12.

Enquanto o texto 1 critica um projeto de lei, o texto 2 denuncia:

a)

A falta de biodiversidade no Brasil.

b)

O avanço do agronegócio e do desmatamento no Cerrado.

c)

A exploração da biodiversidade do Cerrado.

d)

O excesso de burocracia para a preservação do Cerrado.