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WorksheetsLendo Diário de Anne Frank
Total questions: 8
Worksheet time: 2hrs 57mins
Apresentação
Há quarenta anos, no período de ocupação da Holanda pelos nazistas, as famílias Frank e Van Daan, além do dr. Dussel, todos de origem judaica, refugiaram-se nos fundos de um estabelecimento comercial no centro da cidade de Amsterdam.
Nesse esconderijo, essas pessoas permaneceram de julho de 1942 até agosto de 1944, quando foram descobertas. Durante esse período, Anne, a filha mais nova dos Frank, redigiu um diário em alguns cadernos que levara consigo. Neles, registrou todo o tempo que ali viveram.
Anne estava, no início de seu diálogo com Kitty — nome que deu ao diário —, com treze anos, momento importante para todo mundo; para o papel foram, então, todas as suas observações e preocupações com a vida e consigo mesma, o contato com o mundo, com a história e com o outro.
Descoberto o Anexo Secreto, seus ocupantes foram presos, deixando no local seus pertences, que foram resgatados por amigos depois de algum tempo. Dentre os objetos ali deixados, encontrou-se o diário de Anne. Após o término da guerra, transformado em livro, o diário foi traduzido e divulgado ao mundo todo.
Domingo, 14 de junho de 1942
Na sexta-feira acordei às seis. O que não é de se estranhar, afinal era meu aniversário! Mas não posso levantar tão cedo e tive de segurar minha curiosidade até as seis e quarenta e cinco. Depois não me segurei mais. Corri até a sala de jantar, onde o Moortje, o nosso gatinho, cumprimentou-me com muita festa. Depois das sete fui com meus pais para a sala e olhei meus presentes. Foi você, meu diário, que vi primeiro. E era, sem dúvida, o presente mais lindo. Ganhei flores também. Rosas e peônias. Mais tarde recebi mais flores.
Papai e mamãe me deram muitos outros presentes e os amigos também me mimaram muito naquele dia. Ganhei um livro chamado Câmara Obscura, muitos doces, um jogo de paciência, um broche e os livros Os Mitos e Lendas Holandeses, de Joseph Gohen e A viagem de férias de Daisy para as Montanhas. Ganhei também presente em dinheiro, que usei para comprar Mitos Gregos e Romanos. Muito legal!
Depois, Lies veio me buscar para irmos à escola. Para comemorar, distribuí doces para os professores.
Por hoje vou terminar. Estou muito contente em ter você, meu diário.
Qual foi o presente mais especial que a narradora recebeu no seu aniversário?
Um diário
Flores
Um broche
Um jogo de paciência
O que a narradora fez para comemorar seu aniversário na escola?
Distribuiu doces para os professores
Levou um bolo para os colegas
Organizou uma festa de Halloween.
Apresentou um trabalho especial de Física.
Qual livro a narradora comprou com o dinheiro que recebeu de presente?
Mitos Gregos e Romanos
Hai-kais do Menino Maluqinho.
O Léo e o Cata-vento
A viagem de férias de Daisy para as Montanhas
Segunda-feira, 15 de junho de 1942
A minha festa de aniversário foi na tarde de domingo. Passamos um filme do Rin Tin Tin, que todo mundo adorou. Falamos muitas bobagens e a gente se divertiu muito. Vieram muitos amigos e amigas. A mamãe sempre quer saber com quem eu quero me casar. Acho que ela ficaria espantada se soubesse que gosto do Peter Schiff. Sempre finjo que não estou nem aí quando falam dele.
Convivo há anos com a Lies Goosens e a Sanne Houtman. Até agora elas tinham sido as minhas melhores amigas. Ultimamente conheci Jopie van der Waal no liceu judaico. Estamos muitas vezes juntas, e hoje ela é a minha melhor amiga. A Lies, agora, anda mais vezes com uma outra amiga, e a Sanne frequenta outra escola onde arranjou uma amiga.
Qual foi o filme exibido na festa de aniversário de Anne?
Rin Tin Tin
O Mágico de Oz
Branca de Neve
Cinderela
Quem é a melhor amiga de Anne atualmente?
Lies Goosens
Sanne Houtman
Jopie van der Waal
Peter Schiff
Quem Anne gosta secretamente?
Peter Schiff
Jopie van der Waal
Rin Tin Tin
Sanne Houtman
Sábado, 20 de junho de 1942
Durante uns dias não escrevi nada porque quis pensar seriamente na finalidade e no sentido de um diário. Tenho uma sensação especial ao escrever o meu diário. Acho que mais tarde, nem eu nem ninguém achará interesse nos desabafos de uma garota de treze anos. Mas na realidade tudo isso não importa. Gosto de escrever e quero aliviar o meu coração de todos os pesos. O papel é mais paciente do que os homens. Era nisso que eu pensava muitas vezes quando, nos meus dias melancólicos, punha a cabeça entre as mãos sem saber o que fazer comigo. Ora queria ficar em casa, ora queria sair e, na maior parte das vezes, ficava sem sair do lugar. Sim, o papel é paciente! E não tenciono mostrar este caderno com o nome pomposo de diário para ninguém. A não ser que um dia venha a ter um grande amigo ou grande amiga.
De resto, a mais ninguém pode interessar o que vou escrever. E pronto! Cheguei ao ponto principal de todas estas considerações: não tenho uma verdadeira amiga! Vou me explicar melhor, pois ninguém pode compreender que uma garota de treze anos se sinta só. É mesmo estranho. Tenho pais simpáticos e bons, tenho uma irmã de dezesseis anos, uns trinta conhecidos ou o que se chama amigos. Tenho uma legião de admiradores que me fazem todas as vontades. Na aula, eles olham meu rosto com um espelhinho de bolso e só se dão por satisfeitos quando eu rio. Tenho parentes, tias e tios, muito simpáticos, uma casa bonita, e, pensando bem, não me falta nada, a não ser uma amiga! Com todos os meus numerosos conhecidos, só consigo fazer bobagens ou falar sobre coisas banais. Pode ser que esta falta de confiança seja defeito meu. Mas não há nada a fazer e lamento não poder mudar as coisas.
Por tudo isso é que escrevo um diário. É para eu fazer de conta que tenho uma grande amiga. A este diário, que vai ser minha grande amiga, vou dar o nome de Kitty.
Seria incompreensível a minha conversa com a Kitty se eu não contasse primeiro a história da minha vida, embora sem grande vontade.
Quando meus pais se casaram, o meu pai tinha 36 anos e a minha mãe, 25. Minha irmã Margot nasceu em 1926 em Frankfurt. E em 12 de junho de 1929 eu nasci. Como somos judeus, emigramos, em 1933, para a Holanda, onde meu pai se tornou diretor da Travis A-G. Essa firma trabalha em estreita ligação com a Kolen 82 Go., no mesmo edifício.
A nossa vida decorria com as aflições de costume, pois as pessoas da família que ficaram na Alemanha não escaparam às perseguições de Hitler.
Depois dos Programs de 1938, os dois irmãos da minha mãe fugiram para a América. Minha avó, com 73 anos, veio morar com a gente. A partir de 1940 foram acabando os bons tempos. Primeiro veio a guerra, depois a capitulação, em seguida a entrada dos alemães. E então começou a miséria. A uma lei ditatorial seguia-se outra, e, em especial para os judeus, as coisas começaram a ficar complicadas. Obrigaram-nos a usar a estrela e a entregar as bicicletas. Não nos deixavam andar nos bondes e muito menos de automóvel.
Os judeus só podiam fazer compras das 3 às 5 horas, e só em lojas judaicas. Não podiam sair à rua depois das oito da noite e nem sequer ficar no quintal ou na varanda. Não podiam ir ao teatro nem ao cinema, nem frequentar qualquer lugar de divertimentos. Também não podiam nadar, nem jogar tênis ou hóquei, nem praticar qualquer esporte. Os judeus não podiam visitar os cristãos. As crianças judaicas eram obrigadas a frequentar escolas judaicas. Cada vez mais decretos antissemitas surgiam... Toda a nossa vida estava sujeita à enorme pressão. Jopie dizia a cada passo: "Já nem tenho coragem para fazer seja o que for porque tenho sempre medo de fazer qualquer coisa que seja proibida".
Em janeiro deste ano a vovó morreu. Ninguém imagina o quanto eu gostava dela e que falta me faz. Em 1939 me mandaram para o jardim-escola Montessori. Depois estudei as primeiras séries primárias naquela escola. No último ano, a diretora, a Sra. K., era chefe da minha turma. No fim do ano despedimo-nos comovidas, e ambas choramos muito. Desde o ano passado a Margot e eu frequentamos o Liceu judaico. Ela está no quarto ano e eu, no primeiro.
Nós, os quatro da família, ainda não temos muito de que nos queixar. Estamos bem. E assim cheguei ao presente, à data de hoje.
Qual é o nome que a autora deu ao seu diário?
Kitty
Margot
Jopie
Sra. K.
Por que a autora começou a escrever um diário?
Para aliviar o coração e fingir ter uma amiga.
Para registrar os acontecimentos históricos.
Para compartilhar suas ideias com o público.
Para melhorar sua escrita.
Qual foi uma das restrições impostas aos judeus durante a ocupação alemã?
Não podiam usar bicicletas e comer morango do amor.
Não podiam sair à rua depois das oito da noite.
Não podiam frequentar escolas cristãs.
Não podiam comprar alimentos.
Sábado, 20 de junho de 1942
Querida Kitty,
Vou começar já. Está tudo tão calmo! Papai e mamãe saíram e a Margot foi jogar pingue-pongue. Também me apaixonei ultimamente por este jogo. Como nós, os jogadores de pingue-pongue, gostamos muito de tomar sorvetes, o jogo acaba quase sempre numa excursão a qualquer das confeitarias onde os judeus ainda podem entrar: Delphi ou Oasis. As duas confeitarias estão sempre bem cheias e no meio de tanta gente costuma estar alguém conhecido, qualquer das confeitarias onde os judeus ainda podem entrar: Delphi ou Oasis. As duas confeitarias estão sempre bem cheias e no meio de tanta gente costuma estar alguém conhecido, até um ou outro admirador. E eles oferecem tantos sorvetes que a gente não conseguiria tomar tudo nem em uma semana.
Imagino que ficou admirada por eu, apesar de tão nova, já falar em admiradores. Infelizmente, essa situação é inevitável na nossa escola. Quando um dos rapazes pergunta se pode me acompanhar até em casa de bicicleta, é certo que se apaixona logo por mim e que não me perde de vista durante algum tempo. Depois, pouco a pouco, sossegam porque eu faço de conta que não vejo os olhares apaixonados e continuo alegremente a pedalar. Se aquilo passa do limite, começo a fazer umas manobras na bicicleta, a minha pasta cai ao chão, e o rapaz é obrigado a descer. Apanha a pasta e até me entregar, já sossegou.
Estes são os mais inofensivos. Tem alguns que nos atiram beijos ou nos tocam no braço. Quando isso acontece, desço da bicicleta e falo que dispenso a companhia dele, ou finjo que estou ofendida e mando passear. E pronto, Kitty, foi lançada a base da nossa amizade.
Até amanhã!
Sua Anne.
Qual é o jogo que Anne menciona ter se apaixonado recentemente?
Pingue-pongue
Futebol
Basquete
Vôlei
Quais são as confeitarias mencionadas por Anne onde os judeus ainda podem entrar?
Delphi e Oasis
Delphi e Aurora
Oasis e Primavera
Aurora e Primavera
O que Anne faz quando um rapaz ultrapassa os limites ao acompanhá-la de bicicleta?
Faz manobras na bicicleta para que sua pasta caia
Aceita a companhia e continua pedalando para jogar GTA.
Desce da bicicleta e pede para o rapaz ir embora
Ignora os olhares apaixonados e continua pedalando
Domingo, 21 de junho de 1942
Querida Kitty,
Toda a nossa turma treme. A reunião de conselho dos professores está chegando. Metade da turma passa o tempo a apostar quem passa de ano e quem repete. A Miep de Jong e eu escangalhamos de rir por causa dos nossos colegas que sentam atrás, que já apostaram todo o dinheiro que têm. Rezam de manhã até à noite. "Vai passar, vai repetir... Sim, não..." De nada adiantam os olhares suplicantes da Miep nem as minhas sérias tentativas para se De nada adiantam os olhares suplicantes da Miep nem as minhas sérias tentativas para se calarem. Tem tantos folgados na minha turma que se dependesse de mim, reprovava a metade. Os professores são as pessoas mais estranhas do mundo, mas talvez sejam no bom sentido.
Tenho um relacionamento razoável com os professores e com as professoras. Ao todo são nove, sete homens e duas mulheres. O Sr. Kepler, o velho professor de matemática, implicava comigo, por eu falar demais. Me mandou fazer uma redação sobre o tema: "Uma tagarela." Uma tagarela! O que se poderia escrever sobre isto? Mas não me afligi.
À noite, depois de acabados todos os outros deveres, lembrei-me da redação. Pensei no assunto: escrever umas bobagens, com as palavras bem separadas. Mas encontrar uma razão evidente da necessidade de falar, aí é que estava o grande problema. Pensei e tornei a pensar. De repente as palavras surgiram.
Enchi as três folhas obrigatórias, rapidamente, sem cessar. Como argumento aleguei que falar era próprio das mulheres e que eu me esforçaria para mudar se a minha mãe não falasse tanto como eu. E, como era sabido, contra defeitos hereditários pouca coisa podemos fazer.
O Sr. Kepler riu da minha explicação. Quando na próxima aula falei de novo, me mandou fazer outra redação: "A tagarela incurável". Escrevi como pude e durante duas aulas me comportei bem. Mas na terceira aula não aconteceu o mesmo, e o Sr. Kepler achou que o meu mau comportamento passava dos limites.
Anne, como castigo por sua tagarelice, vai fazer uma redação: "Quac, quac, quac! Lá vem a dona pata". A turma morreu de rir. Também ri, embora me parecesse que tinha esgotado a minha criatividade para redações sobre o tema. Tinha de encontrar alguma coisa nova, original. A minha amiga Sanne, boa em poesias, me aconselhou a tratar o assunto em versos e se ofereceu para me ajudar. Fiquei animada. O Sr. Kepler quería fazer pouco de mim, mas eu podia dar o troco.
Fizemos um poema que foi um sucesso. Era sobre uma mãe pata e um pai cisne. Tinham três patinhos, que de tanto fazer barulho foram bicados pelo pai até morrer. Felizmente o Sr. Kepler compreendeu a brincadeira e leu o poema em voz alta na nossa e nas outras turmas. Desde então posso falar sem que o Sr. Kepler me passe redações como castigo. Agora ele faz piadinhas a toda hora.
Sua Anne.
Qual era o tema da primeira redação que o Sr. Kepler pediu para Anne escrever?
Uma tagarela
A tagarela incurável
Quac, quac, quac! Lá vem a dona pata
Defeitos hereditários
Como Anne respondeu ao castigo de escrever a redação 'Quac, quac, quac! Lá vem a dona pata'?
Escreveu um poema com ajuda de sua amiga Sanne
Disse: "Só não choras. Não pode chorar."
Ignorou o castigo e não escreveu nada
Escreveu uma redação sobre defeitos hereditários
Qual foi a reação do Sr. Kepler ao poema escrito por Anne e Sanne?
Leu o poema em voz alta para a turma
Ficou irritado e deu outro castigo
Ignorou o poema completamente
Mandou Anne escrever outra redação
Quarta-feira, 24 de junho de 1942
Querida Kitty,
Está escaldante. Todo mundo bufa e transpira. Neste calorão, tenho que andar a pé. Só agora compreendo como é bom o bonde ou carros abertos. Mas é um prazer que eles não existem mais para nós, os judeus. Temos de nos contentar com as perninhas. Ontem, na hora do almoço, tive de ir ao dentista na Jan Luykenstraat. É uma caminhada longa desde a nossa escola.
Na aula da tarde, pouco não dormi. O que vale é que ainda há pessoas amáveis que nos oferecem de beber mesmo sem pedirmos nada. A ajudante do dentista compreendeu a minha situação e me deu um copo de água.
Só um meio de transporte nos é ainda permitido: a barca. Lá no cais de Joseph Israelkade tem um barquinho que nos leva para a outra margem. Não é por culpa dos holandeses que a vida é dura para os judeus.
Ai, se não precisasse ir para a escola! Durante as férias da Páscoa roubaram minha bicicleta. O papai levou a da mamãe para uma casa mais segura, de gente conhecida! Felizmente as férias estão chegando. Mais uma semana e estou livre disto!
Ontem de manhã me aconteceu uma coisa engraçada. Quando passei por aquele lugar onde costumava guardar a minha bicicleta, ouvi alguém me chamar. Virei-me. Atrás de mim vinha um rapaz simpático que, na noite anterior, tinha visto na casa da Eva, uma conhecida minha. Um pouco tímido, disse-me o seu nome: Harry Goldberg. Fiquei admirada, não sabia bem o que ele queria de mim. Mas logo descobri. Queria acompanhar-me à escola.
Falei para ele que tudo bem, se era caminho dele. E andamos lado a lado. O Harry já tem dezesseis anos e sabe falar bem sobre muitas coisas. Hoje, de manhã, estava, de novo, à minha espera. Penso que assim vai continuar por algum tempo.
Sua Anne.
Qual é o único meio de transporte permitido para os judeus mencionado no texto?
Barca
Bicicleta
Carro
Bonde
Quem ofereceu um copo de água para Anne no dentista?
A ajudante do dentista
O dentista
Harry Goldberg
Eva
O que aconteceu com a bicicleta de Anne durante as férias da Páscoa?
Foi roubada
Foi emprestada
Foi vendida
Foi guardada em casa
Quarta-feira, 1º de julho de 1942
Querida Kitty,
Até hoje, ainda não tive tempo para escrever. Quinta-feira fiquei a tarde toda em casa de gente amiga. Sexta tivemos visitas e assim por diante, até hoje. Harry e eu nos conhecemos melhor nesta semana. Contou-me muita coisa dele. Veio para a Holanda com os avós. Os pais estão na Bélgica.
Harry tinha uma namorada chamada Fanny. É uma garota sem graça. Desde que Harry me conheceu, percebeu que Fanny quase o fazia dormir de tédio. E eu sou para ele uma espécie de estimulante. Nunca sabemos como a gente pode ser útil para alguém.
Sábado, a Jopie dormiu aqui em casa. Na tarde de domingo ela foi para casa da Lies e eu fiquei aborrecida. À noite ia ver o Harry, mas às seis, ele me ligou:
Aqui é Harry Goldberg. Por favor posso falar com a Anne?
Sou eu mesma.
Boa noite, Anne. Como está?
Bem, obrigada.
Infelizmente não posso ir aí à noite. Mas queria muito falar contigo. Pode descer, daqui a dez minutos?
Está bem. Até já.
Troquei de roupa rapidinho e dei um jeito no cabelo. Depois fui para a janela, toda nervosa. Finalmente, ele veio. Quase me precipitei escada abaixo. Mas esperei calmamente que ele tocasse a campainha. Depois desci. Saímos e ele foi direto ao assunto.
Anne, minha avó acha que você é nova demais para mim. Acha que eu devia sair de novo com a Fanny Lours. Mas eu não quero saber da Fanny para nada.
Então brigou com ela?
Não, pelo contrário. Não nos importamos muito um com o outro e por isso, não vale a pena nos encontrarmos tantas vezes. Disse a ela que pode continuar indo à minha casa e que eu também continuarei a ir à casa dela. Desconfiei que a Fanny andasse com outros rapazes, mas parece que não. Meu tio achou que devia lhe pedir desculpa, mas não quero. Achei preferível acabar assim. A vovó insiste que eu mantenha a amizade com a Fanny e que não comece a andar com você. Os mais velhos têm ideias antigas. Está certo que dependo da minha avó, mas ela também depende de mim. As quartas estou sempre livre. Os avós julgam que vou às aulas de trabalhos manuais, mas eu tenho ido quase sempre às reuniões dos sionistas. Não somos sionistas, mas interessava-me conhecer aquilo. Ultimamente não me sentia à vontade naquelas reuniões e resolvi não tornar a ir. Assim podemos encontrar-nos nas quartas e sábados, à tarde e à noite, e no domingo, à tarde, e talvez mais vezes ainda.
Mas os seus avós não estão de acordo. Não deve fazer isso escondido.
No amor ninguém manda.
Passamos pela livraria e dobramos a esquina. E lá estava o Peter Schiff com mais dois rapazes. Era a primeira vez em séculos que me cumprimentou e fiquei cheia de alegria.
Ontem Harry veio aqui para conhecer os meus pais. Eu tinha ido buscar torta, doces e bolachas e tomamos chá. Ao Harry e a mim não nos apetecia nada ficar em casa quietinhos. Saímos, demos um passeio e eram oito e dez quando ele me deixou em casa.
O papai estava zangadíssimo por eu chegar tão tarde, disse que era muito perigoso para judeus andar pelas ruas depois das oito.
Prometi de hoje em diante estar sempre em casa, pontualmente, às dez para às oito. Amanhã estou convidada para ir à casa do Harry. A minha amiga Jopie faz troça de mim por causa dele. Mas não estou apaixonada. Então não posso ter um amigo? Ninguém acha mal que tenha um amigo ou como costuma dizer a mamãe um cavalheiro. Eva me contou que Harry esteve outro dia na casa dela, e que ela perguntou para ele:
Quem acha mais simpática: a Fanny ou a Anne?
Não é da sua conta! - respondeu ele.
Então não falaram mais no assunto, mas ao se despedir, Harry disse:
Anne é mais simpática, claro, mas não precisa falar isso para ninguém.
As últimas palavras já foram ditas na rua. Sinto que Harry está apaixonado por mim e, para variar, isso é engraçado. A Margot dizia:
Um tipo simpático.
Também o acho simpático, mais do que simpático.
A mamãe está encantada com ele. "Um rapaz bonito, muito gentil e bem-educado." Ainda bem que Harry agrada tanto a toda a família. Ele também nos acha todos muito simpáticos. Só acha a minha amiga infantil e não deixa de ter razão.
Sua Anne.
Qual é a razão pela qual Harry não quer mais sair com Fanny?
Porque ela o fazia dormir de tédio.
Porque ela estava saindo com outros rapazes.
Porque a avó dele insistiu para que ele parasse.
Porque ele não se sentia à vontade com ela.
O que o pai de Anne disse sobre ela chegar tarde em casa?
Que era perigoso para judeus andar pelas ruas depois das oito.
Que ela deveria ter avisado antes para se proteger do Labubu
Que ele estava desapontado com ela, porque ela torcia para o Coritiba.
Que ela deveria parar de sair com Harry, porque a Hermione tinha ciúmes.
Por que Harry acha que Anne é mais simpática do que Fanny?
Porque ela é um estimulante para ele.
Porque ela é mais parecida com a Barbie.
Porque ela é mais educada e curte metal.
Porque ela gosta de assistir dorama.
