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Literatura ENEM e Prova Paraná mais

Total questions: 21

Worksheet time: 11mins

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1.

Leia o trecho:
"Enquanto estivemos entretidos com os urubus outras coisas andaram acontecendo na cidade. A Companhia baixou novas proibições, umas inteiramente bobocas, só pelo prazer de proibir (ninguém podia cuspir pra cima, nem carregar água em jacá, nem tapar o sol com peneira, como se todo mundo estivesse abusando dessas esquisitices); mas outras bem irritantes, como a de pular muro pra cortar caminho tática que quase todo mundo que não sofria de reumatismo vinha adotando ultimamente, principalmente os meninos. E não confiando na proibição só, nem na força dos castigos, que eram rigorosos, a Companhia ainda mandou fincar cacos de garra a nos muros. Achei isso um exagero, e comentei o assunto com mamãe. Meu pai ouviu lá do quarto e veio explicar. Disse que em épocas normais bastava uma coisa ou outra, mas agora a Companhia não pode admitir nenhuma brecha em suas ordens; se alguém desobedecesse à proibição podia se cortar nos cacos; se alguém conseguisse pular um muro quebrando o corte de alguns cacos, ou jogando um couro por cima, era apanhado pela proibição, nhoc – e fez o gesto de quem torce o pescoço de um frango."
(VEIGA, J. J. Sombras de reis barbudos. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1978).
Sob a perspectiva do menino que narra, os fatos ficcionais oferecem um esboço do momento político vigente na década de 1970, aqui representado pelo

a)

culto ao medo, infiltrado em situações do cotidiano.

b)

sentimento de dúvida quanto à veracidade das informações.

c)

ambiente de sonho, delineado por imagens perturbadoras.

d)

incentivo ao desenvolvimento econômico com a iniciativa privada.

e)

espaço urbano marcado por uma política de isolamento das crianças.

2.

Leia o poema a seguir e responda à questão. (Enem 2023)
Migalhas
Entre a toalha branca e um bule de café seria inapropriado dizer eu não te amo mais. Era necessário algo mais solene, um jardim japonês para as perdas pensadas, um noturno de tempestade para arrebentar de dor, uma praia de pedras para chorar em silêncio, uma cama alta para o incenso da despedida, uma janela dando para o abismo. No entanto você abaixa os olhos e recolhe lentamente as migalhas de pão sobre a mesa posta para dois. Nesse poema, a representação do sentimento amoroso recupera a tradição “rica, mas se ajusta à visão contemporânea ao”

a)

invocar o interlocutor para uma tomada de posição.

b)

questionar a validade do envolvimento romântico.

c)

diluir em banalidade a comoção de um amor frustrado.

d)

transformar em paz as emoções conflituosas do casal.

e)

condicionar a existência da paixão a espaços idealizados.

3.

Leia o fragmento da peça
O rei da vela, de Oswald de Andrade:
"(Enem 2019)
HELOÍSA: Faz versos?
PINOTE: Sendo preciso... Quadrinhas... Acrósticos... Sonetos... Reclames.
HELOÍSA: Futuristas?
PINOTE: Não senhora! Eu já fui futurista.
Cheguei a acreditar na independência... Mas foi uma tragédia! Começaram a me tratar de maluco. A me olhar de esguelha. A não me receber mais. As crianças choravam em casa. Tenho três filhos. No jornal também não pagavam, devido à crise. Precisei viver de bicos. Ah! Reneguei tudo. Arranjei aquele instrumento (mostra a faca) e fiquei passadista."
Com base nesse fragmento, o texto ironiza a reação da sociedade brasileira dos anos 1930 diante de uma vanguarda europeia. Nessa visão, atribui-se ao público leitor uma postura

a)

preconceituosa, ao evitar formas poéticas simplificadas.

b)

conservadora, ao optar por modelos consagrados.

c)

preciosista, ao preferir modelos literários eruditos.

d)

nacionalista, ao negar modelos estrangeiros.

e)

eclética, ao aceitar diversos estilos poéticos.

4.

Leia o fragmento:
"Marcava seis horas da manhã. Angela Pralini pagou o táxi e pegou sua pequena valise. Dona Maria Rita de Alvarenga Chagas Souza Melo desceu do Opala da filha e encaminharam-se para os trilhos. A velha bem-vestida e com joias. Das rugas que a disfarçavam saía a forma pura de um nariz perdido na idade, e de uma boca que outrora devia ter sido cheia e sensível. Mas que importa? Chega-se a um certo ponto – e o que foi não importa. Começa uma nova raça. Uma velha não pode comunicar-se. Recebeu o beijo gelado de sua filha que foi embora antes do trem partir. Ajudara-a antes a subir no vagão. Sem que neste houvesse um centro, ela se colocara do lado. Quando a locomotiva se pôs em movimento, surpreendeu-se um pouco: não esperava que o trem seguisse nessa direção e sentara-se de costas para o caminho.
Angela Pralini percebeu-lhe o movimento e perguntou:
— A senhora deseja trocar de lugar comigo?
Dona Maria Rita se espantou com a delicadeza, disse que não, obrigada, para ela dava no mesmo. Mas parecia ter-se perturbado. Passou a mão sobre o camafeu filigranado de ouro, espetado no peito, passou a mão pelo broche. Seca. Ofendida? Perguntou afinal a Angela Pralini:
— É por causa de mim que a senhorita deseja trocar de lugar?
(LISPECTOR, C. Onde estivestes de noite. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1980, fragmento.)

A descoberta de experiências emocionais com base no cotidiano é recorrente na obra de Clarice Lispector. No fragmento, o narrador enfatiza o(a)

a)

comportamento vaidoso de mulheres de condição social privilegiada.

b)

anulação das diferenças sociais no espaço público de uma estação.

c)

incompatibilidade psicológica entre mulheres de gerações diferentes.

d)

constrangimento da aproximação formal de pessoas desconhecidas.

e)

sentimento de solidão alimentado pelo processo de envelhecimento.

5.

Leia o excerto:
"Duas castas de considerações fez de si para consigo o cauto Conselheiro. Primeiramente foi saltar-lhe ao nariz a evidência de que ministro não visita empregado público, ainda que in extremis, mesmo a uma braça, ou duas, acima do chapéu do amanuense mais bisonho. Também não visita escritor enfermo por ser escritor, e por estar enfermo. Seriam trabalhos, ambos, a que não se daria um ministro, nem sempre ocupado das cousas, altas ou baixas, do Estado.
O tempo ministerial não se vai perdulariamente, não se faz em farinhas. Os titulares esquivam-se até a suspirar, que os suspiros implicam o desperdício de minutos se o suspiro é de minutos, além de permitirem ilações perigosas sobre a estabilidade do ministro, quando não do próprio gabinete.
A segunda ponderação remeteu-o à certeza de que terminantemente chegavam ao cabo seus dias; e de que as esperanças eram aéreas, atado agora à cama até que o encerrassem na urna, como um voto eleitoral frio."
(MARANHÃO, H. Memorial do fim: a morte de Machado de Assis. São Paulo: Marco Zero, 1991.)

O texto relata o momento em que, no leito de morte, Machado de Assis recebe a visita do Barão do Rio Branco, ministro de Estado. Criando a cena, o narrador obtém expressividade ao

a)

representar com fidelidade os fatos históricos.

b)

caracterizar a situação com profundidade dramática.

c)

explorar a sensibilidade dos personagens envolvidos.

d)

assumir a perspectiva irônica e o estilo narrativo do personagem.

e)

recorrer a metáforas sutis e comparações de sentido filosófico.

6.

(Enem 2022) A escrava

"Admira-me –, disse uma senhora de sentimentos sinceramente abolicionistas —; faz-me até pasmar como se possa sentir, e expressar sentimentos escravocratas, no presente século, no século dezenove! A moral religiosa e a moral cívica aí se erguem, e falam bem alto esmagando a hidra que envenena a família no mais sagrado santuário seu, e desmoraliza, e avilta a nação inteira! Levantai os olhos ao Gólgota, ou percorrei-os em torno da sociedade, e dizei-me:
— Para que se deu um sacrifício, o Homem Deus, que ali exalou seu derradeiro alento? Ah! Então não era verdade que seu sangue era o resgate do homem! É então uma mentira abominável ter esse sangue comprado a liberdade!? E depois, olhai a sociedade... Não vedes o abutre que a corrói constantemente!... Não sentis a desmoralização que a enerva, o cancro que a destrói?
Por qualquer modo que encaremos a escravidão, ela é, e sempre será um grande mal. Dela a decadência do comércio; porque o comércio e a lavoura caminham de mãos dadas, e o escravo não pode fazer florescer a lavoura; porque o seu trabalho é forçado."
REIS, M. F. Úrsula outras obras. Brasília: Câmara dos Deputados, 2018.

Inscrito na estética romântica da literatura brasileira, o conto descortina aspectos da realidade nacional no século XIX ao

a)

revelar a imposição de crenças religiosas a pessoas escravizadas.

b)

apontar a hipocrisia do discurso conservador na defesa da escravidão.

c)

sugerir práticas de violência física e moral em nome do progresso material.

d)

relacionar o declínio da produção agrícola e comercial a questões raciais.

e)

ironizar o comportamento dos proprietários de terra na exploração do trabalho.

7.

(Enem 2021)
Se for possível, manda-me dizer:
– É lua cheia. A casa está vazia –
Manda-me dizer, e o paraíso
Há de ficar mais perto, e mais recente
Me há de parecer teu rosto incerto
Manda-me buscar se tens o dia
Tão longo como a noite. Se é verdade
Que sem mim só vês monotonia.
E se te lembras do brilho das marés
De alguns peixes rosados
Numas águas
E dos meus pés molhados, manda-me dizer:
– É lua nova –
E revestida de luz te volto a ver.
HILST, H. Júbilo, memória, noviciado da paixão. São Paulo: Cia. das Letras, 2018.

Falando ao outro, o eu lírico revela-se vocalizando um desejo que remete ao

a)

ceticismo quanto à possibilidade do reencontro.

b)

tédio provocado pela distância física do ser amado.

c)

sonho de autorrealização desenhado pela memória.

d)

julgamento implícito das atitudes de quem se afasta.

e)

questionamento sobre o significado do amor ausente.

8.

Leia o texto abaixo, retirado do ensaio “Literatura de dois gumes”, de autoria de Antônio Candido:
“No Brasil a literatura foi de tal modo expressão da cultura do colonizador, e depois do colono europeizado, herdeiro dos seus valores e candidato à sua posição de domínio, que serviu às vezes violentamente para impor tais valores, contra as solicitações a princípio poderosas das culturas primitivas que os cercavam de todos os lados. Uma literatura, pois, que do ângulo político pode ser encarada como peça eficiente do processo colonizador.”

A reflexão do crítico Antônio Candido sobre determinados aspectos da literatura produzida no Brasil durante o período colonial encontra correspondência direta

a)

na imposição da realidade social conforme elaborada pelos romances realistas.

b)

na criação de novos parâmetros artístico-literários proposta pelos árcades brasileiros.

c)

na ruptura histórica operada pela poesia produzida na segunda fase do Romantismo.

d)

no controle social, cultural e religioso presente em textos da literatura quinhentista.

e)

na inversão de valores e referências proposta pelos autores do Manifesto Pau-Brasil.

9.

Leia o texto abaixo, de autoria do poeta Edimilson de Almeida Pereira, e responda. A mão de Carolina fere a sintaxe. Tanto engenho em sua arte mas livro após livro insistem em falar sobre o lixo e a coragem de uma estranha que escreve, apesar do cânone. Apesar da fome e dos bichos que servem ao escritor-pose para dizer – “é o caos”. Apesar da entrada de serviço, do país e da sífilis. Apesar de a mão contesta o esquecimento. Quem a ler, leia sob o impacto dos nervos, leia-se: preparado para o desvio que faz os vivos. – A mão que suporta o verbo não deveria ceder ao comércio. Espera-se dela, ontem e agora, algo mais que receber prêmios. Por isso a mão carolina escreve em acusação sem volta. Ao abordar aspectos da vida e da obra de Carolina Maria de Jesus, o texto de Edimilson de Almeida Pereira

a)

critica os desvios sintáticos que são encontrados com frequência nos textos da autora em questão.

b)

afirma a necessidade de abordar as questões sociais que circundaram a produção literária dessa escritora.

c)

utiliza o nome da autora como adjetivo, em um processo metonímico para caracterizar sua escrita.

d)

contesta o fato de alguns escritores esperarem pelo recebimento de prêmios literários no futuro.

e)

defende que, apesar da pobreza e do esquecimento, a escritora em questão é uma autora canônica.

10.

Observe a imagem, reprodução da capa da versão em quadrinhos da obra Os Lusíadas.
Narrado no Canto V de Os Lusíadas (1572), a clássica epopeia do poeta Luís Vaz de Camões que conta a chegada dos portugueses às Índias, o episódio do Gigante Adamastor é uma das mais significativas passagens da obra.
Considerando a forma como o quadrinista Fido Nesti — autor da adaptação em quadrinhos — representou o encontro entre o Gigante Adamastor e os navegadores portugueses e o contexto de produção da obra de Camões, infere-se que, na epopeia citada, o gigante é

a)

a personificação dos mistérios do mar e dos perigos superados pelos portugueses.

b)

o símbolo da mitologia clássica que denuncia de forma crítica a colonização.

c)

uma metáfora para a dimensão do herói que dificulta a expansão marítima.

d)

uma metonímia tanto para os fracassos como para o heroísmo de Vasco da Gama.

e)

uma figura que faz referência ao encontro entre os portugueses e os povos indígenas.

11.

Leia o parágrafo a seguir, retirado da primeira parte do “Sermão da Sexagésima”, do padre Antônio Vieira:
“(...) Diz Cristo que ‘saiu o pregador evangélico a semear’ a palavra divina. Bem parece este texto dos livros de Deus. Não só faz menção do semear, mas também faz caso do sair: Exiit, porque no dia da messe hão-nos de medir a semeadura e hão-nos de contar os passos. O Mundo, aos que lavrais com ele, nem vos satisfaz o que dispendeis, nem vos paga o que andais. Deus não é assim. Para quem lavra com Deus até o sair é semear, porque também das passadas colhe fruto. Entre os semeadores do Evangelho há uns que saem a semear, há outros que semeiam sem sair. Os que saem a semear são os que vão pregar à Índia, à China, ao Japão; os que semeiam sem sair, são os que se contentam com pregar na Pátria. Todos terão sua razão, mas tudo tem sua conta. Aos que têm a seara em casa, pagar-lhes-ão a semeadura; aos que vão buscar a seara tão longe, hão-lhes de medir a semeadura e hão-lhes de contar os passos. Ah Dia do Juízo! Ah pregadores! Os de cá, achar-vos-ei com mais paço; os de lá, com mais passos: Exiit seminare.”
Referência: VIEIRA, Antônio. Sermões Escolhidos. v.2, São Paulo: Edameris, 1965. p. 7.

Considerando este parágrafo, qual é a relação estabelecida pelo religioso entre os substantivos passos e paço?

a)

Passos faz referência à via crucis de Jesus ao monte do Calvário, semelhante a paço, que faz referência às três quedas do Cristo durante o trajeto.

b)

Paço faz referência à decisão dos jesuítas de permanecerem enclausurados em seus mosteiros, anterior a passos, que faz referência aos jesuítas desligados da ordem.

c)

Passos faz referência à peregrinação dos que saem para evangelizar em oposição a paço, que faz referência aos que não saem das confortáveis cortes.

d)

Paço faz referência à renúncia aos bens materiais que todos os jesuítas eram obrigados, em oposição a passos, jesuítas desertores, amantes das tentações mundanas.

e)

Paço faz referência ao passado outrora humilde dos jesuítas, em oposição a passos, que faz referência à opulência desmedida abraçada pelos superiores da ordem.

12.

Leia o trecho do poema “Do velho ao jovem”, de Conceição Evaristo: (...) O que os livros escondem, as palavras ditas libertam. E não há quem ponha um ponto final na história Infinitas são as personagens… Vovó Kalinda, Tia Mambene, Primo Sendó, Ya Tapuli, Menina Meká, Menino Kambi, Neide do Brás, Cíntia da Lapa, Piter do Estácio, Cris de Acari, Mabel do Pelô, Sil de Manaíra, E também de Santana e de Belô e mais e mais, outras e outros… Nos olhos do jovem também o brilho de muitas histórias. e não há quem ponha um ponto final no rap É preciso eternizar as palavras da liberdade ainda e agora… Ao citar no poema histórias da tradição oral e produções musicais contemporâneas, a autora estabelece entre essas manifestações culturais uma relação de

a)

oposição, pois estão presentes nos hábitos de pessoas de faixas etárias distintas.

b)

conciliação, uma vez estão ligadas à perpetuação da liberdade por meio da palavra.

c)

sobreposição, já que as histórias da tradição oral têm origem anterior ao surgimento do rap.

d)

superação, uma vez que o rap tem mais repercussão do que os personagens da história.

e)

complementação, pois o rap faz referência direta a essas manifestações da cultura oral.

13.

O Bom-Crioulo

            Com efeito, Bom-Crioulo não era somente um homem robusto, uma dessas organizações privilegiadas que trazem no corpo a sobranceira resistência do bronze e que esmagam com o peso dos músculos. […] A chibata não lhe fazia mossa; tinha costas de ferro para resistir como um hércules ao pulso do guardião Agostinho. Já nem se lembrava do número das vezes que apanhara de chibata…

            […]

            Entretanto, já iam cinquenta chibatadas! Ninguém lhe ouvira um gemido, nem percebera uma contorção, um gesto qualquer de dor. Viam-se unicamente naquele costão negro as marcas do junco, umas sobre as outras, entrecruzando-se como uma grande teia de aranha, roxas e latejantes, cortando a pele em todos os sentidos.

            […]

            Marinheiros e oficiais, num silêncio concentrado, alongavam o olhar, cheios de interesse, a cada golpe.

            — Cento e cinquenta!

            Só então houve quem visse um ponto vermelho, uma gota rubra deslizar no espinhaço negro do marinheiro e logo este ponto vermelho se transformar numa fita de sangue.

CAMINHA, A. O Bom-Crioulo. São Paulo: Martin Claret, 2006.

A prosa naturalista incorpora concepções geradas pelo cientificismo e pelo determinismo. No fragmento, a cena de tortura a Bom-Crioulo reproduz essas concepções, expressas pela 

a)


exaltação da resistência inata para legitimar a exploração de uma etnia.

b)

defesa do estoicismo individual como forma de superação das adversidades.

c)

concepção do ser humano como uma espécie predadora e afeita à morbidez.

d)

observação detalhada do corpo para a identificação de características de raça.

e)

apologia à superioridade dos organismos saudáveis para a sobrevivência da espécie.

14.

Nessa obra, que retrata uma cena de Caramuru, célebre poema épico brasileiro, a filiação à estética romântica manifesta-se na 

a)


exaltação do retrato fiel da beleza feminina.

b)

tematização da fragilidade humana diante da morte.

c)

ressignificação de obras do cânone literário nacional.

d)


representação dramática e idealizada do corpo da índia.

e)

oposição entre a condição humana e a natureza primitiva.

15.

1. Nós queremos cantar o amor ao perigo, o hábito da energia e da temeridade.

2. A coragem, a audácia, a rebelião serão elementos essenciais de nossa poesia.

3. A literatura exaltou até hoje a imobilidade pensativa, o êxtase, o sono. Nós queremos exaltar o movimento agressivo, a insônia febril, o passo de corrida, o salto mortal, o bofetão e o soco.

4. Nós afirmamos que a magnificência do mundo enriqueceu-se de uma beleza nova: a beleza da velocidade. Um automóvel de corrida com seu cofre enfeitado com tubos grossos, semelhantes a serpentes de hálito explosivo... um automóvel rugidor, que parece correr sobre a metralha, é mais bonito que a Vitória de Samotrácia.

5. Nós queremos entoar hinos ao homem que segura o volante, cuja haste ideal atravessa a Terra, lançada também numa corrida sobre o circuito da sua órbita.

6. É preciso que o poeta prodigalize com ardor, fausto e munificiência, para aumentar o entusiástico fervor dos elementos primordiais.

MARINETTI, F. T. Manifesto futurista. In: TELES, G. M. Vanguardas europeias e Modernismo brasileiro. Petrópolis: Vozes, 1985.

O documento de Marinetti, de 1909, propõe os referenciais estéticos do Futurismo, que valorizam a

a)

composição estática.

b)

inovação tecnológica.

c)

suspensão do tempo.

d)


retomada do helenismo.

e)

manutenção das tradições.

16.

O mulato



Ana Rosa cresceu; aprendera de cor a gramática do Sotero dos Reis; lera alguma coisa; sabia rudimentos de francês e tocava modinhas sentimentais ao violão e ao piano. Não era estúpida; tinha a intuição perfeita da virtude, um modo bonito, e por vezes lamentara não ser mais instruída. Conhecia muitos trabalhos de agulha; bordava como poucas, e dispunha de uma gargantazinha de contralto que fazia gosto de ouvir.

Uma só palavra boiava à superfície dos seus pensamentos: “Mulato”. E crescia, crescia, transformando-se em tenebrosa nuvem, que escondia todo o seu passado. Ideia parasita, que estrangulava todas as outras ideias.

— Mulato!

Esta só palavra explicava-lhe agora todos os mesquinhos escrúpulos, que a sociedade do Maranhão usara para com ele. Explicava tudo: a frieza de certas famílias a quem visitara; as reticências dos que lhe falavam de seus antepassados; a reserva e a cautela dos que, em sua presença, discutiam questões de raça e de sangue.

AZEVEDO, A. O Mulato. São Paulo: Ática, 1996 (fragmento)

O texto de Aluísio Azevedo é representativo do Naturalismo, vigente no final do século XIX. Nesse fragmento, o narrador expressa fidelidade ao discurso naturalista, pois

a)

relaciona a posição social a padrões de comportamento e à condição de raça.

b)

apresenta os homens e as mulheres melhores do que eram no século XIX.

c)

mostra a pouca cultura feminina e a distribuição de saberes entre homens e mulheres.

d)

ilustra os diferentes modos que um indivíduo tinha de ascender socialmente.

e)


critica a educação oferecida às mulheres e os maus-tratos dispensados aos negros.

17.

Talvez pareça excessivo o escrúpulo do Cotrim, a quem não souber que ele possuía um caráter ferozmente honrado. Eu mesmo fui injusto com ele durante os anos que se seguiram ao inventário de meu pai. Reconheço que era um modelo. Arguíam-no de avareza, e cuido que tinham razão; mas a avareza é apenas a exageração de uma virtude, e as virtudes devem ser como os orçamentos: melhor é o saldo que o déficit. Como era muito seco de maneiras, tinha inimigos que chegavam a acusá-lo de bárbaro. O único fato alegado neste particular era o de mandar com frequência escravos ao calabouço, donde eles desciam a escorrer sangue; mas, além de que ele só mandava os perversos e os fujões, ocorre que, tendo longamente contrabandeado em escravos, habituara-se de certo modo ao trato um pouco mais duro que esse gênero de negócio requeria, e não se pode honestamente atribuir à índole original de um homem o que é puro efeito de relações sociais. A prova de que o Cotrim tinha sentimentos pios encontrava-se no seu amor aos filhos, e na dor que padeceu quando morreu Sara, dali a alguns meses; prova irrefutável, acho eu, e não única. Era tesoureiro de uma confraria, e irmão de várias irmandades, e até irmão remido de uma destas, o que não se coaduna muito com a reputação da avareza; verdade é que o benefício não caíra no chão: a irmandade (de que ele fora juiz) mandara-lhe tirar o retrato a óleo.

A SSIS, M. Memórias póstum as de Brás Cubas. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1992.

Obra que inaugura o Realismo na literatura brasileira, Memórias póstumas de Brás Cubas condensa uma expressividade que caracterizaria o estilo machadiano: a ironia. Descrevendo a moral de seu cunhado, Cotrim, o narrador-personagem Brás Cubas refina a percepção irônica ao

a)

acusar o cunhado de ser avarento para confessar-se injustiçado na divisão da herança paterna.

b)


atribuir a “efeito de relações sociais” a naturalidade com que Cotrim prendia e torturava os escravos.

c)

considerar os “sentimentos pios” demonstrados pelo personagem quando da perda da filha Sara.

d)

menosprezar Cotrim por ser tesoureiro de uma confraria e membro remido de várias irmandades.

e)

insinuar que o cunhado era um homem vaidoso e egocêntrico, contemplado com um retrato a óleo.

18.

Capitulo LIV — A pêndula

Saí dali a saborear o beijo. Não pude dormir; estirei-me na cama, é certo, mas foi o mesmo que nada. Ouvi as horas todas da noite. Usualmente, quando eu perdia o sono, o bater da pêndula fazia-me muito mai; esse tique-taque soturno, vagaroso e seco parecia dizer a cada golpe que eu ia ter um instante menos de vida. Imaginava então um velho diabo, sentado entre dois sacos, o da vida e o da morte, e a contá-las assim:

— Outra de menos...
— Outra de menos...
— Outra de menos...
— Outra de menos...

O mais singular é que, se o relógio parava, eu dava-lhe corda, para que ele não deixasse de bater nunca, e eu pudesse contar todos os meus instanles perdidos, invenções há, que se transformam ou acabam; as mesmas instituições morrem; o relógio é definitivo e perpétuo. O derradeiro homem, ao despedir-se do sol frio e gasto, há de ter um relógio na algibeira, para saber a hora exata em que morre.

Naquela noite não padeci essa triste sensação de enfado, mas outra, e deleitosa, As fantasias tumultuavam-me cá dentro, vinham umas sobre outras, â semelhança de devotas que se abaíroam para ver o anjo-cantor das procissões. Não ouvia os instantes perdidos, mas os minutos ganhados.

ASSIS. M. Memórias póstumas de Brás Cubas, Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1992 (fragmento).

O capitulo apresenta o instante em que Brás Cubas revive a sensação do beijo trocado com Virgilia, casada com Lobo Neves. Nesse contexto, a metáfora do relógio desconstrói certos paradigmas românticos, porque

a)


o narrador e Virgília nao têm percepção do tempo em seus encontros adúlteros.

b)

como “defunto autor”, Brás Cubas reconhece a inutilidade de tentar acompanhar o fluxo do tempo.

c)

na contagem das horas, o narrador metaforiza o desejo de triunfar e acumular riquezas.

d)

o relógio representa a materialização do tempo e redireciona o comportamento idealista de Brás Cubas.

e)


o narrador compara a duração do sabor do beijo à perpetuidade do relógio.

19.

Considerando o soneto de Cláudio Manoel da Costa e os elementos constitutivos do Arcadismo brasileiro, assinale a opção correta acerca da relação entre o poema e o momento histórico de sua produção.

a)

Os “montes” e “outeiros”, mencionados na primeira estrofe, são imagens relacionadas à Metrópole, ou seja, ao lugar onde o poeta se vestiu com traje “rico e fino”.

b)

A oposição entre a Colônia e a Metrópole, como núcleo do poema, revela uma contradição vivenciada pelo poeta, dividido entre a civilidade do mundo urbano da Metrópole e a rusticidade da terra da Colônia.

c)

O bucolismo presente nas imagens do poema é elemento estético do Arcadismo que evidencia a preocupação do poeta árcade em realizar uma representação literária realista da vida nacional.

d)

A relação de vantagem da “choupana” sobre a “Cidade”, na terceira estrofe, é formulação literária que reproduz a condição histórica paradoxalmente vantajosa da Colônia sobre a Metrópole.

e)

A realidade de atraso social, político e econômico do Brasil Colônia está representada esteticamente no poema pela referência, na última estrofe, à transformação do pranto em alegria.

20.

Cárcere das almas

Ah! Toda a alma num cárcere anda presa,

Soluçando nas trevas, entre as grades

Do calabouço olhando imensidades,

Mares, estrelas, tardes, natureza.

Tudo se veste de uma igual grandeza

Quando a alma entre grilhões as liberdades

Sonha e, sonhando, as imortalidades

Rasga no etéreo o Espaço da Pureza.

Ó almas presas, mudas e fechadas

Nas prisões colossais e abandonadas,

Da Dor no calabouço, atroz, funéreo!

Nesses silêncios solitários, graves,

que chaveiro do Céu possui as chaves

para abrir-vos as portas do Mistério?!

CRUZ E SOUSA, J. Poesia completa. Florianópolis: Fundação Catarinense de Cultura /

Fundação Banco do Brasil, 1993.

Os elementos formais e temáticos relacionados ao contexto cultural do Simbolismo encontrados no poema Cárcere das almas, de Cruz e Sousa, são

a)

a opção pela abordagem, em linguagem simples e direta, de temas filosóficos.

b)

a prevalência do lirismo amoroso e intimista em relação à temática nacionalista.

c)

o refinamento estético da forma poética e o tratamento metafísico de temas universais.

d)

a evidente preocupação do eu lírico com a realidade social expressa em imagens poéticas inovadoras.

e)

a liberdade formal da estrutura poética que dispensa a rima e a métrica tradicionais em favor de temas do cotidiano.

21.

Leia o texto a seguir, extraído de um artigo de Mário de Andrade.

Faz vinte anos, este mês de fevereiro, que se realizou no Teatro Municipal, a Semana de Arte Moderna.

É todo um passado longínquo de que sorrio sem medo, mas que me assombra um pouco também. Foi gostoso, ficou bonito, mas como tive coragem para participar daquilo! É certo que com minhas experiências artísticas muito venho escandalizando essa minoria que é a intelectualidade do meu país, mas, na realidade, feitas em artigos e livros, minhas experiências como que não se executam in anima nobile [num ser nobre]. Não estou de corpo presente e isso desencaminha o choque da estupidez.

Mas como tive coragem para dizer versos ante uma assuada tão singular, que eu não escutava do palco o que Paulo Prado me gritava da primeira fila das poltronas?… Como pude fazer uma hórrida conferência na escadaria do teatro, cercado de anônimos que me caçoavam e ofendiam a valer?…

(Mário de Andrade. O Movimento Modernista, 1942.)

A Semana de Arte Moderna de 1922 rompeu com os modelos artísticos tradicionais ao:

a)

resgatar o academicismo e os valores estéticos europeus.

b)

adotar exclusivamente temas estrangeiros para atrair o público.

c)

defender a reprodução da arte neoclássica brasileira.

d)

propor uma arte nacional, com liberdade formal e ruptura estética.

e)

estabelecer regras fixas para os artistas da nova geração.