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O Sistema Escravista e as Formas de Resistência

Total questions: 20

Worksheet time: 10mins

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1.

A escravização de povos indígenas e de africanos no Brasil colonial possuía distinções cruciais. Qual das alternativas aponta a principal diferença que moldou o sistema escravista a longo prazo?

a)

A escravidão indígena foi legalmente proibida pela Coroa Portuguesa desde o início, enquanto a africana era estimulada sem restrições.

b)

A escravização indígena baseava-se na captura por bandeirantes e era limitada pela familiaridade dos nativos com o território; já a africana, em escala massiva, foi alimentada pelo Tráfico Transatlântico, tornando-se a base econômica e demográfica do sistema colonial.

c)

A escravidão africana era restrita à agroexportação, enquanto a indígena era exclusiva da mineração no interior do país.

d)

O cativeiro indígena era hereditário, diferentemente do africano, que era individual e não se transmitia aos filhos.

e)

Os povos indígenas eram mais resistentes às doenças europeias, o que inviabilizou o tráfico negreiro em larga escala.

2.

As formas de resistência dos escravizados não se restringiam às fugas e revoltas armadas. O Sincretismo Religioso é um exemplo de resistência cultural e política. Qual era a função primária do sincretismo, como prática de resistência?

a)

Permitir a completa assimilação dos africanos à fé católica, eliminando os traços culturais de origem.

b)

Criar uma nova religião totalmente brasileira, sem qualquer influência externa, para garantir a identidade.

c)

Utilizar a simbologia católica para ocultar e preservar as divindades e os ritos de matriz africana, garantindo a continuidade cultural e a coesão social da comunidade cativa sob o disfarce da religião oficial.

d)

Negociar a alforria com os senhores de engenho, através da intercessão de santos católicos.

e)

Isolar os grupos africanos por etnia, impedindo a organização de revoltas.

3.

O Quilombo de Palmares é o maior e mais emblemático exemplo de resistência ao sistema escravista. Qual característica define o Quilombo enquanto projeto político-social no Brasil colonial?

a)

Era um mero esconderijo temporário de fugitivos, sem organização ou hierarquia interna.

b)

Um complexo social-político, organizado em torno de uma hierarquia militar, que promovia a reprodução social e cultural dos africanos e seus descendentes, desenvolvendo produção de subsistência e, em alguns casos, relações comerciais com a sociedade circundante.

c)

Uma instituição de caridade, financiada pela Coroa Portuguesa, para integrar os ex-escravizados.

d)

Uma organização dedicada exclusivamente à guerra contra as tropas coloniais, sem preocupação com a agricultura ou o cotidiano.

e)

Uma área de assentamento de imigrantes europeus, que utilizavam mão de obra livre.

4.

A Lei Áurea, de 1888, é um marco na abolição legal da escravidão no Brasil. No entanto, ela é frequentemente criticada por seu caráter incompleto. Qual aspecto central marca a incompletude do processo de abolição?

a)

A Lei não impediu a continuação do tráfico negreiro, que seguiu ativo após 1888.

b)

A Lei não promoveu a libertação dos escravos indígenas, que permaneceram em cativeiro.

c)

A ausência de políticas de inclusão social e econômica para a população recém-liberta, condenando a maioria dos ex-escravizados à marginalidade social e ao desamparo.

d)

O fato de a Lei ter sido revogada um ano depois pela Proclamação da República, restabelecendo a escravidão por mais tempo.

e)

A obrigatoriedade de os ex-escravizados trabalharem por mais dez anos nas fazendas de seus antigos senhores.

5.

O cotidiano do escravizado era marcado por diversas práticas de violência e controle. Qual era a finalidade do Regime de Tarefas e Metas imposto em muitas lavouras, além da mera produção?

a)

Aumentar o tempo livre dos escravizados, permitindo o cultivo de suas roças de subsistência.

b)

Estimular a competição entre os escravizados para garantir melhores salários e alforrias.

c)

Instituir um sistema de controle disciplinar e psicológico que, através da exaustão física e da punição por não cumprimento, buscava anular a identidade e o potencial de resistência do indivíduo.

d)

Padronizar o cultivo de produtos para exportação, visando o mercado europeu.

e)

Incentivar a formação de pequenas famílias, com o objetivo de aumentar a taxa de natalidade.

6.

A figura do capitão do mato (caçador de escravos fugidos) representa um elemento crucial na manutenção da ordem escravista. O papel desse agente ia além da simples captura, representando o quê?

a)

A liberdade condicional e a possibilidade de ascensão social para ex-escravizados que demonstrassem lealdade.

b)

O braço armado do poder senhorial e estatal, responsável por impor o terror e a repressão, garantindo a integridade do sistema escravista e demonstrando a severidade da punição para a fuga.

c)

Um mediador de conflitos entre senhores e escravizados, buscando soluções pacíficas.

d)

Um funcionário público, eleito anualmente pelos escravizados, para zelar pelos seus direitos.

e)

O responsável pela distribuição de alimentos e suprimentos nas senzalas.

7.

A Lei de Terras de 1850, embora anterior à abolição, é um dispositivo legal que dificultou a integração dos futuros libertos. Qual foi o principal efeito dessa Lei no contexto da sociedade brasileira em transição?

a)

Garantir a distribuição gratuita de terras aos imigrantes europeus, em detrimento dos nacionais.

b)

Estabelecer que as terras públicas só poderiam ser adquiridas por compra, e não mais por posse, concentrando a propriedade fundiária e vedando aos futuros ex-escravos e aos pobres o acesso legítimo à terra após a abolição.

c)

Delimitar as fronteiras com os países vizinhos, resolvendo disputas territoriais antigas.

d)

Promover a criação de grandes fazendas para o cultivo exclusivo de café.

e)

Regularizar a posse de terras indígenas em todo o território nacional.

8.

O historiador Sidney Chalhoub argumenta que a resistência escrava era uma negociação constante, mesmo sob a violência. Qual forma de resistência, aparentemente "passiva", ilustra essa "negociação" no cotidiano?

a)

O assassinato direto e em massa de feitores.

b)

A fuga para áreas urbanas e a prática de pequenos furtos como retaliação.

c)

A diminuição proposital do ritmo de trabalho, a simulação de doenças ou a sabotagem das ferramentas agrícolas, visando estabelecer um limite mínimo de esforço aceitável pelo senhor em troca de não sofrer punições excessivas.

d)

A organização de grandes levantes armados nos canaviais e minas.

e)

O envio de cartas à Coroa, denunciando os maus-tratos.

9.

O conceito de identidade e cultura era vital para a coesão social na senzala. Qual o papel da oralidade (contos, lendas, mitos africanos) e do culto aos ancestrais para a formação de uma identidade resistente no cativeiro?

a)

Eram meros passatempos para preencher o tempo livre após o trabalho.

b)

Meios de conversão ao catolicismo, adaptando narrativas africanas à fé cristã.

c)

Mecanismos de reconstrução da memória, da linhagem e da etnicidade, funcionando como uma base ideológica para a resistência e a manutenção de um universo simbólico oposto ao apagamento imposto pelo regime escravista.

d)

Formas de aprendizado da língua portuguesa, através da repetição de frases.

e)

Expressões de revolta, que eram permitidas pelos senhores como forma de "alívio de tensão".

10.

A Constituição Federal de 1988, através do Art. 68 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT), estabeleceu um novo paradigma para os remanescentes de quilombos. Qual foi a principal inovação legal introduzida por este artigo?

a)

A proibição de qualquer estudo arqueológico em seus territórios.

b)

O reconhecimento do direito à propriedade definitiva das terras ocupadas pelos remanescentes de quilombos, mediante titulação coletiva, garantindo a proteção territorial e cultural dessas comunidades.

c)

A obrigatoriedade de adoção do regime de parceria agrícola com fazendeiros vizinhos.

d)

A criação de um imposto específico para financiar as festas religiosas afro-brasileiras.

e)

A determinação de que apenas descendentes patrilineares poderiam reivindicar direitos às terras.

11.

O reconhecimento de que o conceito de quilombo se limita aos modelos coloniais (como Palmares), desconsiderando as comunidades atuais.

a)

A ampliação do conceito para abranger comunidades atuais

b)

A limitação a modelos coloniais como Palmares históricos

c)

A equiparação de quilombos a reservas ambientais privadas

d)

A definição de quilombos como fazendas familiares modernas

e)

A consideração exclusiva de quilombos urbanos contemporâneos

12.

O reconhecimento da propriedade definitiva e a obrigatoriedade de titulação das terras aos remanescentes das comunidades dos quilombos que estejam ocupando suas terras.

a)

A negação de posse e retirada de famílias ocupantes

b)

A titulação obrigatória das terras ocupadas por remanescentes

c)

A concessão temporária condicionada a produtividade agrícola

d)

A transformação das áreas em parques de turismo rural

e)

A transferência das terras para grandes proprietários rurais

13.

A permissão para a exploração de recursos naturais em seus territórios por empresas privadas.

a)

A exploração privada irrestrita dos recursos territoriais

b)

A co-gestão comunitária com empresas estrangeiras

c)

A proteção integral contra qualquer exploração externa

d)

A mineração artesanal comunitária supervisionada

e)

A concessão pública exclusiva a cooperativas quilombolas

14.

O estado do Paraná possui diversas comunidades remanescentes de quilombos, como mencionado no material (38 comunidades em 22 municípios). Qual é a principal dificuldade enfrentada por essas comunidades na atualidade, mesmo após o reconhecimento constitucional?

a)

Desinteresse dos jovens em laços comunitários

b)

Exigência estatal de abandonar práticas agrícolas

c)

Demora e burocracia na titulação das terras

d)

Oposição da Igreja a religiões de matriz africana

e)

Migração em massa das lideranças para outros estados

15.

A Arqueologia de Povos Jê no Paraná, citada no material, desempenha um papel fundamental na história regional. Qual a relevância do estudo desses povos para a compreensão da ocupação pré-colonial do sul do Brasil?

a)

Serve apenas como complemento dos estudos litorâneos

b)

Revela culturas complexas que moldaram a paisagem

c)

Comprova ausência de culturas agrícolas no interior

d)

Explica a introdução de mão de obra africana

e)

É irrelevante, pois vestígios foram destruídos

16.

Os povos indígenas no Paraná, como Kaingang e Guarani, enfrentam graves problemas relacionados à demarcação de terras. Qual a consequência direta do não-reconhecimento ou da morosidade na demarcação de suas terras?

a)

Aumento da cooperação com grandes proprietários

b)

Limitação de autonomia e dependência de auxílios

c)

Invasão, violência e perda de acesso a recursos

d)

Êxodo rumo às grandes cidades urbanizadas

e)

Extinção cultural por assimilação voluntária

17.

O conceito antropológico de Etnodesenvolvimento é frequentemente aplicado a comunidades tradicionais. No contexto dos quilombos, o que esse conceito propõe?

a)

Substituição por modelos capitalistas modernos

b)

Desenvolvimento apropriado e autossustentável comunitário

c)

Proibição de comércio com sociedade não quilombola

d)

Financiamento de megaprojetos de infraestrutura

e)

Criação de um único idioma oficial comunitário

18.

Qual das alternativas melhor descreve a diversidade étnica dos Povos Indígenas que tradicionalmente ocuparam e ainda ocupam o território do Paraná?

a)

Apenas Tupinambá, tronco Tupi, litorais

b)

Xavante Macro-Jê e Pataxó Tupi-Guarani

c)

Presença de Kaingang, Xokleng e Guarani diversos

d)

Hegemonia Yanomami na região Norte

e)

Único grande grupo, Kadiwéu, no Oeste

19.

A educação escolar quilombola e indígena é um tema sensível nas políticas públicas. O que caracteriza a educação escolar diferenciada proposta para essas comunidades?

a)

Tradução simples do currículo nacional

b)

Currículo intercultural e bilíngue quando aplicável

c)

Exclusão de conteúdos de Brasil e matemática

d)

Foco exclusivo em técnicas agrícolas modernas

e)

Transferência de todos para escolas urbanas

20.

A titulação de terras quilombolas e a demarcação de terras indígenas são atribuições, em grande parte, do governo federal. No entanto, destaca-se a atuação do Ministério Público do Paraná (MPPR). Qual é o papel central do MPPR nessas questões?

a)

Financiar projetos de agricultura familiar

b)

Combater invasões e defender direitos constitucionais

c)

Medir conflitos internacionais indígenas

d)

Gerir reservas com empresas privadas

e)

Emitir títulos de propriedade de terras