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Diagnóstica

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Assessment

Presentation

Other

10th Grade

Practice Problem

Hard

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FREE Resource

6 Slides • 18 Questions

1

​A ÚLTIMA CRÔNICA
A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão. Na realidade estou adiando o momento de escrever. A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar com êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas recolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da convivência, que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico. Nesta perseguição do acidental, quer num flagrante de esquina, quer nas palavras de uma criança ou num acidente doméstico, torno-me simples espectador e perco a noção do essencial. Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: “assim eu quereria o meu último poema”. Não sou poeta e estou sem assunto. Lanço então um último olhar fora de mim, onde vivem os assuntos que merecem uma crônica.

2

​ Ao fundo do botequim um casal de pretos acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. A compostura da humildade, na contenção de gestos e palavras, deixa-se acrescentar pela presença de uma negrinha de seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da família, célula da sociedade. Vejo, porém, que se preparam para algo mais que matar a fome.

3

​ Passo a observá-los. O pai, depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso, aborda o garçom, inclinando-se para trás na cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel, vagamente ansiosa, como se aguardasse a aprovação do garçom. Este ouve, concentrado, o pedido do homem e depois se afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando para os lados, a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. A meu lado o garçom encaminha a ordem do freguês. O homem atrás do balcão apanha a porção do bolo com a mão, larga-o no pratinho – um bolo simples, amarelo-escuro, apenas uma pequena fatia triangular.

4

​ A negrinha, contida na sua expectativa, olha a garrafa de Coca-Cola e o pratinho que o garçom deixou à sua frente. Por que não começa a comer? Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em torno à mesa um discreto ritual. A mãe remexe na bolsa de plástico preto e brilhante, retira qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta como um animalzinho. Ninguém mais os observa além de mim.

5

​ São três velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta caprichosamente na fatia do bolo. E enquanto ela serve a Coca-Cola, o pai risca o fósforo e acende as velas. Como a um gesto ensaiado, a menininha repousa o queixo no mármore e sopra com força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a bater palmas, muito compenetrada, cantando num balbucio, a que os pais se juntam, discretos: “Parabéns pra você, parabéns pra você…”. Depois a mãe recolhe as velas, torna a guardá-las na bolsa. A negrinha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está olhando para ela com ternura – ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe cai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim, satisfeito, como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. Dá comigo de súbito, a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido – vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso.

6

​ Assim eu quereria minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso.

Fernando Sabino (1923-2004)

7

Match

Combine os seguintes elementos da narrativa:

Foco narrativo (narrador-personagem ou narrador-observador):

Lugar onde a história se passa:

Personagens:

Narrador-personagem

No botequim

O narrador, o pai, a mãe, a filha do cas

8

Fill in the Blank

Qual a profissão do narrador do texto?

9

Multiple Choice

No texto “A última crônica”, o autor Fernando Sabino começa mostrando, aparentemente, uma rotina que foi modificada inicialmente por qual acontecimento?

1

A comemoração de um aniversário.

2

A humildade do pai da criança.

3

A chegada de um casal com sua filha.

4

A compra de um cafezinho.

10

Multiple Choice

A finalidade do autor ao entrar no botequim:

1

buscar algo que fugisse da realidade. 

2

tomar um café para depois escrever.

3

relaxar sua mente após um dia de trabalho.

4

antecipar o momento de escrever.

11

Multiple Choice

O autor faz uma descrição corriqueira no cotidiano dos brasileiros trazendo uma reflexão sobre alguns problemas sociais. Uma temática social apresentada pelo texto é:

1

a desigualdade econômica.

2

os problemas educacionais

3

os direitos das minorias na sociedade.

4

a mobilidade urbana.

12

Multiple Choice

O narrador descreve a cena onde se passa a história com uma  grandeza   de   detalhes  que   faz   o   leitor   realmente   crer   que   ele   estava lá apreciando. Qual trecho do texto é possível concluir que o casal que entrou tentava ser discreto no botequim?

1

fazer uma análise crítica das situações cotidianas.

2

”A mulher está olhando para ela com ternura – ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe cai ao colo.”

3

“… entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão.” (Professor, aceite outras respostas)

4

“A mulher suspira, olhando para os lados, a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali.”

13

Multiple Choice

A descrição é um relato detalhado sobre algo ou alguém, que acontece através da enumeração de características ou eventos. Qual dos adjetivos abaixo NÃO é uma característica da menina de três anos apresentada pelo texto?

1

Simples.

2

Ousada.

3

Curiosa.

4

Tímida.

14

Multiple Choice

Qual o trecho do texto revela que a família não estava ali apenas para comer?

1

“A compostura da humildade, na contenção de gestos e palavras…”

2

“Ao fundo do botequim um casal de pretos acaba de sentar-se…”

3

“Vejo, porém, que se preparam para algo mais que matar a fome.”

4

“… toda arrumadinha no vestido pobre, que se instalou também à mesa.”

15

Multiple Choice

O autor escreveu o texto em primeira pessoa, transmitindo a impressão de que realmente viveu a situação. Ele se posicionou em relação à cena, demonstrando sua sensibilidade e seus sentimentos. Escreva abaixo um trecho que está escrito em primeira pessoa. 

1

“… entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão.” (Professor, aceite outras respostas)

2

“A mulher suspira, olhando para os lados, a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali.”

3

O aniversário da filha.

4

”A mulher está olhando para ela com ternura – ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe cai ao colo.”

16

Multiple Choice

No trecho: “…  quer num flagrante de esquina, quer nas palavras de uma criança ou num acidente doméstico…”, as palavras grifadas introduzem ideia de:

1

adição.

2

oposição.

3

explicação.

4

alternância.

17

Fill in the Blank

No trecho: “Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em torno à mesa um discreto ritual.”, o que o autor quis se referir ao falar um “discreto virtual”?

18

Multiple Choice

O narrador usa alguns diminutivos quando se refere à criança, como, por exemplo: “arrumadinha, perninhas, negrinha …”. Esse uso como forma de nomear as coisas pelo narrador demonstra

1

alegria. 

2

compaixão.

3

exultação.

4

tamanho.

19

Multiple Choice

Sobre o texto, assinale a alternativa FALSA:

a)

b)

c)

d)

1

O retrato da realidade presente nesta crônica se revela pela altivez.

2

A criança contemplou aquele momento de forma deslumbrante.

3

O narrador avista pureza naquela situação vivenciada no botequim.

4

Os pais em algum momento ficaram envergonhados pela situação.

20

Multiple Choice

Há uma linguagem informal em:

1

“… o pai risca o fósforo e acende as velas.”

2

“Ninguém mais os observa além de mim.”

3

“O pai se mune de uma caixa de fósforos…”

4

“Parabéns pra você, parabéns pra você…”

21

Match

Combine o seguinte: no texto a que / quem os termos destacados estão se referindo:

“Passo a observá-los.”

“… inclinando-se para trás na cadeira…”

“… que merecem uma crônica.”

“… larga-o no pratinho…”

“… torna a guardá-las na bolsa….”

O pai, a mãe e a filha

O pai

Assuntos

A porção de bolo

As velas

22

Multiple Choice

No trecho: “… muito compenetrada, cantando num balbucio…”, a palavra destacada poderia ser substituída, sem alteração de sentido, por:

1

concentrada.

2

tímida.

3

temerosa.

4

amorosa.

23

Multiple Choice

O trecho abaixo cuja palavra grifada introduz ideia de oposição é: 

1

“… ou do irrisório no cotidiano de cada um.”

2

“Assim eu quereria minha última crônica…”

3

“O pai, depois de contar o dinheiro…”

4

“… mas acaba sustentando o olhar…”

24

Multiple Choice

A finalidade do texto “A última crônica” de Fernando Sabino é:

1

apresentar um ponto de vista sobre um assunto polêmico.

2

informar fatos do dia a dia relevantes para a sociedade.

3

fazer uma análise crítica das situações cotidianas.

4

criticar o governo ausente nas políticas públicas.

​A ÚLTIMA CRÔNICA
A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão. Na realidade estou adiando o momento de escrever. A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar com êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas recolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da convivência, que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico. Nesta perseguição do acidental, quer num flagrante de esquina, quer nas palavras de uma criança ou num acidente doméstico, torno-me simples espectador e perco a noção do essencial. Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: “assim eu quereria o meu último poema”. Não sou poeta e estou sem assunto. Lanço então um último olhar fora de mim, onde vivem os assuntos que merecem uma crônica.

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