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ENEM1

Total questions: 13

Worksheet time: 26mins

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1.

(BARDI, P. M. Em torno da escultura no Brasil. São Paulo: Banco Sudameris Brasil, 1989.)

Com contornos assimétricos, riqueza de detalhes nas vestes e nas feições, a escultura barroca no Brasil tem forte influência do rococó europeu e está representada aqui por um dos profetas do pátio do Santuário do Bom Jesus de Matosinho, em Congonhas (MG), esculpido em pedra-sabão por Aleijadinho. Profundamente religiosa, sua obra revela:

a)

liberdade, representando a vida de mineiros à procura da salvação.

b)

credibilidade, atendendo a encomendas dos nobres de Minas Gerais.

c)

simplicidade, demonstrando compromisso com a contemplação do divino.

d)

personalidade, modelando uma imagem sacra com feições populares.

e)

singularidade, esculpindo personalidades do reinado nas obras divinas.

2.

TEXTO I

Andaram na praia, quando saímos, oito ou dez deles; e daí a pouco começaram a vir mais. E parece-me que viriam, este dia, à praia, quatrocentos ou quatrocentos e cinquenta. Alguns deles traziam arcos e flechas, que todos trocaram por carapuças ou por qualquer coisa que lhes davam. [...] Andavam todos tão bem-dispostos, tão bem feitos e galantes com suas tinturas que muito agradavam.

CASTRO, S. A carta de Pero Vaz de Caminha. Porto Alegre: L&PM, 1996 (fragmento).


TEXTO II

PORTINARI, C. O descobrimento do Brasil. 1956. Óleo sobre tela, 199 x 169 cm Disponível em: www.portinari.org.br. Acesso em: 12 jun. 2013.


Pertencentes ao patrimônio cultural brasileiro, a carta de Pero Vaz de Caminha e a obra de Portinari retratam a chegada dos portugueses ao Brasil. Da leitura dos textos, constata-se que

a)

a carta de Pero Vaz de Caminha representa uma das primeiras manifestações artísticas dos portugueses em terras brasileiras e preocupa-se apenas com a estética literária.

b)

a tela de Portinari retrata indígenas nus com corpos pintados, cuja grande significação é a afirmação da arte acadêmica brasileira e a contestação de uma linguagem moderna.

c)

a carta, como testemunho histórico-político, mostra o olhar do colonizador sobre a gente da terra, e a pintura destaca, em primeiro plano, a inquietação dos nativos.

d)

as duas produções, embora usem linguagens diferentes — verbal e não verbal —, cumprem a mesma função social e artística.

e)

a pintura e a carta de Caminha são manifestações de grupos étnicos diferentes, produzidas em um mesmo momento histórico, retratando a colonização.

3.

LXXVIII (Camões, 1525?-1580)

Leda serenidade deleitosa,

Que representa em terra um paraíso;

Entre rubis e perlas doce riso;

Debaixo de ouro e neve cor-de-rosa;

Presença moderada e graciosa,

Onde ensinando estão despejo e siso

Que se pode por arte e por aviso,

Como por natureza, ser fermosa;

Fala de quem a morte e a vida pende,

Rara, suave; enfim,

Senhora, vossa;

Repouso nela alegre e comedido:

Estas as armas são com que me rende

E me cativa Amor; mas não que possa

Despojar-me da glória de rendido.

CAMÕES, L. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2008


SANZIO, R. (1483-1520) A mulher com o unicórnio. Roma, Galleria Borghese. Disponível em: www.arquipelagos.pt. Acesso em: 29 fev. 2012.


A pintura e o poema, embora sendo produtos de duas linguagens artísticas diferentes, participaram do mesmo contexto social e cultural de produção pelo fato de ambos

a)

apresentarem um retrato realista, evidenciado pelo unicórnio presente na pintura e pelos adjetivos usados no poema.

b)

apresentarem um retrato ideal de mulher marcado pela sobriedade e o equilíbrio, evidenciados pela postura, expressão e vestimenta da moça e os adjetivos usados no poema.

c)

desprezarem o conceito medieval da idealização da mulher como base da produção artística, evidenciado pelos adjetivos usados no poema.

d)

apresentarem um retrato ideal de mulher marcado pela emotividade e o conflito interior, evidenciados pela expressão da moça e pelos adjetivos do poema.

e)

apresentarem um retrato realista, evidenciado pelo unicórnio presente na pintura e pelos adjetivos usados no poema.

4.

FABIANA, arrepelando-se de raiva - Hum! Ora, eis aí está para que se casou meu filho, e trouxe a mulher para minha casa. É isto constantemente. Não sabe o senhor meu filho que quem casa quer casa... Já não posso, não posso, não posso! (Batendo com o pé). Um dia arrebento, e então veremos!

PENA, M. Quem casa quer casa. www.dominiopublico.gov.br. Acesso em: 7.dez.2012.


As rubricas em itálico, como as trazidas no trecho de Martins Pena, em uma atuação teatral, constituem

a)

necessidade, porque as encenações precisam ser fiéis à diretrizes do autor.

b)

possibilidade, porque o texto pode ser mudado, assim como outros elementos.

c)

preciosismo, orque são irrelevantes para o texto ou para a encenação.

d)

exigência, porque elas determinam as características do texto teatral.

e)

imposição, porque elas anulam a autonomia do diretor.

5.

A música pode ser definida como a combinação de sons ao longo do tempo. Cada produto final oriundo da infinidade de combinações possíveis será diferente, dependendo da escolha das notas, de suas durações, dos instrumentos utilizados, do estilo de música, da nacionalidade do compositor e do período em que as obras foram compostas.

Figura 1 - http://images.quebarato.com.br/photos/big/2/D/15A12D_2.jpg.

Figura 2 - http://ourinhos.prefeituramunicipal.net/dados/fotos/2009/07/07/normal.

Figura 3 - http://www.edmontonculturalcapital.com/gallery/edjazzfestival/JazzQuartet.jpg.

Figura 4 - http://www.filmica.com/jacintaescudos/archivos/Led-Zeppelin.jpg.


Das figuras que apresentam grupos musicais em ação, pode-se concluir que o(os) grupo(s) mostrado(s) na(s) figura(s)

a)

1 executa um gênero característico da música brasileira, conhecido como chorinho.

b)

2 executa um gênero característico da música clássica, cujo compositor mais conhecido é Tom Jobim.

c)

3 executa um gênero característico da música europeia, que tem como representantes Beethoven e Mozart.

d)

4 executa um tipo de música caracterizada pelos instrumentos

acústicos, cuja intensidade e nível de ruído permanecem na faixa dos 30 aos 40 decibéis.

e)

1 a 4 apresentam um produto final bastante semelhante, uma vez que as possibilidades de combinações sonoras ao longo do tempo são limitadas.

6.

Gênero dramático é aquele em que o artista usa como intermediária entre si e o público a representação. A palavra vem do grego drao (fazer) e quer dizer ação. A peça teatral é, pois, uma composição literária destinada à apresentação por atores em um palco, atuando e dialogando entre si. O texto dramático é complementado pela atuação dos atores no espetáculo teatral e possui uma estrutura específica, caracterizada: 1) pela presença de personagens que devem estar ligados com lógica uns aos outros e à ação; 2) pela ação dramática (trama, enredo), que é o conjunto de atos dramáticos, maneiras de ser e de agir das personagens encadeadas à unidade do efeito e segundo uma ordem composta de exposição, conflito, complicação, clímax e desfecho; 3) pela situação ou ambiente, que é o conjunto de circunstâncias físicas, sociais, espirituais em que se situa a ação; 4) pelo tema, ou seja, a ideia que o autor (dramaturgo) deseja expor, ou sua interpretação real por meio da representação.

COUTINHO, A. Notas de teoria literária. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1973 (adaptado).


Considerando o texto e analisando os elementos que constituem um espetáculo teatral, conclui-se que

a)

a criação do espetáculo teatral apresenta-se como um fenômeno de ordem individual, pois não é possível sua concepção de forma coletiva.

b)

o cenário onde se desenrola a ação cênica é concebido e construído pelo cenógrafo de modo autônomo e independente do tema da peça e do trabalho interpretativo dos atores.

c)

o texto cênico pode originar-se dos mais variados gêneros textuais, como contos, lendas, romances, poesias, crônicas, notícias, imagens e fragmentos textuais, entre outros.

d)

o corpo do ator na cena tem pouca importância na comunicação teatral, visto que o mais importante é a expressão verbal, base da comunicação cênica em toda a trajetória do teatro até os dias atuais.

e)

a iluminação e o som de um espetáculo cênico independem do processo de produção/recepção do espetáculo teatral, já que se trata de linguagens artísticas diferentes, agregadas posteriormente à cena teatral.

7.

Capa do LP Os Mutantes, 1968.


A capa do LP Os Mutantes, de 1968, ilustra o movimento da contracultura. O desafio à tradição nessa criação musical é caracterizado por

a)

letras e melodias com características amargas e depressivas.

b)

arranjos baseados em ritmos e melodias nordestinos.

c)

sonoridades experimentais e confluência de elementos populares e eruditos.

d)

temas que refletem situações domésticas ligadas à tradição popular.

e)

ritmos contidos e reservados em oposição aos modelos estrangeiros.

8.

MONET,C. Mulher com sombrinha. 1875, 100x81cm. In: BECKETT, W. História da Pintura. São Paulo: Ática, 1997.

Em busca de maior naturalismo em suas obras e fundamentando-se em novo conceito estético, Monet, Degas, Renoir e outros artistas passaram a explorar novas formas de composição artística, que resultaram no estilo denominado Impressionismo. Observadores atentos da natureza, esses artistas passaram a

a)

retratar, em suas obras, as cores que idealizavam de acordo com o reflexo da luz solar nos objetos.

b)

usar mais a cor preta, fazendo contornos nítidos, que melhor definiam as imagens e as cores do objeto representado.

c)

retratar paisagens em diferentes horas do dia, recriando, em suas telas, as imagens por eles idealizadas.

d)

usar pinceladas rápidas de cores puras e dissociadas diretamente na tela, sem misturá-las antes na paleta.

e)

usar as sombras em tons de cinza e preto e com efeitos esfumaçados, tal como eram realizadas no Renascimento.

9.

Nesse texto publicitário são utilizados recursos verbais e não verbais para transmitir a mensagem. Ao associar os termos anyplace e regret à imagem do texto, constata-se que o tema da propaganda é a importância da

a)

preservação do meio ambiente.

b)

manutenção do motor.

c)

escolha da empresa certa.

d)

consistência do produto.

e)

conservação do carro.

10.

TEXTO I

A Free World-class Education for Anyone Anywhere

The Khan Academy is an organization on a mission. We're a not-for-profit with the goal of changing education for the better by providing a free world-class education to anyone anywhere. All of the site's resources are available to anyone. The Khan Academy's materials and resources are available to you completely free of charge.

Disponível em: www.khanacademy.org. Acesso em: 24fev. 2012 (adaptado).


TEXTO II

I didn't have a problem with Khan Academy site until very recently. For me, the problem is the way Khan Academy is being promoted. The way the media sees it as “revolutionizing education”. The way people with power and money view education as simply “sit-and-get”. If your philosophy of education is “sit-and-get”, i.e., teaching is telling and learning is listening, then Khan Academy is way more efficient than classroom lecturing. Khan Academy does it better. But TRUE progressive educators, TRUE education visionaries and revolutionaries don't want to do these things better. We want to DO BETTER THINGS.

Disponível em: http://fnoschese.wordpress.com. Acesso em: 2 mar. 2012.


Com o impacto das tecnologias e a ampliação das redes sociais, consumidores encontram na internet possibilidades de opinar sobre serviços oferecidos. Nesse sentido, o segundo texto, que é um comentário sobre o site divulgado no primeiro, apresenta a intenção do autor de

a)

elogiar o trabalho proposto para a educação nessa era tecnológica.

b)

reforçar como a mídia pode contribuir para revolucionar a educação.

c)

chamar a atenção das pessoas influentes para o significado da educação

d)

destacar que o site tem melhores resultados do que a educação tradicional.

e)

criticar a concepção de educação em que se baseia a organização.

11.

TEXTO I

Fundamentam-se as regras da Gramática Normativa nas obras dos grandes escritores, em cuja linguagem as classes ilustradas põem o seu ideal de perfeição, porque nela é que se espelha o que o uso idiomático estabilizou e consagrou.

LIMA, C. H. R.Gramática normativa da língua portuguesa. Rio de janeiro: José Olympio, 1989.

TEXTO II

Gosto de dizer. Direi melhor: gosto de palavrar. As palavras são para mim corpos tocáveis, sereias visíveis, sensualidades incorporadas. Talvez porque a sensualidade real não tem para mim interesse de nenhuma espécie - nem sequer mental ou de sonho - transmudou-se-me o desejo para aquilo que em mim cria ritmos verbais, ou os escuta de outros. Estremeço se dizem bem. Tal página de Fialho, tal página de Chateaubriand, fazem formigar toda a minha vida em todas as veias, fazem-me raivar tremulamente quieto de um prazer inatingível que estou tendo. Tal página, até, de Vieira, na sua fria perfeição de engenharia sintáctica, me faz tremer como um ramo ao vento, num delírio passivo de coisa movida.

PESSOA, F. O livro do desassossego. São Paulo, Brasiliense, 1986.


A linguagem cumpre diferentes funções no processo de comunicação. A função que predomina nos Textos I e II

a)

destaca o “como” se elabora a mensagem, considerando-se a seleção, combinação e sonoridade do texto.

b)

coloca o foco no “com o quê” se constrói a mensagem, sendo o código utilizado o seu próprio objeto.

c)

focaliza o “quem” produz a mensagem, mostrando seu posicionamento e suas impressões pessoais.

d)

orienta-se no “para quem” se dirige a mensagem, estimulando a mudança de seu comportamento.

e)

enfatiza sobre “o quê” versa a mensagem, apresentada com palavras precisas e objetivas.

12.

Contranarciso

em mim

eu vejo o outro

e outro

e outro

enfim dezenas

trens passando

vagões cheios de gente

centenas


o outro

que há em mim

é você

você

e você


assim como

eu estou em você

eu estou nele

em nós

e só quando

estamos em nós

estamos em paz

mesmo que estejamos a sós


LEMINSKI. P. Toda poesia. São Paulo: Cia. das Letras, 2013.


A busca pela identidade constitui uma faceta da tradição literária, redimensionada pelo olhar contemporâneo. No poema, essa nova dimensão revela a

a)

ausência de traços identitários.

b)

angústia com a solidão em público.

c)

valorização do “eu” autêntico.

d)

percepção da empatia como fator de autoconhecimento.

e)

impossibilidade de vivenciar experiências de pertencimento.

13.

O mundo revivido

Sobre esta casa e as árvores que o tempo

esqueceu de levar. Sobre o curral

de pedra e paz e de outras vacas tristes

chorando a lua e a noite sem bezerros.


Sobre a parede larga deste açude

onde outras cobras verdes se arrastavam,

e pondo o sol nos seus olhos parados

iam colhendo sua safra de sapos.


Sob as constelações do sul que a noite

Armava e desarmava: as Três Marias,

o Cruzeiro distante e o Sete-Estrelo.

Sobre este mundo revivido em vão,

a lembrança de primos, de cavalos,

de silêncio perdido para sempre.


DOBAL, H. A província deserta. Rio de Janeiro: Arte Nova, 1974.


No processo de reconstituição do tempo vivido, o eu lírico projeta um conjunto de imagens cujo lirismo se fundamenta no

a)

inventário das memórias evocadas afetivamente.

b)

reflexo da saudade no desejo de voltar à infância.

c)

sentimento de inadequação com o presente vivido.

d)

ressentimento com as perdas materiais e humanas

e)

Lapso no fluxo temporal dos eventos trazidos à cena.