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Filosofia Geral Antiga

Total questions: 33

Worksheet time: 2hrs 38mins

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1.

Enem

Leia o texto a seguir.

Com efeito, foi precisamente a filosofia a criar essas categorias e essa lógica, ou seja, um modo de pensar totalmente novo, e foi a filosofia a gerar, em função dessas categorias, a própria ciência e, indiretamente, algumas consequências da ciência. Reconhecer isso significa reconhecer aos gregos o mérito de terem trazido uma contribuição verdadeiramente excepcional à história da civilização.

REALE, Giovanni. História da filosofia antiga. São Paulo: Loyola, 1992. v. I, p. 12.

Nesse trecho, o historiador da filosofia Giovanni Reale revela sua concepção de que:

a)

O surgimento do pensamento filosófico ocorre entre os gregos antigos.

b)

A cultura ocidental não recebe nenhuma contribuição do Oriente.

c)

A ciência moderna consiste na aplicação das teses filosóficas.

d)

A matemática é o ramo do saber com o qual se inicia a atividade filosófica.

e)

O mundo medieval representa um retrocesso intelectual diante da Antiguidade grega.

2.

(UEL-PR)

Os poemas de Homero serviram de alimento espiritual aos gregos, contribuindo de forma essencial para aquilo que mais tarde se desenvolveria como filosofia. Em seus poemas, a harmonia, a proporção, o limite e a medida, assim como a presença de questionamentos acerca das causas, dos princípios e do porquê das coisas se faziam presentes, revelando depois uma constante na elaboração dos princípios metafísicos da filosofia grega.

Adaptado de REALE, Giovanni. História da filosofia antiga. v. 1. Tradução de Henrique C. Lima Vaz e Marcelo Perine. São Paulo: Loyola, 1994. p. 19.

Com base no texto e nos conhecimentos sobre as características que marcaram o nascimento da filosofia na Grécia, considere as afirmativas a seguir.

I. A política, como forma de disputa oratória, contribuiu para formar um grupo de iguais, os cidadãos, que buscavam a verdade pela força da argumentação.

II. O palácio real, que centralizava os poderes militar e religioso, foi substituído pela ágora, espaço público onde os problemas da pólis eram debatidos.

III. A palavra, utilizada na prática religiosa e nos ditos do rei, perdeu a função ritualista de fórmula justa, passando a ser veículo do debate e da discussão.

IV. A expressão filosófica é tributária do caráter pragmático dos gregos, que substituíram a contemplação desinteressada dos mitos pela técnica utilitária do pensar racional.

Estão corretas apenas as afirmativas:

a)

I e III

b)

II e IV

c)

III e IV

d)

I, II e III

e)

I, II e IV

3.

Enem

Leia o trecho a seguir e depois responda ao que se pede.

Para ele [Sócrates], a virtude não é e não pode ser simples adequação aos costumes, aos hábitos e, muito menos, às convicções geralmente acolhidas: ela deve ser algo motivado racionalmente, justificado e fundado no plano do conhecimento.

REALE, Giovanni. História da filosofia antiga. São Paulo: Loyola, 1992. v. 1, p. 272.

Com a leitura do texto, compreende-se a tese socrática segundo a qual:

a)

a moral convencional deve ser reforçada racionalmente.

b)

a ignorância é o motivo do mal e da infelicidade humana.

c)

a comunidade política impede a realização da virtude.

d)

a ética se funda no conhecimento do cosmo.

e)

a administração da cidade deve ser exercida por filósofos.

4.

Um dos grandes problemas epistemológicos da filosofia antiga se desenhou em torno da tentativa de conferir inteligibilidade ao devir, ou seja, da tentativa de submeter o movimento à inteligência e, consequentemente, ao conhecimento.

Sobre isso, é CORRETO afirmar:

a)

Parmênides conseguiu realizar essa tarefa ao estabelecer uma oposição radical entre ser e não-ser.

b)

Platão demonstrou a possibilidade de conhecer o movimento a partir da defesa de que o mundo das ideias é o próprio mundo sensível.

c)

Aristóteles apresentou uma solução para o problema do movimento, ao argumentar que ele consiste na passagem da potência ao ato.

d)

Heráclito mostrou o caráter desnecessário dessa questão, argumentando que o devir não existe.

5.

Uma dificuldade em filosofia é defini-la genericamente, já que isso varia não apenas com relação a cada filósofo ou corrente, mas também com relação aos diferentes períodos históricos.

Com base nessa afirmação, relacione os períodos históricos da filosofia, na coluna superior, com algumas das ideias desenvolvidas no seu desenrolar histórico, na coluna inferior. Uma dificuldade em filosofia é defini-la genericamente, já que isso varia não apenas com relação a cada filósofo ou corrente, mas também com relação aos diferentes períodos históricos.

Com base nessa afirmação, relacione os períodos históricos da filosofia, na coluna superior, com algumas das ideias desenvolvidas no seu desenrolar histórico, na coluna inferior.

(I) Filosofia Antiga (séc. VI a.C. ao VI d.C.).

(II) Filosofia Medieval (séc. VIII ao XIV).

(III) Filosofia da Renascença (séc. XIV ao XVI).

(IV) Filosofia Moderna (séc. XVII a meados do XVIII).

(V) Filosofia Iluminista (meados do séc. XVIII ao começo do XIX).

(A) Nesta filosofia, o ser humano constitui-se o traço predominante, isto é, nela o homem é valorizado, colocado como centro do Universo, entendido como capaz e dotado de poder criador e transformador.

(B) Neste período da filosofia, os filósofos procuraram buscar em suas investigações o fundamento último de todas as coisas ou da realidade inteira, e a este tipo de reflexão a filosofia resolveu chamar posteriormente de metafísica.

(C) Para este tipo de filosofia, a natureza, as instituições sociais e políticas, como coisas exteriores, são conhecidas quando o sujeito do saber as representa intelectualmente segundo ideias demonstráveis.

(D) Segundo este tipo de perspectiva filosófica, o homem, fazendo uso do seu próprio entendimento, pode conquistar a

liberdade, bem como a justiça, no âmbito social e político, desde que se esforce para isso.

(E) Uma característica marcante desta filosofia foi o método por ela inventado para expor as ideias filosóficas, conhecido como disputa, em que os argumentos deveriam ser baseados no princípio de autoridade.

Assinale a alternativa que contém a associação correta

a)

I-B, II-A, III-C, IV-D, V-E.

b)

I-B, II-E, III-A, IV-C, V-D.

c)

I-C, II-D, III-A, IV-B, V-E.

d)

I-C, II-D, III-E, IV-A, V-B.

e)

I-E, II-A, III-C, IV-B, V-D.

6.

Leia o trecho abaixo, que se encontra na Apologia de Sócrates de Platão e traz algumas das concepções filosóficas defendidas pelo seu mestre.

Com efeito, senhores, temer a morte é o mesmo que se supor sábio quem não o é, porque é supor que sabe o que não sabe. Ninguém sabe o que é a morte, nem se, porventura, será para o homem o maior dos bens; todos a temem, como se soubessem ser ela o maior dos males. A ignorância mais condenável não é essa de supor saber o que não se sabe?

Platão, A Apologia de Sócrates, 29 a-b, In. HADOT, P. O que é a Filosofia Antiga? São Paulo: Ed. Loyola, 1999, p. 61.

Com base no trecho acima e na filosofia de Sócrates, assinale a alternativa INCORRETA.

a)

Sócrates prefere a morte a ter que renunciar a sua missão, qual seja: buscar, por meio da filosofia, a verdade, para além da mera aparência do saber.

b)

Sócrates leva o seu interlocutor a examinar-se, fazendo-o tomar consciência das contradições que traz consigo.

c)

Para Sócrates, pior do que a morte é admitir aos outros que nada se sabe. Deve-se evitar a ignorância a todo custo, ainda que defendendo uma opinião não devidamente examinada.

d)

Para Sócrates, o verdadeiro sábio é aquele que, colocado diante da própria ignorância, admite que nada sabe. Admitir o não-saber, quando não se sabe, define o sábio, segundo a concepção socrática.

7.

Em primeiro lugar, é claro que, com a expressão “ser segundo a potência e o ato”, indicam-se dois modos de ser muito diferentes e, em certo sentido, opostos. Aristóteles, de fato, chama o ser da potência até mesmo de não-ser, no sentido de que, com relação ao ser-em-ato, o ser-em-potência é não-ser-em-ato.

REALE, Giovanni. História da Filosofia Antiga. Vol. II. Trad. de Henrique Cláudio de Lima Vaz e Marcelo Perine. São Paulo: Loyola, 1994, p. 349.


A partir da leitura do trecho acima e em conformidade com a Teoria do Ato e Potência de Aristóteles, assinale a alternativa correta.

a)

Para Aristóteles, ser-em-ato é o ser em sua capacidade de se transformar em algo diferente dele mesmo, como, por exemplo, o mármore (ser-em-ato) em relação à estátua (ser-em-potência).

b)

Segundo Aristóteles, a teoria do ato e potência explica o movimento percebido no mundo sensível. Tudo o que possui matéria possui potencialidade (capacidade de assumir ou receber uma forma diferente de si), que tende a se atualizar (assumindo ou recebendo aquela forma).

c)

Para Aristóteles, a bem da verdade, existe apenas o ser-em-ato. Isto ocorre porque o movimento verificado no mundo material é apenas ilusório, e o que existe é sempre imutável e imóvel.

d)

Segundo Aristóteles, o ato é próprio do mundo sensível (das coisas materiais) e a potência se encontra tão-somente no mundo inteligível, apreendido apenas com o intelecto.

8.

Sobre a filosofia antiga grega, analise as afirmativas, marcando com V as verdadeiras e com F, as falsas.

( ) O mundo das ideias perfeitas é criação filosófica dos sofistas.

( ) Platão, enquanto discípulo de Sócrates, baseia-se na busca deste pela essência verdadeira das coisas para formular sua teoria das ideias.

( ) A ética aristotélica implica uma reflexão sobre a conduta humana.

( ) O método socrático baseia-se em dois aspectos, a ironia e a maiêutica.

( ) Aristóteles foi discípulo de Platão e aceitou plenamente a Teoria das Ideias.

Após análise dessas afirmativas, a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo, é a

a)

F F F V V

b)

F V F V F

c)

V F F V V

d)

F V V V F

e)

F F V F V

9.

A alternativa que corresponde à periodização do tempo histórico da Filosofia antiga grega é a

a)

Grécia Arcaica (séculos VII e VI a.c); Grécia Clássica (séculos V e IV a.C); Grécia Helenística (séculos III a.C — III d.C).

b)

Grécia Arcaica (séculos VII e VI a.C); Guerras Médicas (século IV a.C).

c)

Grécia Helenística (séculos III a.C — III d.C) e Império Egípcio.

d)

Grécia Clássica (séculos V e IV a.C); Roma Antiga (século I).

e)

Grécia Antiga; Mesopotâmia e Império Babilônico.

10.

Enem

Leia o texto a seguir.

[Os pré-socráticos] propõem uma teoria de origem do mundo, do homem e da cidade. Essa teoria é racional porque procura explicar o mundo não por uma luta entre os elementos, mas por uma luta entre as realidades “físicas” e a predominância de uma sobre as outras. [...] As teorias racionais, em toda a tradição filosófica grega, serão influenciadas por esse esquema cosmogônico original.

HADOT, Pierre. O que é a filosofia antiga? São Paulo: Loyola, 2010, p. 28-29.

De acordo com esse texto:

a)

as elaborações filosóficas gregas preservam a crença nos deuses no núcleo de suas teorias.

b)

as cosmologias gregas são explicações racionais que recebem influência da tradição mítica.

c)

os discursos filosóficos gregos oferecem sustentação racional aos relatos da tradição mítica.

d)

as cosmologias reformulam as narrativas míticas com a colocação do ser humano no centro da physis.

e)

os conteúdos filosóficos gregos revelam a procedência oriental e mítica da atividade filosófica.

11.

TEXTO 1

Processo é o nome, que se dá à contínua mudança de alguma coisa numa direção definida. Processo social indica interação social, movimento, mudança. Os processos sociais são as diversas maneiras pelas quais os indivíduos e os grupos atuam uns com os outros, a forma como os indivíduos se relacionam e estabelecem relações sociais.

OLIVEIRA, Pérsio Santos de. Introdução à Sociologia. São Paulo: Ática, 2003, p. 32.

De acordo com o texto 1, ao processo social, apresentado nos textos 2 e 3, dá-se o nome de

a)

conflito.

b)

isolamento.

c)

competição.

d)

cooperação indireta.

e)

cooperação direta.

12.

Enem

O filósofo, tendo chegado à contemplação do Bem e do ser supremo, desejaria viver o resto da vida contemplando. Mas isto não lhe é concedido em razão de uma dívida estrita contraída por ele para com o Estado: ele chegou às alturas onde poucos chegam e realizou a sua natureza graças à paideia e aos cuidados do Estado, e por isso é justo que volte a ocupar-se dos outros, para conseguir para eles as vantagens que somente ele, tendo alcançado a visão do Bem, pode trazer-lhes.

REALE, Giovanni. História da filosofia antiga. São Paulo: Loyola, 1992. v. II, p. 263.

O texto refere-se à concepção ética e política de Platão, segundo a qual:

a)

o governo dos filósofos torna a sociedade humana idêntica ao plano dos seres em si.

b)

o governo dos filósofos confere racionalidade à organização da vida em sociedade.

c)

o governo dos filósofos gera a eliminação da inclinação apetitiva dos cidadãos.

d)

o governo dos filósofos permite a aquisição do saber pleno por todos os cidadãos.

e)

o governo dos filósofos favorece o desenvolvimento tecnológico da sociedade

13.
a)
b)
c)
d)
e)
14.

ENEM 2016 Texto I

Fragmento B91: Não se pode banhar duas vezes no mesmo rio, nem substância mortal alcançar duas vezes a mesma condição; mas pela intensidade e rapidez da mudança, dispersa e de novo reúne.

HERÁCLITO. Fragmentos (Sobre a natureza). São Paulo: Abril Cultural, 1996 (adaptado).

Texto II

Fragmento B8: São muitos os sinais de que o ser é ingênito e indestrutível, pois é compacto, inabalável e sem fim; não foi nem será, pois é agora um todo homogêneo, uno, contínuo. Como poderia o que é perecer? Como poderia gerar-se?

PARMÊNIDES. Da natureza. São Paulo: Loyola, 2002 (adaptado).

Os fragmentos do pensamento pré-socrático expõem uma oposição que se insere no campo das

a)

investigações do pensamento sistemático.

b)

preocupações do período mitológico.

c)

discussões de base ontológica.

d)

habilidades da retórica sofística.

e)

verdades do mundo sensível.

15.

ENEM 2015

Trasímaco estava impaciente porque Sócrates e os seus amigos presumiam que a justiça era algo real e importante. Trasímaco negava isso. Em seu entender, as pessoas acreditavam no certo e no errado apenas por terem sido ensinadas a obedecer às regras da sua sociedade. No entanto, essas regras não passavam de invenções humanas .

RACHELS. J. Problemas da filosofia. Lisboa: Gradiva, 2009.

O sofista Trasímaco, personagem imortalizado no diálogo A República, de Platão, sustentava que a correlação entre justiça e ética é resultado de

a)

determinações biológicas impregnadas na natureza humana.

b)

verdades objetivas com fundamento anterior aos interesses sociais.

c)

mandamentos divinos inquestionáveis legados das tradições antigas.

d)

convenções sociais resultantes de interesses humanos contingentes.

e)

sentimentos experimentados diante de determinadas atitudes humanas.

16.

ENEM 2017

Uma conversação de tal natureza transforma o ouvinte; o contato de Sócrates paralisa e embaraça; leva a refletir sobre si mesmo, a imprimir à atenção uma direção incomum: os temperamentais, como Alcibíades, sabem que encontrarão junto dele todo o bem de que são capazes, mas fogem porque receiam essa influência poderosa, que os leva a se censurarem. E sobretudo a esses jovens, muitos quase crianças, que ele tenta imprimir sua orientação.

BRÉHIER, E. História da filosofia. São Paulo: Mestre Jou, 1977.

O texto evidencia características do modo de vida socrático, que se baseava na

a)

contemplação da tradição mítica.

b)

sustentação do método dialético.

c)

relativização do saber verdadeiro.

d)

valorização da argumentação retórica.

e)

investigação dos fundamentos da natureza.

17.

ENEM PPL 2015

Suponha homens numa morada subterrânea, em forma de caverna, cuja entrada, aberta à luz, se estende sobre todo o comprimento da fachada; eles estão lá desde a infância, as pernas e o pescoço presos por correntes, de tal sorte que não podem trocar de lugar e só podem olhar para frente, pois os grilhões os impedem de voltar a cabeça; a luz de uma fogueira acesa ao longe, numa elevada do terreno, brilha por detrás deles; entre a fogueira e os prisioneiros, há um caminho ascendente; ao longo do caminho, imagine um pequeno muro, semelhante aos tapumes que os manipuladores de marionetes armam entre eles e o público e sobre os quais exibem seus prestígios.

PLATÃO. A República. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2007.

Essa narrativa de Platão é uma importante manifestação cultural do pensamento grego antigo, cuja ideia central, do ponto de vista filosófico, evidencia o(a)

a)

caráter antropológico, descrevendo as origens do homem primitivo.

b)

sistema penal da época, criticando o sistema carcerário da sociedade ateniense.

c)

vida cultural e artística, expressa por dramaturgos trágicos e cômicos gregos.

d)

sistema político elitista, provindo do surgimento da pólis e da democracia ateniense.

e)

teoria do conhecimento, expondo a passagem do mundo ilusório para o mundo das ideias.

18.

UFU 2018No diálogo Mênon, Platão faz Sócrates sustentar que a virtude não pode ser ensinada, consistindo-se em algo que trazemos conosco desde o nascimento, defendendo uma concepção, segundo a qual temos em nós um conhecimento inato que se encontra obscurecido desde que a alma encarnou-se no corpo. O papel da filosofia é fazer-nos recordar deste conhecimento"

MARCONDES, Danilo. Textos Básicos de Filosofia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editora, 2000. p. 31.

Nesse trecho, o autor descreve o que ficou conhecido como

a)

a teoria das ideias de Platão.

b)

a doutrina da reminiscência de Platão.

c)

a ironia socrática.

d)

a dialética platônica

19.

UEL 2011Leia os textos a seguir.

Aristóteles, no Livro IV da Metafísica, defende o sentido epistêmico do princípio de não contradição como o princípio primário, incondicionado e absolutamente verdadeiro da “ciência das causas primeiras”, ou melhor, o princípio que se apresenta como fundamento último (ou primeiro) de justificação para qualquer enunciado declarativo em sua pretensão de verdade.

“É impossível que o mesmo atributo pertença e não pertença ao mesmo tempo ao mesmo sujeito, e na mesma relação. [...] Não é possível, com efeito, conceber alguma vez que a mesma coisa seja e não seja, como alguns acreditam que Heráclito disse [...]. É por esta razão que toda demonstração se remete a esse princípio como a uma última verdade, pois ela é, por natureza, um ponto de partida, a mesma para os demais axiomas.”

(ARISTÓTELES. Metafísica.

Livro IV, 3, 1005b apud FARIA, Maria do Carmo B. de. Aristóteles: a plenitude como horizonte do ser. São Paulo: Moderna, 1994. p. 93.)

Com base nos textos e nos conhecimentos sobre Aristóteles, é correto afirmar:

a)

Aqueles que sustentam, com Heráclito, conceber verdadeiramente que propriedades contrárias podem subsistir e não subsistir no mesmo sujeito opõem-se ao princípio de não contradição.

b)

Pelo princípio de não contradição, sustenta-se a tese heracliteana de que, numa enunciação verdadeira, se possa simultaneamente afirmar e negar um mesmo predicado de um mesmo sujeito, em um mesmo sentido.

c)

Nas demonstrações sobre as realidades suprassensíveis, é possível conceber que propriedades contrárias subsistam simultaneamente no mesmo sujeito, sem que isso incorra em contradição lógica, ontológica e epistêmica.

d)

Para que se possa fundamentar o estatuto axiomático do princípio de não contradição, exige-se que sua evidência, enquanto princípio primário, seja submetida à demonstração.

e)

Com o princípio de não contradição, torna-se possível conceber que, se existem duas coisas não idênticas, qualquer predicado que se aplicar a uma delas também poderá ser aplicado necessariamente à outra.

20.

UEG 2013

A expressão “Tudo o que é bom, belo e justo anda junto” foi escrita por um dos grandes filósofos da humanidade. Ela resume muito de sua perspectiva filosófica, sendo uma das bases da escola de pensamento conhecida como

a)

cartesianismo, estabelecida por Descartes, no qual se acredita que a essência precede a existência.

b)

estoicismo, que tem no imperador romano Marco Aurélio um de seus grandes nomes, que pregava a serenidade diante das tragédias.

c)

existencialismo, que tem em Sartre um de seus grandes nomes, para o qual a existência precede a essência.

d)

platonismo, estabelecida por Platão, no qual se entendia o mundo físico como uma imitação imperfeita do mundo ideal.

21.

UEMA 2015

Leia a fábula de La Fontaine, uma possível explicação para a expressão ”o amor é cego”.No amor tudo é mistério: suas flechas e sua aljava, sua chama e sua infância eterna. Mas por que o amor é cego? Aconteceu que num certo dia o Amor e a Loucura brincavam juntos. Aquele ainda não era cego. Surgiu entre eles um desentendimento qualquer. Pretendeu então o Amor que se reunisse para tratar do assunto o conselho dos deuses. Mas a Loucura, impaciente, deu-lhe uma pancada tão violenta que lhe privou da visão. Vênus, mãe e mulher, pôs-se a clamar por vingança, aos gritos. Diante de Júpiter, de Nêmesis – a deusa da vingança – e de todos os juízos do inferno, Vênus exigiu que aquele crime fosse reparado. Seu filho não podia ficar cego. Depois de estudar detalhadamente o caso, a sentença do supremo tribunal celeste consistiu em declarar a loucura a servir de guia ao Amor.

Fonte: LA FONTAINE, Jean de. O amor e a loucura. In: Os melhores contos de loucura. Flávio Moreira da Costa (Org.). Rio de Janeiro: Ediouro, 2007.

A fábula traz uma explicação oriunda dos deuses para uma realidade humana. Esse tipo de explicação classifica-se como

a)

estética.

b)

filosófica.

c)

mitológica.

d)

científica.

e)

crítica.

22.

UNCISAL 2011

Na Grécia Antiga, o filósofo Sócrates ficou famoso por interpelar os transeuntes e fazer perguntas aos que se achavam conhecedores de determinado assunto. Mas durante o diálogo, Sócrates colocava o interlocutor em situação delicada, levando-o a reconhecer sua própria ignorância. Em virtude de sua atuação, Sócrates acabou sendo condenado à morte sob a acusação de corromper a juventude, desobedecer às leis da cidade e desrespeitar certos valores religiosos. Considerando essas informações sobre a vida de Sócrates, assim como a forma pela qual seu pensamento foi transmitido, pode-se afirmar que sua filosofia

a)

transmitia conhecimentos de natureza científica.

b)

ficou consagrada sob a forma de diálogos, posteriormente redigidos pelo filósofo Platão.

c)

baseava-se em uma contemplação passiva da realidade.

d)

transmitia conhecimentos exclusivamente sob a forma escrita entre a população ateniense.

e)

procurava transmitir às pessoas conhecimentos de natureza mitológica.

23.

UNICENTRO 2012

Sobre o pensamento socrático, analise as afirmativas e marque com V, as verdadeiras e com F, as falsas.

( ) Sócrates é autor da obra Ética a Nicômaco.

( ) O pensamento socrático está escrito em hebraico.

( ) A ironia e a maiêutica são as bases de sua filosofia.

( ) Sócrates não criticou o saber dogmático, sendo, por isso, conselheiro dos governantes de Atenas.

( ) Os diálogos platônicos são importantes textos filosóficos que relatam, na maioria, o pensamento de Sócrates.

A partir da análise dessas afirmativas, a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo, é a

a)

F V F V V

b)

V F V V F

c)

F F V F V

d)

V F F F V

e)

.

F V V V F

24.

UNIMONTES 2011

Lembremos a figura de Sócrates. Dizem que era um homem feio, mas, quando falava, exercia estranho fascínio. Podemos atribuir a Sócrates duas maneiras de se chegar ao conhecimento. Essas duas maneiras são denominadas de

a)

doxa e ironia.

b)

maiêutica e doxa.

c)

maiêutica e episteme.

d)

ironia e maiêutica.

25.

UEG 2013

O ser humano, desde sua origem, em sua existência cotidiana, faz afirmações, nega, deseja, recusa e aprova coisas e pessoas, elaborando juízos de fato e de valor por meio dos quais procura orientar seu comportamento teórico e prático. Entretanto, houve um momento em sua evolução histórico-social em que o ser humano começa a conferir um caráter filosófico às suas indagações e perplexidades, questionando racionalmente suas crenças, valores e escolhas. Nesse sentido, pode-se afirmar que a filosofia

a)

existe desde que existe o ser humano, não havendo um local ou uma época específica para seu nascimento, o que nos autoriza a afirmar que mesmo a mentalidade mítica é também filosófica e exige o trabalho da razão.

b)

inicia sua investigação quando aceitamos os dogmas e as certezas cotidianas que nos são impostos pela tradição e pela sociedade, visando educar o ser humano como cidadão.

c)

surge quando o ser humano começa a exigir provas e justificações racionais que validam ou invalidam suas crenças, seus valores e suas práticas, em detrimento da verdade revelada pela codificação mítica.

d)

é algo inerente ao ser humano desde sua origem e que, por meio da elaboração dos sentimentos, das percepções e dos anseios humanos, procura consolidar nossas crenças e opiniões.

26.

UFU 2011

No pórtico da Academia de Platão, havia a seguinte frase: “não entre quem não souber geometria”. Essa frase reflete sua concepção de conhecimento: quanto menos dependemos da realidade empírica, mais puro e verdadeiro é o conhecimento tal como vemos descrito em sua Alegoria da Caverna.

“A ideia de círculo, por exemplo, preexiste a toda a realização imperfeita do círculo na areia ou na tábula recoberta de cera. Se traço um círculo na areia, a ideia que guia a minha mão é a do círculo perfeito. Isso não impede que essa ideia também esteja presente no círculo imperfeito que eu tracei. É assim que aparece a ideia ou a forma.”

JEANNIÈRE, Abel. Platão. Tradução de Lucy Magalhães. Rio de Janeiro: Zahar, 1995. 170 p.

Com base nas informações acima, assinale a alternativa que interpreta corretamente o pensamento de Platão.

a)

As ideias são as verdadeiras causas e princípio de identificação dos seres; o “mundo inteligível” é onde se obtêm os conhecimentos verdadeiros.

b)

Quando traçamos um círculo imperfeito, isto demonstra que as ideias do “mundo inteligível” não são perfeitas, tal qual o “mundo sensível”.

c)

Todo conhecimento verdadeiro começa pela percepção, pois somente pelos sentidos podemos conhecer as coisas tais quais são.

d)

A Alegoria da Caverna demonstra, claramente, que o verdadeiro conhecimento não deriva do “mundo inteligível”, mas do “mundo sensível”.

27.

No centro da imagem, o filósofo Platão é retratado apontando para o alto. Esse gesto significa que o conhecimento se encontra em uma instância na qual o homem descobre a

a)

suspensão do juízo como reveladora da verdade.

b)

realidade inteligível por meio do método dialético.

c)

salvação da condição mortal pelo poder de Deus.

d)

essência das coisas sensíveis no intelecto divino.

e)

ordem intrínseca ao mundo por meio da sensibilidade.

28.

UEMA 2015

Leia a letra da canção a seguir.

Nada do que foi será

De novo do jeito que já foi um dia

Tudo passa

Tudo sempre passará

A vida vem em ondas

Como um mar

Num indo e vindo infinito

Tudo que se vê não é

Igual ao que a gente

Viu há um segundo

Tudo muda o tempo todo

No mundo [...]

Fonte: SANTOS, Lulu; MOTTA, Nelson. Como uma onda. In: Álbum MTV ao vivo. Rio de Janeiro: Sony-BMG, 2004.

Da mesma forma como canta o poeta contemporâneo, que vê a realidade passando como uma onda, assim também pensaram os primeiros filósofos conhecidos como Pré-socráticos que denominavam a realidade de physis. A característica dessa realidade representada, também, na música de Lulu Santos é o(a)

a)

fluxo.

b)

estática.

c)

infinitude.

d)

desordem.

e)

multiplicidade.

29.

Stoodi

“O homem é a medida de todas as coisas”. Este adágio se relaciona à qual fase da Filosofia Antiga:

a)

Pré Socráticos

b)

Socráticos

c)

Helênicos

d)

Sofistas

e)

Cosmológicos

30.

UEA 2013

O sofista é um diálogo de Platão do qual participam Sócrates, um estrangeiro e outros personagens. Logo no início do diálogo, Sócrates pergunta ao estrangeiro, a que método ele gostaria de recorrer para definir o que é um sofista. Sócrates: – Mas dize-nos [se] preferes desenvolver toda a tese que queres demonstrar, numa longa exposição ou empregar o método interrogativo? Estrangeiro: – Com um parceiro assim agradável e dócil, Sócrates, o método mais fácil é esse mesmo; com um interlocutor. Do contrário, valeria mais a pena argumentar apenas para si mesmo.(Platão. O sofista, 1970. Adaptado.)

É correto afirmar que o interlocutor de Sócrates escolheu, do ponto de vista metodológico, adotar

a)

a maiêutica, que pressupõe a contraposição dos argumentos.

b)

a dialética, que une numa síntese final as teses dos contendores.

c)

o empirismo, que acredita ser possível chegar ao saber por meio dos sentidos.

d)

o apriorismo, que funda a eficácia da razão humana na prova de existência de Deus.

e)

o dualismo, que resulta no ceticismo sobre a possibilidade do saber humano.

31.

UNIOESTE 2010

O Oráculo de Delfos teria declarado que Sócrates (470-399 a.C.) era o mais sábio dos homens. Essa profecia marcou decisivamente a concepção socrática de Filosofia, pois sua verdade não era óbvia: “Logo ele, sem qualquer especialização, ele que estava ciente de sua ignorância? Logo ele, numa cidade [Atenas] repleta de artistas, oradores, políticos, artesãos? Sócrates parece ter meditado bastante tempo, buscando o significado das palavras da pitonisa. Afinal concluiu que sua sabedoria só poderia ser aquela de saber que nada sabia, essa consciência da ignorância sobre as coisas que era sinal e começo da autoconsciência.” (J. A. M. Pessanha)

Sobre a filosofia de Sócrates, é incorreto afirmar que

a)

a filosofia de Sócrates consiste em buscar a verdade, aceitando as opiniões contraditórias dos homens; quanto mais importante era a posição social de um homem, mais verdadeira era sua opinião.

b)

a sabedoria de Sócrates está em saber que nada sabe, enquanto os homens em geral estão impregnados de preconceitos e noções incorretas, e não se dão conta disso.

c)

o reconhecimento da própria ignorância é o primeiro passo para a sabedoria, pois, assim, podemos nos livrar dos preconceitos e abrir caminho para a verdade.

d)

após muito questionar os valores e as certezas vigentes, Sócrates foi acusado de não respeitar os deuses oficiais (impiedade) e corromper a juventude; foi julgado e condenado à morte por ingestão de cicuta.

e)

o caminho socrático para a sabedoria deve ser trilhado pelo próprio indivíduo, que deve por ele mesmo reconhecer seus preconceitos e opiniões, rejeitá-los e, através da razão, atingir a verdade imutável.

32.

UFU 2010

Em um importante trecho da sua obra Metafísica, Aristóteles se refere a Sócrates nos seguintes termos:Sócrates ocupava-se de questões éticas e não da natureza em sua totalidade, mas buscava o universal no âmbito daquelas questões, tendo sido o primeiro a fixar a atenção nas definições.Aristóteles. Metafísica, A6, 987b 1-3. Tradução de Marcelo Perine. São Paulo: Loyola, 2002.

Com base na filosofia de Sócrates e no trecho supracitado, assinale a alternativa correta.

a)

O método utilizado por Sócrates consistia em um exercício dialético, cujo objetivo era livrar o seu interlocutor do erro e do preconceito − com o prévio reconhecimento da própria ignorância −, e levá-lo a formular conceitos de validade universal (definições).

b)

Sócrates era, na verdade, um filósofo da natureza. Para ele, a investigação filosófica é a busca pela “Arché”, pelo princípio supremo do Cosmos. Por isso, o método socrático era idêntico aos utilizados pelos filósofos que o antecederam (Pré-socráticos).

c)

O método socrático era empregado simplesmente para ridicularizar os homens, colocando-os diante da própria ignorância. Para Sócrates, conceitos universais são inatingíveis para o homem; por isso, para ele, as definições são sempre relativas e subjetivas, algo que ele confirmou com a máxima “o Homem é a medida de todas as coisas”.

d)

Sócrates desejava melhorar os seus concidadãos por meio da investigação filosófica. Para ele, isso implica não buscar “o que é”, mas aperfeiçoar “o que parece ser”. Por isso, diz o filósofo, o fundamento da vida moral é, em última instância, o egoísmo, ou seja, o que é o bem para o indivíduo num dado momento de sua existência.

33.

ENEM 2012

Para Platão, o que havia de verdadeiro em Parmênides era que o objeto de conhecimento é um objeto de razão e não de sensação, e era preciso estabelecer uma relação entre objeto racional e objeto sensível ou material que privilegiasse o primeiro em detrimento do segundo. Lenta, mas irresistivelmente, a Doutrina das Ideias formava-se em sua mente.

ZINGANO, M. Platão e Aristóteles: o fascínio da filosofia. São Paulo: Odysseus, 2012 (adaptado).

O texto faz referência à relação entre razão e sensação, um aspecto essencial da Doutrina das Ideias de Platão (427 a.C.-346 a.C.). De acordo com o texto, como Platão se situa diante dessa relação?

a)

Estabelecendo um abismo intransponível entre as duas.

b)

Afirmando que a razão é capaz de gerar conhecimento, mas a sensação não.

c)

Privilegiando os sentidos e subordinando o conhecimento a eles.

d)

Atendo-se à posição de Parmênides de que razão e sensação são inseparáveis.

e)

Rejeitando a posição de Parmênides de que a sensação é superior à razão.