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3ª Geração Modernismo

Total questions: 7

Worksheet time: 21mins

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1.

O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem.

(ROSA, J. G. Grande sertão: veredas. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986.)


No romance Grande sertão: veredas, o protagonista Riobaldo narra sua trajetória de jagunço. A leitura do trecho permite identificar que o desabafo de Riobaldo se aproxima de um(a):

a)

diário, por trazer lembranças pessoais.

b)

fábula, por apresentar uma lição de moral.

c)

notícia, por informar sobre um acontecimento.

d)

aforismo, por expor uma máxima em poucas palavras.

e)

crônica, por tratar de fatos do cotidiano

2.

Declaração de amor

Esta é uma confissão de amor: amo a língua portuguesa. Ela não é fácil. Não é maleável. […] A língua portuguesa é um verdadeiro desafio para quem escreve. Sobretudo para quem escreve tirando das coisas e das pessoas a primeira capa de superficialismo.


Às vezes ela reage diante de um pensamento mais c omplicado. As vezes se assusta com o imprevisível de uma frase. Eu gosto de manejá-la – Como gostava de estar montada num cavalo e guiá-lo pelas rédeas, às vezes a galope. Eu queria que a língua portuguesa chegasse ao máximo em minhas mãos. E este desejo todos os que escrevem têm. Um Camões e outros iguais não bastaram para nos dar para sempre uma herança de língua já feita. Todos nós que escrevemos estamos fazendo do túmulo do pensamento alguma coisa que lhe dê vida.


Essas dificuldades, nós as temos. Mas não fale do encantamento de lidar com uma língua que não foi aprofundada. O que recebi de herança não me chega.

Se eu fosse muda e também não pudesse escrever, e me perguntassem a que língua eu queria pertencer, eu diria. inglês, que é preciso e belo. Mas, como não nasci muda e pude escrever, tornou-se absolutamente claro para mim que eu queria mesmo era escrever em português. Eu até queria não ter aprendido outras línguas: só para que a minha abordagem do português fosse virgem e límpida.

(LISPECTOR, C. A descoberta do mundo Rio de Janeiro Rocco, 1999 (adaptado).)


O trecho em que Clarice Lispector declara seu amor pela língua portuguesa, acentuando seu caráter patrimonial e Sua capacidade de renovação, é

a)

“A língua portuguesa é um verdadeiro desafio para quem escreve.”

b)

“Um Camões e outros iguais não bastaram para nos dar para sempre uma herança de língua já feita.”

c)

“Todos nós que escrevemos estamos fazendo do túmulo do pensamento alguma coisa que lhe dê Vida.”

d)

“Mas não falei do encantamento de lidar com uma língua que não foi aprofundada.”

e)

“Eu até queria não ter aprendido outras línguas: só para que a minha abordagem do português fosse Virgem e límpida.”

3.

(ROSA, R. Grande sertão: veredas: adaptação da obra de João Guimarães Rosa.

São Paulo: Globo, 2014 (adaptado).


A imagem integra uma adaptação em quadrinhos da obra Grande sertão: veredas, de Guimarães Rosa. Na representação gráfica, a inter-relação de diferentes linguagens caracteriza-se por

a)

romper com a linearidade das ações da narrativa literária.

b)

ilustrar de modo fidedigno passagens representativas da história.

c)

articular a tensão do romance à desproporcionalidade das formas.

d)

potencializar a dramaticidade do episódio com recursos das artes visuais.

e)

desconstruir a diagramação do texto literário pelo desequilíbrio da composição.

4.

Antiode

Poesia, não será esse

o sentido em que

ainda te escrevo:

flor! (Te escrevo:

flor! Não uma

flor, nem aquela

flor-virtude – em

disfarçados urinóis).

Flor é a palavra

flor; verso inscrito

no verso, como as

manhãs no tempo.

Flor é o salto

da ave para o voo:

o salto fora do sono

quando seu tecido

se rompe; é uma explosão

posta a funcionar,

como uma máquina,

uma jarra de flores.

(MELO NETO, J. C. Psicologia da composição.

Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1997 (fragmento).)

A poesia é marcada pela recriação do objeto por meio da linguagem, sem necessariamente explicá-lo. Nesse fragmento de João Cabral de Melo Neto, poeta da geração de 1945, o sujeito lírico propõe a recriação poética de

a)

uma palavra, a partir de imagens com as quais ela pode ser comparada, a fim de assumir novos significados.

b)

um urinol, em referência às artes visuais ligadas às vanguardas do início do século XX.

c)

uma ave, que compõe, com seus movimentos, uma imagem historicamente ligada à palavra poética.

d)

uma máquina, levando em consideração a relevância do discurso técnico-científico pós-Revolução Industrial.

e)

um tecido, visto que sua composição depende de elementos intrínsecos ao eu lírico.

5.

Ela parecia pedir socorro contra o que de algum modo involuntariamente dissera. E ele com os olhos miúdos quis que ela não fugisse e falou:

— Repita o que você disse, Lóri.

— Não sei mais.

— Mas eu sei, eu vou saber sempre. Você literalmente disse: um dia será o mundo com sua impersonalidade soberba versus a minha extrema individualidade de pessoa, mas seremos um só.

— Sim.

Lóri estava suavemente espantada. Então isso era a felicidade. De início se sentiu vazia. Depois seus olhos ficaram úmidos: era felicidade, mas como sou mortal, como o amor pelo mundo me transcende. O amor pela vida mortal a assassinava docemente, aos poucos. E o que é que eu faço? Que faço da felicidade? Que faço dessa paz estranha e aguda, que já está começando a me doer como uma angústia, como um grande silêncio de espaços? A quem dou minha felicidade, que já está começando a me rasgar um pouco e me assusta? Não, não quero ser feliz. Prefiro a mediocridade. Ah, milhares de pessoas não têm coragem de pelo menos prolongar-se um pouco mais nessa coisa desconhecida que é sentir-se feliz e preferem a mediocridade. Ela se despediu de Ulisses quase correndo: ele era o perigo.

(LISPECTOR, C. Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1990.)

A obra de Clarice Lispector alcança forte expressividade em razão de determinadas soluções narrativas.

No fragmento, o processo que leva a essa expressividade fundamenta-se no

a)

desencontro estabelecido no diálogo do par amoroso.

b)

exercício de análise filosófica conduzido pelo narrador.

c)

registro do processo de autoconhecimento da personagem.

d)

discurso fragmentado como reflexo de traumas psicológicos.

e)

afastamento da voz narrativa em relação aos dramas existenciais.

6.

Apuram o passo, por entre campinas ricas, onde pastam ou ruminam outros mil e mais bois. Mas os vaqueiros não esmorecem nos eias e cantigas, porque a boiada ainda tem passagens inquietantes: alarga-se e recomprime-se, sem motivo, e mesmo dentro da multidão movediça há giros estranhos, que não os deslocamentos normais do gado em marcha — quando sempre alguns disputam a colocação na vanguarda, outros procuram o centro, e muitos se deixam levar, empurrados, sobrenadando quase, com os mais fracos rolando para os lados e os mais pesados tardando para trás, no coice da procissão.

– Eh, boi lá!... Eh-ê-ê-eh, boi!... Tou! Tou! Tou...

As ancas balançam, e as vagas de dorsos, das vacas e touros, batendo com as caudas, mugindo no meio, na massa embolada, com atritos de couros, estralos e guampas, estrondos e baques, e o berro queixoso do gado junqueira, de chifres imensos, com muita tristeza, saudade dos campos, querência dos pastos de lá do sertão...

"Um boi preto, um boi pintado,

cada um tem sua cor.

Cada coração um jeito

de mostrar seu amor".

Boi bem bravo, bate baixo, bota baba, boi berrando... Dança doido, dá de duro, dá de dentro, dá direito...

Vai, vem, volta, vem na vara, vai não volta, vai varando...

(ROSA J. G. O burrinho pedrês. Sagarana. Rio de Janeiro: José Olympio, 1968.)

Próximo do homem e do sertão mineiros, Guimarães Rosa criou um estilo que ressignifica esses elementos. O fragmento expressa a peculiaridade desse estilo narrativo, pois

a)

demonstra a preocupação do narrador com a verossimilhança.

b)

revela aspectos de confluência entre as vozes e os sons da natureza.

c)

recorre à personificação dos animais como principal recurso estilístico.

d)

produz um efeito de legitimidade atrelada à reprodução da linguagem regional.

e)

expressa o fluir do rebanho e dos peões por meio de recursos sonoros e lexicais.

7.

Morte e vida Severina

Somos muitos Severinos

iguais em tudo na vida:

na mesma cabeça grande

que a custo é que se equilibra,

no mesmo ventre crescido

sobre as mesmas pernas finas,

e iguais também porque o sangue

que usamos tem pouca tinta.

E se somos Severinos

iguais em tudo na vida,

morremos de morte igual,

mesma morte Severina:

que é a morte de que se morre

de velhice antes dos trinta

de emboscada antes dos vinte,

de fome um pouco por dia.

(MELO NETO, J. C. Obra completa. Rio Janeiro: Nova Aguilar, 1994 (fragmento).)


Nesse fragmento, parte de um auto de Natal, o poeta retrata uma situação marcada pela

a)

presença da morte, que universaliza os sofrimentos dos nordestinos.

b)

figura do homem agreste, que encara ternamente sua condição de pobreza.

c)

descrição sentimentalista de Severino, que divaga sobre questões existenciais.

d)

miséria, à qual muitos nordestinos estão expostos, simbolizada na figura de Severino.

e)

opressão socioeconômica a que todo ser humano se encontra submetido.