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Avaliação E3 e F3

Total questions: 15

Worksheet time: 45mins

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1.

A poesia concreta do Brasil caracteriza-se por:

a)

dar continuidade à corrente intimista e estetizante dos anos 40.

b)

descaso pelos aspectos formais do poema e preferência pela linguagem correta.

c)

preocupação com a correção sintática, pela renovação dos temas relacionados com os estados psíquicos do poeta.

d)

rigidez no nível prosódico e pela impassibilidade diante dos problemas nacionais.

e)

visar a atingir e a explorar as camadas materiais do significante (som, letra impressa, linhas, superfície da folha).

2.

"de sol a sol

soldado

de sal a sal

salgado

de sova a sova

sovado

de suco a suco

sugado

de sono a sono sonado

sangrado

de sangue a sangue."


O poema concretista de Haroldo de Campos , acima transcrito, apresenta as seguintes inovações no campo verbal e visual:

a)

abolição do verso tradicional; desintegração do sistema em seus morfemas; a palavra dá lugar ao símbolo gráfico.

b)

apresentação de um ideograma; uso de estrangeirismos; esfacelamento da linguagem.

c)

ausência de sinais de pontuação; uso intensivo de certos fonemas; jogos sonoros e uso de justaposição.

d)

uso construtivo dos espaços brancos; neologismo; separação dos sufixos e dos prefixos; uso de versos alexandrinos.

e)

apresentação de trocadilhos; usos de termos plurilinguísticos; desintegração da palavra e emprego de símbolos gráficos.

3.

O TOLO E O SÁBIO

O sábio que há em você

não sabe o que sabe

o tolo que não se vê.

Sabe que não se vê

o tolo que não sabe

o que há de sábio em você.

Mas do tolo que há em você

não sabe o sábio que você vê.


Segundo o poeta Mário Chamie, determinado movimento poético opõe à "palavra-coisa” do concretismo a “palavra-energia”; não considera o poema como um objeto estático e fechado e sim como um produto dinâmico, passível de transformação pela influência ou manipulação do leitor.

Trata-se de uma referência:

a)

ao Concretismo.

b)

ao Poema Processo.

c)

ao Tropicalismo.

d)

à Poesia Práxis.

e)

à Poesia Social.

4.

"O lápis, o esquadro, o papel;

o desenho, o projeto, o número:

o engenheiro pensa o mundo justo,

mundo que nenhum véu encobre."


A estrofe acima ilustra a assertiva de que a poesia de João Cabral de Melo Neto revela um rigor __________ e a preocupação com o _____________.

a)

técnico – problema social

b)

semântico – fazer poético

c)

estilístico – ambiente regional

d)

formal – momento político

e)

métrico – conflito estético

5.

Considere as seguintes afirmações sobre o Concretismo.

I. Buscou na visualidade um dos suportes para atingir rupturas radicais com a ordem discursiva da língua portuguesa.

II. Teve como integrantes fundamentais Haroldo de Campos, Augusto de Campos e Décio Pignatari.

III. Foi um projeto de renovação formal e estética da poesia brasileira, cuja importância fica restrita à década de 1950.


Quais estão corretas?

a)

Apenas I.

b)

Apenas II.

c)

Apenas III.

d)

Apenas I e II.

e)

Apenas II e III.

6.

Analise as proposições sobre o Concretismo, em seguida marque a opção adequada:


I. A poesia concreta, ou Concretismo, impôs-se, a partir de 1956, como a expressão mais viva e atuante de nossa vanguarda estética. No contexto da poesia brasileira, o Concretismo afirmou-se como antítese à vertente intimista e estetizante dos anos 40 e repropôs temas, formas e, não raro, atitudes peculiares ao Modernismo de 22 em sua fase mais polêmica e mais aderente às vanguardas europeias. (Alfredo Bosi)

II. Os poetas concretos entenderam levar às últimas consequências certos processos estruturais que marcaram o futurismo (italiano e russo), o dadaísmo e, em parte, o surrealismo. São processos que visam explorar as camadas materiais do significante. A poesia concreta quer-se abertamente antiexpressionista. Em termos mais genéricos: o Concretismo toma a sério, e de modo radical, a definição de arte como techné, isto é, como atividade produtora. (Alfredo Bosi)

III. A poesia concreta inovou em vários campos, entre eles o campo semântico (ideogramas, polissemias, trocadilhos etc.), o campo sintático (justaposição, redistribuição de elementos, ruptura com a sintaxe da proposição etc.), o campo do léxico (substantivos concretos, neologismos, tecnicismos, estrangeirismos, siglas etc.), o campo morfológico (desintegração do sintagma nos seus morfemas, separação dos prefixos, dos radicais, dos sufixos etc.), o campo fonético (aliterações, assonâncias, rimas internas etc.) e o campo topográfico (abolição do verso, não linearidade, uso construtivo dos espaços brancos, ausência de sinais de pontuação, sintaxe gráfica etc.).

IV. O Concretismo toma a sério, e de modo radical, a definição de arte como techné, isto é, como atividade produtora. O poema é identificado como objeto da linguagem, e os poetas do Concretismo brasileiro reconhecem e promovem uma tradição tecnicista como seu imediato ponto de referência histórico e estético.

a)

apenas I e IV estão corretas.

b)

apenas II e III estão corretas.

c)

apenas I, III e IV estão corretas.

d)

apenas II, III e IV estão corretas

e)

Todas estão corretas.

7.

Leia:

noite sem sono

o cachorro late

um sonho sem dono

(Paulo Leminski)


A forma poética acima é um haicai, de origem japonesa, que valoriza a concisão e a objetividade. Das características abaixo, também do haicai, assinale a que não foi utilizada pelo autor:

a)

não revelar um “eu” poético subjetivo;

b)

apresentar três versos metrificados;

c)

referenciar a solidão e uma estação do ano;

d)

oferecer um momento de reflexão para causar uma descoberta;

e)

conter poucas palavras, com predominância de substantivos.

8.

Texto 1

No poema

e nas nuvens,

Cada qual descobre

o que deseja ver.

(Helena Kolody)


Texto 2

Nuvens brancas

passam

em brancas nuvens

(Paulo Leminski)


Assinale a alternativa correta:

a)

Os dois poemas têm em comum a forma do haicai e a mesma intenção de valorizar a natureza.

b)

A palavra nuvens, nos dois poemas, tem o mesmo significado.

c)

O poema de Helena Kolody tematiza o fazer poético.

d)

O poema de Paulo Leminski apresenta sentido denotativo ao constatar o movimento das nuvens.

e)

Helena Kolody influenciou a obra de Paulo Leminski quanto à adoção do haicai como forma poética

9.

Sobre a Poesia Marginal, é incorreto afirmar:

a)

Poesia Marginal foi uma designação dada à poesia produzida pela chamada “geração mimeógrafo”, incluindo poetas desconhecidos cuja produção literária estava fora do eixo Rio-São Paulo.

b)

A Poesia Marginal ficou conhecida por esse nome porque seus poetas abandonaram os meios tradicionais de circulação das obras, comercializando seus livros (que eram mimeografados) a baixo custo e vendendo-os de mão e mão, dispensando assim o trabalho das grandes editoras.

c)

Entre suas principais temáticas estava a preocupação com a forma e com a pesquisa poética. Nota-se um cuidado extremo em atender aos princípios da norma-padrão da língua, produzindo assim uma literatura canonicamente aceita pela Academia.

d)

A tradição marginal estendeu-se pelos anos de 1980, quando outros recursos foram adotados, tais como a fotocópia e a produção de fanzines.

e)

Nos Estados Unidos, o termo “poesia marginal” é usado para designar a poesia produzida pelos poetas chamados de beats, como Jack Kerouac e Allen Ginsberg.

10.

Posições do corpo

Sob o azulsubsol

sobre o azulsubsolo

subazul"

(Cassiano Ricardo)


Todas as características que seguem encontram-se no poema acima, exceto:

a)

aproveitamento do espaço concreto, em que a palavra se dimensiona visualmente.

b)

presença de sintaxe antidiscursiva, suprimidos os elementos de ligação tradicionais da frase.

c)

incorporação de temas e formas do folclore, numa aproximação com ufanismo romântico.

d)

tendência à criação vocabular, à sintaxe apurada e à maior concisão de linguagem.

e)

técnica da repetição, como elemento decisivo para a fixação da mensagem nuclear do poema.

11.

HERANÇA (Raul Bop)


- Vamos brincar de Brasil?

Mas sou eu quem manda

Quero morar numa casa grande

... Começou desse jeito a nossa história.

Negro fez papel de sombra.

E foram chegando soldados e frades

Trouxeram as leis e os Dez-Mandamentos

Jabuti perguntou:

“- Ora é só isso?”

Depois vieram as mulheres do próximo

Vieram imigrantes com alma a retalho

Brasil subiu até o 10º andar

Litoral riu com os motores

Subúrbio confraternizou com a cidade

Negro coçou piano e fez música

Vira-bosta mudou de vida

Maitacas se instalaram no alto dos galhos

No interior o Brasil continua desconfiado

A serra morde as carretas

Povo puxa bendito pra vir chuva

Nas estradas vazias cruzes sem nome marcam casos de morte

As vinganças continuam

Famílias se entredevoram nas tocaias

Há noites de reza e cata-piolho

Nas bandas do cemitério

Cachorro magro sem dono uiva sozinho

De vez em quando a mula-sem-cabeça sobe a serra ver o Brasil como vai

No poema “Herança”,

a)

revelam-se as influências dos povos que deram origem ao brasileiro

b)

superestima-se a voz do colonizador português

c)

minimiza-se a importância do negro na formação do povo brasileiro

d)

subestima-se a influência do índio em nossa cultura

e)

enfatiza-se um nacionalismo ufanista.

12.

HERANÇA (Raul Bop)


- Vamos brincar de Brasil?

Mas sou eu quem manda

Quero morar numa casa grande

... Começou desse jeito a nossa história.

Negro fez papel de sombra.

E foram chegando soldados e frades

Trouxeram as leis e os Dez-Mandamentos

Jabuti perguntou:

“- Ora é só isso?”

Depois vieram as mulheres do próximo

Vieram imigrantes com alma a retalho

Brasil subiu até o 10º andar

Litoral riu com os motores

Subúrbio confraternizou com a cidade

Negro coçou piano e fez música

Vira-bosta mudou de vida

Maitacas se instalaram no alto dos galhos

No interior o Brasil continua desconfiado

A serra morde as carretas

Povo puxa bendito pra vir chuva

Nas estradas vazias cruzes sem nome marcam casos de morte

As vinganças continuam

Famílias se entredevoram nas tocaias

Há noites de reza e cata-piolho

Nas bandas do cemitério

Cachorro magro sem dono uiva sozinho

De vez em quando a mula-sem-cabeça sobe a serra ver o Brasil como vai


Considere as variadas acepções dicionarizadas do substantivo jabuti: 1. um tipo de réptil de carapaça alta; 2. denominação de uma tribo indígena brasileira - a tribo dos jabutis; 3. herói invencível das histórias indígenas do extremo norte, cheio de astúcia e habilidade; 4. um tipo de árvore; 5. engenho rudimentar para descaroçar algodão.

Pode-se dizer que, ao compor os versos Jabuti perguntou: “- Ora é só isso?”, o poeta consegue:

I. indicar, por processo metonímico, todos os índios brasileiros

II. sugerir a resistência dos índios à colonização

III. sugerir, por meio de uma reação da natureza, a rejeição à cultura do colonizador


É correto o que se afirma

a)

Apenas em I

b)

em I e II

c)

Apenas em II

d)

em II e III

e)

em I, II e III

13.

HERANÇA (Raul Bop)


- Vamos brincar de Brasil?

Mas sou eu quem manda

Quero morar numa casa grande

... Começou desse jeito a nossa história.

Negro fez papel de sombra.

E foram chegando soldados e frades

Trouxeram as leis e os Dez-Mandamentos

Jabuti perguntou:

“- Ora é só isso?”

Depois vieram as mulheres do próximo

Vieram imigrantes com alma a retalho

Brasil subiu até o 10º andar

Litoral riu com os motores

Subúrbio confraternizou com a cidade

Negro coçou piano e fez música

Vira-bosta mudou de vida

Maitacas se instalaram no alto dos galhos

No interior o Brasil continua desconfiado

A serra morde as carretas

Povo puxa bendito pra vir chuva

Nas estradas vazias cruzes sem nome marcam casos de morte

As vinganças continuam

Famílias se entredevoram nas tocaias

Há noites de reza e cata-piolho

Nas bandas do cemitério

Cachorro magro sem dono uiva sozinho

De vez em quando a mula-sem-cabeça sobe a serra ver o Brasil como vai


Ao dizer que soldados e frades Trouxeram as leis e os Dez Mandamentos em vez de dizer que eles trouxeram a “justiça” ou seu “código de direito”, e a “religião cristã” ou o “Cristianismo”, o poeta enfatiza, por processo metonímico:

a)

o caráter de autoritarismo e intransigência da colonização

b)

a retidão de caráter e a religiosidade do colonizador

c)

as diferenças culturais entre colonizador e colonizado

d)

a civilização transplantada para o Novo Mundo

e)

a transparência quanto às intenções dos nossos colonizadores

14.

Analise as proposições sobre o poema de Augusto de Campos, em seguida marque a opção adequada:


I. Rompe com a estrutura discursiva do verso tradicional ao propor a geometrização e a visualização da linguagem.

II. Para o poeta, todo o ato de escrever provém da inspiração, fruto de uma investigação íntima que privilegia os sentimentos e o lirismo. A poesia é tradicional e convencional, valendo-se da forma e moldes clássicos.

III. O poema apresenta diversas inovações, entre elas o apelo à comunicação não verbal, a desintegração da palavra e a polissemia.

IV. É inspirado nos poemas neossimbolistas, nos quais os elementos naturais, como as estrelas, a água, o vento e o mar são amplamente explorados.

a)

Todas estão corretas.

b)

Apenas I e II estão corretas.

c)

Apenas I e III estão corretas.

d)

Apenas II e IV estão corretas.

e)

Apenas III e IV estão corretas.

15.

"Falo somente com o que falo;

com as mesmas vinte palavras

girando ao redor do sol

que as limpa do que não é faca:

de toda uma crosta viscosa,

resto de janta abaianada,

que fica na lâmina e cega

seu gosto da cricatriz clara.


Falo somente do que falo:

do seco e de suas paisagens,

ali do mais quente vinagre:

que reduz tudo ao espinhaço,

cresta o simplesmente folhagem,

folha profixa, folharada,

onde possa esconder-se a fraude."


Este excerto representa a seguinte possibilidade entre os caminhos da poesia contemporânea:

a)

a lírica confessional, em que a medida dos versos atende à variedade das emoções e ao ritmo subjetivo do poeta.

b)

a experiência concretista, em que se abandona a linearidade do verso e se espacializam os signos na página.

c)

a poética construtiva, em que se disciplina um determinado uso da linguagem e se objetiva o limite da forma.

d)

a denúncia política, em que a contundência das imagens expressa com indignação as injustiças da organização social.

e)

a recuperação do ideal modernista, em que se revalorizam a linguagem prosaica e as percepções da vida cotidiana.