WorksheetsA construção social da tecnologia
Total questions: 10
Worksheet time: 40mins
É correto afirmar que:
as novas tecnologias sociais, como dispositivos móveis que permitem contatos interpessoais instantâneos e para além de fronteiras físicas, integram uma mudança de: paradigmas e abrem lacunas no pensamento sobre as relações humanas e destas com as próprias tecnologias.
paradigmas.
ressignificação.
intensidade.
negação.
Ao tratar da relação entre sociedade e tecnologias o sociólogo polonês Zigmund Bauman descreve uma era de encontros efêmeros e transformações velozes, que dificultam, até mesmo, contemplar seus efeitos. A cientista política judia alemã Hannah Arendt também traça uma análise de como as tecnologias podem coisificar o humano. Eles ponderam que há o risco de que o acelerado desenvolvimento tecnológico aliene o ser humano sobre sua condição como habitante do planeta. A análise dos intelectuais citados pode ser avaliada, de forma objetiva como:
analítica.
otimista.
pessimista.
indiferente.
Um dos desafios emergentes, a partir de uma convergência entre ciência e política, é não só promover tecnologias, mas pensar como e por que são usadas, avaliando se ajudam a resolver problemas, preservando o planeta e trazendo bem estar coletivo, ou se apenas condicionam o homem à técnica. Conforme a cientista política Hannah Arendt, usar tecnologias para construir mundos à parte e/ou observá-las exclusivamente a partir deles, como de dentro de um laboratório, é transportar o homem para fora de sua casa. No que diz respeito a relação entre cidadania e tecnologias é correto afirmar que:
Hannah defende a construção de mundos à parte, capazes de substituir o ser humano da esfera terrestre.
Hannah postula a harmonia perfeita entre tecnologias e digitalização.
Hannah defende mais investimentos em tecnologias.
Hannah está preocupada com a responsabilidade social.
TEXTO 1
As discussões acadêmicas sobre a problemática envolvendo as relações entre sociedade e tecnologias ganharam intensidade após a Segunda Guerra Mundial, momento de nova corrida tecnológica marcada pela informatização, o que provocou, também, maior preocupação da ciência em educar para a compreensão de fenômenos advindos da influência tecnológica na sociedade.
TEXTO 2
Na fase pós-industrial, a informatização tornou desnecessária a presença física nas fábricas. O homem saiu da condição de alguém que executa tarefas para pensar o que faz. Pelo computador, pode criar outros universos e viver a partir deles – o que indica maior liberdade.
Considere os dois textos e marque a alternativa certa:
O primeiro exclui o segundo.
O segundo diverge do primeiro.
o segundo completa o primeiro.
o primeiro nega as ideias do segundo.
As possíveis limitações provocadas pelo desenvolvimento tecnológico, sobretudo às artes, que podem ficar sujeitas a uma mentalidade tecnicista não são suficientes para desqualificar a importância dos recursos tecnológicos para a sociedade. Mas aí reside, a chance de estabelecer uma filosofia da tecnologia, que supere a dualidade da análise, do bom contra o ruim, do belo contra o feio. Isso porque a cibernética abre espaço para uma transcendência do pensamento, de linear para circular, em que as mudanças nas relações humanas e destas com a tecnologia são capazes de influenciar o todo. Marque a alternativa que dá uma possível resposta ao problema levantado neste enunciado:
As novas tecnologias promoveram o distanciamento das pessoas umas com as outras.
As limitações geradas pela tecnologia podem ser sanadas pela capacidade humana que a criou.
O processo de evolução do mundo inaugurou novas tecnologias.
Todas as alternativas propostas nesta questão estão erradas.
A tecnologia não se isenta dos valores da dinâmica social. A análise da tecnologia e da sociedade, no contexto pós-moderno, faz ver que neste binômio, existe uma “zona cinzenta”, caracterizada pela ambiguidade. De um lado [a tecnologia] é tida por pura, por isenta de valores, porque aplica teoria pura, e porque propaga o progresso da teoria pura. Do outro lado torna-se portadora das esperanças utópicas da sociedade: "deve" resultar em sociedade feliz, isto é, boa e bela. O técnico passou por escola que castra a sua potência valorativa, e é chamado a secretar valores. E, por ser a tecnologia ambígua em sua ideologia, são ambíguos também os seus feitos. Tal ambiguidade dos feitos é, ela própria, ideologizada: a técnica seria neutra tanto ética quanto esteticamente (pura), e os responsáveis pelos seus resultados não seriam os próprios técnicos, mas poderes obscuros (eminências pardas do tipo "economia", ou "interesses inconfessos"). A tecnologia, ao mesmo tempo em que está sujeita a esses poderes, como o político, tende a substituir, como ocorreu com a organização do trabalho, “os métodos políticos que governam a sociedade”. Por isso, é impossível sustentar uma tecnologia neutra, que não seja valorada, mas também não se pode negar que uma “pretensa neutralidade valorativa” incide sobre os valores humanos. Essas questões dizem respeito:
Ao alcance axiológico da tecnologia e da sociedade na ética pós-moderna.
Aos meios de produção capitalistas e a como a tecnologia vai produzir mais.
Ao valor tecnológico como um lugar sem valores. Conclui, assim, que nem mesmo o ser humano é capaz de inserir valores nas tecnologias.
Todas as respostas disponíveis nesta questão estão certas.
Um sistema complexo é caracterizado por problemas travessos, que opõem valores monetários e solidários, como fundamentalismo religioso, crises econômicas, aquecimento global, cujas soluções não são simples, mas exigem novas abordagens metodológicas. Diferente dos paradigmas deterministas, que são mecanicistas e enxergam o universo como soma exata das partes, com as áreas do conhecimento isoladas uma das outras em disciplinas, os estudos de complexidade o pensam como um jogo entre ordem e desordem e, na busca por consensos, considerando a inexistência de limites nítidos entre um sistema e outro, as explicações devem ser interdisciplinares, o que encontra consonância nos Estudos Sociais de Ciência e Tecnologia. A teoria mensurada na narrativa deste enunciado é a:
tecnocientífica.
estruturalista.
formalista.
mecanicista.
A problemática levantada nesta questão evidencia que não é possível ciência e tecnologia dos processos sócio-históricos que as forjaram. O ponto-chave é a apresentação da ciência e tecnologia não como um processo ou atividade autônoma, que segue uma lógica interna de desenvolvimento em seu funcionamento ótimo, mas como um processo ou produto inerentemente social, em que os elementos não técnicos (por exemplo valores morais, convicções religiosas, interesses profissionais, pressões econômicas, etc.) desempenham um papel decisivo em sua gênese e consolidação. Na proposta estabelecida por um equilíbrio social a partir da cidadania digital é correto defender:
a mobilização de diferentes olhares sobre os dispositivos tecnológicos em favor do conhecimento e do progresso da sociedade.
uma lógica das máquinas, uma inteligência capaz de ressignificar o pensamento humano.
uma nova economia das máquinas, uma ideia capaz de definir a vida com exatidão.
todas as alternativas estão erradas.
Humanos e tecnologias em contato num determinado espaço, em certo momento histórico, formam uma mesma rede, circunstancial, em que as próprias conexões estabelecidas entre eles impelem o sujeito a agir e ajudam a explicar por que as relações se dão de uma maneira e não de outra e que fatores interferem nas tomadas de decisões. Os atores, por serem construídos nas redes, também se tornam redes, ao passo que as redes passam a agir como atores. Pensar, portanto, um sujeito totalmente passivo seria aceitar a autonomia tecnológica e desprezar as articulações entre sujeitos e destes com tecnologias, por meios das quais, rastreando as conexões, é possível estudar a sociedade. Com base no pensamento defendido neste enunciado é correto afirmar que:
Uma vez que a informação pode ser obtida por meio de cabos, bytes, modens, tomadas etc., de fato passamos a olhar para o que acontece na sociedade atentando para seu aspecto material.
A sociedade virtual, desse modo, não é algo do futuro, mas é a materialização, a rastreabilidade da sociedade.
A sociedade virtual se torna visível por causa da necessidade obsessiva de materializar a informação em cabos e dados.
todas as alternativas propostas nesta questão estão certas.
Considerando os pressupostos estebelecidos entre a sociedade, ciência e tecnologia, merecem atenção os dilemas da democracia e o papel da educação ao colocar o ser humano em interação com os aspectos culturais da sociedade, como o uso da tecnologia, e permitir negociar com eles por meio de ampla participação social. A partir da obra de Dewey, filósofo e pedagogo norte-americano que se dedicou a estudar práticas educativas na construção de ambientes democráticos, afirmam que educação e democracia estão tão intimamente próximas uma da outra que transcendem uma mera “dialética indivíduo-sociedade”, apontando para o que chamam de “nova utopia futurista”, um cenário caracterizado pela razão tecnológica, mapeamento da sociedade pelo big data, consumo exagerado, individualismo e hegemonia da aparência sobre o conteúdo, que contribuem para debilitar os valores éticos que cimentaram a democracia. Para os autores, os avanços na comunicação estão sendo acompanhados por movimentos de retrocesso no pensamento, caracterizados pela nostalgia dos paraísos perdidos, das sociedades isoladas, e pela busca de pureza étnica, que visam aniquilar o que é diferente. Rejeitando que o humano se constrói socialmente, alguns grupos têm se voltado apenas para seus nichos, fazendo circular, com intensidade, dizeres associados ao racismo, à misoginia, à xenofobia, ao nacionalismo, a dogmatismos político e religioso, entre outras formas de discriminação. A hiperconexão, ao mesmo tempo em que aparenta sensação de acesso democrático ao consumo e à produção de informação, dá espaço, com alta reprodutibilidade, a ideais antidemocráticos. Analisando a proposta desenvolvida neste enunciado é correto defender que:
Exacerbam-se, com isso, os conflitos, necessários para a consolidação da ordem democrática, mas que têm invadido a linha tênue que os separam da violência.
Diante disso, se faz urgente o resgate da democracia, como forma de vida que aposta na capacidade humana de criar uma comunidade moral ou política.
A partir dessa perspectiva, a crise de valores pode emergir como oportunidade para que reapareça a fé no progresso social.
Todas as respostas propostas para esta questão estão certas.
