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UNB 2022

Total questions: 20

Worksheet time: 50mins

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1.

24 Considerando o estudo das medidas craniométricas, realizado principalmente a partir do final do século XIX, que relacionava a inteligência do indivíduo às medidas do seu crânio, assinale a opção correta.

a)

A Como se baseavam em medidas diretas de atributos externos do crânio dos sujeitos participantes do experimento, tais estudos eram objetivos, de modo que suas conclusões não podem ser atribuídas à subjetividade dos cientistas ou da sociedade da época.

b)

B As medidas cranianas indicavam objetivamente a inteligência dos indivíduos e, assim, fundamentavam estudos que foram usados para segregar populações inteiras.

c)

C Tais estudos refletiam as perspectivas e os preconceitos da época em que foram feitos, sendo desprovidos de objetividade.

d)

D Ainda que o nazismo tenha usado tais medidas como critério para diferenciação da população em geral com seu ideal ariano, essas ações não se constituíram em necropolítica.

2.

Na cidade de Johanesburgo, um modelo de segregacionismo urbano já existente no início do século XX, ainda durante os anos coloniais, foi aperfeiçoado após a independência. O bairro de Soweto, projetado para realocar trabalhadores africanos negros residentes nas áreas centrais, resulta de um longo processo que teve influência tanto do colonialismo britânico quanto das políticas segregacionistas nas décadas de 50 e 60 do século passado. No mesmo período, observamos no Brasil o fenômeno da expansão urbana na região Centro-Oeste, com a transferência da nova capital. A construção de Brasília estimulou um fluxo migratório e mobilizou famílias nordestinas, pretas e pardas, em torno dos trabalhos na área da construção civil. A princípio, não existia um planejamento para a fixação desses homens e dessas mulheres na nova capital, e os reajustes no projeto urbano foram surgindo a partir das políticas de realocação dos assentamentos que se formavam na região central de Brasília. Nesse contexto nasceu a cidade de Ceilândia, fruto da remoção, em 1971, de residentes da Vila do IAPI. Seu nome tem origem na sigla da Campanha de Erradicação de Invasões (CEI). Mas, de que forma Soweto e Ceilândia se relacionam com as ideias de biopolítica e necropolítica? Vemos que o histórico dessas cidades, apesar de suas especificidades, está intimamente ligado às políticas de remoção e “limpeza racial” dos centros urbanos promovidos pelo Estado entre os anos 50 e 70 do século passado. Guilherme Oliveira Lemos. De Soweto à Ceilândia: siglas de segregação racial. Paranoá (UnB), v. 1, p. 102-14, 2017 (com adaptações).

Considerando o texto e as imagens precedentes, julgue os item

A criação de Ceilândia, no Distrito Federal, ocorreu durante o regime militar (1964-1985), período marcado pelo autoritarismo, por repressões políticas e ideológicas e pelo aumento das desigualdades econômicas.

a)

CERTO

b)

ERRADO

3.

Na cidade de Johanesburgo, um modelo de segregacionismo urbano já existente no início do século XX, ainda durante os anos coloniais, foi aperfeiçoado após a independência. O bairro de Soweto, projetado para realocar trabalhadores africanos negros residentes nas áreas centrais, resulta de um longo processo que teve influência tanto do colonialismo britânico quanto das políticas segregacionistas nas décadas de 50 e 60 do século passado. No mesmo período, observamos no Brasil o fenômeno da expansão urbana na região Centro-Oeste, com a transferência da nova capital. A construção de Brasília estimulou um fluxo migratório e mobilizou famílias nordestinas, pretas e pardas, em torno dos trabalhos na área da construção civil. A princípio, não existia um planejamento para a fixação desses homens e dessas mulheres na nova capital, e os reajustes no projeto urbano foram surgindo a partir das políticas de realocação dos assentamentos que se formavam na região central de Brasília. Nesse contexto nasceu a cidade de Ceilândia, fruto da remoção, em 1971, de residentes da Vila do IAPI. Seu nome tem origem na sigla da Campanha de Erradicação de Invasões (CEI). Mas, de que forma Soweto e Ceilândia se relacionam com as ideias de biopolítica e necropolítica? Vemos que o histórico dessas cidades, apesar de suas especificidades, está intimamente ligado às políticas de remoção e “limpeza racial” dos centros urbanos promovidos pelo Estado entre os anos 50 e 70 do século passado. Guilherme Oliveira Lemos. De Soweto à Ceilândia: siglas de segregação racial. Paranoá (UnB), v. 1, p. 102-14, 2017 (com adaptações).

Considerando o texto e as imagens precedentes, julgue os item

As construções de Soweto, na África do Sul, e de Ceilândia, no Distrito Federal, refletem as influências das teorias racistas e eugênicas sobre o planejamento urbano e as políticas públicas no século XX, marcas comuns ao apartheid sul-africano e ao racismo estrutural brasileiro.

a)

certo

b)

errado

4.

Quebranto às vezes sou o policial que me suspeito me peço documentos e mesmo de posse deles me prendo e me dou porrada às vezes sou o porteiro não me deixando entrar em mim mesmo a não ser pela porta de serviço às vezes sou o meu próprio delito o corpo de jurados a punição que vem com o veredicto

Com base no poema Quebranto, de Cuti, e nas teorias sociais a respeito de identidade, representação e participação política, é correto afirmar que as políticas públicas de combate ao racismo devem

a)

garantir à população negra não só o acesso a direitos, mas também incentivar a representação dessa população em posições sociais valorizadas, ainda ocupadas majoritariamente por pessoas brancas.

b)

garantir à população negra igualdade de oportunidades, em vez de interferir em questões subjetivas de representação, pois a subjetividade de cada um é reservada ao foro íntimo.

c)

concentrar-se no combate à desigualdade econômica, pois o racismo é derivado, sobretudo, da divisão social do trabalho e da má distribuição de renda.

d)

dedicar-se a ofertar serviços públicos de qualidade, sem intervir em questões individuais de autoestima, que são de exclusivo interesse pessoal do indivíduo

5.

Poucos crimes na era contemporânea foram tão documentados quanto o Holocausto. O assassinato em massa de judeus por nazistas na Segunda Guerra Mundial (1939-1945) foi registrado em telegramas, ofícios, cartas, ordens de execução, fotografias, plantas de construção de campos de extermínio, atas, entre outros itens que, hoje, estão em arquivos, bibliotecas e centros de documentação espalhados mundo afora. A documentação do Holocausto também é composta por uma infinidade de testemunhos de sobreviventes e por consistentes pesquisas desenvolvidas por historiadores. Todo esse conhecimento tem servido, há décadas, de base para livros, artigos, documentários, reportagens, exposições, filmes, peças de teatro e tantos outros produtos culturais que ajudam a compreender o genocídio. Apesar da enorme materialidade do Holocausto e de seu lugar no imaginário social, há, hoje, indivíduos e organizações que negam, na totalidade ou em parte, o Holocausto. São os chamados negacionistas. No caso da extrema-direita, negar o Holocausto não é apenas um discurso de ódio aos judeus, mas também de uma agenda de reabilitação dos fascismos nos planos político e partidário. Por fim, a negação do Holocausto é a negação da própria História, uma vez que essa negação opera no nível do silenciamento da memória e do fazer dos historiadores. Por isso, historiadores e outras pessoas que se importam com os usos políticos do passado estão tão preocupados com esse fenômeno. Bruno Leal de Carvalho. Para entender o negacionismo do Holocausto. In: Ciência Hoje, 2020. Internet: (com adaptações).

Considerando o texto precedente e os vários aspectos a ele relacionados, julgue os itens a seguir

No decorrer da Segunda Guerra Mundial, países capitalistas, como os Estados Unidos da América e a Inglaterra, firmaram oposição aos países comunistas, como a União Soviética e a Alemanha hitlerista.

a)

CERTO

b)

ERRADO

6.

Israel, criado em 1948, no Oriente Médio, pôs fim a uma longa e violenta perseguição étnica e religiosa aos judeus na Europa, garantindo aos cidadãos de origem judaica e palestina plena autonomia religiosa, política e jurídica.

a)

ERRADO

b)

CERTO

7.

O negacionismo é um fenômeno ideológico que, para além do Holocausto, também produz discursos perniciosos sobre o meio ambiente, as ditaduras, a escravidão e a vacinação

a)

CERTO

b)

ERRADO

8.

As teorias nazistas que defendiam o extermínio de judeus e outros grupos sociais fundamentavam-se em ideologias políticas de extrema-direita e no racismo científico.

a)

CERTO

b)

ERRADO

9.

Em diversos países pobres do mundo, como a Síria, o Iraque e o Afeganistão, no Oriente Médio, e a Líbia, no norte da África, as perseguições por motivação religiosa ou política são uma das causas de conflitos e diásporas, havendo movimentos fundamentalistas e radicais de combate à diversidade religiosa em meio a conflitos políticos e profunda crise econômica.

a)

CERTO

b)

ERRADO

10.

Cálice Como beber dessa bebida amarga? Tragar a dor, engolir a labuta? Mesmo calada a boca, resta o peito Silêncio na cidade não se escuta De que me vale ser filho da santa? Melhor seria ser filho da outra Outra realidade menos morta Tanta mentira, tanta força bruta. Chico Buarque e Gilberto Gil. Cálice (versão) Há preconceito com o nordestino Há preconceito com o homem negro Há preconceito com o analfabeto Mas não há preconceito se um dos três for rico, pai A ditadura segue meu amigo Milton A repressão segue meu amigo Chico Me chamam Criolo e o meu berço é o rap Mas não existe fronteira pra minha poesia, pai. Criolo.

Com relação à canção Cálice, de Chico Buarque e Gilberto Gil, e à versão dessa canção feita pelo rapper Criolo, julgue os itens

Enquanto a composição de Chico Buarque e Gilberto Gil situa-se no contexto da repressão praticada pelo Estado brasileiro durante o regime militar, entre os anos de 1964 e 1985, a versão de Criolo faz alusão a práticas violentas e opressoras do Estado brasileiro na atualidade.

a)

CERTO

b)

ERRADO

11.

Cálice Como beber dessa bebida amarga? Tragar a dor, engolir a labuta? Mesmo calada a boca, resta o peito Silêncio na cidade não se escuta De que me vale ser filho da santa? Melhor seria ser filho da outra Outra realidade menos morta Tanta mentira, tanta força bruta. Chico Buarque e Gilberto Gil. Cálice (versão) Há preconceito com o nordestino Há preconceito com o homem negro Há preconceito com o analfabeto Mas não há preconceito se um dos três for rico, pai A ditadura segue meu amigo Milton A repressão segue meu amigo Chico Me chamam Criolo e o meu berço é o rap Mas não existe fronteira pra minha poesia, pai. Criolo.

Com relação à canção Cálice, de Chico Buarque e Gilberto Gil, e à versão dessa canção feita pelo rapper Criolo, julgue os itens

Décadas após a redemocratização brasileira, denúncias levaram o Estado brasileiro a instaurar a Comissão Nacional da Verdade, com o objetivo de promover o esclarecimento circunstanciado de crimes cometidos durante o regime militar.

a)

CERTO

b)

ERRADO

12.

Pessoas que cresceram escutando histórias profundas reportam eventos que não estão na literatura, nas narrativas oficiais, e que atravessam do plano da realidade cotidiana para um plano mítico de narrativas e contos. É o mais velho contando uma história, ou um mais novo que teve uma experiência que pode compartilhar com o coletivo ao qual ele pertence, e isso vai integrando um sentido da vida, enriquecendo a experiência da vida de cada sujeito, mas constituindo um sujeito coletivo. Essa percepção do sujeito coletivo surge muito cedo para nós. Eu devia ter uns 17 anos de idade quando eu, meus pais, irmãos, um tio e alguns primos mais novos fomos todos engolfados numa caravana, saindo do nosso lugar de origem, para buscar outro pouso, outro lugar para continuarmos vivendo. Nós saímos do Rio Doce para o mundo. Esse grupo que saiu do Rio Doce por volta de 1966-1967 tinha experimentado a dissolução dos coletivos pela violência que chegava lá devido à ocupação daquele território, com disputa de terra, conflitos fundiários agudos e uma negação permanente do direito de a gente ser e de ter uma experiência de viver coletivos. Nossos vizinhos tinham sítios, inclusive aqueles que tomaram a terra dos índios tinham pequenas propriedades. A maneira de existir coletivamente não cabia mais naquele lugar, e ficou inviável para a gente como coletivo naquele lugar. Os que estavam resistindo faziam isso à custa da própria vida; tinha gente sendo assassinada, porque não cabiam mais naquele lugar. Tivemos que buscar outro lugar. Jailson de Souza e Silva. Ailton Krenak – A potência do sujeito coletivo. Entrevista. Internet: (com adaptações).

Considerando o fragmento de texto anterior, extraído de uma entrevista concedida pelo intelectual indígena Ailton Krenak, bem como a partir do vídeo A questão indígena em 4 minutos, julgue os itens a seguir

A identificação dos povos indígenas como “sujeito coletivo”, feita por Krenak, expressa uma identidade que associa pertencimento étnico e território, no sentido de que terras indígenas não são propriedade mercantil, mas, sim, territorialidades que asseguram a reprodução física e cultural dos modos de vida próprios de cada povo/etnia.

a)

CERTO

b)

ERRADO

13.

 

Pessoas que cresceram escutando histórias profundas reportam eventos que não estão na literatura, nas narrativas oficiais, e que atravessam do plano da realidade cotidiana para um plano mítico de narrativas e contos. É o mais velho contando uma história, ou um mais novo que teve uma experiência que pode compartilhar com o coletivo ao qual ele pertence, e isso vai integrando um sentido da vida, enriquecendo a experiência da vida de cada sujeito, mas constituindo um sujeito coletivo. Essa percepção do sujeito coletivo surge muito cedo para nós. Eu devia ter uns 17 anos de idade quando eu, meus pais, irmãos, um tio e alguns primos mais novos fomos todos engolfados numa caravana, saindo do nosso lugar de origem, para buscar outro pouso, outro lugar para continuarmos vivendo. Nós saímos do Rio Doce para o mundo. Esse grupo que saiu do Rio Doce por volta de 1966-1967 tinha experimentado a dissolução dos coletivos pela violência que chegava lá devido à ocupação daquele território, com disputa de terra, conflitos fundiários agudos e uma negação permanente do direito de a gente ser e de ter uma experiência de viver coletivos. Nossos vizinhos tinham sítios, inclusive aqueles que tomaram a terra dos índios tinham pequenas propriedades. A maneira de existir coletivamente não cabia mais naquele lugar, e ficou inviável para a gente como coletivo naquele lugar. Os que estavam resistindo faziam isso à custa da própria vida; tinha gente sendo assassinada, porque não cabiam mais naquele lugar. Tivemos que buscar outro lugar. Jailson de Souza e Silva. Ailton Krenak – A potência do sujeito coletivo. Entrevista. Internet: (com adaptações).

Considerando o fragmento de texto anterior, extraído de uma entrevista concedida pelo intelectual indígena Ailton Krenak, bem como a partir do vídeo A questão indígena em 4 minutos, julgue os itens a seguir

Krenak faz referência a um contexto de violências contra povos indígenas que se intensificou na década de 60 do século XX em meio às políticas desenvolvimentistas impulsionadas pela implantação do regime civil-militar no Brasil, período em que milhares de indígenas morreram vítimas de violências e epidemias.

a)

CERTO

b)

ERRADO

14.

Os direitos assegurados aos indígenas na Constituição Federal de 1988 são resultantes de grande mobilização capitaneada pelo movimento indígena e seus aliados desde a década de 70 do século passado.

a)

CERTO

b)

ERRADO

15.

O aumento da compra e do registro de armas de fogo no Brasil durante a pandemia de covid-19 conforma-se à noção de necropolítica de Mbembe: uma ação cotidiana de transformação da arma de fogo em um objeto de consumo em um contexto social de desigualdade e violência em diversas escalas.

a)

CERTO

b)

ERRADO

16.

A partir do Estado Novo e da Segunda Guerra Mundial, o Brasil avançou na industrialização e na acelerada urbanização, tendo vivenciado, entre 1946 e 1964, significativa experiência democrática, ainda que acompanhada de diversas crises políticas.

a)

CERTO

b)

ERRADO

17.

A Roma Antiga, que deixou como grande legado cultural o direito, viu seu império desintegrar-se após o apogeu dos séculos I e II da Era Cristã: o desfecho se deu com sucessivas penetrações de povos germânicos em seu território.

a)

CERTO

b)

ERRADO

18.

Uma espécie de simbiose entre instituições romanas e germânicas formatou o feudalismo, uma forma de organização social, política e econômica de parte da Europa medieval, essencialmente marcada pelo domínio de uma aristocracia fundiária e guerreira, pela agricultura de subsistência e pelo trabalho servil.

a)

CERTO

b)

ERRADO

19.

A Revolução Industrial e a Revolução Francesa correram, por algum tempo, em paralelo: na economia e na política, buscaram superar o antigo regime ao ampliarem, exponencialmente, o sistema produtivo e ao combaterem o absolutismo.

a)

CERTO

b)

ERRADO

20.

A Segunda Guerra Mundial foi um momento de grande inflexão do século XX, e o mundo que emergiu ao final do conflito, em 1945, tornou-se demasiado diferente daquele existente em 1939. Considerando uma retrospectiva desse período até os dias atuais, assinale a opção correta.

a)

A O fortalecimento internacional da Europa, em decorrência do conflito, estancou ou mesmo inviabilizou as independências de suas colônias africanas e asiáticas.

b)

B Os Estados Unidos da América e a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas foram inimigos durante a Segunda Guerra Mundial e disputaram o domínio mundial após o fim do conflito.

c)

C Derrotados na guerra, países como Alemanha, Itália e Japão (Eixo fascista) foram postos à margem da política mundial, situação mantida até a atualidade.

d)

D A concepção de Guerra Fria refere-se ao embate entre as duas superpotências egressas do conflito em disputa pela hegemonia mundial, alicerçada no confronto ideológico capitalismo versus socialismo.