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WorksheetsPré-modernismo
Total questions: 10
Worksheet time: 37mins
(ESPM-SP) Examine os textos:
[...] Há uma parada instantânea. Entrebatem-se, enredam-se, trançam-se e alteiam-se fisgando vivamente o espaço, e inclinam-se, em- baralham-se milhares de chifres. Vibra uma trepidação no solo; e a boiada estoura...
A boiada arranca.
(Os Sertões, de Euclides da Cunha)
As ancas balançam e as vagas de dorsos, das vacas e touros, batendo com as caudas, mugindo no meio, na massa embolada, com atritos de couros, estalos de guampas, estrondos de baques, e o berro queixoso do gado Junqueira, de chifres imensos, com muita tristeza, saudade dos campos, querência dos pastos, de lá do sertão....
(0 Burrinho Pedrés, de Guimarães Rosa)
Marque a afirmação incorreta sobre os textos apresentados:
Um elemento comum em ambos os fragmentos é a enumeração das ações do rebanho durante a condução da boiada.
Há recursos de musicalidade (aliterações) nas palavras ("milhares de chifres. Vibra uma trepidação", "dos pastos, de lá do sertão").
Guimarães Rosa preocupa-se com o ritmo e a reorganização da linguagem no fragmento.
O interesse principal na obra de Euclides da Cunha é a apresentação lírica dos hábitos sertanejos e a denúncia do sofrimento pelo trabalho exaustivo de vaqueiro.
A ambientação sertaneja e seus elementos caracterizadores estão presentes em ambos os fragmentos, sem preocupação com juízos sociais
PUC-RS) A viagem de Euclides da Cunha à região de Canudos, onde ocorre a revolta dos seguidores de Antônio Conselheiro,
ratifica sua posição em relação aos fanáticos rebeldes, expressa em seu artigo "A Nossa Vendeia".
impulsiona-o a produzir Os sertões, baseando-se somente no que realmente pôde presenciar.
demove-o da concepção determinista vigente na época, que concebe o homem como um cruza-
mento de condicionamentos.
retifica a opinião vigente, passando a considerar a revolta como resultante do atraso da nação.
influencia a prosa do autor, antes impregnada de cientificismo e reacionarismo.
UFSM-RS)
Brasil, mostra a tua cara
A busca de uma identidade nacional é preocupação deste século
João Gabriel de Lima
Ao criar um livro, um quadro ou uma canção, o artista brasileiro dos dias atuais tem uma preocupação a menos: parecer brasileiro. A noção de cultura nacional é algo tão incorporado ao cotidiano do país que deixou de ser um peso para os criadores. Agora, em vez de servir à pá- tria, eles podem servir ao próprio talento. Essa é uma conquista deste século. Tem como marco a Semana de Arte Moderna de 1922, uma espécie de grito de independência artística do país, cem anos depois da independência política. Até esta data, o brasileiro era, antes de tudo, um envergonhado. Achava que pertencia a uma raça inferior e que a única solução era imitar os modelos culturais importados. Para acabar com esse complexo, foi preciso que um grupo de artistas de diversas áreas se reunisse no Teatro Municipal de São Paulo e bradasse que ser brasileiro era bom. O escritor Mário de An- drade lançou o projeto de uma língua nacional. Seu colega Oswald de Andrade propôs o concei- to de "antropofagia", segundo o qual a cultura brasileira criaria um caráter próprio depois de digerir as influências externas.
A semana de 22 foi só um marco, mas pode-se dizer que ela realmente criou uma agenda cultural para o país. Foi tentando inventar uma língua brasileira que Graciliano Ramos e Guimarães Rosa escreveram suas obras, as mais significativas do século, no país, no campo da prosa. Foi recorrendo ao bordão da antropofagia que vários artistas jovens, nos anos 60, inventaram a cultura pop brasileira, no movimento conhecido como
melhor tropicalismo. No plano das ideias, o século gerou três obras que se tornariam clássicos da reflexão sobre o país. Os Sertões, do carioca Euclides da Cunha, escrito em 1902, é ainda influenciado por teorias racistas do século passado, que achavam que a mistura entre negros, brancos e índios provocaria um "enfraquecimento" da raça brasileira. Mesmo assim, é um livro essencial, porque o repórter Euclides, que trabalhava no jornal O Estado de S. Paulo, foi a campo cobrir a guerra de Canudos e viu na frente de combate muitas coisas que punham em questão as teorias formuladas em gabinete. Casa-Grande & Senzala do pernambucano Gilberto Freyre, apresentava pela primeira vez a miscigenação como algo positivo e buscava nos primórdios da colonização portuguesa do país as origens da sociedade que se formou aqui. Por último, o paulista Sérgio Buarque de Holanda, em Raízes do Brasil, partia de premissas parecidas mas propunha uma visão crítica, que influenciaria toda a sociologia produzida a partir de então.
VEJA, 22 de dezembro, 1999. p. 281-282.
No texto, o jornalista selecionou duas expressões para se referir ao autor de Os Sertões: "do carioca Euclides da Cunha" e "o repórter Euclides". Essa escolha teve como efeito de sentido destacar
o contraste entre as crenças que o homem Euclides da Cunha tinha e a realidade observada pelo jornalista Euclides da Cunha.
a ironia presente no fato de o escritor Euclides da Cunha, ficcionista, produzir um texto baseado num trabalho de campo como repórter.
a potencialidade da língua portuguesa, que possibilitou ao autor se referir a Euclides da Cunha através de expressões diversas.
o descompasso entre as teorias formuladas em gabinete e as teorias que influenciaram Euclides da
Cunha.
a confirmação das posições ideológicas do cidadão Euclides da Cunha quando exercia sua atividade de jornalista.
UFRGS-RS) A obra Os Sertões, de Euclides da Cunha, está dividida em três partes: A terra, O homem e A luta. Esses três elementos, no entanto, são interdependentes: a luta do homem em determinada terra. Assinale a alternativa que exemplifica essa interdependência entre as três partes do livro, nos fragmentos a seguir.
Ajusta-se sobre os sertões o cautério das secas; esterilizam-se os ares urentes; empedra-se o chão, gretando, recrestado; ruge o nordeste nos ermos; e, como cilício dilacerador, a caatinga estende sobre a terra as ramagens de espinhos...
É que nessa concorrência admirável dos povos, envolvendo todos em luta sem tréguas, na qual a seleção capitaliza atributos que a hereditariedade conserva, o mestiço é um intruso.
Para todos os rumos e por todas as estradas e em todos os lugares, os escombros carbonizados das fazendas e dos pousos avultavam, insulando o arraial num grande círculo isolador, de ruínas. Estava pronto o cenário para um emocionante drama da nossa história.
(...) as caatingas são um aliado incorruptível do sertanejo em revolta. Entram também de certo modo na luta. Armam-se para o combate; agridem. Trançam-se, impenetráveis, ante o forasteiro, mas abrem-se em trilhas multívias, para o matuto que ali nasceu e cresceu.
O clima extremava-se em variações enormes: os dias repontavam queimosos, as noites sobrevi- nham frigidíssimas
PUC-RS) Autores como_________,______________
e __________, contemporâneos de Euclides da Cunha, apresentaram novas facetas da realidade brasileira, produzindo, respectivamente, romances que discu- tem temas tais como: a imigração alemã, os costumes urbanos e o universo rural.
Simões Lopes Neto / Raul Pompeia / Lima Barreto
Graça Aranha/Lima Barreto / Monteiro Lobato
Monteiro Lobato / Lima Barreto / Graça Aranha
Raul Pompeia/Guimarães Rosa/Monteiro Lobato
Graça Aranha / Raul Pompeia / Guimarães Rosa
UEPB) Considere as afirmações:
I. Ambientando suas obras preferencialmente na capital do país, o Rio de Janeiro, Lima Barreto criou uma constelação de tipos humanos e de suas relações, antecipando-se a uma visão multiétnica e multicultural do país.
II. O Rio de Janeiro de Lima Barreto é uma cidade em transformação, um turbilhão político-cultural, onde a nascente cultura de massa, sobretudo música e cinema, aliada à imigração, também em massa, e às novas demandas advindas da abolição, são importantes não só para mudar a face do país, mas também de sua literatura.
III. Lima Barreto foi sem dúvida um dos grandes cronistas da Primeira República. Em sua obra, que contém praticamente todos os gêneros narrativos, romance, conto, crônica, anedota, põe em cena muitos dos personagens históricos de seu tempo.
Nenhuma está correta.
Apenas II e III estão corretas.
Apenas I e II estão corretas.
Apenas I está correta.
Todas estão corretas.
Do programa estético da Geração de Orpheu constava
restauração dos temas clássicos.
vinculação da obra de arte ao quadro social.
instalação das vanguardas artísticas futuristas.
originalidade em arte.
implantação do movimento surrealista.
Leia o seguinte poema de Fernando Pessoa:
Para ser grande, sê inteiro: nada Teu exagera ou exclui.
Sé todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes. Assim em cada lago a lua toda Brilha, porque alta vive.
As seguintes ideias podem ser inferidas do texto, EXCETO:
Sê sempre tu mesmo. Dedica ao que fazes o melhor dos teus esforços, sem exaltar as tuas virtudes ou omitir os teus defeitos.
Incumbido de executar alguma tarefa, por menor que seja,
dá tudo de ti para realizá-la a inteiro contento.
A receita para crescer é fundir, na medida exata, o corpo e a alma, nas atitudes e realizações.
Tua completa projeção na sociedade depende de te colocares
acima das mesquinharias que aviltam o ser humano.
Se queres ser grande, busca sempre subir, para ficar no alto, onde vivem os potentados, que alcançaram o sucesso e exibem felicidade
Leia o poema XVIII, de O guardador de rebanhos, de Alberto
Caeiro.
Quem me dera que eu fosse o pó da estrada E que os pés dos pobres me estivessem pisando... Quem me dera que eu fosse os rios que correm
E que as lavadeiras estivessem à minha beira....
Quem me dera que eu fosse os choupo' à margem do rio E tivesse só o céu por cima e a água por baixo... Quem me dera que eu fosse o burro do moleiro E que ele me batesse e me estimasse...
Antes isso que ser o que atravessa a vida Olhando para trás de si e tendo pena...
CAEIRO, Alberto. O guardador de rebanhos. In: Fernando Pessoa Obra poética. Rio de Janeiro: Aguilar, 1969, p. 215
Choupo: árvore de madeira branca e macia
Nos versos, o poeta
revela a sua angústia existencial, em uma linguagem rebus- cada e culta, inspirando-se em fatos do seu dia a dia.
dirige-se à estrada, ao rio, aos choupos, comparando a paisagem do campo à paisagem alegre e movimentada da cidade.
expressa, com uma linguagem simples e objetiva, o seu
desejo de existir sem pensar, apenas existindo, como o pó,
o rio, as árvores, o animal.
descreve a natureza à maneira dos poetas árcades, baseado em imagens da mitologia grega e na crença em um mistério presente em todas as coisas.
utiliza temas filosóficos acerca dos mistérios da vida e das coisas do mundo, insistindo no rigor do vocabulário, da métrica e no uso exagerado de imagens.
Uespi) Mário de Sá-Carneiro, ao lado de Fernando Pessoa, Almada Negreiros e Tomás de Almeida, entre outros, fundaram em 1915, em Portugal, a revista Orpheu. Além de ser uma revista de princípios estetizantes e esotéricos, qual outro traço programático se pode reconhecer nesta revista?
Os colaboradores da revista Orpheu perseguiam uma poesia realista e de cunho social.
A busca por uma poesia científica terminou por
caracterizar toda a produção poética da geração
Orpheu.
Há visivelmente nesta Geração influências do humanismo e do racionalismo renascentista.
A poesia veiculada pela revista Orpheu é alucinada, chocante e irreverente.
A geração Orpheu exalta o progresso de Portugal e
defende apaixonadamente o seu regime monárquico.
