WorksheetsLinguagens - Questões ENEM
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Notas
Soluços, lágrimas, casa armada, veludo preto nos portais, um homem que veio vestir o cadáver, outro que tomou a medida do caixão, caixão, essa, tocheiros, convites, convidados que entravam, lentamente, a passo surdo, e apertavam a mão à família, alguns tristes, todos sérios e calados, padre e sacristão, rezas, aspersões d’água benta, o fechar do caixão, a prego e martelo, seis pessoas que o tomam da essa, e o levantam, e o descem a custo pela escada, não obstante os gritos, soluços e novas lágrimas da família, e vão até o coche fúnebre, e o colocam em cima e traspassam e apertam as correias, o rodar do coche, o rodar dos carros, um a um... Isto que parece um simples inventário eram notas que eu havia tomado para um capítulo triste e vulgar que não escrevo.
ASSIS, M. Memórias póstumas de Brás Cubas. Disponível em: www.dominiopublico.gov.br.
Acesso em: 25 jul. 2022.
O recurso linguístico que permite a Machado de Assis considerar um capítulo de Memórias póstumas de Brás Cubas como inventário é a
enumeração de objetos e fatos.
predominância de linguagem objetiva.
ocorrência de período longo no trecho.
combinação de verbos no presente e no pretérito.
presença de léxico do campo semântico de funerais.
Projeto na Câmara de BH quer a vacinação gratuita de cães contra a leishmaniose
A doença é grave e vem causando preocupação na região metropolitana da capital mineira. Ela é uma doença grave, transmitida pela picada do mosquito-palha, e afeta tanto os seres humanos quanto os cachorros: a leishmaniose. Por ser um problema de saúde pública, a doença pode ganhar uma ação preventiva importante, caso um projeto de lei seja aprovado na Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH). Diante do alto número de casos da doença na Grande BH, a Comissão de Saúde e Saneamento da CMBH aprovou a proposta de realização de campanhas públicas de vacinação gratuita de cães contra a leishmaniose, tema do PL 404/17, apreciado pelo colegiado em reunião ordinária, no dia 6 de dezembro.
Disponível em: https://revistaencontro.com.br. Acesso em: 11 dez. 2017.
Essa notícia, além de cumprir sua função informativa, assume o papel de
fiscalizar as ações de saúde e saneamento da cidade.
defender os serviços gratuitos de atendimento à população.
conscientizar a população sobre grave problema de saúde pública.
propor campanhas para a ampliação de acesso aos serviços públicos.
responsabilizar os agentes públicos pela demora na tomada de decisões.
TEXTO II
O termo ready-made foi criado por Marcel Duchamp(1887-1968) para designar um tipo de objeto, por ele inventado, que consiste em um ou mais artigos de uso cotidiano, produzidos em massa, selecionados sem critérios estéticos e expostos como obras de arte em espaços especializados (museus e galerias). Seu primeiro ready-made, de 1912, é uma roda de bicicleta montada sobre um banquinho (Roda de bicicleta). Ao transformar qualquer objeto em obra de arte, o artista realiza uma crítica radical ao sistema da arte.
Disponível em: www.bienal.org.br. Acesso em: 1 set. 2016 (adaptado).
A instalação In absentia propõe um diálogo com o ready-made Roda de bicicleta, demonstrando que
as formas de criticar obras do passado se repetem.
a recorrência de temas marca a arte do final do século XX.
as criações desmistificam os valores estéticos estabelecidos.
o distanciamento temporal permite a transformação dos referenciais estéticos.
o objeto ausente sugere a degradação da forma superando o modelo artístico.
PALAVRA – As gramáticas classificam as palavras em substantivo, adjetivo, verbo, advérbio, conjunção, pronome, numeral, artigo e preposição. Os poetas classificam as palavras pela alma porque gostam de brincar com elas, e para brincar com elas é preciso ter intimidade primeiro. É a alma da palavra que define, explica, ofende ou elogia, se coloca entre o significante e o significado para dizer o que quer, dar sentimento às coisas, fazer sentido. A palavra nuvem chove. A palavra triste chora. A palavra sono dorme. A palavra tempo passa. A palavra fogo queima. A palavra faca corta. A palavra carro corre. A palavra “palavra” diz. O que quer. E nunca desdiz depois. As palavras têm corpo e alma, mas são diferentes das pessoas em vários pontos. As palavras dizem o que querem, está dito, e pronto.
FALCÃO, A. Pequeno dicionário de palavras ao vento. São Paulo: Salamandra, 2013 (adaptado).
Esse texto, que simula um verbete para a palavra “palavra’’, constitui-se como um poema porque
tematiza o fazer poético, como em “Os poetas classificam as palavras pela alma”.
utiliza o recurso expressivo da metáfora, como em “As palavras têm corpo e alma”.
valoriza a gramática da língua, como em “substantivo, adjetivo, verbo, advérbio, conjunção”.
estabelece comparações, como em “As palavras têm corpo e alma, mas são diferentes das pessoas”.
apresenta informações pertinentes acerca do conceito de “palavra”, como em “As gramáticas
classificam as palavras”.
Mas seu olhar verde, inconfundível, impressionante, iluminava com sua luz misteriosa as sombrias arcadas superciliares, que pareciam queimadas por ela, dizia logo a sua origem cruzada e decantada através das misérias e dos orgulhos de homens de aventura, contadores de histórias fantásticas, e de mulheres caladas e sofredoras, que acompanhavam os maridos e amantes através das matas intermináveis, expostas às febres, às feras, às cobras do sertão indecifrável, ameaçador e sem fim, que elas percorriam com a ambição única de um “pouso” onde pudessem viver, por alguns dias, a vida ilusória de família e de lar, sempre no encalço dos homens, enfebrados pela procura do ouro e do diamante.
PENNA, C. Fronteira. Rio de Janeiro: Tecnoprint, s/d.
Ao descrever os olhos de Maria Santa, o narrador estabelece correlações que refletem a
caracterização da personagem como mestiça.
construção do enredo de conquistas da família.
relação conflituosa das mulheres e seus maridos.
nostalgia do desejo de viver como os antepassados.
marca de antigos sofrimentos no fluxo de consciência
TEXTO I
A língua não é uma nomenclatura, que se apõe a uma realidade pré-categorizada, ela é que classifica a realidade. No léxico, percebe-se, de maneira mais imediata, o fato de que a língua condensa as experiências de um dado povo.
FIORIN, J. L. Língua, modernidade e tradição. Diversitas, n. 2, mar.-set. 2014.
TEXTO II
As expressões coloquiais ainda estão impregnadas de discriminação contra os negros. Basta recordar algumas delas, como passar um “dia negro”, ter um “lado negro”, ser a “ovelha negra” da família ou praticar “magia negra”.
Disponível em: https://brasil.elpais.com. Acesso em: 22 maio 2018.
O Texto II exemplifica o que se afirma no Texto I, na medida em que defende a ideia de que as escolhas lexicais são resultantes de um
expediente próprio do sistema linguístico que nos apresenta diferentes possibilidades para traduzir estados de coisas.
ato inventivo de nomear novas realidades que surgem diante de uma comunidade de falantes de uma língua.
mecanismo de apropriação de formas linguísticas que estão no acervo da formação do idioma nacional.
processo de incorporação de preconceitos que são recorrentes na história de uma sociedade.
recurso de expressão marcado pela objetividade que se requer na comunicação diária.
Urgência emocional
Se tudo é para ontem, se a vida engata uma primeira e sai em disparada, se não há mais tempo para paradas estratégicas, caímos fatalmente no vício de querer que os amores sejam igualmente resolvidos num átimo de segundo. Temos pressa para ouvir “eu te amo”. Não vemos a hora de que fiquem estabelecidas as regras de convívio: somos namorados, ficantes, casados, amantes? Urgência emocional. Uma cilada. Associamos diversas palavras ao AMOR: paixão, romance, sexo, adrenalina, palpitação. Esquecemos, no entanto, da palavra que viabiliza esse sentimento: “paciência”. Amor sem paciência não vinga. Amor não pode ser mastigado e engolido com emergência, com fome desesperada. É uma refeição que pode durar uma vida.
MEDEIROS, M. Disponível em: http://porumavidasimples.blogspot.com.br. Acesso em: 20 ago. 2017 (adaptado).
Nesse texto de opinião, as marcas linguísticas revelam uma situação distensa e de pouca formalidade, o que se evidencia pelo(a)
impessoalização ao longo do texto, como em: “se não há mais tempo”.
construção de uma atmosfera de urgência, em palavras como: “pressa”.
repetição de uma determinada estrutura sintática, como em: “Se tudo é para ontem”.
ênfase no emprego da hipérbole, como em: “uma refeição que pode durar uma vida”.
emprego de metáforas, como em: “a vida engata uma primeira e sai em disparada”.
A articulação entre os elementos verbais e os não verbais do texto tem como propósito desencadear a
identificação de distinções entre mulheres e homens.
revisão de representações estereotipadas de gênero.
adoção de medidas preventivas de combate ao sexismo.
ratificação de comportamentos femininos e masculinos.
retomada de opiniões a respeito da diversidade dos papéis sociais.
Estojo escolar
Rio de Janeiro — Noite dessas, ciscando num desses canais a cabo, vi uns caras oferecendo maravilhas eletrônicas, bastava telefonar e eu receberia um notebook capaz de me ajudar a fabricar um navio, uma estação espacial. […] Como pretendo viajar esses dias, habilitei-me a comprar aquilo que os caras anunciavam como o top do top em matéria de computador portátil.
No sábado, recebi um embrulho complicado que necessitava de um manual de instruções para ser aberto. […] De repente, como vem acontecendo nos últimos tempos, houve um corte na memória e vi diante de mim o meu primeiro estojo escolar. Tinha 5 anos e ia para o jardim de infância.
Era uma caixinha comprida, envernizada, com uma tampa que corria nas bordas do corpo principal. Dentro, arrumados em divisões, havia lápis coloridos, um apontador, uma lapiseira cromada, uma régua de 20 cm e uma borracha para apagar meus erros. […] Da caixinha vinha um cheiro gostoso, cheiro que nunca esqueci e que me tonteava de prazer. […]
O notebook que agora abro é negro e, em matéria de cheiro, é abominável. Cheira vilmente a telefone celular, a cabine de avião, a aparelho de ultrassonografia onde outro dia uma moça veio ver como sou por dentro. Acho que piorei de estojo e de vida.
CONY, C. H. Crônicas para ler na escola. São Paulo: Objetiva, 2009 (adaptado).
No texto, há marcas da função da linguagem que nele predomina. Essas marcas são responsáveis por colocar em foco o(a)
mensagem, elevando-a à categoria de objeto estético do mundo das artes.
código, transformando a linguagem utilizada no texto na própria temática abordada.
contexto, fazendo das informações presentes no texto seu aspecto essencial.
enunciador, buscando expressar sua atitude em relação ao conteúdo do enunciado.
interlocutor, considerando-o responsável pelo direcionamento dado à narrativa pelo enunciador.
Os velhos papéis, quando não são consumidos pelo fogo, às vezes acordam de seu sono para contar notícias do passado. É assim que se descobre algo novo de um nome antigo, sobre o qual já se julgava saber tudo, como Machado de Assis. Por exemplo, você provavelmente não sabe que o autor carioca, morto em 1908, escreveu uma letra do hino nacional em 1867 — e não poderia saber mesmo, porque os versos seguiam inéditos. Até hoje. Essa letra acaba de ser descoberta, em um jornal antigo de Florianópolis, pelo pesquisador independente Felipe Rissato. “Das florestas em que habito/ Solto um canto varonil:/ Em honra e glória de Pedro/ O gigante do Brasil”, diz o começo do hino, composto de sete estrofes em redondilhas maiores, ou seja, versos de sete sílabas poéticas. O trecho também é o refrão da música. O Pedro mencionado é o imperador Dom Pedro II. O bruxo do Cosme Velho compôs a letra para o aniversário de 42 anos do monarca, em 2 de dezembro daquele ano — o hino seria apresentado naquele dia no teatro da cidade de Desterro, antigo nome de Florianópolis.
Disponível em: www.revistaprosaversoearte.com. Acesso em: 4 dez. 2018 (adaptado).
Considerando-se as operações de retomada de informações na estruturação do texto, há interdependência entre as expressões
“Os velhos papéis” e “É assim”.
“algo novo” e "sobre o qual".
“um nome antigo” e “Por exemplo”.
“O gigante do Brasil” e “O Pedro mencionado”.
“o imperador Dom Pedro II” e “O bruxo do Cosme Velho”.
TEXTO II
As máscaras não foram feitas para serem usadas; elas se concentram apenas nas possibilidades antropomórficas dos recipientes plásticos descartados e, ao mesmo tempo, chamam a atenção para a quantidade de lixo que se acumula em quase todas as cidades ou aldeias africanas.
FARTHING, S. Tudo sobre arte. Rio de Janeiro: Sextante, 2011 (adaptado).
Romuald Hazoumé costuma dizer que sua obra apenas manda de volta ao oeste o refugo de uma sociedade de consumo cada vez mais invasiva. A obra desse artista africano que vive no Benin denota o(a)
empobrecimento do valor artístico pela combinação de diferentes matérias-primas.
reposicionamento estético de objetos por meio da mudança de função.
convite aos espectadores para interagir e completar obras inacabadas.
militância com temas da ecologia que marcam o continente africano.
realidade precária de suas condições de produção artística.
Se for possível, manda-me dizer:
— É lua cheia. A casa está vazia —
Manda-me dizer, e o paraíso
Há de ficar mais perto, e mais recente
Me há de parecer teu rosto incerto.
Manda-me buscar se tens o dia
Tão longo como a noite. Se é verdade
Que sem mim só vês monotonia.
E se te lembras do brilho das marés
De alguns peixes rosados
Numas águas
E dos meus pés molhados, manda-me dizer:
— É lua nova —
E revestida de luz te volto a ver.
HILST, H. Júbilo, memória, noviciado da paixão. São Paulo: Cia. das Letras, 2018.
Falando ao outro, o eu lírico revela-se vocalizando um desejo que remete ao
ceticismo quanto à possibilidade do reencontro.
tédio provocado pela distância física do ser amado.
sonho de autorrealização desenhado pela memória.
julgamento implícito das atitudes de quem se afasta.
questionamento sobre o significado do amor ausente.
Nessa obra, que retrata uma cena de Caramuru, célebre poema épico brasileiro, a filiação à estética romântica manifesta-se na
exaltação do retrato fiel da beleza feminina.
tematização da fragilidade humana diante da morte.
ressignificação de obras do cânone literário nacional.
representação dramática e idealizada do corpo da índia.
oposição entre a condição humana e a natureza primitiva.
