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ARCADISMO - 3 ANO - 2005

Total questions: 11

Worksheet time: 16mins

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1.

Assinale o que não se refere ao Arcadismo:

a)

Época do Iluminismo (século XVIII) – Racionalismo, clareza, simplicidade.

b)

Volta aos princípios clássicos greco-romanos e renascentistas (o belo, o bem, a verdade, a perfeição, a imitação da natureza).

c)

Ornamentação estilística, predomínio da ordem inversa, excesso de figuras.

d)

Pastoralismo, bucolismo suaves idílios campestres.

e)

Apoia-se em temas clássicos e tem como lema: inutilia truncat (“corta o que é inútil”).

2.

Leia o poema abaixo:

“Eu, Marília, não sou algum vaqueiro,
Que vive de guardar alheio gado;
De tosco trato, de expressões grosseiro,
Dos frios gelado e dos sóis queimado.
Tenho próprio casal e nele assisto
Dá-me vinho, legume, fruta, azeite;
Das brancas ovelhinhas tiro o leite,
E mais as finas lãs, de que me visto.
Graças, Marília bela,
Graças à minha Estrela!”

O texto tem traços que caracterizam o período literário ao qual pertence. Uma qualidade patente nesta estrofe é:

a)

o bucolismo;

b)

o misticismo;

c)

o nacionalismo;

d)

o regionalismo;

e)

o indianismo.

3.

Considere as afirmativas sobre Barroco e o Arcadismo:

1. Simplificação da língua literária – ordem direta – imitação dos antigos gregos e romanos.
2. Valorização dos sentidos – imaginação exaltada – emprego dos vocábulos raros.
3. Vida campestre idealizada como verdadeiro estado de poesia-clareza-harmonia.
4. Emprego frequente de trocadilhos e de perífrases – malabarismos verbais – oratória.
5. Sugestões de luz, cor e som – antítese entre a vida e a morte – espírito cristão antiterreno

Assinale a opção que só contém afirmativas sobre o Arcadismo:

a)

1, 4 e 5

b)

2, 3 e 5

c)

2, 4 e 5

d)

1 e 3

e)

1, 2 e 5

4.

Texto I

“É a vaidade, Fábio, nesta vida,
Rosa, que da manhã lisonjeada,
Púrpuras mil, com ambição dourada,
Airosa rompe, arrasta presumida.”

Texto II

“Depois que nos ferir a mão da morte,
ou seja neste monte, ou noutra serra,
nossos corpos terão, terão a sorte
de consumir os dous a mesma terra.”

O texto I é barroco; o texto II é arcádico. Comparando-os, é possível afirmar que os árcades optaram por uma expressão:

a)

impessoal e, portanto, diferenciada do sentimentalismo barroco, em que o mundo exterior era projeção do caos interior do poeta.

b)

despojada das ousadias sintáticas da estética anterior, com predomínio da ordem direta e de vocábulos de uso corrente.

c)

que aprofunda o naturalismo da expressão barroca, fazendo que o poeta assuma posição eminentemente impessoal.

d)

em que predominam, diferentemente do Barroco, a antítese, a hipérbole, a conotação poderosa.

e)

em que a quantidade de metáforas e de torneios de linguagem supera a tendência denotativa do Barroco.

5.

Já sobre o coche de ébano estrelado
Deu meio giro a noite escura e feia;
Que profundo silêncio me rodeia
Neste deserto bosque, à luz vedado!
Jaz entre as folhas Zéfiro abafado,
O Tejo adormeceu na lisa areia;
Nem o mavioso rouxinol gorjeia,
Nem pia o mocho, às trevas costumado:
Só eu velo, só eu, pedindo à sorte
Que o fio, com que está minha alma presa
À vil matéria lânguida me corte:
Consola-me este horror, esta tristeza;
Porque a meus olhos se afigura a morte
No silêncio total da natureza.

(Bocage)

Vocabulário:

coche de ébano: carruagem de madeira escura
jaz: está ou parece morto
mocho: coruja
lânguida: doentia
mocho: coruja
lânguida: doentia

Nesse poema, a referência à cultura mitológica (Zéfiro) revela influência da estética:

a)

romântica.

b)

simbolista.

c)

trovadoresca.

d)

árcade.

e)

parnasiana.

6.

Já sobre o coche de ébano estrelado
Deu meio giro a noite escura e feia;
Que profundo silêncio me rodeia
Neste deserto bosque, à luz vedado!
Jaz entre as folhas Zéfiro abafado,
O Tejo adormeceu na lisa areia;
Nem o mavioso rouxinol gorjeia,
Nem pia o mocho, às trevas costumado:
Só eu velo, só eu, pedindo à sorte
Que o fio, com que está minha alma presa
À vil matéria lânguida me corte:
Consola-me este horror, esta tristeza;
Porque a meus olhos se afigura a morte
No silêncio total da natureza.

(Bocage)

Está presente no texto o seguinte traço característico da poesia de Bocage:

a)

temática religiosa.

b)

idealização do “locus amoenus”.

c)

quebra dos padrões formais clássicos.

d)

supremacia dos efeitos sonoros em detrimento da ideia.

e)

linguagem emotivo-confessional.

7.

Leia o poema de Bocage:

Olha, Marília, as flautas dos pastores
Que bem que soam, como estão cadentes!
Olha o Tejo a sorrir-se! Olha, não sentes
Os Zéfiros brincar por entre flores?
Vê como ali, beijando-se, os Amores
Incitam nossos ósculos ardentes!
Ei-las de planta em planta as inocentes,
As vagas borboletas de mil cores.
Naquele arbusto o rouxinol suspira,
Ora nas folhas a abelhinha para,
Ora nos ares, sussurrando, gira:
Que alegre campo! Que manhã tão clara!
Mas ah! Tudo o que vês, se eu te não vira,
Mais tristeza que a morte me causara.

O soneto de Bocage é uma obra do Arcadismo português, que apresenta, dentre suas características, o bucolismo e a valorização da cultura greco-romana, que estão exemplificados, respectivamente, em:

a)

Tudo o que vês, se eu te não vira/Olha, Marília, as flautas dos pastores.

b)

Ei-las de planta em planta as inocentes/Naquele arbusto o rouxinol suspira.

c)

Que bem que soam, como estão cadentes!/Os Zéfiros brincar por entre flores?

d)

Mais tristeza que a morte me causara./Olha o Tejo a sorrir- se! Olha, não sentes.

e)

Que alegre campo! Que manhã tão clara!/Vê como ali, beijando-se, os Amores.

8.

Ornemos nossas testas com as flores,
e façamos de feno um brando leito;
prendamo-nos, Marília, em laço estreito,
gozemos do prazer de sãos amores (…)
(…) aproveite-se o tempo, antes que faça
o estrago de roubar ao corpo as forças
e ao semblante a graça.

(Tomás Antônio Gonzaga)

Quanto ao estilo, os versos:

a)

revelam a presença não só de formas mais exageradas de inversão sintática – hipérbatos -, como também de comparações excessivas, resíduos do estilo cultista.

b)

comprovam a predileção pelo verso branco e pela ordem direta da frase, característicos da naturalidade desejada pelos poetas do Arcadismo.

c)

denotam – pela singeleza do vocabulário, pela sintaxe quase prosaica – a vontade de alcançar a simplicidade da linguagem, em oposição à artificialidade do Barroco.

d)

organizam-se em torno de antíteses, na busca de caracterizar, em atitude pré-romântica, o amor ideal e a pureza do lavor da terra.

e)

constroem-se pelo desdobramento contínuo de imagens, compondo um quadro em que a emoção é tratada de modo abstrato, de acordo com a convenção árcade.

9.

De acordo com o poema de Cláudio Manoel da Costa, marque a opção que mostra a relação deste com o momento histórico do Arcadismo.

Torno a ver-vos, ó montes; o destino
Aqui me torna a pôr nestes outeiros,
Onde um tempo os gabões deixei grosseiros
Pelo traje da Corte, rico e fino.

Aqui estou entre Almendro, entre Corino,
Os meus fiéis, meus doces companheiros,
Vendo correr os míseros vaqueiros
Atrás de seu cansado desatino.

Se o bem desta choupana pode tanto,
Que chega a ter mais preço, e mais valia
Que, da Cidade, o lisonjeiro encanto,

Aqui descanse a louca fantasia,
E o que até agora se tornava em pranto (verso 13)
Se converta em afetos de alegria.

a)

Os “montes” e “outeiros” são imagens relacionadas à Metrópole, ou seja, ao lugar onde o poeta se vestiu com traje “rico e fino”.

b)

A diferença entre a Colônia e a Metrópole revela que o poeta está dividido entre a cidade e o campo

c)

O bucolismo do poema evidencia a preocupação em realizar uma representação literária realista da vida na Colônia.

d)

Existe uma relação histórica da vantagem do campo sobre a cidade

10.

Leia o poema de Tomás Antônio Gonzaga. Depois assinale a opção que mostra três características do Arcadismo no Brasil.

Lira I

Eu, Marília, não sou algum vaqueiro,
Que viva de guardar alheio gado;
De tosco trato, d’expressões grosseiro,
Dos frios gelos, e dos sóis queimado.
Tenho próprio casal, e nele assisto;
Dá-me vinho, legume, fruta, azeite;
Das brancas ovelhinhas tiro o leite,
E mais as finas lãs, de que me visto.

Graças, Marília bela,

Graças à minha Estrela!

a)

Desvaloriza a mulher; cita o medieval; foco no “eu”.

b)

Denuncia a sociedade; valoriza a vida no campo; tema da cidade.

c)

Valoriza a vida no campo; linguagem simples; refere-se aos pastores.

d)

Temas da cidade; linguagem simples; cita o medieval.

11.

Instrução: Os fragmentos abaixo se referem à questão a seguir:

I – Nise? Nise? Onde estás? Aonde espera

Achar-te uma alma, que por ti suspira (…)

II – Glaura! Glaura! Não respondes?

E te escondes nestas brenhas?

Dou às penhas meu lamento;

Ó tormento sem igual!

III – Minha bela Marília, tudo passa:

A sorte deste mundo é mal segura

Se vem depois dos males a ventura,

Vem depois dos prazeres a desgraça.

Os poetas árcades brasileiros tinham as suas musas inspiradoras, a quem se dirigiam frequentemente em seus poemas. Pelas musas, evocadas nos versos acima, pode-se dizer que os seus autores são, respectivamente:

a)

Cláudio Manuel da Costa, Silva Alvarenga e Tomás Antônio Gonzaga.

b)

José Basílio da Gama, Cláudio Manuel da Costa e Alvarenga Peixoto.

c)

Tomás Antônio Gonzaga, Silva Alvarenga e Alvarenga Peixoto

d)

Cláudio Manuel da Costa, Tomás Antônio Gonzaga e Frei Santa Rita Durão.

e)

José Basílio da Gama, Frei Santa Rita Durão e Tomás Antônio Gonzaga