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Quiz sobre Filosofia Política

Total questions: 20

Worksheet time: 10mins

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1.

A partir da leitura do texto abaixo, considere o conceito de poder no domínio da política, assinalando a resposta incorreta. “Com a influência da nova classe burguesa no panorama político, passa-se a defender a separação entre o público e o privado. Enquanto na Idade Média o poder político pertencia ao senhor feudal, dono de terras, e era transmitido aos filhos como herança juntamente com seus bens, com as revoluções burguesas as esferas do público e do privado se dissociam e o poder não é mais herdado, mas conquistado pelo voto”.

a)

Isto é possível pela institucionalização do poder, que se dá quando aquele que o detém não mais se acha identificado com ele, sendo apenas o depositário da soberania popular.

b)

O poder se torna um poder de direito, e sua legitimidade repousa não no uso da violência, nem no privilégio, mas no mandato popular.

c)

Não havendo privilégios, todos são iguais e têm os mesmos direitos e deveres. O súdito transforma-se em cidadão, já que participa ativamente da comunidade cívica.

d)

Isto é possível porque o liberalismo burguês se mostrou eficiente na aplicação do ideal democrático, ao relacionar diretamente poder e propriedade. O poder torna-se legítimo quando emana do trabalho e, consequentemente, da propriedade adquirida.

e)

Sob o impacto do século das luzes, expande-se a defesa do constitucionalismo, entendido como a teoria e a prático dos limites do poder exercido pelo direito e pelas leis. Em outras palavras, para que não se possa abusar do poder, é preciso que o poder freie o poder.

2.

O que há de comum entre as teorias dos filósofos contratualistas é que

a)

eles partem da análise do homem em estado de natureza, isto é, antes de qualquer sociabilidade, tendo direito a tudo.

b)

no estado de natureza, o homem possui segurança e paz, pois é dono de um poder ilimitado.

c)

os interesses egoístas não existem no estado de natureza, pois os homens realizam todos os seus desejos.

d)

as disputas evitam a guerra de todos contra todos, pois os homens desfrutam de todas as coisas.

3.

Podemos afirmar que I. segundo Rousseau, os indivíduos aceitam perder a liberdade civil; aceitam perder a posse natural para ganhar a individualidade civil, isto é, a cidadania. II. para Hobbes, o soberano é o povo, entendido como vontade geral, pessoa moral coletiva livre e corpo político de cidadãos. III. para Locke, o poder está fundamentado nas instituições políticas e não no arbítrio dos indivíduos. Assinale

a)

se apenas II e III estiverem corretas.

b)

se apenas I e II estiverem corretas.

c)

se apenas I e III estiverem corretas.

d)

se I, II e III estiverem corretas.

4.

Os preceitos que fundam a democracia grega clássica e a democracia contemporânea diferem na definição de cidadão que cada uma apresenta. Ao contrário da Grécia Antiga, a nossa democracia possui características próprias que refletem a evolução do pensamento e o avanço da participação política. No tocante a mulher, sua exclusão no contexto da democracia clássica encontra justificativa

a)

na incapacidade intelectual e no descaso feminino em relação aos assuntos da pólis.

b)

nos princípios da democracia representativa que vigoravam na Grécia Antiga.

c)

no militarismo espartano, que não via com bons olhos a participação pública das mulheres.

d)

na “inferioridade natural” reservada ao sexo feminino.

5.

Diderot polemiza com o filósofo Helvétius sobre diversos temas, dentre os quais se destacam sérios desacordos políticos, como o debate sobre a tirania. Para Diderot, qual é o critério capaz de caracterizar um tirano?

a)

A extensão da autoridade que o governante estabelece para si.

b)

O uso da autoridade do governante no exercício do poder.

c)

A maldade do governante.

d)

A bondade do governante.

6.

Analise o texto político, que apresenta uma visão muito próxima de importantes reflexões do filósofo italiano Maquiavel, um dos primeiros a apontar que os domínios da ética e da política são práticas distintas. “A política arruína o caráter”, disse Otto von Bismarck (1815-1898), o “chanceler de ferro” da Alemanha, para quem mentir era dever do estadista. Os ditadores que agora enojam o mundo ao reprimir ferozmente seus próprios povos nas praças árabes foram colocados e mantidos no poder por nações que se enxergam como faróis da democracia e dos direitos humanos: Estados Unidos, Inglaterra e França. Isso é condenável? Os ditadores eram a única esperança do Ocidente de continuar tendo acesso ao petróleo árabe e de manter um mínimo de informação sobre as organizações terroristas islâmicas. Antes de condenar, reflita sobre a frase do mais extraordinário diplomata americano do século passado, George Kennan, morto aos 101 anos em 2005: “As sociedades não vivem para conduzir sua política externa: seria mais exato dizer que elas conduzem sua política externa para viver”. A associação entre o texto e as ideias de Maquiavel pode ser feita, pois o filósofo

a)

considerava a ditadura o modelo mais apropriado de governo, sendo simpático à repressão militar sobre populações civis.

b)

foi um dos teóricos da democracia liberal, demonstrando-se avesso a qualquer tipo de manifestação de autoritarismo por parte dos governantes.

c)

foi um dos teóricos do socialismo científico, respaldando as ideias de Marx e Engels.

d)

foi um pensador escolástico que preconizou a moralidade cristã como base da vida política.

e)

refletiu sobre a política através de aspectos prioritariamente pragmáticos.

7.

No itinerário histórico-cultural ocidental de estruturação do pensamento filosófico-político sobre a origem e fundamento do Estado e da sociedade política encontra-se o modelo de pensamento contratualista (jusnaturalista), tendo em Hobbes, Locke e Rousseau filósofos relevantes na discussão dos elementos estruturais deste modelo. Segundo Norberto Bobbio, este modelo é “construído com base na grande dicotomia ‘estado (ou sociedade) de natureza/estado (ou sociedade civil)’”, e contém “elementos caracterizadores” deste modelo. Com base no texto, assinale a alternativa incorreta.

a)

Na concepção política de Hobbes, o estado de natureza é tido como um estado de guerra generalizada, de todos contra todos.

b)

Na concepção política de Aristóteles, o homem é, por natureza, um ser insociável e apolítico.

c)

Na concepção política de Hobbes, o poder soberano que resulta do pacto de união, por ser soberano, tem como atributos fundamentais ser um poder a

8.

Considerando o texto e a situação da mulher na Atenas clássica, podemos afirmar que se trata de uma sociedade

a)

na qual o casamento também tem implicações políticas e sociais.

b)

que, por ser democrática, dá uma atenção especial aos direitos da mulher.

c)

em que o amor é o critério principal para a formação de casais da elite.

d)

em que o direito da mulher se sobrepõe ao interesse político e social.

9.

No fragmento, Aristóteles promove uma reflexão que associa dois elementos essenciais à discussão sobre a vida em comunidade, a saber:

a)

Ética e política, pois conduzem à eudaimonia.

b)

Retórica e linguagem, pois cuidam dos discursos na ágora.

c)

Metafísica e ontologia, pois tratam da filosofia primeira.

d)

Democracia e sociedade, pois se referem a relações sociais.

e)

Geração e corrupção, pois abarcam o campo da physis.

10.

A sociedade como um sistema justo de cooperação social consiste em uma das ideias familiares fundamentais, que dá estrutura e organização à justiça como equidade. A cooperação social guia-se por regras e procedimentos publicamente reconhecidos e aceitos por aqueles que cooperam como sendo apropriados para regular a sua conduta. Diz-se que a é cooperação é justa porque seus termos são tais que todos os participantes podem razoavelmente aceitar, desde que todos os demais também o aceitem. No contexto do pensamento político, a ideia apresentada mostra-se consoante o(a)

a)

ideal republicano de governo.

b)

corrente tripartite dos poderes.

c)

posicionamento crítico do socialismo.

d)

legitimidade do absolutismo monárquico.

e)

entendimento do contratualismo moderno.

11.

Para Maquiavel, quando um homem decide dizer a verdade pondo em risco a própria integridade física, tal resolução diz respeito apenas a sua pessoa. Mas se esse mesmo homem é um chefe de Estado, os critérios pessoais não são mais adequados para decidir sobre ações cujas consequências se tornam tão amplas, já que o prejuízo não será apenas individual, mas coletivo. Nesse caso, conforme as circunstâncias e os fins a serem atingidos, pode-se decidir que o melhor para o bem comum seja mentir.

O texto aponta uma inovação na teoria política na época moderna expressa na distinção entre

a)

idealidade e efetividade da moral.

b)

nulidade e preservabilidade da liberdade.

c)

ilegalidade e legitimidade do governante.

d)

verificabilidade e possibilidade da verdade.

e)

objetividade e subjetividade do conhecimento

12.

Mas, sendo minha intenção escrever algo de útil para quem por tal se interesse, pareceu-me mais conveniente ir em busca da verdade extraída dos fatos e não à imaginação dos mesmos, pois muitos conceberam repúblicas e principados jamais vistos ou conhecidos como tendo realmente existido.


A partir do texto, é possível perceber a crítica maquiaveliana à filosofia política de Platão, pois há nesta a

a)

elaboração de um ordenamento político com fundamento na bondade infinita de Deus.

b)

explicitação dos acontecimentos políticos do período clássico de forma imparcial.

c)

utilização da oratória política como meio de convencer os oponentes na ágora.

d)

investigação das constituições políticas de Atenas pelo método indutivo.

e)

idealização de um mundo político perfeito existente no mundo das ideias.

13.

TEXTO I

Tudo aquilo que é válido para um tempo de guerra, em que todo homem é inimigo de todo homem, é válido também para o tempo durante o qual os homens vivem sem outra segurança senão a que lhes pode ser oferecida por sua própria força e invenção.

HOBBES, T. Leviatã. São Paulo: Abril Cultural, 1983.

TEXTO II

Não vamos concluir, com Hobbes que, por não ter nenhuma ideia de bondade, o homem seja naturalmente mau. Esse autor deveria dizer que, sendo o estado de natureza aquele em que o cuidado de nossa conservação é menos prejudicial à dos outros, esse estado era, por conseguinte, o mais próprio à paz e o mais conveniente ao gênero humano.

ROUSSEAU, J.-J. Discurso sobre a origem e o fundamento da desigualdade entre os homens. São Paulo: Martins Fontes, 1993 (adaptado).

Os trechos apresentam divergências conceituais entre autores que sustentam um entendimento segundo o qual a igualdade entre os homens se dá em razão de uma

a)

predisposição ao conhecimento.

b)

submissão ao transcendente.

c)

tradição epistemológica.

d)

condição original.

e)

vocação política.

14.

Para Rawls, a estrutura básica mais justa de uma sociedade é aquela que alguém escolheria se não soubesse qual viria a ser seu papel particular no sistema de cooperação daquela sociedade.

A teoria da justiça proposta pelo autor, conforme exposto no texto, pressupõe assumir uma posição hipotética chamada de

a)

reino de Deus.

b)

mundo da utopia.

c)

véu da ignorância.

d)

estado de natureza.

e)

cálculo da felicidade.

15.

Os verdadeiros filósofos, tomados senhores da cidade, sejam eles muitos ou um só, desprezam as honras como as de hoje, por julgá-las indignas de um homem livre e sem valor algum, mas, ao contrário, têm em alta conta a retidão e as honras que dela decorrem e, julgando a justiça como algo muito importante e necessário, pondo-se a serviço dela e fazendo-a crescer, administram sua cidade.

No contexto da filosofia platônica, o texto expressa uma perspectiva aristocrática acerca do exercício do poder, uma vez que este é legitimado pelo(a)

a)

prática da virtude.

b)

consenso da elite.

c)

decisão da maioria.

d)

riqueza do indivíduo.

e)

pertencimento de sangue.

16.

A justiça e a conformidade ao contrato consistem em algo com que a maioria dos homens parece concordar. Constitui um princípio julgado estender-se até os esconderijos dos ladrões e às confederações dos maiores vilões; até os que se afastaram a tal ponto da própria humanidade conservam entre si a fé e as regras da justiça.

De acordo com Locke, até a mais precária coletividade depende de uma noção de justiça, pois tal noção

a)

identifica indivíduos despreparados para a vida em comum.

b)

contribui com a manutenção da ordem e do equilíbrio social.

c)

estabelece um conjunto de regras para a formação da sociedade.

d)

determina o que é certo ou errado num contexto de interesses conflitantes.

e)

representa os interesses da coletividade, expressos pela vontade da maioria.

17.

Tomás de Aquino, filósofo cristão que viveu no século XIII, afirma: a lei é uma regra ou um preceito relativo às nossas ações. Ora, a norma suprema dos atos humanos é a razão. Desse modo, em última análise, a lei está submetida à razão; é apenas uma formulação das exigências racionais. Porém, é mister que ela emane da comunidade, ou de uma pessoa que legitimamente a representa.

No contexto do século XIII, a visão política do filósofo mencionado retoma o

a)

pensamento idealista de Platão.

b)

conformismo estoico de Sêneca.

c)

ensinamento místico de Pitágoras.

d)

paradigma de vida feliz de Agostinho.

e)

conceito de bem comum de Aristóteles.

18.

Texto I


Até aqui expus a natureza do homem (cujo orgulho e outras paixões o obrigaram a submeter-se ao governo), juntamente com o grande poder do seu governante, o qual comparei com o Leviatã, tirando essa comparação dos dois últimos versículos do capítulo 41 de Jó, onde Deus, após ter estabelecido o grande poder do Leviatã, lhe chamou Rei dos Soberbos. Não há nada na Terra, disse ele, que se lhe possa comparar.

 

HOBBES, T. O Leviatã. São Paulo: Martins Fontes, 2003.

Texto II

 

Eu asseguro, tranquilamente, que o governo civil é a solução adequada para as inconveniências do estado de natureza, que devem certamente ser grandes quando os homens podem ser juízes em causa própria, pois é fácil imaginar que um homem tão injusto a ponto de lesar o irmão dificilmente será justo para condenar a si mesmo pela mesma ofensa.

LOCKE, J. Segundo tratado sobre o governo civil. Petrópolis: Vozes, 1994.


Thomas Hobbes e John Locke, importantes teóricos contratualistas, discutiram aspectos ligados à natureza humana e ao Estado. Thomas Hobbes, diferentemente de John Locke, entende o estado de natureza como um(a)

a)

condição de guerra de todos contra todos, miséria universal, insegurança e medo da morte violenta.

b)

organização pré-social e pré-política em que o homem nasce com os direitos naturais: vida, liberdade, igualdade e propriedade.

c)

capricho típico da menoridade, que deve ser eliminado pela exigência moral, para que o homem possa constituir o Estado civil.

d)

situação em que os homens nascem como detentores de livre-arbítrio, mas são feridos em sua livre decisão pelo pecado original.

e)

estado de felicidade, saúde e liberdade que é destruído pela civilização, que perturba as relações sociais e violenta a humanidade.

19.

A importância do argumento de Hobbes está em parte no fato de que ele se ampara em suposições bastante plausíveis sobre as condições normais da vida humana. Para exemplificar: o argumento não supõe que todos sejam de fato movidos por orgulho e vaidade para buscar o domínio sobre os outros; essa seria uma suposição discutível que possibilitaria a conclusão pretendida por Hobbes, mas de modo fácil demais. O que torna o argumento assustador e lhe atribui importância e força dramática é que ele acredita que pessoas normais, até mesmo as mais agradáveis, podem ser inadvertidamente lançadas nesse tipo de

situação, que resvalará, então, em um estado de guerra.

 

O texto apresenta uma concepção de filosofia política conhecida como

a)

alienação ideológica.

b)

microfísica do poder.

c)

estado de natureza.

d)

contrato social.

e)

vontade geral.

20.

Os ricos adquiriram uma obrigação relativamente à coisa pública, uma vez que devem sua existência ao ato de submissão à sua proteção e zelo, o que necessitam para viver; o Estado então fundamenta o seu direito de contribuição do que é deles nessa obrigação, visando a manutenção de seus concidadãos. Isso pode ser realizado pela imposição de um imposto sobre a propriedade ou a atividade comercial dos cidadãos, ou pelo estabelecimento de fundos e de uso dos juros obtidos a partir deles, não para suprir as necessidades do Estado (uma vez que este é rico), mas para suprir as necessidades do povo.

Segundo esse texto de Kant, o Estado

a)

deve sustentar todas as pessoas que vivem sob seu poder, a fim de que a distribuição seja paritária.

b)

está autorizado a cobrar impostos dos cidadãos ricos para suprir as necessidades dos cidadãos pobres.

c)

dispõe de poucos recursos e, por esse motivo, é obrigado a cobrar impostos idênticos dos seus membros.

d)

delega aos cidadãos o dever de suprir as necessidades do Estado, por causa do seu elevado custo de manutenção.

e)

tem a incumbência de proteger os ricos das imposições pecuniárias dos pobres, pois os ricos pagam mais tributos.