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Ação Humana

Ação Humana

Assessment

Presentation

Philosophy

10th Grade

Practice Problem

Hard

Created by

Olinda Freitas

FREE Resource

64 Slides • 0 Questions

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O PROBLEMA DO LIVRE-ARBÍTRIO

Mas, sendo assim, se todos os acontecimentos
têm causas anteriores, como podem as nossas
ações ser livres?

É aqui que reside o problema
do livre-arbítrio.

Apesar de o determinismo e de o livre-arbítrio
parecerem ideias plausíveis e justificadas por
boas razões, se o determinismo incluir as ações
humanas então não parece ser possível
fazermos escolhas. Isto é, talvez as ideias
de livre-arbítrio e de determinismo

sejam incompatíveis.

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RESPOSTAS AO PROBLEMA
DO LIVRE-ARBÍTRIO

Estudaremos três perspetivas acerca do problema
do livre-arbítrio:

determinismo radical

libertismo

determinismo moderado

Principais teses destas três perspetivas:

Perspetivas

Temos livre-
-arbítrio?

Alguma ação humana é livre?

Todas as ações humanas
são determinadas?

O determinismo é compatível
com o livre-arbítrio?

Determinismo
radical
Não

Nenhuma ação humana é livre

Sim

Não

Libertismo

Sim

Algumas ações humanas são livres

Não, nem todas

Não

Determinismo
moderado
Sim

Algumas ações humanas são livres

Sim

Sim

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Para o matemático francês Laplace,
com a inteligência e conhecimentos
suficientes, seria possível prever
todos os movimentos que ocorrerão
no universo, incluindo todas
as ações humanas.

DETERMINISMO RADICAL

Tese fundamental

Não existe livre-arbítrio e, portanto, nenhuma
ação humana é livre.

Porque não existe livre-arbítrio?

O determinismo radical considera que todos
os acontecimentos, o que inclui também as ações
humanas, têm causas anteriores e estão
submetidos às leis da natureza.

Se as ações humanas resultam de causas
anteriores e das leis da natureza, então isso
significa que nas nossas ações não temos
realmente liberdade de escolha. Por estar
determinado, o efeito (a nossa ação)
é inevitável. Nunca existem possibilidades
alternativas de ação.

O DETERMINISMO

RADICAL É

INCOMPATIBILISTA?

O determinismo radical
considera que o determinismo
e o livre-arbítrio são incompatíveis.
Se todas as ações humanas
têm causas anteriores e estão
submetidas às leis da natureza,
o livre-arbítrio não existe.

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DETERMINISMO RADICAL

O comportamento humano
tem variadas causas

Pode o comportamento humano ser atribuído
às mesmas causas que afetam os objetos
e os outros animais?

Segundo esta teoria, as ações humanas resultam
de uma combinação complexa destas causas.
A série causal que daqui resulta não é controlada
pelo agente.

O determinismo radical considera que
as causas do nosso comportamento são
muito mais variadas do que as dos objetos
e outros animais, mas isso não significa
que as ações humanas escapem

à causalidade.

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Negar o determinismo contraria
a ciência e é pouco racional

Para sustentar a sua tese, o determinismo radical
apoia-se em estudos e descobertas de várias ciências

como a Biologia, Psicologia ou Sociologia.

Descobertas como a de genes responsáveis por
doenças ou que muitos dos nossos comportamentos
são fortemente influenciados por padrões sociais
e culturais ou por situações vividas na infância
parecem sustentar a tese determinista.

O determinismo radical defende que através
da articulação entre os contributos de várias ciências
é possível apresentar uma explicação determinista
do comportamento humano e, assim sendo,
negar o determinismo é pouco racional,
uma vez que isso significa contrariar o que
é afirmado pela ciência.

DETERMINISMO RADICAL

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DETERMINISMO RADICAL

A ilusão do livre-arbítrio

Para o determinismo radical, é uma ilusão pensar
que podemos escolher livremente o que fazer

o livre-arbítrio é uma crença falsa.

O desconhecimento das inúmeras causas
que influenciam uma ação levam-nos a pensar
que temos liberdade de escolha.

Porém, se conhecêssemos todas essas
causas, perceberíamos que fazemos
apenas o que temos de fazer e que
o livre-arbítrio não existe.

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DETERMINISMO RADICAL

A questão da responsabilidade

Se não escolhemos livremente o que fazemos, como podemos ser responsáveis pelas nossas
ações? Como podemos censurar alguém por fazer algo de errado? Como podemos atribuir
mérito a alguém que faz algo corretamente? Isto parece pôr em causa a tese do
determinismo radical.

Se não há genuína responsabilidade moral nas nossas ações, uma vez que não existe livre-
arbítrio, fará ainda assim sentido castigar ou premiar uma determinada ação?

O determinismo radical responde positivamente.
As pessoas devem ser responsabilizadas, uma vez que
assim promovem-se as boas ações e desencorajam-se as más.
Neste sentido, os prémios e os castigos são também causas
que podem determinar os comportamentos humanos.

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OBJEÇÕES AO DETERMINISMO RADICAL

Sem livre-arbítrio, a vida
não tem sentido

Que sentido faria a nossa vida se, por tudo estar
determinado, fossemos como robôs, programados
para fazer o que fazemos?

Que motivação teríamos para viver e agir se
as nossas ações se devessem a causas que
não controlamos e não a nós mesmos?

Se fosse assim quase toda a nossa vida seria
uma mentira, o que é absurdo.

Esta objeção apoia-se na teoria da evolução
das espécies de Darwin, para afirmar que
dificilmente a espécie humana se adaptaria
ao meio ambiente se a crença de que
escolhemos livremente as nossas ações
fosse falsa.

Para os defensores desta
objeção, o facto de estarmos
realmente adaptados
ao meio ambiente
sugere que
a crença no
livre-arbítrio
é verdadeira.

Evolutivamente, é mais plausível
que exista livre-arbítrio

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LIBERTISMO

Tese fundamental

Existe livre-arbítrio e algumas
ações humanas são livres.

Que ações são livres?

Para o libertismo, algumas escolhas
humanas não estão constrangidas
do mesmo modo que os outros
acontecimentos do mundo.

Existem ações que não são
determinadas por causas anteriores
às decisões e escolhas do agente

e por isso são ações livres.

O LIBERTISMO É

INCOMPATIBILISTA?

O libertismo considera
que existe (pois nem
tudo está
determinado).

Tal como o determinismo radical,
o libertismo considera que o determinismo
e o livre-arbítrio são incompatíveis.
Se uma ação humana tem causas anteriores
e está submetida às leis da natureza, não é
uma ação livre. Este é um ponto em comum
entre as duas teses, mas há divergência
quanto à existência ou não de livre-arbítrio.

O determinismo
radical considera que
não existe (pois tudo está
determinado).

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LIBERTISMO

Causalidade do agente

Para o libertismo, o agente é
livre quando é capaz de tomar
uma decisão independentemente
de quaisquer causas anteriores.
Nesse caso, o agente
autodetermina-se, porque a única
causa da ação é a sua decisão.

Ao invés de outros acontecimentos,
a causalidade do agente não
obedece a leis. Em circunstâncias
semelhantes, a mesma pessoa
pode, por causalidade do agente,
realizar ações diferentes.

A ideia de que o livre-arbítrio
consiste na autodeterminação
pode ser designada
«causalidade do agente».
Este é um tipo especial
de causalidade: só os seres
humanos a têm.

Acontecimentos

da natureza

Causalidade

mecânica

As mesmas causas conduzem

a efeitos semelhantes e previsíveis

Ações

humanas

Causalidade

do agente

Em situações exatamente iguais
podem ser feitas ações diferentes

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LIBERTISMO

Nem tudo está determinado

Possibilidades alternativas de ação

Para o libertismo, a existência
de possibilidades alternativas de
ação é essencial para podermos
dizer que agimos livremente: isso só
acontece se escolhemos uma
coisa mas podíamos ter
escolhido outras, realizamos
uma ação mas podíamos ter
realizado outras.

Para o libertismo, essa é uma
característica fundamental da vida
humana: o futuro está em aberto, há
uma pluralidade de caminhos.

Para o libertismo, nem todos os
acontecimentos têm causas anteriores.

Algumas ações devem-se ao livre-arbítrio
e não às leis causais que determinam
muitas outras coisas.

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LIBERTISMO

Argumento da experiência

Uma possibilidade de defender a existência de livre-arbítrio
é alegar que temos experiência do livre-arbítrio e,
portanto, este existe.

Mas que experiência é essa?

Temos experiência do livre-arbítrio quando não sentimos
qualquer constrangimento para fazer uma escolha, não
sentimos nenhuma força a obrigar-nos a fazer algo.
Esta é uma experiência oposta à da falta de liberdade,
que sentimos quando somos forçados a fazer algo
e não o conseguimos evitar por muito que tentemos.

Para o libertismo, uma vez que o sentimento de livre-arbítrio
é muito frequente e generalizado, seria implausível que
essas experiências não fossem verídicas. Assim, é muito

provável que algumas das nossas ações

sejam livres.

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LIBERTISMO

Argumento da responsabilidade

Se não houver livre-arbítrio é difícil entender

como pode existir responsabilidade.

Se o livre-arbítrio não existir, as pessoas não
são verdadeiramente as autoras das suas
ações, isto é, farão coisas inevitáveis.
A ser assim, Adolf Hitler não seria culpado
pelo Holocausto o que é muito implausível.

Do mesmo modo, sentimentos como
o orgulho ou a vergonha não farão sentido
se as nossas ações forem o produto
de causas que não controlamos

o que também é implausível.

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LIBERTISMO

Sartre

O filósofo francês Sartre considera a liberdade como
fundamental para a vida humana, e afirma que ela é
que faz dos seres humanos aquilo que são.

Para Sartre, a existência precede a essência:
os seres humanos são diferentes dos objetos, não
têm à partida uma natureza que estabeleça aquilo
que são e o que devem fazer; os seres humanos
é que têm de escolher o que são e como devem agir.

Deste modo, não podemos recusar a necessidade
de escolher. Mesmo nas circunstâncias mais difíceis,
podemos pelo menos optar pela maneira como vamos
reagir aos problemas. Por isso, somos totalmente
responsáveis pela nossa vida e pelas nossas
ações.

Jean-Paul Sartre
Sartre não se intitulava libertista nem
recorria à terminologia usada pelos
defensores do libertismo.
Porém, as suas ideias podem ser
enquadradas nesta perspetiva filosófica.

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OBJEÇÕES AO LIBERTISMO

Não há ações sem causa

Os defensores desta objeção consideram
que a ideia libertista de ações sem causas
anteriores à decisão do agente é
implausível e anticientífica.

Alegam que em qualquer ação encontramos
sempre causas anteriores e que qualquer
decisão tem ela própria causas anteriores.

É possível não sentir ou não reconhecer,
numa ação, aquilo que é efeito de causas
anteriores, mas ainda assim essas
causas existirem e determinarem
a nossa vontade.

Por isso, os defensores desta objeção
consideram que o argumento libertista
da experiência não prova a existência
de livre-arbítrio.

Não sentir as causas não
prova a sua inexistência

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Existe livre-arbítrio e algumas
ações humanas são livres.

O determinismo moderado defende
esta tese por razões diferentes
do libertismo.

O determinismo moderado alega
que há efetivamente ações
livres e ações não livres
e o mais importante é encontrar
o que distingue umas das outras.

Tese fundamental

O DETERMINISMO
MODERADO É
COMPATIBILISTA?

Sim, ao contrário
do determinismo radical
e do libertismo.

livre-arbítrio

mas algumas
delas são
livres.

DETERMINISMO MODERADO

O determinismo moderado considera
que

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Para responder a esta questão,
o determinismo moderado
reformula o conceito
de livre-arbítrio (autodeterminação)
que está em causa no debate entre
deterministas radicais e libertistas.

DETERMINISMO MODERADO

Se todas as ações são determinadas por causas
anteriores, mas algumas delas são livres,
isso significa que as ações livres são
também determinadas.

O determinismo moderado

entende livre-arbítrio
como o poder de
fazermos o que
queremos
e não fazer o que

não queremos.

Redefinição do conceito

de livre-arbítrio

Mas como pode uma ação ser
simultaneamente livre e determinada?

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O que é, então, uma ação livre?

Uma ação é livre quando:

é realizada sem coações (internas ou externas ao agente);

deriva das crenças e desejos do agente.

Mas essas ações não têm causas anteriores à decisão do
agente?

Sim, têm. Mas não impedem que o agente realize uma ação livre.
O facto de o agente estar envolvido numa cadeia causal que não
controla não lhe retira a liberdade. O que retira a liberdade
ao agente é a existência de alguma coação que o impeça
de agir de acordo com o seu desejo. Quando a coação não

existe, a ação é livre (e, simultaneamente, determinada).

DETERMINISMO MODERADO

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DETERMINISMO MODERADO

Possibilidades alternativas de ação

O determinismo moderado rejeita a ideia de estarmos limitados
a fazer uma só coisa, ao considerar que existem ações livres.

Numa ação livre, afirma o determinismo moderado, temos
a possibilidade de fazer uma coisa podendo fazer outra.

Mas como é que temos alternativa ao que está determinado
pelas causas anteriores?

Imaginemos que um agente realiza uma ação a que chamamos A.
Para o determinismo moderado, o agente realizou a ação A,
mas poderia ter realizado a ação B. Se o agente tivesse
desejado realizar a ação B e não a A, podia tê-lo feito.

Para o determinismo moderado, uma situação
como esta permite dizer que o agente teve
possibilidades alternativas de ação.

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OBJEÇÕES AO DETERMINISMO MODERADO

Não permite compreender a existência
de possibilidades alternativas de ação

Esta objeção alega que a redefinição
de livre-arbítrio apresentada pelo
determinismo moderado tenta contornar
o problema simplificando-o de modo
inaceitável.

Considera-se que restringir o livre-arbítrio
à ausência de coação é demasiado
simplista

é fácil mostrar que certas

ações são feitas sem coação
(até um determinista radical aceita isso).
Para os incompatibilistas, não é esta
a questão que está em discussão.

Baixa a fasquia

Esta objeção põe em causa a ideia de possibilidades
alternativas de ação defendida pelo determinismo
moderado.

Uma vez que esta teoria defende simultaneamente
que uma ação é livre e sempre determinada por
causas anteriores, não parece haver possibilidade
de um agente fazer algo de diferente e alternativo.

Poder fazer algo diferente do que fizemos caso
o tivéssemos desejado não corresponde a uma
genuína possibilidade alternativa de ação,
pois esse desejo tem causas anteriores que
o agente não controla.

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