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Clarice Lispector na análise de pressupostos e inferências

Authored by Gilmar Júnior

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9th - 12th Grade

Clarice Lispector na análise de pressupostos e inferências
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1.

MULTIPLE CHOICE QUESTION

2 mins • 1 pt

Leia o trecho abaixo, inspirado no conto "Amor", de Clarice Lispector:

"O bonde sacudiu-a, jogando-a no assento. O cego mascava chiclete. No escuro do bonde, o cego mascava chiclete. A vida de Ana era perfeita, mas de repente o mundo se tornou um Jardim Botânico vasto e perigoso."

A construção dos sentidos em um texto literário muitas vezes se apoia naquilo que não é dito diretamente, mas que pode ser deduzido (implícitos) ou que é assumido como verdade prévia pelas marcas linguísticas (pressupostos). Com base na leitura do trecho acima, assinale a alternativa correta:

A estrutura "A vida de Ana era perfeita, mas de repente o mundo se tornou..." traz o pressuposto de que a visão de mundo de Ana já era naturalmente caótica e perigosa desde o início de sua viagem de bonde.

A afirmação de que "o mundo se tornou um Jardim Botânico vasto e perigoso" deixa implícito que o cego no bonde tinha a intenção deliberada e maliciosa de assustar a protagonista com sua presença.

A repetição e o destaque dados à cena mecânica e banal do "cego mascava chiclete" carregam o implícito de que esse detalhe absurdo atuou como o gatilho responsável por romper a percepção de controle e a estabilidade ilusória de Ana.

A conjunção "mas" pressupõe que a perfeição da vida da protagonista era inabalável, garantindo que o "Jardim Botânico vasto e perigoso" fosse apenas uma metáfora para a beleza tranquila da natureza.

2.

MULTIPLE CHOICE QUESTION

2 mins • 1 pt

"E se ela fosse tomar o chá com as rosas? Mas as rosas eram para Maria Quitéria. Olhou-as: eram belas, e ela era a dona. A descoberta de sua própria vontade a assustava como um crime."

A prosa de Clarice Lispector é frequentemente marcada por epifanias, momentos em que uma situação banal desencadeia uma profunda crise interior na personagem. Para a construção dessa profundidade psicológica, o texto faz uso de pressupostos (ideias deduzidas a partir de marcas linguísticas explícitas) e implícitos (informações sugeridas pelo contexto).

Com base na leitura do trecho, assinale a alternativa correta:

A oração "A descoberta de sua própria vontade a assustava" instaura o pressuposto de que a personagem vivia, até aquele instante, em um estado de anulação e passividade, desconhecendo ou reprimindo seus próprios desejos.

O questionamento "E se ela fosse tomar o chá com as rosas?" carrega o implícito de que a personagem costuma quebrar as regras de etiqueta frequentemente, agindo com rebeldia em seu círculo social.

A conjunção adversativa em "Mas as rosas eram para Maria Quitéria" pressupõe que existe uma inimizade declarada e violenta entre a protagonista e a destinatária das flores.

A comparação de que a própria vontade a assustava "como um crime" deixa implícito que a personagem será julgada e punida legalmente por reter as rosas que não lhe pertenciam.

3.

MULTIPLE CHOICE QUESTION

2 mins • 1 pt

"O triunfo de Macabéa foi a sua morte. Ali, no meio da rua, ela se tornou uma estrela de cinema. Só na hora da morte é que ela alcançou a grandeza do ser."

A construção do sentido no texto literário articula informações explícitas a significados subjacentes, exigindo que o leitor reconheça pressupostos (informações ancoradas em marcas linguísticas) e implícitos (deduções extraídas do contexto e da ironia do narrador).

Com base na leitura do trecho, assinale a alternativa que analisa corretamente esses recursos:

A afirmação de que Macabéa "se tornou uma estrela de cinema" carrega o implícito de que a personagem finalmente conseguiu realizar o seu grande projeto de ascensão profissional e artística nos últimos instantes de vida.

O advérbio "Só" na estrutura "Só na hora da morte é que ela alcançou a grandeza" instaura o pressuposto de que, durante toda a sua trajetória em vida, a personagem foi absolutamente destituída de dignidade, vivendo na insignificância.

A declaração categórica de que "O triunfo de Macabéa foi a sua morte" pressupõe que o narrador defende o suicídio como a única saída honrosa e heroica para a miséria das classes marginalizadas.

O uso da expressão "no meio da rua" deixa implícito que o evento trágico se tratava, na verdade, da gravação literal de uma cena ficcional, em que a personagem confundia a própria realidade com um roteiro de cinema.

4.

MULTIPLE CHOICE QUESTION

2 mins • 1 pt

"Olhar a barata era olhar o mundo. Naquela massa branca que saía do inseto, G.H. encontrou a vida em sua forma mais crua e divina. Ela estava comendo o próprio Deus."

A prosa clariceana exige do leitor uma atenção constante àquilo que transcende a literalidade do texto. O sentido profundo da narrativa constrói-se por meio de pressupostos (informações inscritas logicamente na estrutura das palavras) e implícitos (deduções interpretativas autorizadas pelo contexto).

Com base na leitura do trecho e na análise desses recursos, assinale a alternativa correta:

A afirmação de que G.H. "encontrou a vida em sua forma mais crua" instaura o pressuposto de que a existência da personagem, até aquele instante, era experimentada de maneira filtrada, superficial e polida pelas convenções sociais.

O período "Ela estava comendo o próprio Deus" deixa implícito que G.H. agia movida por uma heresia consciente e um ódio religioso profundo, buscando destruir a sacralidade por meio de um ato de nojo.

A estrutura "Naquela massa branca que saía do inseto" pressupõe, pelo uso do verbo no passado, que a barata foi esmagada por mero acidente doméstico, sendo a epifania um efeito colateral irrelevante.

A frase inicial "Olhar a barata era olhar o mundo" traz o implícito de que G.H. possuía uma visão estritamente biológica e científica da realidade, reduzindo o universo às leis da entomologia.

5.

MULTIPLE CHOICE QUESTION

2 mins • 1 pt

"Ela queria odiar, mas o búfalo apenas a olhava. E naquele olhar negro e pesado, ela viu a sua própria violência refletida, uma revelação que a deixou desamparada."

A construção das personagens em Clarice Lispector frequentemente se dá pelo desvelamento de seus abismos interiores através do contato com o mundo exterior. Para compreender essa mecânica, o leitor deve articular os pressupostos (sentidos garantidos pelas marcas linguísticas) e os implícitos (sentidos sugeridos pelo contexto da obra).

Com base na leitura do trecho, assinale a alternativa que traz uma análise correta:

O termo "refletida" instaura o pressuposto de que o búfalo sentia ativamente a mesma angústia humana da protagonista, devolvendo a ela um ódio que era, na verdade, do próprio animal.

A conjunção "mas", associada ao advérbio "apenas", pressupõe que a passividade do búfalo frustrou a intenção da mulher, deixando implícito que ela precisava da agressividade externa do bicho para justificar e exteriorizar o seu próprio ódio.

A afirmação de que a revelação a deixou "desamparada" traz o implícito de que a personagem esperava um ataque físico do animal, confirmando seu desejo literal de morte no zoológico.

O verbo no passado em "Ela queria odiar" pressupõe que a personagem já havia superado seus sentimentos negativos antes de encontrar o búfalo, sendo a violência uma memória distante.

6.

MULTIPLE CHOICE QUESTION

2 mins • 1 pt

"Liberdade é pouco. O que desejo para mim não tem nome. Eu não sou eu, sou um movimento de ser, uma onda que não sabe onde vai quebrar."

A densidade filosófica do texto clariceano exige do leitor a capacidade de ir além da superfície das palavras, identificando pressupostos (informações inscritas logicamente na estrutura linguística) e implícitos (deduções sugeridas pelo contexto e pelas figuras de linguagem).

Com base na leitura do trecho e na análise desses recursos, assinale a alternativa correta:

O período "O que desejo para mim não tem nome" pressupõe que a língua falada pela narradora é limitada e primária, deixando implícito o seu desejo de abandonar a comunicação verbal para viver em silêncio absoluto.

A construção paradoxal "Eu não sou eu" traz o implícito de que a personagem rejeita a sua origem social e familiar, desejando assumir uma nova identidade civil para apagar os traumas do seu passado material.

A metáfora "uma onda que não sabe onde vai quebrar" pressupõe, pelo uso da negativa ("não sabe"), um estado de pavor e ansiedade paralisante, no qual a narradora busca desesperadamente o controle e a estabilidade de uma vida previsível.

A afirmação "Liberdade é pouco" instaura o pressuposto de que a narradora já vivencia, reconhece ou domina o conceito de liberdade, deixando implícito que sua verdadeira busca existencial transcende as categorias humanas tradicionais.

7.

MULTIPLE CHOICE QUESTION

2 mins • 1 pt

"Escrevo-te porque não sei o que fazer de mim. Estou atrás do que fica atrás do pensamento. O instante é um átomo de tempo que não se deixa prender."

A construção de sentido no texto literário frequentemente se articula em camadas mais profundas do que a superfície literal das palavras. Para capturar a essência da angústia da narradora, o leitor deve mobilizar o reconhecimento de pressupostos (informações ancoradas na materialidade linguística do texto) e implícitos (deduções lógicas derivadas do contexto).

Com base na leitura atenta do trecho, assinale a alternativa que traz uma análise correta desses recursos:

O desabafo "Escrevo-te porque não sei o que fazer de mim" pressupõe que a narradora encara a literatura como uma obrigação imposta pelo interlocutor, deixando implícito o seu desejo de abandonar a escrita.

A afirmação "Estou atrás do que fica atrás do pensamento" instaura o pressuposto de que existe uma dimensão da realidade anterior ou superior à razão, o que deixa implícito que a linguagem racional comum é insuficiente para a sua busca.

A metáfora estruturada em "O instante é um átomo de tempo que não se deixa prender" traz o pressuposto de que a narradora finalmente dominou a técnica literária, implicando a sua vitória definitiva sobre a fugacidade da vida.

O uso do pronome em "Escrevo-te" pressupõe um diálogo presencial com um destinatário físico no mesmo ambiente, deixando implícito que a introspecção deu lugar a uma comunicação puramente objetiva.

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