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A aprendizagem ubíqua, é uma forma de educação que faz analogia com a crença cristã de que Deus é onipresente e onisciente, ou seja, o ubíquo é aquilo que está ou pode estar em toda parte, ao mesmo tempo. As redes de dados, são um exemplo, elas integram sinais de internet, televisão e muitos outros dispositivos móveis, a tecnologia permite essa ubiquidade. Mas como seria a aprendizagem ubíqua?
Ao perscrutar o perfil cognitivo do usuário que navega pelas arquiteturas líquidas informacionais do ciberespaço ,tanto
quanto posso ver, o cerne da questão da aprendizagem
e da aquisição de conhecimento localiza-se, antes de tudo, na figura do leitor, no perfil cognitivo do leitor. Que leitor prossumidor (produtor e consumidor de textos multimídia) é esse que hoje transita pelas redes? Creio que essa questão é fundamental para se pensar quaisquer projetos que visam introduzir a utilização das redes informacionais para incrementar processos educativos em quaisquer de seus níveis.(Santaella, 2014)
Na perspectiva do autor,poderíamos caracterizar como tipo de leitor:
Leitor contemplativo: é o leitor meditativo da idade pré-industrial, da era do livro impresso e da imagem expositiva, fixa. Esse leitor nasceu no Renascimento e perdurou até meados do século XIX.
Leitor movente: é filho da revolução industrial e do aparecimento
dos grandes centros urbanos. É, portanto, o leitor do mundo em movimento, dinâmico, das misturas de sinais e linguagens de que as metrópoles são feitas. Esse leitor nasceu também com a explosão do jornal e com o universo reprodutivo da fotografia, cinema, e manteve suas características básicas quando se deu o advento da revolução eletrônica, era
do apogeu da televisão.
Leitor imersivo: é aquele que brotou nos novos espaços das redes computadorizadas de informação e comunicação. O leitor imersivo inaugura um modo inteiramente novo de ler que implica habilidades muito distintas daquelas que são empregadas pelo leitor de um texto impresso que segue as sequências de um texto, virando páginas, manuseando volumes. Por outro lado, são habilidades também distintas daquelas empregadas pelo receptor de imagens
ou espectador de cinema, televisão. É um leitor imersivo porque navega em telas e programas de leituras, num universo de signos evanescentes e eternamente disponíveis. Cognitivamente em estado de prontidão, esse leitor conecta-se entre nós e nexos, seguindo roteiros multilineares, multissequenciais e labirínticos que ele próprio ajuda a construir ao interagir com os nós que transitam
entre textos, imagens, documentação, músicas, vídeo etc. Através de saltos que vão de um fragmento a outro, esse leitor é livre para estabelecer sozinho a ordem informacional, pois, no lugar de
um volume encadernado com páginas onde as frases e/ou imagens se apresentam em uma ordenação sintático-textual previamente prescrita, surge uma ordenação associativa que só pode ser estabelecida no e através do ato de leitura (WIRTH,
1998, p. 98).
A cibercultura (cultura que surgiu, surge, ou está surgindo, a partir do uso da rede de computadores, e de outros suportes), é entendida por Lévy (1999) como o conjunto de técnicas, práticas, atitudes, modos de pensamento e valores que se desenvolvem com o crescimento do ciberespaço,, onde acontece uma desterritorialização do acesso à informação. Ela é dominada pela mobilidade, pelos fluxos, pelo desenraizamento e pelo hibridismo cultural.
Lemos (2006) afirma que a internet é, efetivamente, uma máquina desterritorializante sob os aspectos:
Político, em relação a seu acesso e ação além de fronteiras;
Econômico,em relação à circulação financeira mundial;
Cultural, em relação ao consumo de bens simbólicos mundiais;
Subjetivo, em relação à influência global na formação do sujeito;
Qualquer reflexão sobre o futuro dos sistemas de educação e de formação na cibercultura deve ser fundada em uma análise prévia da mutação contemporânea da relação com o saber. Em relação a isso:
A primeira constatação diz respeito à velocidade de surgimento e de renovação dos saberes e savoir-faire.
(...) A segunda constatação, fortemente ligada à primeira, diz respeito à nova natureza do trabalho, cuja parte de transação de conhecimentos não pára de crescer...
...Na terceira constatação: o ciberespaço suporta tecnologias intelectuais que amplificam, exteriorizam e modificam numerosas funções cognitivas humanas. (Lévy, 1999:157)
Identifique a(s) alternativa(s) que corroboram as afirmações acima:
Comecemos a pensar a educação no ciberespaço a partir do plano da infra-estrutura material, levando em conta a quantidade, a diversidade e a velocidade de evolução dos saberes, assim como as diversas técnicas apropriadas para o desenvolvimento do conhecimento a partir do mundo digital como o audiovisual, a teleconferência, a videoconferência, o ensino assistido por computador, entre outros. Essa perspectiva faz com que os custos operacionais sejam menores do que normalmente os cursos presenciais oferecidos pelas escolas e universidades.
Isso tem proporcionado um aumento quantitativo na formação de indivíduos que procuram cada vez mais dispositivos de formação profissional e contínua, que segundo Lévy (1999:169), já estão saturados.
O aumento da demanda pela formação também tem sofrido mutação na diversificação e personificação dos cursos. "Os indivíduos toleram cada vez menos seguir cursos uniformes e
rígidos que não correspondem a suas necessidades reais e à especificidade de seu trajeto de vida" (idem). Além disso, diante do ritmo acelerado com que as mudanças têm ocorrido em todas as áreas de conhecimento, tem sido cada vez mais crescente o investimento de esforços para uma formação continuada de qualidade e diversificada. Não é mais possível que a formação se atenha apenas a um período limitado da vida do indivíduo: é preciso que nos eduquemos de maneira continuada, seja formal ou informalmente. É neste aspecto que as comunidades virtuais têm exercido papel fundamental no desenvolvimento desse tipo de
formação, já que elas permitem que o indivíduo se atualize sem prender-se a questões espaciais e temporais, facilitando o acesso e conseguindo atender a demanda crescente.
Embora Lévy enfatize que está se delineando um novo paradigma no ensino via ciberespaço, e que este, em breve, se tornará a norma para a educação, ele ressalta o quanto esse ensino a
distância tem se tornado uma "via de acesso ao conhecimento ao mesmo tempo massificado e personalizado” (Lévy, 1999:170). As oportunidades de se navegar no oceano de informações e
conhecimento pela Internet são cada vez mais evoluídas. Há programas, sistemas e ferramentas que são colocados a serviço de dispositivos de aprendizagem cooperativa que tornam cada vez
menos distinta a diferença entre ensino presencial e à distância, "uma vez que as redes de telecomunicações e dos suportes multimídias interativos vêm sendo progressivamente integrado
às formas mais clássicas de ensino."
A IC não encontra sustentação em práticas pedagógicas baseadas em uma comunicação unidirecional. Ao contrário, ela exige interatividade. A "educação autêntica não se faz de A para B ou de A sobre B, mas de A com B". No contexto da sala de aula virtual, isso significa abandonar a pedagogia da transmissão, baseada na distribuição de informações e na memorização mecânica para criar um entorno favorável à criação de Inteligência Coletiva.
Os professores e estudantes compartilham os recursos materiais e informacionais de que dispõem.
O aprendizado se dá num fluxo contínuo tanto para o professor quanto para o estudante que continuamente atualizam seu aprendizado. Por isso, a função do professor não pode mais ser
apenas de difusão do conhecimento e sim "animador da inteligência coletiva" dos grupos de estudantes. "Sua aprendizagem está centrada no acompanhamento e na gestão das aprendizagens: o incitamento à troca dos saberes, a mediação relacional e simbólica, a pilotagem personalizada dos percursos de aprendizagem, etc."
O importante no ensino, seja presencial ou à distância, é a qualidade do processo de aprendizagem a fim de escapar da mesmice do ensino presencial massificado e desarticulado. A
educação em moldes tradicionais já vinha sofrendo transformações por conta das mudanças de paradigmas sociais e educacionais de toda ordem. Com o advento da Internet e das mudanças trazidas por ela, a separação entre educação presencial, tradicional, virtual, a distância tem sido uma linha tênue ou talvez inexistente. O que temos hoje é educação diversificada e fazendo uso de um número cada vez maior de recursos e ferramentas, sejam eles presenciais ou à distância.
"No início deste artigo, propositalmente chamei atenção para o fato de que nenhuma tecnologia da linguagem e da comunicação borra ou elimina as tecnologias anteriores. Nenhuma nova formação cultural até hoje conseguiu levar as formações culturais anteriores ao desaparecimento."(Santaella/2014)em relação à afirmação da autora, analise as afirmações a seguir:
Ecologias midiáticas são intrincadamente enredadas porque novas mídias são introduzidas em uma paisagem humana já povoada por mídias precedentes.
Longe de levar as anteriores ao desaparecimento, a mídia emergente vai se espremendo entre as outras e gradativamente encontrando seus direitos de existência ao provocar uma refuncionalização nos papéis desempenhados pelas anteriores.
É justamente isso que tem ocorrido com os dispositivos móveis, cuja velocidade de absorção e domesticação vem se dando em progressão geométrica espantosa.
Transpondo essas características de diversificação e hibridação crescente da ecologia midiática para o campo da educação evita-se a ideia de que formas emergentes de aprendizagem e novos modelos educacionais tenham que necessariamente apagar as formas e modelos precedentes. Quer dizer, e esta é a tese que pretendo aqui propor: cada uma das formas de aprendizagem apresenta potenciais e limites que lhe são próprios. Por isso
mesmo, a educação a distância não substitui inteiramente
a educação gutenberguiana, assim como a aprendizagem em ambientes virtuais não substitui ambas, tanto quanto a aprendizagem ubíqua não é capaz de substituir quaisquer dessas formas anteriores. Ao contrário, todas elas se complementam,
o que torna o processo educativo muito mais rico.
De fato, há valores humanos tradicionais que devem resistir à corrosão do tempo. A escola é a grande transmissora
desses valores, um lugar à parte, em que se constroem
progressivamente e de maneira formal e estruturante os saberes, as habilidades e o saber-ser que não podem ser elaborados em outras instâncias de socialização. Isso não significa desconectar as aprendizagens escolares do novo ambiente cultural e tecnológico das jovens gerações.Por isso, tanto quanto posso ver, como desenvolver estratégias integradoras para entrar no jogo
das complementaridades é o grande desafio dos sistemas educacionais e curriculares no mundo contemporâneo.
