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SIMULADO 2 - PORTUGUÊS REVISÃO

Total questions: 20

Worksheet time: 15mins

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1.

(Enem)

19-11-1959

Eu a conheci da primeira vez em que estive aqui. Parece-me que é esquizo- frênica, caso crônico, doente há mais de vinte anos — não estou bem certa. Foi transferida para a Colônia Juliano Moreira e nunca mais a vi. [...] À tarde, quando ia lá, pedia-lhe para cantar a ária da Bohème, “Valsa da Musetta”. Dona Georgiana, recortada no meio do pátio, cantava — e era de doer o coração. As dementes, descalças e rasgadas, paravam em surpresa, rindo bonito em si- lêncio, os rostos transformados. Outras, sentadas no chão úmido, avançavam as faces inundadas de presença — elas que eram tão distantes. Os rostos fulgiam por instantes, irisados e indestrutíveis. Me deixava imóvel, as lágrimas cegan- do-me. Dona Georgiana cantava: cheia de graça, os olhos azuis sorrindo, aquele passado tão presente, ela que fora, ela que era, se elevando na limpidez das no- tas, minhas lágrimas descendo caladas, o pátio de mulheres existindo em dor e beleza. A beleza terrífica que Puccini não alcançou: uma mulher descalça, suja, gasta, louca, e as notas saindo-lhe em tragicidade difícil e bela demais — para existir fora de um hospício.

CANÇADO, M. L. Hospício é Deus. Belo Horizonte: Autêntica, 2015.

O diário da autora, como interna de hospital psiquiátrico, configura um registro singular, fundamentado por uma percepção que

a)

(A) atenua a realidade do sofrimento por meio da música.

b)

(B) redimensiona a essência humana tocada pela sensibilidade.

c)

(C) evidencia os efeitos dos maus-tratos sobre a imagem feminina.

d)

(D) transfigura o cotidiano da internação pelo poder de se emocionar.

2.

(Enem) Questão 3

Estamos em plena “Idade Mídia” desde os anos de 1990, plugados durante mui- tas horas semanais (jovens entre 13 e 24 anos passam 3h30 diárias na Internet, garante pesquisa Studio Ideias para o núcleo Jovem da Editora Abril), substituí- mos as cartas pelos e–mails, os diários íntimos pelos blogs, os telegramas pelo Twitter, a enciclopédia pela Wikipédia, o álbum de fotos pelo Flickr. O YouTube é mais atraente do que a TV.

PERISSÉ, G. A escrita na Internet. Especial Sala de Aula. São Paulo, 2010 (fragmento).

Cada sistema de comunicação tem suas especificidades. No ciberespaço, os textos vir- tuais são produzidos combinando-se características de gêneros tradicionais. Essa com- binação representa,

a)

(A) na redação do e-mail, o abandono da formalidade e do rigor gramatical.

b)

(B) no uso do Twitter, a presença da concisão, que aproxima os textos às manchetes jornalísticas.

c)

(C) na produção de um blog, a perda da privacidade, pois o blog se identifica com o diário

íntimo.

d)

(D) no uso do Twitter, a falta de coerência nas mensagens ali veiculadas, provocada pela economia de palavras

3.

(UFRGS-RS) Leia os fragmentos abaixo.

Quando eu fui catar papel encontrei um preto. Estava rasgado e sujo que dava pena. Nos seus trajes rôtos êle podia representar-se como diretor do sindicato dos miseráveis.

2 de maio de 1958 […] Passei o dia catando papel. A noite meus pés doíam tanto que eu não podia andar.

14 de junho … Está chovendo. Eu não posso ir catar papel. O dia que chove eu sou mendiga.

3 de maio ... Fui na feira da Rua Carlos de Campos, catar qualquer coisa.

Depois fui catar lenha. Parece que vim ao mundo predestinada a catar. Só não

cato a felicidade.

Considere as seguintes afirmações sobre a ação de “catar”.

I. Relaciona-se ao título da obra, uma vez que Quarto de despejo serve de metáfora à situação da própria personagem, que vive na favela como um objeto descartado.

II. Associa-se à atividade da escritora, que recolhe da experiência de viver do lixo a própria matéria para a sua criação literária.

III. Refere-se à descoberta dos diários de Carolina pelo jornalista Audálio Dantas, gra- ças ao qual ela se torna uma escritora de grande sucesso editorial, condição que lhe garante sustentabilidade financeira e saída definitiva da miséria.

Quais estão corretas?

a)

(A) Apenas I.

b)

(B) Apenas II.

c)

(C) Apenas III.

d)

(D) Apenas I e II.

4.

Leia a resenha a seguir e observe a imagem que a acompanha.

Rafael Corrêa, quadrinista e cartunista gaúcho, sempre foi muito premiado com seus cartuns contundentes em salões internacionais. Entretanto, acabou desco- brindo que possuía esclerose múltipla, uma doença degenerativa que debilita o corpo. Em um quadrinho que é publicado on-line, ele mostra suas memórias em paralelo com a dura realidade de saber que num futuro próximo não poderá mais trazer quadrinhos tão interessantes para todos nós.

SMEE, Guilherme. 10 quadrinhos autobiográficos para você se identificar. Splash pages, [s. l.], 22 jan. 2017. Disponível em: https://splashpages.wordpress.com/2017/01/22/10-quadrinhos-autobiograficos-para-voce-se-

identificar/. Acesso em: 8 dez. 2023.

A autobiografia escrita em quadrinhos nos leva a afirmar que

a)

(A) não é tão profunda quanto a autobiografia narrada apenas em linguagem verbal.

b)

(B) quadrinhos autobiográficos expressam apenas objetividade.

c)

(C) a linguagem visual pode intensificar o que diz a linguagem verbal, levando o leitor a se identificar intensamente com o autor.

d)

(D) a linguagem visual e a verbal não se complementam em uma autobiografia, porque

as ilustrações não representam a realidade.

5.

Analise, atentamente, o poema “Ode ao burguês” de Mário de Andrade (1893-1945), e responda às questões 7.

Ode ao burguês

Eu insulto o burgês! O burguês-níquel, o burguês-burguês!

A digestão bem feita de São Paulo! O homem-curva! O homem-nádegas!

O homem que sendo francês, brasileiro, italiano, é sempre um cauteloso pouco-a-pouco!

Eu insulto as aristocracias cautelosas!

os barões lampiões! Os condes Joões! Os duques zurros! Que vivem dentro de muros sem pulos,

e gemem sangues de alguns mil-réis fracos

para dizerem que as filhas da senhora falam o francês e tocam os “Printemps” com as unhas!

Eu insulto o burguês-funesto!

O indigesto feijão com toucinho, dono das tradições! Fora os que algarismam os amanhãs!

Olha a vida dos nossos setembros! Fará Sol? Choverá? Arlequinal!

Mas à chuva dos rosais

o êxtase fará sempre Sol!

Morte à gordura!

Morte às adiposidades cerebrais! Morte ao burguês-mensal!

Ao burguês-cinema! Ao burguês-tílburi! Padaria Suissa! Morte viva ao Adriano! “– Ai, filha, que te darei pelos teus anos? – Um colar… – Conto e quinhentos!!!

Mas nós morremos de fome!”

Come! Come-te a ti mesmo, oh! gelatina pasma! Oh! purée de batatas morais!

Oh! cabelos nas ventas! Oh! carecas! Ódio aos temperamentos regulares!

Ódio aos relógios musculares! Morte à infâmia! Ódio à soma! Ódio aos secos e molhados!

Ódio aos sem desfalecimentos nem arrependimentos, sempiternamente as mesmices convencionais!

De mãos nas costas! Marco eu o compasso! Eia! Dois a dois! Primeira posição! Marcha!

Todos para a Central do meu rancor inebriante!

Ódio e insulto! Ódio e raiva! Ódio e mais ódio! Morte ao burguês de giolhos,

cheirando religião e que não crê em Deus! Ódio vermelho! Ódio fecundo! Ódio cíclico! Ódio fundamento, sem perdão!

Fora! Fu! Fora o bom burguês!…

ANDRADE, Mário de. Poesias completas. São Paulo: Martins, 1955. p. 44-45.

a)

(A) Eufemismo: o uso de expressões como “burguês-níquel” reforça a associação direta entre o burguês e a busca desenfreada por riquezas materiais.

b)

(B) Paradoxo: a expressão “burguês-funesto” cria um contraste entre a ideia tradicional de prosperidade associada à burguesia e a visão negativa do poeta.

c)

(C) Anáfora: a repetição da palavra —dio intensifica a carga emocional do poema, desta- cando a aversão do autor à burguesia.

d)

(D) Sinestesia: a combinação de elementos sensoriais, como em “gelatina pasma”, cria uma atmosfera surreal, que enfatiza a estranheza do comportamento burguês.

6.

Leia o trecho a seguir para responder às questões 8 e 9.

Fogo-foguinho

Meu amô vive nos ares (seu bem) Meu amô vive nos ares (seu bem) Tal e qual um passarinho

Voa aqui, voa acolá!

Voa aqui, voa acolá! (seu bem) (tris)

Vai andando o seu caminho Acendendo o fogo, fogo-foguinho Vai andando o seu caminho

Acendendo o fogo, fogo-foguinho (tris)


Meu amô nasce das flores (seu bem) Meu amô nasce das flores (seu bem) Em figura de um taminho!

Cheira aqui, cheira acolá!

Cheira aqui, cheira acolá! (seu bem) (tris)

GONZAGA, Chiquinha. Fogo-foguinho, 1919. (Letra de música). Disponível em: http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/ws000021.pdf.

Acesso em: 6 dez. 2023.

Na canção, pode-se observar a repetição intencional de

a)

(A) expressões que contribuem para a cadência e o ritmo da canção.

b)

(B) sílabas que remetem à sonoridade da palavra fogo, que está no título da canção.

c)

(C) vogais que remetem à sonoridade do canto de um passarinho, metáfora utilizada na canção.

d)

(D) marcas temporais que remetem à história da época retratada pela canção.

7.

Releia a seguinte estrofe:

Cheira aqui, cheira acolá!

Cheira aqui, cheira acolá! (seu bem) tris

Nessa estrofe, há duas figuras de som predominantes. Quais são elas?

a)

(A) Assonância e aliteração.

b)

(B) Assonância e onomatopeia.

c)

(C) Paronomásia e aliteração.

d)

(D) Onomatopeia e paronomásia.

8.

O gênero diário pessoal é uma forma de expressão subjetiva que se destaca por sua na- tureza introspectiva e autorreflexiva. Os diários frequentemente oferecem insights pro- fundos sobre a vida do autor, bem como seus pensamentos, sentimentos e experiências. Ao escrever um diário, os autores exploram temas variados e fazem uso de elementos composicionais específicos para transmitir suas narrativas pessoais.

Considerando essas características, quais dos elementos a seguir são partes essenciais da composição de um diário?

a)

(A) Enredo complexo e intrincado.

b)

(B) Personagens fictícios e diálogos elaborados.

c)

(C) Reflexões pessoais, emoções e experiências do autor.

d)

(D) Conflito central que impulsiona a narrativa.

9.

Leia, a seguir, o trecho de um texto sobre o moderno livro de artista para responder às questões 11 e 12.

[...]

Como já observado, o desenvolvimento do moderno livro de artista não é um fenômeno isolado, que desconsidere seus vínculos sociais. Ao contrário, está consciente da existência de uma rede de eventos editoriais que, desde o fim da Segunda Guerra, tem-se colocado em paralelo à indústria cultural. A narra- tiva audiovisual, por sua abrangência, despertou um interesse que é comum a diversos campos da informação e da expressão. Esse fenômeno também é verificado pelas novas posturas dos pesquisadores em história, no que diz res- peito à coleta iconográfica. No interesse de esquadrinhar relações antes pouco estudadas, minoria após minoria está ganhando seus livros exclusivos. Peque- nas histórias narradas a partir do cotidiano se impõem à tradicional história universal. São as histórias das tribos, dos grupos, do sujeito, em um enfoque adaptado a nossa época de visualidade extrema: a história das mentalidades, apoiada na iconografia. [...]

[...]

SILVEIRA, Paulo. A página violada: da ternura à injúria na construção do livro de artista. 2. ed. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2008. E-book. p. 90. Disponível em: https://static.scielo.org/ scielobooks/2pwn4/pdf/silveira-9788538603900.pdf. Acesso em: 24 nov. 2023.

De acordo com o texto, o desenvolvimento do moderno livro de artista

a)

(A) é um fenômeno isolado e desconsidera vínculos sociais.

b)

(B) está relacionado à indústria cultural e ao crescimento da narrativa audiovisual.

c)

(C) ignora a história universal e concentra-se apenas na história das tribos.

d)

(D) é exclusivamente um campo de interesse dos pesquisadores em história.

10.

Sobre o efeito da narrativa audiovisual mencionada no texto, é correto afirmar que ela

a)

(A) diminui o interesse em pesquisas históricas.

b)

(B) reforça a importância da história universal.

c)

(C) desperta interesse nos campos da informação e da expressão.

d)

(D) se distancia da pesquisa iconográfica.

11.

Leia os trechos a seguir.

27 de outubro

Todos calculam – eu o sinto – o grau da intensidade do luto. Mas é impossível (sinais irrisórios, contraditórios) medir quanto alguém está atingido.

[...]

29 de outubro

Ideia – assombrosa, mas não desoladora – de que ela não foi “tudo” para mim. Senão, eu não teria escrito uma obra. Desde que eu cuidava dela, há seis meses, efetivamente ela era “tudo” para mim, e esqueci completamente que havia escrito. Eu estava perdidamente por conta dela. Antes, ela se fazia transparente para que eu pudesse escrever.

29 de outubro

Tomando estas notas, confio-me à banalidade que há em mim. [...]

30 de outubro

... que essa morte não me destrua completamente, isso significa que decidida- mente desejo viver perdidamente, até a loucura, e que, portanto, o medo de mi- nha própria morte continua aqui, não foi deslocado nem uma polegada.

[...]

31 de outubro

Segunda-feira 15 h – Pela primeira vez, voltei sozinho ao apartamento. Como vou poder viver aqui sozinho? E, simultaneamente, a evidência de que não há nenhum lugar alternativo.

31 de outubro

Uma parte de mim vela no desespero; e, simultaneamente, outra se agita arruman- do mentalmente os mais fúteis de meus assuntos. Experimento isso como uma doença.

[...]

BARTHES, Roland. Diário de luto. Tradução de Leyla Perrone-Moisés. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2011.

p. 10, 16, 17, 21, 24 e 25.

Em relação ao texto, é possível afirmar que o autor escreveu um(a)

a)

(A) diário para relatar detalhes, dia a dia, da morte de uma pessoa querida.

b)

(B) carta para comunicar a morte de uma pessoa querida.

c)

(C) diário para relatar seus sentimentos e reflexões acerca da morte de uma pessoa

querida.

d)

(D) texto ficcional para tratar do luto.

12.

(UFJF-MG)

Leia o texto a seguir para responder ˆ quest‹o [...].

Texto I

Trechos da palestra apresentada no Congresso da Pós-graduação em Letras da FFP-UERJ, 2005.


A produção de textos acadêmicos

1. A IMPORTÂNCIA DA PESQUISA

Darcilia Simões1 (UERJ)


Levando-se em conta que os cursos de graduação (sobretudo os oferecidos por empresas particulares) têm ficado cada vez mais empobrecidos em função do enxugamento de carga horária que vem ocorrendo sistematicamente por conta dos cortes orçamentários, cresce a importância da pesquisa e da produ- ção acadêmica.

A Internet vem-se mostrando forte aliada na circulação dos produtos da pesqui- sa em todas as áreas do saber humano. Por isso, o desenvolvimento de hábitos de estudo, com ênfase na habilidade de leitura, precisa ser estimulado cada vez mais no sentido de permitir a continuação da pesquisa para além dos muros das uni- versidades e faculdades, assim como preparar profissionais capazes de aprimo- rarem seus conhecimentos, manterem-se atualizados sem que, necessariamente, estejam participando de um curso regular.

É a pesquisa que garante a descoberta de novas modalidades de bens e serviços que podem aumentar o conforto do ser humano e melhorar-lhe a qualidade de vida. Por intermédio da pesquisa, professores e alunos podem avançar em seus conhecimentos, e a escola pode recuperar seu estatuto perdido em decorrência do sucateamento de recursos humanos e materiais nela envolvidos.

É também a pesquisa que fornece dados para o aprimoramento da legislação da construção de um Estado mais adequado ao modelo de vida almejado pelo povo.

No entanto, é também a “pesquisa” (mal feita, sem qualidade) que tem favoreci- do a distribuição de títulos e diplomas para profissionais completamente despre- parados para o exercício de suas profissões. Então a pesquisa se torna um mal a combater. No entanto, o combate tem de atacar não o objeto — a pesquisa — mas os processos e seus agentes. Uma das formas possíveis de gerenciar a existência de uma pesquisa eficiente e produtiva é preparar leitores competentes, engajados na busca de melhores condições de vida, por conseguinte, cônscios da responsa- bilidade que envolve o pesquisador.

Iniciamos, ressaltando a importância da pesquisa na vida humana.

Pesquisar [De pesquisa + -ar2.] significa, segundo os dicionários:

V.t.d. 1. Buscar com diligência; inquirir, perquirir; investigar: 2. Informar-se a res- peito de; indagar, esquadrinhar, devassar:

V. int. 3. Fazer pesquisas: & [Aurélio, s.u.]

verbo – transitivo direto e intransitivo – 1) procurar com aplicação, com diligência; transitivo direto; 2) tomar informações a respeito de [Houaiss, s.u.]

Observe-se que um e outro dicionários utilizam a expressão com diligência (cf. com cuidado ativo; com zelo, com aplicação) como atributo circunstancial da ação de pesquisar. Logo, é mister enfatizar que pesquisar é ação deliberada resultante do desejo de conhecer mais sobre algo; é decorrente da curiosidade. Cumpre, então,


refletir sobre a importância do saber, da informação, para o desenvolvimento do homem e da sociedade.

[...]

3. A PREPARAÇÃO DA MONOGRAFIA

Um dos maiores dilemas que se atravessa no curso universitário é a produção de textos técnico-científicos. Resguardadas as diferenças, sejam de base teórica se- jam de natureza prática, pede-se ao estudante que produza um fichamento, resumo, resenha, relato de pesquisa, etc., até se chegar às monografias (fase preparatória para a posterior produção de uma dissertação de mestrado ou de uma tese de doutorado).

A produção do texto técnico-científico requer domínio específico do tema e co- nhecimento, no mínimo, satisfatório da língua instrumental em que será produzi- do. Isso porque a clareza do texto é condição de sua validação.

A tomada de notas que acompanha ou sucede a pesquisa bibliográfica precisa cor- responder a apontamentos, para que o conteúdo possa ser reutilizado adiante sem maiores perdas de tempo ou dispêndio de muito esforço.

Há modalidades básicas de tomadas de notas que, quando bem feitas, agilizam o trabalho monográfico. Fichamento, resumo e resenha são modos de tomar notas que se vão constituir em eficazes ferramentas para o desenvolvimento das pesquisas presentes e futuras.

[...]

1 A autora é Doutora em Letras Vernáculas (Língua Portuguesa, UFRJ, 1994), Professora adjunta do Setor de Língua Portuguesa da UERJ (Instituto de Letras – Depto LIPO), Coordª do Curso de Especialização em Língua Portuguesa e 1ª Líder do GrPesq (CNPq) Semiótica, Leitura e Produção de Textos.

Disponível em: https://aedi.ufpa.br/parfor/letras/images/documentos/ativ2_2014/abaetetuba/abaetetuba2013/ minicurso%20leituraproduo%20_prof.%20paulo%20bruno.pdf. Acesso em: 30 ago. 2022.

Texto adaptado para fins didáticos.

Depreende-se do texto que

a)

(A) a internet contribui para a proliferação de pesquisas acadêmicas superficiais, resultado

da diminuição de carga horária dos cursos universitários.

b)

(B) a pesquisa acadêmica responsável acarreta descobertas em diversas áreas e propicia a divulgação do conhecimento necessário ao avanço da sociedade.

c)

(C) as tomadas de notas devem ocorrer antes do desenvolvimento da pesquisa, sendo a última etapa da produção de uma monografia a pesquisa bibliográfica.

d)

(D) o ato de pesquisar deve ser combatido, uma vez que há grande número de pesquisas ruins no meio acadêmico, devido à falta de leitores proficientes.

13.

(Unisinos-RS)

Armas demais*

1 A disparada da taxa de homicídios em Porto Alegre não deixa dúvida

2  de que o descontrole da posse e do porte de armas é um dos fatores

3 preponderantes nas tragédias urbanas. Repete-se sempre em momentos

4  como este o argumento de que não são as armas que matam, mas as

5  pessoas  que  as  manipulam  −  essas  pessoas,  porém,  têm  suas  ações

6  facilitadas  pelo  porte  legal  ou  ilegal  desses  equipamentos.  É  evidente

7  que o setor de segurança tem falhado, em todo o Brasil, em relação ao

8  cumprimento das restrições para que alguém seja proprietário de uma

9  arma de fogo e, mais ainda, que possa portá-la sem constrangimentos.

10 Falham também as leis e a Justiça, quando pessoas armadas, flagradas nas

11 ruas, não se submetem a punições mais drásticas e voltam a desafiar as

12 autoridades e a atormentar as comunidades. Constata-se que essa é uma

13 realidade nacional, a partir das estatísticas da violência. É assustador que,

14 a cada meia hora, uma pessoa seja assassinada nas capitais brasileiras,

15 que concentram os piores índices de criminalidade. E não há mais dúvida

16 de que as vítimas não são apenas delinquentes eliminados por outros

17 marginais, o que já seria uma barbárie, mas também pessoas comuns,

18 muitas das quais atingidas por balas perdidas.

19 O debate sobre a desproteção da sociedade faz com que ressurja a hipótese

20 de assegurar o amplo direito de defesa de todos pelo acesso a armamentos.

21 A solução, no entanto, certamente está muito mais em aprimorar as

22 políticas e as ações de segurança e exercer controle rigoroso sobre o

23 uso ilegal e banalizado de armas, com repressão e punição, do que em

24 transmitir ao cidadão a sensação controversa de que sua defesa depende

25 do arsenal particular que tiver em casa.

*Texto publicado no jornal Zero Hora, em 01 out. 2015. Disponível em http://zh.clicrbs.com.br/rs/ noticias/ opiniao/noticia/2015/10/armas-demais-4859707.html. Acesso em 01 out. 2015. Adaptação.

Analise as seguintes afirmações relativas ao emprego de alguns recursos linguísticos no texto.

I. A conjunção “porém” (linha 5) é empregada numa afirmação que tem força argu- mentativa maior do que a afirmação que precede o travessão da linha 5.

II. Com o emprego do adjetivo “evidente” (linha 6) e do advérbio “certamente” (li- nha 21), o editorialista engaja-se fortemente em seu discurso, fazendo afirmações categóricas.

III. A oração “que concentram os piores índices de criminalidade” (linha 15) é separada por vírgula da oração anterior, porque restringe o referente “(n)as capitais brasilei- ras” (linha 14).

Sobre as proposições, pode-se afirmar que

a)

(A) apenas I está correta

b)

(B) apenas II está correta.

c)

(C) apenas III está correta.

d)

(D) apenas I e II estão corretas.

14.

Texto para as questão 17.

A carreira do crime

Estudo feito por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz sobre adolescentes recrutados pelo tráfico de drogas nas favelas cariocas expõe as bases sociais des- sas quadrilhas, contribuindo para explicar as dificuldades que o Estado enfrenta no combate ao crime organizado.

O tráfico oferece aos jovens de escolaridade precária (nenhum dos entrevista- dos havia completado o ensino fundamental) um plano de carreira bem estrutu- rado, com salários que variam de R$ 400,00 a R$ 12.000 mensais. Para uma base de comparação, convém notar que, segundo dados do IBGE de 2001, 59% da popu- lação brasileira com mais de dez anos que declara ter uma atividade remunerada ganha, no máximo, o ‘piso salarial’ oferecido pelo crime. Dos traficantes ouvidos pela pesquisa, 25% recebiam mais de R$ 2.000 mensais; já na população brasileira essa taxa não ultrapassa 6%.

Tais rendimentos mostram que as políticas sociais compensatórias, como o Bolsa-Escola (que paga R$ 15 mensais por aluno matriculado), são por si só inca- pazes de impedir que o narcotráfico continue aliciando crianças provenientes de estratos de baixa renda: tais políticas aliviam um pouco o orçamento familiar e incentivam os pais a manterem os filhos estudando, o que de modo algum impos- sibilita a opção pela delinquência. No mesmo sentido, os programas voltados aos jovens vulneráveis ao crime organizado (circo-escola, oficinas de cultura, escoli- nhas de futebol) são importantes, mas não resolvem o problema.

A única maneira de reduzir a atração exercida pelo tráfico é a repressão, que aumenta os riscos para os que escolhem esse caminho. Os rendimentos pagos aos adolescentes provam isso: eles são elevados precisamente porque a possibilidade de ser preso não é desprezível. É preciso que o Executivo federal e os estaduais desmontem as organizações paralelas erguidas pelas quadrilhas, para que a cer- teza de punição elimine o fascínio dos salários do crime.

Editorial. Folha de S. Paulo, 15 jan. 2003.

(Enem) Com base nos argumentos do autor, o texto aponta para

a)

(A) uma denúncia de quadrilhas que se organizam em torno do narcotráfico.

b)

(B) a constatação de que o narcotráfico restringe-se aos centros urbanos.

c)

(C) a informação de que as políticas sociais compensatórias eliminarão a atividade cri- minosa a longo prazo.

d)

(D) o convencimento do leitor de que para haver a superação do problema do narcotráfico

é preciso aumentar a ação policial.

15.

Esqueça os 10 mil passos por dia: para o coração, basta caminhar bem menos

Tudo bem que aquela meta de 10 mil passos por dia para ser saudável não sur- giu de um estudo feito como manda o figurino da ciência: foi apenas a sacada de marketing de empresários japoneses para propagandear o primeiro pedômetro de que se tem notícia, aquele velho contador de passos, aproveitando o clima dos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 1964. Mas os “10 mil” colaram. Viraram um número mágico.

Justamente porque todo mundo encasquetou com ele, vira e volta aparece um trabalho para checar se é isso mesmo, se precisamos andar tanto ou se devería- mos caminhar ainda mais. E, de uns tempos para cá, de vez em quando grupos de pesquisadores juntam alguns desses estudos para comparar seus resultados, fazendo a tal da metanálise.

Nessa ideia fixa de tentar cravar quantos passos deveríamos dar diariamente para afastar problemas de saúde, os tais 10 mil já viraram 8 mil. Depois, 6 mil. Ainda neste ano, um pessoal da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, falou em 4 mil e... Bem, agora, equipes de dez universidades de cinco países — Holan- da, Espanha, Finlândia, Estados Unidos e Inglaterra — garantem que, se você der

2.517 passinhos, já terá reduzido significativamente o risco de morrer por todas as causas. E, caso se anime a caminhar uns 200 passos a mais — precisamente, se der 2.735 boas passadas — já estará conquistando benefícios para o coração.

[...]

O estudo que baixou (ainda mais) a meta

Os cientistas que assinam esse artigo recente compararam o que diziam 12 es- tudos sobre a quantidade ideal de passos por dia. Juntos, eles somavam mais de 111 mil participantes.

Além de chegarem àquelas 2,5 mil a 2,7 mil passadas diárias, que seriam o míni- mo para alguém diminuir o risco de morrer e ter problemas cardiovasculares, eles também buscaram saber qual seria o “número ótimo”, isto é, o número que traria o melhor resultado, mas a partir do qual já não se veria tanta diferença entre con- tinuar caminhando ou parar. A conclusão foi de que, para evitar morte por todas as causas, o maior benefício é alcançado quando a pessoa dá 8.763 passos. Já para prevenir doença cardiovascular seriam 7.126.

[...]


O ritmo, sim, importa

A análise conclui, no entanto, que a cadência das passadas é um detalhe impor- tante. “Ela é um fator independente, por assim dizer, ao se analisar a diminuição de riscos para saúde”, destaca o doutor Eduardo Lima.

Em bom português: é claro que é bom bater a meta de 2,5 mil passos ao longo do dia, andando até a sala ao lado no escritório, indo à cozinha para pegar um copo de água e fazendo compras no shopping, por exemplo. Mas, para a saúde, parece ser muito melhor quando você dá 2,5 mil passos intencionalmente, no mesmo ritmo, querendo se exercitar e acelerando.

[...]

OLIVEIRA, Lúcia Helena de. Esqueça os 10 mil passos por dia: para o coração, basta caminhar bem menos.

VivaBem UOL, [S. l.], 2 nov. 2023. Disponível em: https://www.uol.com.br/vivabem/colunas/ lucia-helena/2023/11/02/esqueca-os-10-mil-passos-por-dia-para-o-coracao-basta-caminhar-bem-menos.htm.

Acesso em: 10 nov. 2023.

Que característica sugere que o texto é voltado para a divulgação de fatos científicos?

a)

(A) A apresentação de fatos provenientes de estudos científicos em linguagem próxima à

do leitor leigo.

b)

(B) O uso de terminologia técnica e especializada para descrever os resultados dos ex- perimentos.

c)

(C) A ênfase na origem da recomendação dos 10 mil passos como uma estratégia de marketing.

d)

(D) A falta de referências a universidades e pesquisadores específicos, o que torna a in- formação mais acessível.

16.

Segundo o texto, qual é o principal argumento utilizado para questionar a meta tradicio- nal de 10 mil passos por dia?

a)

(A) A referência a 12 estudos recentes, que envolveram mais de 111 mil participantes e sugerem que o número seria de 8 763 passos.

b)

(B) A afirmação de que a ideia de dar 10 mil passos para garantir saúde fosse uma estra- tégia de marketing.

c)

(C) A informação de que a cadência das passadas é um detalhe importante e de que é

mais benéfico atingir 10 mil passos para obter resultados significativos na saúde.

d)

(D) A evolução das pesquisas e do próprio ser humano, que desenvolve novas necessidades e, consequentemente, diminui a necessidade de 10 mil passadas.

17.

Qual das alternativas a seguir apresenta indícios sobre a confiabilidade do texto apre- sentado?

a)

(A) Indicação de dados provenientes de estudos conduzidos por universidades renomadas, citações diretas de especialistas e veiculação em site confiável.

b)

(B) Uso de termos técnicos e jargões científicos, sem explicá-los, o que indica uma linguagem especializada.

c)

(C) Uso de termos técnicos e jargões científicos, sem explicá-los, o que indica uma lin- guagem especializada.

d)

(D) Destaque da mudança ao longo do tempo na recomendação de passos diários, o que

indica uma abordagem crítica e reflexiva.

18.

Na produção textual, qual dos seguintes cuidados são fundamentais ao lidar com o tratamento da informação em gêneros de divulgação científica?

a)

(A) Modalizar os resultados para tornar o conteúdo mais impactante.

b)

(B) Utilizar linguagem técnica complexa para impressionar o público.

c)

(C) Ocultar as fontes e referências utilizadas no texto.

d)

(D) Garantir a precisão e a veracidade das informações apresentadas.

19.

No segundo e no terceiro parágrafo do texto, é usada a 1ª pessoa do plural. Isso difere esses parágrafos do restante do texto, em que se usa a 3ª pessoa do singular, o que é mais condizente com os gêneros de divulgação científica e jornalísticos em geral.

Essa característica do texto é resultado de

a)

(A) uma necessidade de aproximar o tema do interlocutor e potencial leitor do texto.

b)

(B) um erro de escrita do autor, que não deve conhecer as especificidades do gênero

textual.

c)

(C) um erro de revisão do texto, que pode não ter relação com o autor do texto.

d)

(D) uma necessidade de aproximar o tema do autor do texto, para que ele não fique

isolado.

20.

Leia o trecho do editorial para responder à questão a seguir.

Editorial: Globo repudia ataque a jornalistas, cobra punição e atribui violência à retórica de Bolsonaro contra a imprensa

Por g1

A Globo condena de forma veemente a agressão ao seu correspondente Leo- nardo Monteiro e a outros colegas em Roma e exige uma apuração completa de responsabilidades. [...]

G1. Editorial: Globo repudia ataque a jornalistas, cobra punição e atribui violência à retórica de Bolsonaro contra a imprensa. Disponível em: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2021/10/31/editorial-globo-repudia- ataque-a-jornalistas-cobra-punicao-e-atribui-violencia-a-retorica-de-bolsonaro-contra-a-imprensa.ghtml.

Acesso em: 28 nov. 2024.

O editoral é um gênero jornalístico que expressa o ponto de vista do veículo de mídia.

Isso é caracterizado no trecho, porque

a)

(A) o título é um resumo do texto.

b)

(B) o Globo coloca-se diretamente como produtor do texto.

c)

(C) um jornalista ou repórter assina o texto.

d)

(D) não há apresentação de dados numéricos no título.