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Revolta da Vacina.

Revolta da Vacina.

Assessment

Presentation

History

2nd Grade

Practice Problem

Hard

Created by

CAMILA AQUINO

FREE Resource

20 Slides • 4 Questions

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2aSÉRIE

Aula 16 – 3º bimestre

História

Etapa Ensino Médio

“A capital insalubre”:
higienismo e Revolta
da Vacina

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Open Ended

Você tem carteira de Vacina?

3

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Para começar

“O Brasil voltou em 2019 a ter casos de sarampo [...]. Antes desse
ressurgimento, o país havia passado quase duas décadas registrando alguns
poucos casos importados da doença. O medo das vacinas não é novo no
Brasil. É até mais antigo do que a célebre Revolta da Vacina, de 1904. O
país viveu um drama sanitário do mesmo tipo no decorrer do século XIX. A
doença em questão era a varíola — hoje erradicada do mundo. Apesar de os
governos de dom João VI, dom Pedro I e dom Pedro II terem oferecido a
vacina gratuitamente aos súditos, muitos fugiam dos vacinadores, o que
contribuía

para

que

as

epidemias

de

varíola

fossem

recorrentes

e

devastadoras.” (AGÊNCIA SENADO, 2019).

Fake news sempre estiveram presentes e

rodearam as campanhas de vacinação ao longo

da história, inclusive na época do Império!

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Para começar

Charge inglesa antivacina de 1861 que mostra pessoas “desenvolvendo”
características de vaca após imunização. Desenho de James Gillray/Anti-

Vaccine Society Print. The British Museum.

O art. 14 do Estatuto da Criança e do

Adolescente (ECA) afirma: § 1º É
obrigatória a vacinação das crianças nos
casos recomendados pelas autoridades
sanitárias. Qual a sua opinião sobre
movimentos antivacina?

No contexto da pandemia de covid-19,

qual foi o seu posicionamento acerca das
vacinas? Por que você pensa dessa
maneira?

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Open Ended

Quais memórias você, guarda da Pandemia?

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Foco no conteúdo

Revolta da Vacina
“No início do século XX, a cidade do Rio de Janeiro,
capital da República, apesar de possuir belos palacetes
e casarões, tinha graves problemas urbanos: rede
insuficiente de água e esgoto, coleta precária de lixo e
cortiços superpovoados. Nesse ambiente proliferavam
muitas doenças, como a tuberculose, o sarampo, o
tifo, a hanseníase. Sobretudo alastravam-se as
grandes epidemias de febre amarela, varíola e peste
bubônica. Decidido a sanear e modernizar a cidade, o
presidente Rodrigues Alves (1902-1906) deu plenos
poderes ao prefeito Pereira Passos e ao médico
Oswaldo Cruz para executarem um grande projeto
sanitário”. (DOMINGUES, 2009).

“As Epidemias”,

Revista da Semana,
1904. Caricatura de

Oswaldo Cruz.

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Foco no conteúdo

“O prefeito pôs em prática uma ampla
reforma urbana, que ficou conhecida
como “bota-abaixo”, devido às demolições
de velhos prédios e cortiços, que deram
lugar a grandes avenidas, edifícios novos
e jardins. Milhares de pessoas pobres
foram desalojadas à força e viram-se
obrigadas a ir morar nos morros e na
periferia”. (DOMINGUES, 2009).

Caricatura de Oswaldo Cruz. No alto se lê: “Uma limpeza indispensável. A
Hygiene vai limpar o Morro da Favella, ao lado da Estrada de Ferro Central.

Para isso intimou os moradores a se mudarem em dez dias”.

Revista O Malho, nº 247, de 08 de junho de 1907, p. 20.

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Open Ended

Principal personagem da Revolta da Vacina?

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Open Ended

Pesquise uma charge referente a Revolta da Vacina?

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Foco no conteúdo

“Oswaldo Cruz, diretor da Saúde Pública,
criou as Brigadas Mata-Mosquitos, grupos de
funcionários do Serviço Sanitário que
invadiam as casas para desinfecção e
extermínio dos mosquitos transmissores da
febre amarela.
Iniciou também uma campanha de extermínio
de ratos, transmissores da peste bubônica,
espalhando raticida pela cidade e mandando
o povo recolher o lixo. Para erradicar a
varíola, Oswaldo Cruz convenceu o Congresso
a aprovar a Lei da Vacina Obrigatória (Nº
1.261), em outubro de 1904”. (DOMINGUES,
2009).

O carro alegórico da vacina
obrigatória. Caricatura de
Oswaldo Cruz. Revista O

Malho, 1º de out. de 1904.

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Foco no conteúdo

O “Luiz XIV da seringação”. Oswaldo

Cruz tinha como cetro a vassoura

utilizada como instrumento de limpeza
pelas Brigadas Sanitárias e, no lugar
da espada, a seringa da vacinação.

Além disso, a famosa frase do “Rei sol”

francês, “O Estado sou eu” foi

substituída por “Essa bagunça sou eu”.

Revista O Malho, 19 de março de

1904.

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O Barata: - Senhores, é fácil comprehender o germen
variolico

de

infiltração

morbigena

é

um

tóxico

hyperphiante e anesthesico nas incisões musculares e
intra-hypodermicas…
O Lauro: - Apoiado, collega! Para viver ás claras é
preciso que o povo não gema!”

“Jornais e políticos lançaram uma campanha contra a medida, incitando a
desobediência à lei, que eles classificavam como despótica e ameaçadora,
já que estranhos tocariam nas pessoas no caso da vacinação, além de
entrarem nas casas para desinfecção. Além disso, a vacina, que consistia
no líquido de pústulas de vacas doentes, era rejeitada pelas camadas
populares – havia um boato de que os vacinados adquiriam feições
bovinas…” (Agência Senado).

Charge retrata os senadores Barata Ribeiro e Lauro

Sodré, inimigos da vacinação obrigatória.

Revista O Malho, 1904. Biblioteca Nacional Digital.

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Charge mostra deputado Barbosa

Lima, contrário à vacinação

obrigatória.

Revista O Malho, 1904. Biblioteca

Nacional Digital.

“A maioria dos senadores ficou indignada com a resistência desses poucos
colegas ao projeto de lei. A imunização contra a varíola era feita no Brasil
havia exatamente cem anos, desde a época de D. João VI. Nos tempos da
Colônia, para os parlamentares, até fazia sentido questionar sua eficácia e
segurança, mas não em plena República. Como a adesão à vacina não era
expressiva, as epidemias arrasavam as cidades do Brasil de tempos em
tempos, deixando um rastro de sequelados (indivíduos cegos ou com o
rosto deformado pelas cicatrizes da doença) e mortos”. (Agência Senado).

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FONTE 1. As campanhas de Oswaldo Cruz e a vacina obrigatória

“Em

junho

de

1904,

foi

submetido

ao

Congresso

o

projeto

de

Lei

reinstaurando a obrigatoriedade da vacinação e revacinação contra a
varíola em todo o território da República, com cláusulas rigorosas que
incluíam multas aos refratários e a exigência de atestado para matrículas
em

escolas,

acesso

a

empregos

públicos,

casamentos,

viagens

etc.

Recrudesceu, então, a oposição ao governo, tendo como alvos o ‘General
Mata-mosquitos’ e o ‘Bota-abaixo’. Os debates exaltados no Congresso
foram acompanhados por intensa agitação extraparlamentar promovida
pelo

Apostolado

Positivista,

por

oficiais

descontentes

do

Exército,

monarquistas e líderes operários.
[...] A lei da vacina obrigatória foi aprovada em 31 de outubro de 1904.
Quando os jornais publicaram, em 9 de novembro, o esboço do decreto
que ia regulamentar o ‘Código de Torturas’, a cidade foi paralisada pela
Revolta da Vacina por mais de uma semana”. (BENCHIMOL, 2013).

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FONTE 2. As ações sanitárias e a população
“Oswaldo Cruz criou as Brigadas Mata-Mosquitos, grupos de funcionários
do Serviço Sanitário que, acompanhados de policiais, invadiam as casas –
e tinham até mesmo autoridade para mandar derrubá-las nos casos em
que as considerassem uma ameaça à saúde pública – para desinfecção e
extermínio dos mosquitos transmissores da febre amarela. Para acabar
com os ratos, transmissores da peste bubônica, mandou espalhar raticida
pela cidade e tornou obrigatório o recolhimento do lixo pela população. E,
finalmente, para erradicar a varíola, lançou a vacinação obrigatória.
Os moradores da cidade, principalmente aqueles dos bairros mais pobres,
estavam revoltados com a perda de suas casas, a truculência dos mata-
mosquitos e assustados com as notícias divulgadas pelos jornais de
oposição sobre os supostos perigos da vacinação.
Os alvos eram o prefeito, o ‘bota-abaixo’ e Oswaldo Cruz, o ‘general
mata-mosquitos’. O projeto de regulamento da vacina obrigatória, por sua
vez, foi apelidado ‘código de torturas’”. (SECS, 2006).

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Na prática

Houve um momento em que Oswaldo Cruz foi apontado como
“inimigo do povo” em discursos proferidos no parlamento da
então capital federal, o Rio de Janeiro. Reflexo das ruas, de uma
população receosa com as medidas sanitárias adotadas pelo
então

diretor

de

saúde

pública,

nomeado

pelo

presidente

Rodrigues

Alves.

As

críticas

a

Oswaldo

e

suas

iniciativas

pularam

das

ruas

e

dos

debates

políticos

para

os

jornais,

atingindo tom jocoso e irônico não apenas em caricaturas. O
mesmo ocorreu no universo da música: gerou modinhas de
Carnaval e é material até hoje conhecido do público.

Continuação…

Correção

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Foco no conteúdo

O estopim da revolta
“A

campanha

de

combate

à

varíola

resultou,

em

novembro de 1904, em uma revolta popular e militar,
a Revolta da Vacina ou Quebra-Lampiões. A população
estava aturdida e descontente: a cidade parecia em
ruínas, muitos perderam suas casas e outros tantos
tiveram seus lares invadidos pelos mata-mosquitos,
que agiam acompanhados por policiais. Os jornais da
oposição criticavam a ação do governo e falavam de
supostos perigos causados pela vacina. A aprovação
da

lei

acabou

sendo

o

estopim

da

revolta”.

(DOMINGUES, 2009).

Charge mostra resistência popular à vacina obrigatória.

Revista O Malho, 1904. Biblioteca Nacional Digital.

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Foco no conteúdo

“Entre os dias 10 e 16 de novembro, a cidade
virou um campo de guerra. A população
exaltada depredou lojas, virou e incendiou
bondes, arrancou trilhos, quebrou postes e
atacou as tropas da polícia com pedras, paus
e pedaços de ferro. A reação popular levou o
governo a suspender a obrigatoriedade da
vacina e a decretar estado de sítio em
16/11/1904. Centenas de pessoas foram
presas e muitas deportadas para o Acre. A
rebelião foi contida, deixando trinta mortos e
110 feridos”.(DOMINGUES, 2009).

Bonde tombado pelos manifestantes da Revolta da Vacina.

Manifestantes da Revolta da Vacina detidos pela autoridades no Rio

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Na prática

Leia as fontes nos slides a seguir e, em dupla,

discuta coletivamente! Registre suas reflexões.

A

Revolta

da

Vacina

foi

uma

manifestação

de

uma

população

desinformada

e

alienada

ou

havia

por trás da resistência às medidas
higienistas uma desautorização em
relação à Primeira República e suas
políticas autoritárias e excludentes?

Analise.

https://www.youtube.com/watch?v=kEIFyVxpRSQ&t=63s

FONTE 1. Uma

história pela metade

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Na prática

FONTE 2. A gota d’água

“— A Revolta da Vacina resultou de um confluência de causas,
especialmente de cunho social. A escravidão havia sido abolida
apenas 16 anos antes, mas a população pobre, incluindo os ex-
escravos, não era tratada como cidadãos plenos pelo governo. Essa
parte da sociedade era ignorada nos seus pedidos de trabalho,
moradia, direitos sociais, menos repressão. O nome do revolta,
aliás, poderia nem fazer referência à vacina, mas a qualquer um
desses outros motivos. A vacinação obrigatória, com pena de multa
e prisão, foi apenas um dos fatores que se somaram e fizeram
explodir a insatisfação geral”. (Tania Maria Fernandes, Agência
Senado).

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Aplicando

Charge da capa da
revista O Malho, de

1904.

(ENEM 2011)

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FONTE 3. Cidadãos ativos: a revolta da vacina
“A fragmentação social tinha como contrapartida política a alienação quase
completa da população em relação ao sistema político que não lhe abria
espaços.

Havia,

no

entanto,

uma

espécie

de

pacto

informal,

de

entendimento implícito, sobre o que constituía legítima interferência do
governo na vida das pessoas. Quando parecia à população que os limites
tinham sido ultrapassados, ela reagia por conta própria, por via de ação
direta. Os limites podiam ser ultrapassados seja, no domínio material, como
nos casos de criação ou aumento de impostos, seja no domínio dos valores
coletivos. A Revolta da Vacina permanece como exemplo quase único na
história do país de movimento popular de êxito baseado na defesa do direito
dos cidadãos de não serem arbitrariamente tratados pelo governo. Mesmo
que a vitória não tenha sido traduzida em mudanças políticas imediatas além
da interrupção da vacinação, ela certamente deixou entre os que dela
participaram um sentimento profundo de orgulho e de autoestima, passo
importante na formação da cidadania.” (CARVALHO, 1987).

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Na prática

Correção

As fontes problematizam as manifestações populares que
culminaram na Revolta da Vacina para além dos argumentos e
das interpretações acerca da falta de informação, dos códigos
morais distintos e de direitos individuais (aos já sem direitos!). A
análise trazida pelos historiadores nas diferentes fontes indica
um problema ainda mais complexo, relacionado à completa
ausência de direitos, ou seja, de cidadania, principalmente para
os grupos sociais pobres, como imigrantes, ex-escravizados e
seus descendentes.

A Revolta da Vacina foi uma manifestação de uma população
desinformada e alienada ou havia por trás da resistência às
medidas higienistas uma desautorização em relação à Primeira
República e suas políticas autoritárias e excludentes? Analise.

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Material
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2aSÉRIE

Aula 16 – 3º bimestre

História

Etapa Ensino Médio

“A capital insalubre”:
higienismo e Revolta
da Vacina

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