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Aula -01- A imagem do Brasil na Primeira República

Aula -01- A imagem do Brasil na Primeira República

Assessment

Presentation

History

11th Grade

Medium

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Prof. LUIS ROSA

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22 Slides • 12 Questions

1

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A “imagem” do Brasil na Primeira
República: um retrato da exclusão

História

3obimestre - Aula 01
Ensino Médio

2

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Desigualdade social e racial; grupos
historicamente marginalizados na
Primeira República;


Teorias raciais e branqueamento;
imigração.


Analisar as características da
sociedade da Primeira República,
destacando as desigualdades sociais
do contexto, associadas à questão
racial;


Examinar de forma crítica as teorias
raciais da segunda metade do século
XIX, suas implicações políticas e
sociais;


Fomentar a reflexão crítica sobre os
legados da desigualdade social e
racial, relacionando esses temas aos
desafios contemporâneos das lutas
por igualdade e justiça social.

3

​(EM13CHS606) Analisar as características socioeconômicas da sociedade brasileira – com base na análise de documentos (dados, tabelas, mapas etc.) de diferentes fontes – e propor medidas para enfrentar os problemas identificados e construir uma sociedade mais próspera, justa e inclusiva, que valorize o protagonismo de seus cidadãos e promova o autoconhecimento, a autoestima, a autoconfiança e a empatia.​ (SÃO PAULO, 2020, p. 195)

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Observe os dados do IBGE e responda:
O que podemos dizer sobre a desigualdade social e racial no Brasil?

5 MINUTOS

VIREM E

CONVERSEM

Lembrando: O IBGE
(Instituto Brasileiro de

Geografia e Estatística) usa
preto como classificação de
cor ou raça nas pesquisas

de censo demográfico

desde 1872, conforme Nota
Técnica sobre o “Histórico
da investigação sobre cor

ou raça nas pesquisas
domiciliares do IBGE”.

IBGE, Diretoria de pesquisas, coordenação de população e indicadores sociais.

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Os índices trazidos pelo IBGE são fundamentais para mostrar um país pautado e organizado em
um sistema de desigualdades estruturais, que tem origens históricas em sistemas de opressão
e, principalmente, de injustiça racial.

As desigualdades étnico-raciais apresentadas pelos dados evidenciam a vulnerabilidade
socioeconômica das populações pretas, pardas e indígenas, quando observadas a falta de
acesso equitativo, por exemplo, aos serviços básicos (saúde, educação, moradia, trabalho,
renda etc
.), apesar da implementação de programas de transferência de renda, bem como de
outras políticas públicas.

No Brasil, em 2021, as populações preta e parda representam 9,1% e 47,0% respectivamente,
da população total. Os indicadores que refletem melhores níveis de condições de vida desses
segmentos populacionais estão aquém dessa proporção. As estatísticas revelam a manutenção
da vulnerabilidade socioeconômica
que, notadamente, se refletem no mercado de trabalho, na
distribuição de renda, nas condições de moradia, patrimônio e no acesso à educação e saúde.
Da mesma forma, essa vulnerabilidade aparece nos indicadores relativos à violência, à
representação política e ao cenário político.

Desigualdade social: uma herança da escravidão

8

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Desigualdade social

Um problema crucial de nossa agenda republicana é a manutenção de uma vergonhosa
desigualdade social, herdada do passado, mas produzida e reproduzida no presente. O
fenômeno da desigualdade é tão enraizado entre nós que se apresenta a partir de várias
faces: a desigualdade econômica e de renda, a desigualdade de oportunidades, a
desigualdade racial, a desigualdade regional [...]; o Brasil foi formado a partir da
linguagem da escravidão, que é, por princípio, um sistema desigual no qual alguns
poucos monopolizam renda e poder, enquanto a imensa maioria não tem direito à
remuneração, à liberdade do ir e vir [...]. Mão de obra escrava, divisão latifundiária da
terra [...] e patrimonialismo, em grandes doses, explicam os motivos que fizeram do país
uma realidade desigual. [...] Passados 130 anos da abolição da escravidão e trinta da
promulgação da Constituição de 1988, que previu a distribuição da riqueza por meio da
educação, da saúde e do saneamento, o Brasil continua sendo um país injusto porque é
profundamente desigual.”

SCHWARCZ, 2019.

DIÁLOGO COM HISTORIADORES

9

Multiple Choice

Qual é um dos problemas cruciais da agenda republicana mencionados no texto?

1

A crise ambiental

2

A corrupção política

3

A falta de recursos naturais

4

A desigualdade social

10

Multiple Choice

Qual é a origem da desigualdade social no Brasil, segundo o texto?

1

A urbanização descontrolada

2

A escravidão

3

A imigração europeia

4

A industrialização tardia

11

Multiple Choice

Quantos anos se passaram desde a abolição da escravidão, conforme mencionado no texto?

1

200 anos

2

150 anos

3

130 anos

4

100 anos

12

Multiple Choice

Qual documento previu a distribuição da riqueza por meio da educação, saúde e saneamento?

1

A Constituição de 1988

2

A Lei Áurea

3

O Código Civil

4

O Tratado de Tordesilhas

13

Multiple Choice

Qual é uma das faces da desigualdade mencionadas no texto?

1

Desigualdade de gênero

2

Desigualdade econômica e de renda

3

Desigualdade ambiental

4

Desigualdade tecnológica

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Pela história: um país de futuro branco ou branqueado

Foi só com a proximidade do fim da escravidão e da própria monarquia que a questão
racial passou para a agenda do dia. Até então, como ‘propriedade’, o escravo era por
definição o ‘não cidadão’. No Brasil, é com a entrada das teorias raciais, portanto, que as
desigualdades sociais se transformam em matéria da natureza. Tendo por fundamento
uma ciência positiva e determinista, pretendia-se explicar com objetividade - uma
suposta diferença entre os grupos. A ‘raça’ era introduzida, assim, com base nos dados
da biologia da época e privilegiava a definição dos grupos segundo seu fenótipo*, o que
eliminava a possibilidade de pensar no indivíduo e no próprio exercício da cidadania e do
arbítrio.”

SCHWARCZ, 2012.

* Fenótipo: Característica aparente ou observável de um indivíduo.

DIÁLOGO COM HISTORIADORES

CONTINUA

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Dessa maneira, em vista da promessa de uma igualdade jurídica, a resposta foi a
‘comprovação científica’ da desigualdade biológica entre os homens, ao lado da
manutenção peremptória* do liberalismo, tal como exaltado pela nova República de
1889.
[...] Depois de uma “era de libertações”, da promessa do fim de todas as formas de
cativeiro, o final do XIX trazia agora o ‘embaraço da exclusão’ e o retorno, em bases
renovadas (porque biológicas), de novos modelos de diferenciação social. Se a
igualdade jurídica prometia o final das cisões, essas novas teorias traziam divisões
ainda maiores e mais fortes, pautadas na natureza.”

SCHWARCZ, 2012.

*Peremptória: Que não admite dúvidas ou objeções; decisiva.

DIÁLOGO COM HISTORIADORES

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A redenção de Cam

Em grupos, leia as fontes

historiográficas, observe a
pintura de Modesto Brocos y
Gómez nos slides a seguir e
reflita:

FAÇA AGORA

Assista antes!
Canal da Lili. Ler Imagens.
A redenção de Cam, de
Modesto Brocos.

Canal da Lili. Ler Imagens:
A redenção de Cam (1895).

Disponível em:

https://www.youtube.com/watch?v=v3mtwEoBZJM

Acesso em: 3 maio 2024.

17

media

FONTE 1: Quadro “A Redenção de Cam”
de Modesto Brocos, pintura de 1895

A pintura do artista espanhol Modesto Brocos
y Gómez (1852-1936), aborda as teorias do
racismo científico no fim do século XIX e o
fenômeno da busca pelo
“embranquecimento” gradual das gerações
de uma mesma família por meio da
miscigenação.
*Modesto Brocos y Gómez (1852 —1936)
foi um pintor, desenhista espanhol radicado
no Brasil definitivamente a partir de 1890.

18

19

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20

Multiple Choice

Quem é o autor da obra 'A Redenção de Cam'?

1

Pedro Américo

2

Victor Meirelles

3

Modesto Brocos

4

Almeida Júnior

21

Multiple Choice

Em que ano foi criada a obra 'A Redenção de Cam'?

1

1895

2

1885

3

1905

4

1875

22

Multiple Choice

Qual é o tema principal da obra 'A Redenção de Cam'?

1

A abolição da escravatura

2

A imigração europeia

3

A miscigenação racial

4

A vida rural no Brasil

23

media

FONTE 2: A imigração e o branqueamento

A solução encontrada para lidar com o problema do excesso de sangue negro e da carência
de civilização da população brasileira foi a implantação de uma política de incentivo à
imigração, que objetivava atrair o maior número de indivíduos europeus da raça branca,
que, mediante a mistura com o nacional, daria ensejo à criação de um povo de qualidade
biológica – e, consequentemente, cultural e laborativa – superior. A entrada do imigrante
europeu, portanto, garantiria a ‘correção’ dos componentes étnicos que fundaram o Brasil,
produzindo um ‘tipo’ racial brasileiro mais eugênico*, porque possuidor de maior quantidade
de sangue branco.”

*Eugênico: Que diz respeito à eugenia, processo que pretende “aprimorar” a genética
humana. O termo foi criado pelo cientista inglês Francis Galton, em 1883.

RAMOS, 1996.

24

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FONTE 3: O projeto de imigração republicana, 1890

CAPÍTULO 1

INTRODUCÇÃO DE IMMIGRANTES

Art. 1º É inteiramente livre a entrada, nos portos da Republica, dos individuos válidos e
aptos para o trabalho, que não se acharem sujeitos á acção criminal do seu paiz,
exceptuados os indigenas da Asia, ou da Africa que sómente mediante autorização do
Congresso Nacional poderão ser admittidos de accordo com as condições que forem então
estipuladas.
Art. 2º Os agentes diplomaticos e consulares dos Estados Unidos do Brazil obstarão pelos
meios a seu alcance a vinda dos immigrantes daquelles continentes, communicando
immediatamente ao Governo Federal pelo telegrapho quando não o puderem evitar.
Art. 3º A policia dos portos da Republica impedirá o desembarque de taes individuos [...].”

BRASIL, 1890. Grafia original.

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FONTE 4: O pensamento racista e as artes

Os escritores e intelectuais das últimas décadas do século XIX também se entregaram
ao debate sobre os supostos inconvenientes da presença negra na formação
brasileira. Embaladas pela recepção do pensamento científico-racialista, a herança
africana e as mestiçagens foram objetos de intenso debate, marcados por profunda
negrofobia. A discussão chegou também às artes plásticas. É bem conhecido o quadro
A Redenção de Cam (1895), de Modesto Brocos y Gómez (1852-1936), pintor galego
radicado no Rio de Janeiro, com passagem pela Academia Imperial de Belas Artes. No
momento em que a igualdade jurídica estava em vias de alcançar a letra da lei, o
discurso cientificista renovou e modernizou o racismo brasileiro, agora com tintas
científico-biológicas.”

SCHNEIDER, 2018.

26

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A. A qual contexto histórico as fontes estão fazendo referência? Qual a relação entre os textos
e a obra de Modesto Brocos? Como o quadro expõe visualmente a ideia de “branqueamento”
da sociedade brasileira?

B. Qual era a importância da imigração europeia para o projeto republicano que almejava uma
nova “identidade nacional”? Explique a partir do Decreto de 1890.

C. O título do quadro remete ao mito bíblico da maldição lançada por Noé sobre seu filho,
Cam. Por que o nome dado a obra foi “A redenção de Cam”? Qual a relação dessa
denominação com as teorias cientificistas daquele contexto?

Agora, com seu colega, responda:

FAÇA AGORA

15 MINUTOS

27

media

A pintura de Brocos foi criada pouco depois de declaradas a abolição da escravidão e da
instituição da Primeira República no país. No caminho para um suposto “progresso”,
para a “civilização”, o Brasil adotava a Europa branca como referência. Sua população
era diferente da europeia. O negro representava, aos olhos de boa parte da
intelectualidade, o passado e o atraso. Surgiram no século XIX as chamadas teorias
científicas do branqueamento, propondo como “solução para o problema” misturar a
população negra com a branca, incluindo os imigrantes europeus, geração por geração,
até mudar o perfil “racial” do país, de negro para branco. Os ex-escravizados à margem
da sociedade, somaram-se à população pobre, miscigenada, tornando-se os indesejados
dos novos tempos, os deserdados da República. A obra de Brocos é considerada uma
representação visual das teorias racistas de sua época, como afirmou o médico e diretor
do Museu Nacional brasileiro, João Batista de Lacerda: “O negro passando a branco, na
terceira geração, por efeito do cruzamento de raças”.

Correção

A. A qual contexto histórico as fontes estão fazendo referência? Qual a relação entre os textos e a
obra de Modesto Brocos? Como o quadro expõe visualmente a ideia de “branqueamento” da
sociedade brasileira?

CONTINUA

28

media

As políticas migratórias foram estabelecidas dentro desse contexto: os imigrantes
europeus eram vistos como um meio para aumentar rapidamente a proporção de
brancos, possuidores do “capital eugênico” necessário para o processo de civilização
nacional. A concepção republicana para a imigração branca era vista como uma “política
de desenvolvimento” do país, onde raça e racismo se relacionavam diretamente com o
progresso da nação.

O decreto nº 528, de 28 de junho de 1890, regulariza a política imigratória no território
nacional, impedindo a entrada de africanos e asiáticos e promovendo a livre entrada e
circulação de trabalhadores europeus no Brasil.

Correção

B. Qual era a importância da imigração europeia para o projeto republicano que almejava uma
nova “identidade nacional”? Explique a partir do Decreto de 1890.

CONTINUA

29

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Na Bíblia se encontra uma explicação para a “diversidade humana”, classificando a
humanidade em três grandes grupos, cada um deles representados por um dos filhos de
Noé: “Jafet” seria o ancestral dos brancos, “Sem” dos amarelos e “Cam”, pai de Canaã,
seria o ancestral dos negros. O “Gênesis” narra a aliança que Deus fez com Noé e seus
filhos, que sobreviveram à devastação do dilúvio e reiniciaram a vida na terra. Noé, ao ser
informado do desrespeito de Cam, diante da zombaria e exposição do pai a nudez e
embriaguez aos irmãos, amaldiçoa-o dizendo que seu filho Canaã e os filhos destes
seriam escravizados pelos filhos de seus irmãos: “Maldito seja Canaã, disse ele; que ele
seja o último dos escravos de seus irmãos!” (9, 25-26-27). Ao contrário da passagem
bíblica que faz alusão à “maldição” do filho de Noé, a reinterpretação de Brocos traz a
ideia de “salvação” dos descendentes de Cam, que se daria por meio da sua extinção, via
“branqueamento”. A visão é de extrema violência, pois sugere a o desaparecimento, a
extinção como “redenção” – ou seja, o branqueamento como um caminho para a
“emancipação” nacional”.

Correção

C. O título do quadro remete ao mito bíblico da maldição lançada por Noé sobre seu filho Cam.
Por que o nome dado a obra foi “A redenção de Cam”? Qual a relação dessa denominação com
as teorias cientificistas daquele contexto?

30

media

Assista!

Assista!

Após seus estudos da aula de hoje, para sintetizar suas ideias, elabore
frases desconstruindo o racismo estrutural e institucional de nossa
sociedade!

Os vídeos são aportes para iniciar suas reflexões e, obviamente como estamos em uma

aula de História, estabeleça relações entre o presente e o passado! Lembre-se de construir

bons argumentos e de forma complexa, considerando que precisam expor

seus conhecimentos em uma única frase!

A ARTE DA

FRASE

Veja. Dez expressões racistas que você fala sem

perceber. Disponível em:

https://www.youtube.com/watch?v=E_BjYPOE3ag

Acesso em: 3 maio 2024.

Canal da Lili. 16 termos racistas para abolir do seu

vocabulário. Disponível em:

https://www.youtube.com/watch?v=HjSzfo3Jlew

Acesso em: 3 maio 2024.

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33

Open Ended

Digite sobre o que foi abordado nesta aula

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Analisamos as características da sociedade da Primeira República, destacando as
desigualdades sociais do contexto, associadas à questão racial;


Examinamos de forma crítica as teorias raciais da segunda metade do século XIX, suas
implicações políticas e sociais;


Realizamos uma reflexão crítica sobre os legados da desigualdade social e racial,
associando as temáticas aos desafios contemporâneos das lutas por igualdade e justiça
social.

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A “imagem” do Brasil na Primeira
República: um retrato da exclusão

História

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