
Aula 02 - Do outro lado residem os outros
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11th Grade
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Prof. LUIS ROSA
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27 Slides • 9 Questions
1
Do outro lado, residem “os outros”:
questões agrárias e sociais no Brasil
História
3obimestre – Aula 2
Ensino Médio
2
●
Conflitos e contestações na
Primeira República: Canudos.
●
Analisar os impactos na sociedade
brasileira do movimento de
Canudos dentro do contexto da
Primeira República;
●
Refletir sobre a construção de
narrativas e estereotipias em
relação à população e eventos
ocorridos em Canudos;
●
Analisar o discurso cientificista com
base na obra Os sertões,
relacionando-o com o contexto
histórico e os desdobramentos do
conflito.
3
(EM13CHS606) Analisar as características socioeconômicas da sociedade brasileira – com base na análise de documentos (dados, tabelas, mapas etc.) de diferentes fontes – e propor medidas para enfrentar os problemas identificados e construir uma sociedade mais próspera, justa e inclusiva, que valorize o protagonismo de seus cidadãos e promova o autoconhecimento, a autoestima, a autoconfiança e a empatia. (SÃO PAULO, 2020, p. 195)
4
Multiple Choice
Escolha a data correta sobreo inínio e o fim da Primeira República no Brasil
5
●
Você já ouviu falar ou leu alguma
coisa sobre o conflito em Canudos,
no sertão baiano? O que sabe
sobre isso?
●
Quais problemas sociais são
apresentados pela letra da música
“Súplica cearense”, originalmente
gravada por Luís Gonzaga e
reinterpretada pelo grupo O Rappa?
●
Qual é a relação da letra da música
com a Revolta de Canudos
Assista ao vídeo antes de
discutir os tópicos abaixo:
3 MINUTOS
VIREM E
CONVERSEM
Assista!
Súplica Cearense. O Rappa.
Álbum “Sete Vezes”. Warner Music, 2008. Disponível em:
https://www.youtube.com/watch?v=F19PnbWigSA&t
=2s Acesso em: 3 mai. 2024.
6
7
Fill in the Blank
Qual é o evento destacado no vídeo?
8
Do outro lado, residem “os outros”...
Em 1896, começou o conflito armado de maior visibilidade nos momentos iniciais da
República, prontamente transformado em bode expiatório nacional: um cancro*
monarquista, diziam as elites reunidas na corte e longe dos sertões. A rebelião opôs a
população de Canudos, arraial que cresceu no interior da Bahia, ao recém-criado governo
da República. Em 1897, com a missão de cobrir os acontecimentos para o jornal O Estado
de S. Paulo, o jornalista Euclides da Cunha levou um susto. Republicano de carteirinha,
ele havia embarcado para a Bahia com a convicção de que a República iria derrotar uma
horda desordenada de fanáticos maltrapilhos – ainda por cima acusados de “monarquistas”
–, acoitados** num arraial miserável. Atônito, descobriu, nos sertões baianos, uma guerra
longa e misteriosa, um adversário com enorme disposição para o combate, um refúgio
sagrado, uma comunidade organizada e uma terra desconhecida.”
SCHWARCZ; STARLING, 2015, p. 332 e 333.
“
DIÁLOGO COM HISTORIADORES
*Cancro: tumor maligno/câncer.
** Acoitados: escondidos, foragidos.
CONTINUA
9
Multiple Choice
Quais os dois projetos de governo estava envolvios na revolta de canudos?
10
Canudos incomodou o governo da República e os grandes proprietários de terras da região por uma razão principal: era uma nova maneira de viver no sertão, à parte do sistema de poder constituído. É certo que o arraial não chegou a representar uma experiência de vida igualitária [...]. Mas é certo também que se tratava de uma experiência social e política distinta daquela do governo central republicano: o trabalho no arraial baseava-se no princípio de posse e uso coletivo da terra, e na distribuição do que nela se produzia.”
“
Montagem, localização de Canudos, sertão
da Bahia (com recorte) – Elaborado
especialmente para a aula.
SCHWARCZ; STARLING, 2015, p. 332 e 333.
CONTINUA
11
Multiple Choice
Qual era o objetivo de Antonio Conselheiro em Canudos?
12
O resultado da produção era dividido entre o trabalhador e a comunidade, a autoridade religiosa
do Conselheiro* não dependia do reconhecimento da Igreja católica, e Canudos não estava
submetida a chefes políticos da região – representava um elemento perturbador num mundo
dominado pelo latifúndio.”
No impacto da descoberta, anotando tudo que via e ouvia, Euclides adotou nova perspectiva, e
tornou-se um grande escritor. Sua história assumiu um tom de denúncia. Foi muito além da
reportagem de guerra: insistiu em revelar o efeito das secas na paisagem arruinada do sertão
baiano e a devastação do meio ambiente produzida pelas queimadas no Semiárido Nordestino;
inscreveu na natureza uma feição dramática capaz de projetar, no enredo de sua narrativa,
imagens de medo, solidão, abandono; reconheceu no mundo sertanejo uma marca do
esquecimento secular e coletivo do país. Em Os sertões, publicado em 1902, Euclides da Cunha
retomou a história da guerra contra Canudos com um enfoque mais amplo do que usara nos
artigos de jornal. Mas manteve o tom de acusação. […] Seu livro virou monumento; é o
memorial de Canudos”.
“
DIÁLOGO COM HISTORIADORES
*Antônio Vicente Mendes Maciel (1830 -1897), mais conhecido como Antônio
Conselheiro, foi um líder religioso e o fundador do arraial do Belo Monte – Canudos.
CONTINUA
13
Você sabia?
Assista!
Canal da Lili. Biografia Euclides da Cunha
Disponível em:
https://www.youtube.com/watch?v=eeEXpcym_mg Acesso em:
3 mai. 2024
Euclides da Cunha (1866-1909), foi
um escritor, jornalista e professor
brasileiro, autor da obra Os Sertões.
Foi enviado como correspondente ao
Sertão da Bahia, pelo jornal O Estado
de São Paulo, para cobrir a guerra no
município de Canudos.
Imagem (recorte/sem
fundo). Instituto
Moreira Salles.
CONTINUA
14
15
Multiple Choice
Em qual obra Euclides da Cunha aborda sobre Canudos?
16
Reflita sobre os textos dos
slides a seguir:
DICA: “Os Sertões” em 1 minuto. Canal Estadão.
Disponível em:
https://www.youtube.com/watch?v=0ycevG85mqg&t=1s Acesso em:
3 mai. 2024.
TODO MUNDO
ESCREVE
10 MINUTOS
“O sertanejo é, antes de tudo, um
forte”, disse Euclides da Cunha. No
entanto, ainda que a experiência em
Canudos tenha provocado a simpatia
e admiração pela figura do sertanejo,
as ideias do cientificismo racial
estão presentes em Os sertões:
“A mistura de raças mui diversas é,
na maioria dos casos, prejudicial”.
•
A partir dos excertos de textos
nos slides a seguir, reflita: Qual era a
importância da questão racial para o
desenvolvimento do país?
Assista!
17
18
TEXTO I. A terra: o meio e a raça euclidiana
[...] Euclides da Cunha encontrou em Canudos um ‘laboratório vivo’ para dar vazão
às suas inquietações sobre a formação da nação brasileira [...] Canudos era a
representação do paroxismo* a que o atraso poderia levar o país, caso o Brasil não
assumisse o claro compromisso de se unir ao mundo civilizado. Ao abandonar uma
justificativa eminentemente política para uma resistência sertaneja tão determinada,
[...] meio e a raça foram os elementos que permitiram o equacionamento euclidiano
para o desastre de Canudos, combinação que teve por base um conjunto de teorias
muito em voga na passagem do século XIX para o XX no Brasil.”
“
*Paroxismo: auge, maior intensidade, ponto mais elevado.
CONTINUA
HERMANN, 1998, p. 144 e 145.
19
[...] O processo evolutivo que Euclides acreditava reger a história da civilização esteve
presente na própria elaboração da estrutura narrativa de Os sertões, que inicia com a
descrição do meio sertanejo: a terra. Descendo a detalhes da formação geológica e
morfológica do sertão baiano, Euclides ressaltou a aspereza do solo, a secura dos ares,
a configuração topográfica e climática que deu origem ao sertanejo.
Tal como a natureza, inóspita e acuada por agressões permanentes, seculares,
o homem do sertão nasceu desse ‘martírio’ e da luta cotidiana pela sobrevivência,
tendo por isso uma força física extraordinária e uma capacidade ‘inata’ para domar
as dificuldades geográficas e climáticas. Mas esse homem forte, viril, possuía uma
degenerescência primordial, uma formação racial nefasta, que o torna fraco
moralmente.”
“
HERMANN, 1998, p. 144 e 145.
20
[...] A gênese das raças mestiças do Brasil é um problema que por muito tempo ainda
desafiará o esforço dos melhores espíritos.[..] Abstraiamos de inúmeras causas
perturbadoras, e consideremos os três elementos constituintes de nossa raça em si
mesmos [índios, negros e brancos], intactas as capacidades que lhes são próprias.
[...] Os elementos iniciais não se resumem, não se unificam; desdobram-se; originam
número igual de subformações - substituindo-se pelos derivados, sem redução alguma,
em uma mestiçagem embaralhada onde se destacam como produtos mais
característicos o mulato, o mameluco ou curiboca, e o cafuz. [...] Não temos unidade
de raça. Não a teremos, talvez, nunca. [...] A nossa evolução biológica reclama a
garantia da evolução social. Estamos condenados à civilização. Ou progredimos, ou
desaparecemos.”
“
TEXTO II. O homem
CUNHA, 2000, p. 63 e 65.
21
• Qual era a importância da questão racial para o desenvolvimento do país?
Influenciado pelos referenciais evolucionistas e cientificistas (racismo científico), a
questão racial para Euclides da Cunha caminhava lado a lado com o desenvolvimento
do Brasil. Como o país não possuía uma “unidade de raça”, não poderia ter uma
unidade social. Na famosa frase: “Ou progredimos, ou desaparecemos”, defende a
evolução (biológica, social, civilizacional), que era inviabilizada pelo atraso do norte,
representado pelo “mestiço”, ainda que em diferentes trechos da obra “separa” o
mestiço do sul (mulato) do sertanejo (misto de europeu e indígena que seria uma
“sub-raça”).
O sertanejo, segundo Euclides, seria uma síntese do clima, do solo, das raças, das
múltiplas mestiçagens, ainda que observasse que, sem fardas, os homens do exército
republicano, não se diferenciavam dos “jagunços”. O autor considerava necessária a
formação de uma “raça histórica”; o que poderia demorar anos, para que o Brasil
pudesse constituir uma civilização de fato. O sertão ainda seriam os “outros”...
Correção
22
No final do século XIX, cerca de 64% da população brasileira vivia na zona rural.
A Proclamação da República (1889) não trouxe benefícios para a maioria dessas pessoas.
Destituídos de bens, continuavam na miséria, explorados pelos grandes proprietários,
sofrendo as agruras das secas cíclicas, o desemprego crônico e sem qualquer assistência do
governo. Nas áreas rurais, os ex-escravizados misturavam-se à população pobre, constituindo
a vasta população de caipiras, sertanejos e caboclos. Essa população vagava pelos sertões,
estabelecendo-se por curto tempo em fazendas para cultivar uma pequena roça de
subsistência. Depois, voltava a perambular. Por volta de 1871, o cearense Antônio Vicente
Mendes Maciel, apelidado de Antônio Conselheiro, começou a pregar pelo sertão do Ceará,
Pernambuco, Bahia, Alagoas e Sergipe. Como fora educado para ser padre, sabia ler e
escrever. Levava uma vida modesta e muito religiosa. Além de pregar, trabalhava construindo
e reformando igrejas, cemitérios, casas e açudes”.
Em 1893, Antônio Conselheiro decidiu fixar-se na região de Canudos, na Bahia, adquirindo
fama de homem santo. Ali fundou a cidade de Belo Monte. O nome da cidade acabou se
confundindo com o da região, e ambos – Belo Monte e Canudos – passaram a indicar a
mesma localidade. (DOMINGUES, s.d. Adaptado).
Antônio Conselheiro e Canudos na República
CONTINUA
23
Multiple Choice
Qual era a porcentagem da população brasileira que vivia na zona rural no final do século XIX?
75%
64%
80%
50%
24
Multiple Choice
O que a Proclamação da República (1889) trouxe para a maioria das pessoas na zona rural?
Benefícios econômicos
Acesso à saúde
Melhorias na educação
Nenhum benefício
25
Multiple Choice
Quem começou a pregar pelo sertão do Ceará, Pernambuco, Bahia, Alagoas e Sergipe por volta de 1871?
Lampião
Padre Cícero
Dom Pedro II
Antônio Conselheiro
26
Os poderosos ameaçados
A concentração de sertanejos preocupou
os grandes fazendeiros da região pela
perda de mão de obra barata e diminuição
de seus ‘currais eleitorais’. As autoridades
religiosas também temiam o prestígio
popular de Antônio Conselheiro e
concordavam que era preciso acabar com
o movimento de fiéis à sua volta. Os
jornais divulgavam que Canudos era
povoada por fanáticos perigosos e que
Conselheiro era monarquista e, portanto,
uma ameaça à República. Isso porque, em
suas pregações, ele criticava o casamento
civil e a cobrança de certos impostos,
chegando a queimar ordens de cobrança
fiscal”. DOMINGUES, s.d.
“
Pintura retratando Canudos antes da guerra (autor
desconhecido).
CONTINUA
27
Multiple Choice
A quem incomodou a concentração de sertanejo em Canudos?
Fazendeiros, igreja e governo
28
Logo espalharam-se rumores que Canudos se
armava para atacar cidades vizinhas e partir em
direção à capital para depor o governo
republicano e reinstalar a Monarquia. Teve início,
então, um forte grupo de pressão junto ao
governo, pedindo que fossem tomadas
providências contra Antônio Conselheiro e seus
seguidores. O conflito de Canudos mobilizou
aproximadamente 12 mil soldados oriundos de
dezessete estados brasileiros, distribuídos em
quatro expedições militares. Em 1897, na quarta
incursão, os militares incendiaram o arraial,
mataram grande parte da população e
degolaram centenas de prisioneiros. Estima-se
que morreram ao todo por volta de 20 mil
pessoas, culminando com a destruição total da
povoação.” DOMINGUES, s.d.
Fotografia de Flávio de Barros. “400
Jagunços Prisioneiros”, 1897. Canudos, Bahia.
Sobreviventes da Guerra de Canudos, sob a
guarda do Exército republicano. Mais de
trezentas pessoas, entre mulheres, crianças e
idosos, rendidos nos últimos dias do conflito.
Acervo Museu da República.
“
29
A) Quais argumentos o historiador Nicolau Sevcenko apresenta para analisar o Conflito de
Canudos (fonte 1)? Por que a sociedade e a cultura tradicional, na Primeira República, não
representavam o ideal de nação?
B) Em nota preliminar à primeira edição de Os sertões (Campanha de Canudos), Euclides
conclamou a denúncia. Lendo o fragmento (fonte 2), é possível identificar a crítica do autor
em relação ao desfecho da guerra?
A partir das fontes nos slides a seguir, em duplas, analise “A LUTA” de
Canudos!
FAÇA
AGORA
10 MINUTOS
30
FONTE 1: O prelúdio republicano, astúcias da ordem e ilusões do
progresso
Esse conjunto de transformações [abolição, imigração estrangeira, práticas de trabalho
assalariado] gerou um amplo processo de desestabilização da sociedade e cultura-
tradicionais, cujo sintoma mais nítido e mais excruciante*, pelos custos implicados no
desejo das novas elites de promover a modernização ‘a qualquer custo’ foi o episódio
da Revolta de Canudos, de 1893 a 1897. As autoridades republicanas foram alertadas
sobre a existência do povoado de Canudos, no sertão da Bahia, nesse ano de 1893, pois
até então ele nem sequer constava dos mapas oficiais”.
“
*Excruciante: Aflitivo; que é doloroso; que consome, atormenta e tortura.
SEVCENKO, 1998, p. 16 e 17
31
Os dirigentes no Rio de Janeiro receberam a queixa das autoridades baianas, relativas a
um núcleo de ‘fanáticos religiosos’ comandados ‘por um indivíduo Antônio Vicente Mendes
Maciel, que pregando doutrinas subversivas fazia grande mal à religião e ao Estado,
distraindo o povo e arrastando-o após si, procurando convencer de que era o Espírito
Santo, insurgindo-se contra as autoridades constituídas, às quais não obedecia e manda
desobedecer’.[...]
Por fim foi enviada do próprio Rio de Janeiro uma expedição militar fortemente armada,[...]
comandada pelo general Moreira César, notório pelo entusiasmo sanguinário com que
suprimia grupos rebeldes. Para espanto geral, não só a expedição foi totalmente
desbaratada, como o general Moreira César foi abatido pelo fogo inimigo. Pânico geral! A
única maneira de justificar a catástrofe foi atribuir aos revoltosos a imagem de
conspiradores monarquistas, decididos a derrubar o novo regime, mantidos, organizados e
fortemente armados a partir do exterior por líderes expatriados do regime imperial. Aniquilá-
los por completo era portanto uma questão de vida ou morte para a jovem República.”
“
32
FONTE 2: Últimos dias
Canudos não se rendeu. Exemplo único em toda a História, resistiu até ao esgotamento
completo. Expugnado* palmo a palmo, na precisão integral do termo, caiu no dia 5, ao
entardecer, quando caíram os seus últimos defensores, que todos morreram. Eram quatro
apenas: um velho, dois homens feitos e uma criança, na frente dos quais rugiam
raivosamente cinco mil soldados. Forremo-nos à tarefa de descrever os seus últimos
momentos. [...]
Caiu o arraial a 5. No dia 6 acabaram de o destruir desmanchando-lhe as casas, 5200,
cuidadosamente contadas. Antes, no amanhecer daquele dia, comissão adrede**
escolhida descobrira o cadáver de Antônio Conselheiro. Jazia num dos casebres anexos
à latada, e foi encontrado graças à indicação de um prisioneiro [...] mal o reconheceram
os que mais de perto o haviam tratado durante a vida”.
.
*Expugnado: Tomar à força de armas, levar de assalto; dominar, vencer; expugnar uma fortaleza.
**Adrede: Previamente.
“
CUNHA, 2000, p. 514 e 515.
33
A) Quais argumentos o historiador Nicolau Sevcenko apresenta para analisar o Conflito de Canudos
(fonte 1)? Por que a sociedade e a cultura tradicional, na Primeira República, não representavam o
ideal de nação?
O projeto nacional da Primeira República e seus ideais de modernidade, de progresso e
civilização “de cima para baixo”, consideraram a cultura tradicional, representada pela
população de Canudos um retrocesso, “um perigo”, já que supostamente desafiavam a
autoridade do Estado (oligarquias) e, notadamente, a religião oficial com seu núcleo de
“religiosos fanáticos” liderados por Antônio Conselheiro. Grandes fazendeiros (oligarquias)
sentiram-se incomodados com o êxodo de trabalhadores da região, que privou as fazendas de
mão de obra (após a Abolição), já que inúmeros ex-escravizados e indígenas (que
trabalhavam compulsoriamente junto a comunidades jesuíticas), juntaram-se a Conselheiro. A
narrativa oficial atribuiu aos revoltosos de Canudos a imagem de conspiradores
monarquistas, alegando que eles eram organizados e fortemente armados do exterior por
líderes expatriados do regime imperial desafiando a recente república, ameaçando a unidade
nacional e os interesses das elites republicanas. A violência utilizada pelo governo na
tentativa de eliminar Canudos demonstra a fragilidade e a intolerância do regime republicano
do período.
Correção
34
B) Em nota preliminar à primeira edição de Os sertões (Campanha de Canudos), Euclides
conclamou a denúncia. Lendo o fragmento (fonte 2), é possível identificar a crítica do autor
em relação ao desfecho da guerra?
Como um “observador-viajante”, Euclides da Cunha iniciou sua experiência no Sertão
com a mesma perspectiva sudestina e letrada de um republicano diante de uma
“conspiração monarquista”. Findada a guerra, sua percepção foi outra. Ainda que
envolvido com as teorias cientificistas, acabou vendo o sertanejo, “bárbaro” e
“inferior” para o discurso civilizatório, com simpatia. Escandalizado com a atuação
violenta das forças militares, condena a repressão exacerbada e as
considera moralmente condenáveis, um crime de seus companheiros republicanos.
Correção
35
Leia o fragmento de texto (Link/QR Code) que aborda como a historiografia, posterior à obra
euclidiana, trouxe novas interpretações sobre a Guerra de Canudos e elabore um texto
argumentativo, explicando como essa perspectiva de análise se relaciona com a frase do
escritor Ariano Suassuna.
APLICANDO
*Combine com seu(sua)
professor(a) a data de entrega da
proposta!
TODO MUNDO
ESCREVE
O que houve em Canudos e continua a acontecer hoje, no campo como nas grandes cidades
brasileiras, foi o choque do Brasil "oficial e mais claro" contra o Brasil "real e mais escuro [...]".
SUASSUNA, 1999.
“
Leia o texto complementar!
Disponível em:
https://cutt.ly/gw8euHWX . Acesso
em: 10 junho 2024.
Leia!
36
● Analisamos
os
impactos
na
sociedade brasileira do movimento
de
Canudos
no
contexto
da
Primeira República;
● Refletimos sobre a construção de
narrativas
e
estereotipias
em
relação à população e aos eventos
ocorridos em Canudos;
● Analisamos o discurso cientificista
a
partir
da
obra
Os
sertões,
relacionando-o
com
o
contexto
histórico e os desdobramentos do
conflito.
Foto: Flávio de Barros. “Prisão de jagunços pela cavalaria”.
Canudos, BA, 1897. Álbum canônico de Canudos. Coleção
Instituto Geográfico e Histórico da Bahia. Arquivo digital.
Acervo Instituto Moreira Salles/ Museu da República.
Do outro lado, residem “os outros”:
questões agrárias e sociais no Brasil
História
3obimestre – Aula 2
Ensino Médio
Show answer
Auto Play
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