
Recomposição 2
Presentation
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Education
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12th Grade
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Practice Problem
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Hard
ELISANGELA DOS SANTOS CORDEIRO
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5 Slides • 11 Questions
1
As culturas científica e humanística eram separadas, entre outras razões, pela linguagem. Tinham vocabulários diferentes. Seus códigos não combinavam. Previa-se até que se distanciariam tanto que um dia nenhuma comunicação seria possível entre as duas. O advento da língua comum dos computadores parecia ter diminuído essa discrepância, mas curiosamente a divisão perdurou, agora entre facções da mesma cultura, que usam o mesmo vocabulário e não se entendem. Economistas de um lado e de outro (rudemente, esquerda e direita) lidam com os mesmos números, analisam os mesmos gráficos, recebem as mesmas informações e falam todos o mesmo idioma universal, só variando o estilo – e veem e preveem coisas diferentes.
A não ser que se procure a causa da cisão no terreno movediço do caráter de cada um, ela não tem explicação. Ou tem: o mundo da ciência econômica, como todos os mundos, está subdividido entre humanistas e seus contrários, que divergem nos seus pressupostos antes de divergirem nas suas interpretações e receitas. O que os separa é o valor que dão à vida humana, o princípio de todas as equações matemáticas para uns e um dado irrelevante para outros. Não se trata de ter melhor ou pior coração. Como já disse alguém, ninguém tem o monopólio dos bons sentimentos. Mas a sua escolha de lado na divergência entre economistas, no fim, é uma definição de escolha política. É-se solidário pela mais egoísta das razões, por uma preocupação elementar com a salubridade do meio em que se respira, porque uma civilização que sacrifica o ser humano pelo lucro não é exatamente o ambiente em que se quer viver.
Quando a Europa submergiu na intolerância religiosa e no obscurantismo da Idade das Trevas, dominada por uma espécie de pensamento único que condenava como heresia qualquer forma de desafio dos dogmas da Igreja, e nem os reis sabiam ler, foi nos claustros da própria Igreja que a escrita e a cultura clássica foram preservadas e, quase sem querer, resistiram ao dogma. Hoje, outra vez, uma minoria herética se vê sitiada por dogmas inquestionáveis. Mas a Idade das Trevas acabou na Renascença.
(Por Luiz Fernando Veríssimo. Disponível em: http://www.jornalcontato.com.br/home/index.php/heresia-luis-fernando-verissimo-o-globo/
Leia o texto abaixo para responder as questões 1 e 2.
Heresia
2
Multiple Choice
1. (FSERJ) Esse texto foi escrito com a finalidade comunicativa de:
Defender o respeito à vida humana.
Defender o ponto de vista científico.
Esclarecer as divergências entre economistas de esquerda e de direita.
Explicar a diferença entre a cultura científica e a cultura humanística.
Enaltecer as culturas pela união e parceria pela vida.
3
Multiple Choice
2. (FSERJ) De acordo com o texto, a cultura científica e a cultura humanística:
Distanciaram-se tanto, que não conseguem mais dialogar.
Representam duas formas diferentes de interpretar o mundo.
Fundiram-se com a globalização das informações, por isso não há mais divisão de lados.
Mantêm não só suas diferenças bem delimitadas, como também um vocabulário próprio.
4
Multiple Choice
3. Compreende-se a partir das informações trazidas pelo gráfico que
o telejornalismo comprovou ser mais confiável dos que as redes sociais e demais aplicativos de mensagens.
segundo o estudo, as mídias sociais são consideradas as fontes de notícias mais confiáveis.
veículos de notícias exclusivamente online são considerados não confiáveis por toda a população.
a imprensa não conseguiu livrar-se das acusações de fake news e continuou a amargar altos níveis de desconfiança entre os consumidores de notícias.
os aplicativos de mensagens foram os mais indesejados para se confiar em suas informações.
5
Multiple Choice
O padrão de linguagem usado no texto sugere que se trata de um falante
escrupuloso em ambiente de trabalho.
ajustado às situações informais.
rigoroso na precisão vocabular.
exato quanto à pronúncia das palavras.
contrário ao uso de expressões populares.
6
Paula Taitelbaum é uma poeta gaúcha que acaba de lançar seu segundo livro [...] onde encontrei um poema com apenas dois versos que diz assim: “Pior do que uma voz que cala/É um silêncio que fala”.
Simples. Rápido. E quanta força. Imediatamente me veio à cabeça situações em que o silêncio me disse verdades terríveis, pois você sabe, o silêncio não é dado a amenidades.
Um telefone mudo. Um e-mail que não chega. Um encontro onde nenhum dos dois abre a boca. Silêncios que falam sobre desinteresse, esquecimento, recusas. Quantas coisas são ditas na quietude, depois de uma discussão. O perdão não vem, nem um beijo, nem uma gargalhada para acabar com o clima de tensão. Só ele permanece imutável, o silêncio, a ante-sala do fim.
É mil vezes preferível uma voz que diga coisas que a gente não quer ouvir, pois ao menos as palavras que são ditas indicam uma tentativa de entendimento. Cordas vocais em funcionamento articulam argumentos, expõem suas queixas, jogam limpo. Já o silêncio arquiteta planos que não são compartilhados. Quando nada é dito, nada fica combinado.
Quantas vezes, numa discussão histérica, ouvimos um dos dois gritar: “diz alguma coisa, diz que não me ama mais, mas não fica aí parado me olhando”. É o silêncio de um mandando más notícias para o desespero do outro.
É claro que há muitas situações em que o silêncio é bem-vindo. Para um cara que trabalha com uma britadeira na rua, o silêncio é um bálsamo. Para a professora de uma creche, o silêncio é um presente. [...] Mesmo no amor, quando a relação é sólida e madura, o silêncio a dois não incomoda, pois é o silêncio da paz. O único silêncio que perturba é aquele que fala. E fala alto. É quando ninguém bate a nossa porta, não há recados na secretária eletrônica e mesmo assim você entende a mensagem.
MEDEIROS, Martha. A voz do Silêncio. In: Poesia galvaneana. Disponível em: https://bit.ly/3ozih8V. Acesso em: 12 jul. 2022. Fragmento.
By ELISANGELA DOS SANTOS CORDEIRO
Texto 1
A voz do silêncio (Martha Medeiros)
7
Quando eu morder
a palavra,
por favor,
não me apressem,
quero mascar,
rasgar entre os dentes,
a pele, os ossos, o tutano
do verbo,
para assim versejar
o âmago das coisas.
Texto 2
Da Calma e do Silêncio
EVARISTO, Conceição. Da Calma e do Silêncio. In: Poemas da recordação e outros movimentos. Belo Horizonte: Nandyala, 2008.
Quando meu olhar
se perder no nada,
por favor,
não me despertem,
quero reter,
no adentro da íris,
a menor sombra,
do ínfimo movimento.
Quando meus pés
abrandarem na marcha,
por favor,
não me forcem.
Caminhar para quê?
Deixem-me quedar,
deixem-me quieta,
na aparente inércia.
Nem todo viandante
anda estradas,
há mundos submersos,
que só o silêncio
da poesia penetra.
8
Multiple Choice
Qual é a principal mensagem do texto?
O silêncio é sempre negativo e deve ser evitado.
O silêncio pode ser mais eloquente do que palavras.
O silêncio é um sinal de desinteresse e esquecimento.
O silêncio é um presente em todas as situações.
O silêncio é a única forma de comunicação verdadeira.
9
Multiple Choice
Como o silêncio é descrito no Texto 2?
Como uma força que deve ser evitada.
Como uma pausa necessária para a reflexão.
Como uma barreira para a comunicação.
Como um elemento que causa desconforto.
Como uma forma de evitar conflitos.
10
Multiple Choice
A relação do trecho “Quando nada é dito, nada fica combinado.” (4º parágrafo) com os dois períodos anteriores é de
alternância.
conclusão.
condição.
conformidade.
oposição.
11
Multiple Select
No trecho “É claro que há muitas situações em que o silêncio é bem-vindo.” (6º parágrafo), a expressão em destaque foi usada para
apresentar a dúvida do enunciador em relação ao assunto abordado no texto.
expor uma crítica do enunciador em relação ao assunto abordado no texto.
reforçar a opinião do enunciador acerca do assunto abordado no texto.
remeter à razão pela qual o assunto foi escolhido para ser abordado no texto.
revelar a indiferença do enunciador em relação ao assunto abordado no texto.
12
Namoro
O melhor do namoro, claro, é o ridículo. Vocês dois no telefone:
– Desliga você.
– Não, desliga você.
– Você.
– Você.
– Então vamos desligar juntos.
– Tá. Conta até três.
– Um… Dois… Dois e meio…
Ridículo agora, porque na hora não era não.
Na hora nem os apelidos secretos que vocês tinham um para o outro, lembra? Eram ridículos.
Ronron. Suzuca. Alcizanzão. Surusuzuca. Gongonha (Gongonhal) Mamosa. Purupupuca…
Não havia coisa melhor do que passar tardes inteiras num sofá, olho no olho, dizendo:
– As dondozeira ama os dondozeiro?
– Ama.
– Mas os dondozeiro ama as dondozeira mais do que as dondozeira ama os dondozeiro.
Na-na-não. As dondozeira ama os dondozeiro mais do que, etc.
.
13
E, entremeando o diálogo, longos beijos, profundos beijos, beijos mais do que de línguas, beijos de amígdalas, beijos catetéricos. Tardes inteiras. Confesse: ridículo só porque nunca mais.
Depois de ridículo, o melhor do namoro são as brigas. Quem diz que nunca, como quem não quer nada, arquitetou um encontro casual com a ex ou o ex só para ver se ela ou ele está com alguém, ou para fingir que não vê, ou para ver e ignorar, ou para dar um abano amistoso querendo dizer que ela ou ele agora significa tão pouco que podem até ser amigos, está mentindo.
Ah, está mentindo.
E melhor do que as brigas são as reconciliações. Beijos ainda mais profundos, apelidos ainda mais lamentáveis, vistos de longe.
A gente brigava mesmo era para se reconciliar depois, lembra? Oito entre dez namorados transam pela primeira vez fazendo as pazes.
Não estou inventando. O IBGE tem as estatísticas.
VERÍSSIMO, Luís Fernando. Correio Braziliense. 13/06/1999
14
Multiple Choice
No texto, considera-se que o melhor do namoro é o ridículo associado:
às brigas por amor.
às mentiras inocentes.
às reconciliações felizes.
aos apelidos carinhosos.
aos telefonemas intermináveis.
15
Multiple Choice
A charge critica a política executada pelos planos de saúde, pois
cobram mais caro dos jovens e mais barato dos idosos, porque estes precisam mais.
cobram muito caro da população e não prestam um serviço de qualidade.
privilegiam os jovens, que usam pouco, e discrimina os velhos, que usam mais os planos de saúde.
os planos de saúde agem de forma humana e tratam todos os pacientes com igualdade.
privilegiam os jovens, já que eles usam muito os planos de saúde.
16
Multiple Choice
A imagem do esqueleto com a foice nas mãos representa na charge
o interesse dos planos de saúde em cuidar bem das pessoas idosas.
o descaso e o desinteresse com que os planos de saúde tratam seus clientes idosos.
a realidade cruel do sistema público de saúde e a má assistência aos idosos.
o número elevado de mortes de idosos que são atendidos nos hospitais pelos planos de saúde.
a fase da vida de uma pessoa em que ela mais precisa de atendimento pelos planos de saúde.
As culturas científica e humanística eram separadas, entre outras razões, pela linguagem. Tinham vocabulários diferentes. Seus códigos não combinavam. Previa-se até que se distanciariam tanto que um dia nenhuma comunicação seria possível entre as duas. O advento da língua comum dos computadores parecia ter diminuído essa discrepância, mas curiosamente a divisão perdurou, agora entre facções da mesma cultura, que usam o mesmo vocabulário e não se entendem. Economistas de um lado e de outro (rudemente, esquerda e direita) lidam com os mesmos números, analisam os mesmos gráficos, recebem as mesmas informações e falam todos o mesmo idioma universal, só variando o estilo – e veem e preveem coisas diferentes.
A não ser que se procure a causa da cisão no terreno movediço do caráter de cada um, ela não tem explicação. Ou tem: o mundo da ciência econômica, como todos os mundos, está subdividido entre humanistas e seus contrários, que divergem nos seus pressupostos antes de divergirem nas suas interpretações e receitas. O que os separa é o valor que dão à vida humana, o princípio de todas as equações matemáticas para uns e um dado irrelevante para outros. Não se trata de ter melhor ou pior coração. Como já disse alguém, ninguém tem o monopólio dos bons sentimentos. Mas a sua escolha de lado na divergência entre economistas, no fim, é uma definição de escolha política. É-se solidário pela mais egoísta das razões, por uma preocupação elementar com a salubridade do meio em que se respira, porque uma civilização que sacrifica o ser humano pelo lucro não é exatamente o ambiente em que se quer viver.
Quando a Europa submergiu na intolerância religiosa e no obscurantismo da Idade das Trevas, dominada por uma espécie de pensamento único que condenava como heresia qualquer forma de desafio dos dogmas da Igreja, e nem os reis sabiam ler, foi nos claustros da própria Igreja que a escrita e a cultura clássica foram preservadas e, quase sem querer, resistiram ao dogma. Hoje, outra vez, uma minoria herética se vê sitiada por dogmas inquestionáveis. Mas a Idade das Trevas acabou na Renascença.
(Por Luiz Fernando Veríssimo. Disponível em: http://www.jornalcontato.com.br/home/index.php/heresia-luis-fernando-verissimo-o-globo/
Leia o texto abaixo para responder as questões 1 e 2.
Heresia
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